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Transtorno de personalidade antissocial (TPAS)

Por

Andrew Skodol

, MD, University of Arizona College of Medicine

Última modificação do conteúdo mai 2018
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Transtorno de personalidade antissocial é caracterizado por um padrão generalizado de descaso com as consequências e direitos dos outros. O diagnóstico é por critérios clínicos. O tratamento pode incluir terapia cognitivo-comportamental, fármacos antipsicóticos e antidepressivos.

Pessoas com transtorno de personalidade antissocial cometem atos ilegais, fraudulentos, exploradores e imprudentes para ganho pessoal ou prazer e sem remorsos; eles podem fazer o seguinte:

  • Justificar ou racionalizar seu comportamento (p. ex., achar que perdedores merecem perder, tomar cuidado com o número um)

  • Culpar a vítima por ser tola ou impotente

  • Ser indiferente aos efeitos exploradores e prejudiciais de suas ações sobre os outros

Quanto ao transtorno de personalidade antissocial, estima-se que as taxas de prevalência em 12 meses nos EUA (com base em critérios DSM mais antigos) variam cerca de 0,2% a 3,3%. O transtorno de personalidade antissocial é mais comum entre os homens do que entre as mulheres (6:1), e há um forte componente hereditário. A prevalência diminui com a idade, sugerindo que os pacientes podem aprender ao longo do tempo a mudar seus comportamentos mal-adaptativos e tentar construir uma vida.

Comorbidades são comuns. A maioria dos pacientes também apresenta abuso de drogas (e cerca de metade das pessoas que usam fármacos atende os critérios para transtorno de personalidade antissocial). Pacientes com transtorno de personalidade antissocial muitas vezes também têm transtorno de controle de impulsos, transtorno de deficit de atenção/hiperatividade ou transtorno de personalidade borderline.

Etiologia

Tanto fatores genéticos como ambientais (p. ex., abuso durante a infância) contribuem para o desenvolvimento do transtorno de personalidade antissocial. Um mecanismo possível é agressividade impulsiva, relacionada com o funcionamento anormal do transportador de serotonina. Desprezo pela dor dos outros durante a primeira infância foi associada ao comportamento antissocial durante a adolescência tardia.

O transtorno de personalidade antissocial é mais comum em parentes de 1º grau de pacientes com o transtorno do que na população em geral. O risco de desenvolver esse transtorno aumenta tanto em filhos adotivos como biológicos dos pais com o transtorno.

E se transtorno de conduta acompanhado por deficit de atenção/hiperatividade se desenvolve antes dos 10 anos de idade, o risco de desenvolvimento do transtorno de personalidade antissocial durante a idade adulta é maior. O risco de transtorno de conduta evoluir para transtorno de personalidade antissocial pode ser maior quando os pais abusam ou negligenciam o filho ou são inconsistentes quanto à disciplina ou em estilo parental (p. ex., alternar entre cordial e apoiador para insensível e crítico).

Sinais e sintomas

Pacientes com transtorno de personalidade antissocial podem expressar seu descaso pelos outros e pela lei destruindo propriedade, assediando outros ou roubando. Eles podem enganar, explorar, fraudar ou manipular as pessoas para conseguir o que querem (p. ex., dinheiro, poder, sexo). Eles podem usar um pseudônimo.

Esses pacientes são impulsivos, não planejam com antecedência e não consideram as consequências para a segurança deles mesmos ou dos outros. Como resultado, eles podem de repente trocar de emprego, casa ou relacionamento. Eles podem dirigir em alta velocidade e embriagados, às vezes levando a acidentes. Eles podem consumir quantidades excessivas de álcool ou usar drogas ilícitas que podem ter efeitos nocivos.

Pacientes com transtorno de personalidade antissocial são social e financeiramente irresponsáveis. Eles podem trocar de emprego sem um plano para conseguir outro. Eles podem não procurar emprego quando as oportunidades estão disponíveis. Eles podem não pagar suas contas, empréstimos, ou pensão alimentícia.

Esses pacientes são muitas vezes facilmente irritados e fisicamente agressivos; eles podem começar lutas ou abusar do cônjuge ou parceiro. Nas relações sexuais, eles podem ser irresponsáveis e explorar seu parceiro e não conseguirem permanecer monogâmicos.

Não há remorso pelas ações. Pacientes com transtorno de personalidade antissocial podem explicar suas ações culpando aqueles que eles prejudicam (p. ex., eles mereciam) ou a forma como a vida é (p. ex., injusta). Eles estão determinados a não serem intimidados e fazem o que eles acham que é melhor para si mesmos a qualquer custo.

Esses pacientes não têm empatia pelos outros e podem ser desdenhosos ou indiferente aos sentimentos, direitos e sofrimento dos outros.

Pacientes com transtorno de personalidade antissocial tendem a ter uma opinião elevada de si mesmos e podem ser muito teimosos, autoconfiantes ou arrogantes. Eles podem ser charmosos, volúveis e verbalmente superficiais em seus esforços para conseguirem o que querem.

Diagnóstico

  • Clinical criteria (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition [DSM-5])

Para o diagnóstico do transtorno de personalidade antissocial, os pacientes devem ter

  • Desprezo persistente pelos direitos dos outros

Esse desprezo mostra-se pela presença de ≥ 3 dos seguintes fatores:

  • Desprezar a lei, indicado por atos repetidamente cometidos que são motivo de detenção

  • Ser enganador, indicado por mentiras repetidas, uso de pseudônimos ou ludibriar os outros por ganho pessoal ou prazer

  • Agir impulsivamente ou não planejar com antecedência

  • Ser facilmente irritado ou agressivo, indicado por brigas físicas constantes ou agreção a outros

  • De forma imprudente desprezam sua segurança ou a segurança dos outros

  • Agir consistentemente de forma irresponsável, indicado por deixar um emprego sem planos para outro ou não pagar contas

  • Não sentir remorso, indicado pela indiferença ou racionalização da agreção ou maus-tratos de outros

Além disso, os pacientes devem ter evidências de transtorno de conduta antes dos 15 anos de idade. O transtorno de personalidade antissocial é diagnosticado apenas em pessoas ≥ 18 anos.

Diagnóstico diferencial

O transtorno de personalidade antissocial deve ser diferenciado do seguinte:

  • Transtorno por abuso de drogas: determinar se a impulsividade e irresponsabilidade resultam do uso de fármacos ou do transtorno de personalidade antissocial pode ser difícil, mas é possível com base em uma revisão da história do paciente, incluindo história inicial, para verificar se há períodos de sobriedade. Às vezes, o transtorno de personalidade antissocial pode ser diagnosticado mais facilmente após um transtorno coexistente de uso de droga ser tratado, mas transtornos de personalidade antissocial podem ser diagnosticados mesmo quando o transtorno de uso de fármacos está presente.

  • Transtorno de conduta: transtorno de conduta tem um padrão generalizado semelhante de violação de normas sociais e leis, mas o transtorno de conduta deve estar presente antes dos 15 anos de idade.

  • Transtorno de personalidade narcisista: pacientes são igualmente exploradores e não têm empatia, mas eles tendem a não ser agressivos e enganosos como ocorre no transtorno de personalidade antissocial.

  • Transtorno de personalidade borderline: pacientes são igualmente manipuladores, mas fazem isso para que sejam cuidados, em vez de para conseguir o que querem (p. ex., dinheiro, poder), como ocorre no transtorno de personalidade antissocial.

Tratamento

  • Em alguns casos, terapia cognitivo-comportamental e, às vezes, certos fármacos

Não há evidências de que qualquer tratamento específico resulte em uma melhoria de longo prazo. Assim, o tratamento visa alcançar outro objetivo a curto prazo, como evitar consequências legais, em vez de mudar o paciente. Manejo de contingência (dar ou recusar o que os pacientes querem com base em seus comportamentos) é indicado.

Pacientes agressivos com impulsividade proeminente e afeto variável podem se beneficiar do tratamento com terapia cognitivo-comportamental ou fármacos (p. ex., lítio, valproato, ISRSs). Antipsicóticos atípicos podem ajudar, mas há menos evidências sobre sua utilização.

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