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Síndrome da aspiração de mecônio

Por

Arcangela Lattari Balest

, MD,

  • University of Pittsburgh, School of Medicine
  • Children's Hospital of Pittsburgh of UPMC

Última modificação do conteúdo mar 2018
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Recursos do assunto

A aspiração de mecônio intraparto pode causar pneumonite inflamatória e obstrução brônquica mecânica, produzindo uma síndrome de angústia respiratória. O quadro inclui taquipneia, roncos e sibilos e cianose ou dessaturação. Suspeita-se do diagnóstico diante de insuficiência respiratória após o parto e de líquido amniótico meconial, o qual é confirmado pela radiografia de tórax. Lactentes com desconforto respiratório são entubados e colocados sob pressão positiva contínua das vias respiratórias (CPAP) ou ventilação mecânica. O tratamento dos lactentes gravemente afetados com surfactante diminui a necessidade de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), mas não afeta a mortalidade (1, 2). O prognóstico depende das condições fisiológicas basais.

O nascimento é acompanhado de extensas mudanças fisiológicas, algumas vezes revelando condições que não causavam qualquer problema na vida intrauterina. Por essa razão, o especialista em reanimação neonatal deve estar presente no momento do parto. A idade gestacional e os parâmetros de crescimento ajudam a identificar o risco de patologia neonatal.

Etiologia

O estresse fisiológico no momento do trabalho de parto e do parto (p. ex., por hipóxia causada por compressão do cordão umbilical ou insuficiência placentária ou por infecção) pode levar o feto a eliminar mecônio dentro do líquido amniótico antes do parto. A eliminacão de mecônio também pode ser normal antes do nascimento, particularmente em lactentes a termo ou pós-termo; observa-se a eliminacão de mecônio em 10 a 15% dos nascimentos. Entretanto, nunca é normal observar a eliminacão de mecônio no parto de um lactente pretermo. É provável que, durante o trabalho de parto, cerca de 5% dos recém-nascidos tenham aspirado mecônio, desencadeando lesões pulmonares e disfunção respiratória, na denominada síndrome da aspiração de mecônio.

Fisiopatologia

Os mecanismos pelos quais a aspiração induz à síndrome provavelmente incluem

  • Liberação de citocinas não específicas

  • Obstrução das vias respiratórias

  • Diminuição da produção de surfactantes e inativação do surfactante

  • Pneumonite química

As condições fisiológicas basais também podem contribuir para o processo. A atelectasia pode surgir se ocorrer obstrução total do brônquio; o bloqueio parcial impede a expiração do ar, resultando em hiperexpansão dos pulmões e possível extravasamento de ar pulmonar com pneumomediastino ou pneumotórax. O risco de extravasamento de ar é ainda maior por causa da diminuição da complacência pulmonar causada pela diminuição da produção de surfactantes e inativação dos surfactantes. Hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido pode estar associada à aspiração de mecônio como uma comorbidade ou decorrente de hipóxia persistente.

O recém-nascido também pode aspirar, durante o trabalho de parto, vérnix caseoso, líquido amniótico ou sangue de origem materna ou fetal, o que pode provocar disfunção respiratória e sinais de pneumonia aspirativa vistos na radiografia de tórax.

Sinais e sintomas

Os sinais incluem taquipneia, batimento de asas de nariz, retrações, cianose ou dessaturação, estertores, roncos e coloração amarelo-esverdeada do cordão umbilical, do leito ungueal ou da pele. Manchas de mecônio podem ser vistas na orofaringe e (na entubação) na laringe e na traqueia. Os recém-nascidos com retenção de ar podem apresentar tórax em barril e também sinais e sintomas de pneumotórax, enfisema intersticial pulmonar e pneumomediastino.

Diagnóstico

  • Eliminação de mecônio

  • Desconforto respiratório

  • Radiografia com achados característicos

Suspeita-se do diagnóstico da síndrome da aspiração de mecônio quando um recém-nascido mostra desconforto respiratório na presença de líquido amniótico tinto de mecônio.

O diagnóstico é confirmado pela radiografia de tórax, que demonstra hiperinflação com várias áreas de atelectasia e achatamento do diafragma. Os achados iniciais da radiografia podem ser confundidos com os da taquipneia transitória do recém-nascido. O líquido pode ser visto nas fissuras pulmonares ou nos espaços pleurais; o ar, nos tecidos moles ou no mediastino.

Como o mecônio pode propiciar o crescimento de bactérias e como é difícil diferenciar o diagnóstico de síndrome da aspiração meconial de pneumonia bacteriana, deve-se coletar amostras para hemocultura.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom, embora varie com a fisiopatologia de base; a mortalidade geral é maior. Recém-nascidos portadores da síndrome da aspiração de mecônio estão sob o risco de apresentarem doença asmática futuramente.

Tratamento

  • Entubação endotraqueal e pressão positiva contínua das vias respiratórias (CPAP)

  • Ventilação mecânica, se necessário

  • Suplementação de oxigênio como necessário

  • Surfactante

  • Antibióticos IV

  • Óxido nítrico inalável

  • Oxigenação extracorpórea por membrana (ECMO)

Não foi demonstrado que a aspiração de rotina em neonatos nascidos com líquido meconial tingido melhora o desfecho. Entretanto, se a respiração do recém-nascido parece obstruída, faz-se aspiração com uma sonda endotraqueal ligada ao aspirador de mecônio. Indica-se entubação e CPAP para desconforto respiratório, seguidas de ventilação mecânica e internação na unidade de terapia intensiva neonatal como necessário. Uma vez que a ventilação com pressão positiva aumenta o risco da síndrome de extravasamento de ar pulmonar, torna-se importante a reavaliação regular (incluindo exame físico e radiografia do tórax) para detectar essas complicações, que devem ser imediatamente investigadas em qualquer recém-nascido entubado e que subitamente apresente piora da pressão arterial, perfusão ou saturação de oxigênio. Síndromes de extravasamento de ar pulmonar para tratamento das síndromes de extravasamento de ar.

Deve-se considerar surfactantes para neonatos sob ventilação mecânica com altos requisitos de oxigênio; pode diminuir a necessidade de ECMO (1, 2), mas não diminui a mortalidade.

Às vezes, administra-se antibióticos (geralmente ampicilina e um aminoglicosídeo—como usado para o tratamento padrão da doença bacteriana grave em um recém-nascido enfermo). No entanto, estudos mostraram que o uso de antibióticos em recém-nascidos com aspiração de mecônio não reduz significativamente a mortalidade, a incidência de sepse, o tempo de internação ou a duração da necessidade de suporte respiratório (2).

Óxido nítrico inalável em 20 ppm e ventilação de alta frequência são outras terapias usadas no caso de desenvolvimento de hipoxemia refratária, o que também pode diminuir a necessidade de ECMO.

Referências sobre tratamento

  • 1. El Shahed AI, Dargaville PA, Ohlsson A, Soll R: Surfactant for meconium aspiration syndrome in term and late preterm infants. Cochrane Database Syst Rev 12(CD002054):1–36, 2014. doi: 10.1002/14651858.CD002054.pub3.

  • 2. Natarajan CK, Sankar MJ, Jain K, et al: Surfactant therapy and antibiotics in neonates with meconium aspiration syndrome: A systematic review and meta-analysis. J Perinatol 36(Suppl 1):S49–S54, 2016. doi: 10.1038/jp.2016.32.

Pontos-chave

  • Cerca de 5% dos recém-nascidos tenham aspirado mecônio, desencadeando lesões pulmonares e disfunção respiratória.

  • Os recém-nascidos podem ter taquipneia, batimento de asas de nariz, retrações, cianose ou dessaturação, estertores, roncos e manhas visíveis de mecônio na orofaringe.

  • Suspeitar do diagnóstico quando ocorre angústia respiratória em recém-nascidos que têm líquido amniótico manchado por mecônio.

  • Fazer radiografia de tórax e hemoculturas para excluir pneumonia e sepse bacteriana.

  • Após o parto, fazer aspiração em recém-nascidos com sinais de obstrução respiratória com uma sonda endotraqueal ligada a um aspirador de mecônio.

  • Casos graves exigem ventilação mecânica e, às vezes, antibióticos, óxido nítrico inalável ou ECMO.

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