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Erva de São João

Por

Laura Shane-McWhorter

, PharmD, University of Utah College of Pharmacy

Última modificação do conteúdo out 2018
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As flores da erva de São João (Hypericum perforatum) contêm em seus ingredientes biologicamente ativos hipericina e hiperforina. A erva de São João pode aumentar serotonina no sistema nervoso central e em doses muito elevadas atua como um inibidor da monoamino-oxidade (IMAO).

Alegações

Os achados dos estudos são variáveis, mas a erva de São João parece ser benéfica para pacientes com depressão leve e moderada e sem ideações suicidas. Um grande estudo bem projetado foi feito sobre a ESJ para o tratamento de depressão grave.

As doses recomendadas são de 300 a 900 mg VO uma vez ao dia de uma preparação padrão de 0,2 a 0,3% de hipericina, a 1 a 4% de hiperforina ou de ambas (geralmente). Diz-se também que a erva de São João é útil para o tratamento da infecção por vírus da imunodeficiência humana (HIV), uma vez que a hipericina inibe uma variedade de vírus encapsulados, incluindo o HIV; no entanto, foram comprovadas interações adversas com inibidores de proteases e inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa (INNTRs), de modo que sua utilização deve ser evitada (1-2). Também afirmou-se que a erva de São João trata doenças de pele, como a psoríase, bem como o transtorno de deficit de atenção e/ou hiperatividade (TDAH) nas crianças.

Evidências

Inúmeros estudos randomizados e controlados com placebo avaliaram a segurança e eficácia da erva de São João no tratamento da depressão leve a moderada e, recentemente, dos transtornos depressivos maiores (3-8). A erva de São João também foi comparada a antidepressivos tricíclicos (amitriptilina e imipramina) e, mais recentemente, aos ISRSs fluoxetina e sertralina (4-7). A maioria dos estudos controlados com placebo demonstrou que extratos padronizados da erva de São João em doses de 300 mg a 900 mg uma vez/dia tem eficácia moderada no tratamento de sintomas depressivos leves a moderados. Alguns estudos mostraram equivalência de 900 mg da erva de São João a uma dose baixa de imipramina e uma dose baixa de fluoxetina. Um estudo de pacientes com depressão maior não demonstrou melhora significativa em relação ao placebo ou a doses convencionais da sertralina ao longo de um curto período de tempo (7). No entanto, os autores afirmam que tanto a erva de São João como a sertralina foram igualmente eficazes ao longo de grandes períodos de tempo, indicando potencial valor econômico alternativo da erva de São João como tratamento terapêutico da depressão quando tomado em doses baixas e quando as interações medicamentosas não estão em questão (7).

No geral, alguns estudos mostram eficácia da erva de São João no tratamento da depressão leve, enquanto na depressão maior a maioria dos estudos não mostrou eficácia. Diferenças no desenho do estudo (falta de controle ativo e placebo), populações de estudo (depressão maior comparada a depressão leve e/ou moderada), período de tempo e posologia da erva de São João ou dos agentes comparativos são prováveis responsáveis por parte da variação dos resultados.

Mas existem 2 análises recentes da erva de São João para depressão (9,10). Uma revisão sistemática feita em 2016 com 35 estudos (6.993 indivíduos) comparou a erva de São João com placebo ou antidepressivos convencionais. A erva de São João foi superior ao placebo, mas sem nenhuma diferença em relação aos antidepressivos convencionais para depressão leve a moderada. No entanto, os estudos foram heterogêneos e não se estudou depressão grave (9). Uma metanálise feita em 2017 com 27 estudos (3.808 participantes) comparou a erva de São João aos ISRSs. A erva de São João foi comparável aos ISRSs em termos da resposta e remissão para depressão leve a moderada, mas com taxas mais baixas de suspensão do tratamento(10).

Dois estudos-piloto muito pequenos mostram potencial alívio com a aplicação tópica para doenças de pele, como a psoríase (11-12). Um pequeno estudo mostrou que a erva de São João (hipericina padronizada, mas não hiperforina) não aliviou sintomas de deficit de atenção e hiperatividade em crianças (13).

Efeitos adversos

Fotossensibilidade, boca seca, constipação intestinal, tontura, confusão e mania (em pacientes com doença bipolar) podem ocorrer. A erva de São João é contraindicada para gestantes.

Interações medicamentosas

As interações adversas potenciais ocorrem com ciclosporina, digoxina, suplementos de ferro IMAOs, INNTRs, contraceptivos orais, inibidores da protease, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), antidepressivos tricíclicos e varfarina (14-16).

Referências sobre erva de São João

  • Maury W, Price JP, Brindley MA, et al: Identification of light-independent inhibition of human immunodeficiency virus-1 infection through bioguided fractionation of Hypericum perforatum. Virol J6:101-113, 2009. doi:10.1186/1743-422X-6-101.

  • Kakuda TN, Schöller-Gyüre M, Hoetelmans RM: Pharmacokinetic interactions between etravirine and non-antiretroviral drugs. Clin Pharmacokinet 50(1):25-39, 2011. doi: 10.2165/11534740-000000000-00000.

  • Solomon D, Adams J, Graves N: Economic evaluation of St. John's wort (Hypericum perforatum) for the treatment of mild to moderate depression. J Affect Disord 148(2-3):228-234, 2013. doi: 10.1016/j.jad.2012.11.064.

  • van Gurp G, Meterissian GB, Haiek LN, et al: St John's wort or sertraline? Randomized controlled trial in primary care. Can Fam Physician 48:905-912, 2002.

  • Woelk H: Comparison of St John's wort and imipramine for treating depression: randomised controlled trial. BMJ 321(7260):536-539, 2000. doi: 10.1136/bmj.321.7260.536.

  • Fava M, Alpert J, Nierenberg AA, et al: A double-blind, randomized trial of St John's wort, fluoxetine, and placebo in major depressive disorder. J Clin Psychopharmacol 25(5):441-447, 2005.

  • Sarris J, Fava M, Schweitzer I, et al: St John's wort (Hypericum perforatum) versus sertraline and placebo in major depressive disorder: continuation data from a 26-week RCT. Pharmacopsychiatry 45(7):275-278, 2012. doi: 10.1055/s-0032-1306348.

  • Shelton RC, Keller MB, Gelenberg A, et al: Effectiveness of St John's wort in major depression: a randomized controlled trial. JAMA 285(15):1978-86, 2001.

  • Apaydin EA, Maher AR, Shanman R, et al: A systematic review of St. John's wort for major depressive disorder. Systematic Reviews 5:148, 2016. doi: 10.1186/s13643-016-0325-2.

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  • Rook AH, Wood GS, Duvic M, et al: A phase II placebo-controlled study of photodynamic therapy with topical hypericin and visible light irradiation in the treatment of cutaneous T-cell lymphoma and psoriasis. J Am Acad Dermatol 63(6):984-990, 2010. doi: 10.1016/j.jaad.2010.02.039.

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  • Tsai HH, Lin HW, Simon Pickard A, et al: Evaluation of documented drug interactions and contraindications associated with herbs and dietary supplements: a systematic literature review. Int J Clin Pract 66(11):1056-1078, 2012. doi: 10.1111/j.1742-1241.2012.03008.x.

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