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Infecção congênita e perinatal por citomegalovírus (CMV)

Por

Brenda L. Tesini

, MD, University of Rochester School of Medicine and Dentistry

Última modificação do conteúdo jul 2018
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A infecção por citomegalovírus pode ser adquirida no período pré ou perinatal, sendo a infecção viral congênita mais comum. Sinais ao nascimento, se presentes, são retardo de crescimento intrauterino, prematuridade, microcefalia, icterícia, petéquia, hepatoesplenomegalia, calcificações periventriculares, coriorretinite, pneumonite hepatite e perda auditiva neurossensorial. Ainda no lactente, os sinais podem incluir pneumonia, hepatoesplenomegalia, hepatite, trombocitopenia, síndrome semelhante à sepse e linfocitose atípica. O melhor diagnóstico da infecção neonatal é feito pela detecção viral por meio de cultura ou PCR. O tratamento é principalmente de suporte. Ganciclovir parenteral ou valganciclovir oral podem prevenir a deterioração auditiva e melhorar os desfechos de desenvolvimento e é administrado para recém-nascidos com doença sintomática identificada no período neonatal.

O citomegalovírus (CMV) é frequentemente isolado em neonatos. Embora a maioria dos lactentes que albergam o vírus seja assintomática, outros apresentam doenças com risco de vida e sequelas devastadoras a longo prazo.

Não se sabe quando uma mulher portadora de CMV primário pode dar à luz com segurança. Como é difícil avaliar o risco a que o feto está submetido, mulheres que desenvolvem CMV primário durante a gestação devem ser alertadas, embora alguns especialistas prefiram recomendar exames sorológicos de rotina para CMV antes e durante a gestação em mulheres saudáveis.

Etiologia

Infecção congênita por CMV ocorre em 0,2 a 1% dos nascidos vivos no mundo todo, resultado da aquisição transplacentária de infecção materna primária ou recorrente. No neonato, a doença aparente clinicamente ocorre com maior probabilidade após exposição materna primária, principalmente na primeira metade da gestação. Em alguns grupos de posição socioeconômica mais elevada nos EUA, cerca de 50% das mulheres jovens não têm anticorpos anti-CMV, tornando-as suscetíveis a infecção primária.

Infecção perinatal por CMV é adquirida por exposição de secreções infectadas do canal de parto, leite do peito ou sangue. Admite-se que os anticorpos maternos sejam protetores, e a maioria dos recém-nascidos de termo expostos é assintomática ou não infectada. Por outro lado, os pré-termos (que não apresentam anticorpos anti-CMV) podem desenvolver infecções graves ou morrer, particularmente quando recebem transfusão de sangue com CMV positivo. Esforços devem ser envidados para que a transfusão de sangue ou derivados seja CMV-negativa ou que seja utilizado sangue que tenha sido filtrado para remoção de leucócitos, que contêm CMV. Esse sangue leucorreduzido é considerado por muitos especialistas como sendo seguro contra CMV.

Sinais e sintomas

Muitas mulheres infectadas pelo CMV durante a gestação são assintomáticas, mas algumas desenvolvem uma doença semelhante à mononucleose.

Cerca de 10% dos lactentes com CMV congênito são sintomáticos ao nascimento. As manifestações incluem:

Lactentes com a forma adquirida de CMV durante oi após o nascimento, especialmente se forem prematuros, podem apresentar síndrome semelhante a sepse, pneumonia, hepatoesplenomegalia (que pode levar à insuficiência hepática), hepatite, trombocitopenia, linfocitose atípica. Entretanto, se a transmissão é através do leite materno, o risco de doença grave sintomática e sequelas a longo prazo é baixo.

Diagnóstico

  • Cultura viral de urina, saliva ou tecido

  • PCR de urina, saliva, sangue ou tecido

A infecção por CMV congênita sintomática deve ser diferenciada de outras infecções congênitas, como toxoplasmose, vírus de coriomeningite linfocitária (VCML), rubéola e sífilis.

Nos recém-nascidos, a detecção usando cultura, PCR da urina, saliva ou uma amostra de tecido é a principal ferramenta de diagnóstico; o diagnóstico materno também pode ser feito com testes sorológicos ou PCR ( Infecção por citomegalovírus (CMV) : Diagnóstico). Amostras das culturas devem ser refrigeradas até a inoculação em fibroblastos. O CMV congênito é diagnosticado se o vírus for identificado na urina, saliva ou outros líquidos corporais coletados nas primeiras 2 a 3 semanas de vida; urina e saliva têm as melhores sensibilidades. Após 3 semanas, a detecção viral pode indicar infecção perinatal ou congênita. Os lactentes podem abrigar o CMV de ambos os tipos de infecção, por vários anos.

Hemograma com contagem diferencial e testes de função hepática, embora não sejam específicos, podem ser úteis. Devem-se solicitar também ultrassonografia ou TC do crânio e avaliação oftalmológica. Calcificações periventriculares são comuns na TC. Testes de audição devem ser realizados rotineiramente no nascimento em todos os neonatos infectados e monitoramento atento contínuo é exigido porque a perda da audição pode se desenvolver após o período neonatal e ser progressiva.

Prognóstico

Os neonatos sintomáticos apresentam taxa de mortalidade de até 30%, e 40 a 90% dos que sobrevivem apresentam algumas disfunções neurológicas, incluindo

Além disso, 5 a 15% dos neonatos assintomáticos eventualmente desenvolvem sequelas neurológicas; perda auditiva é a mais comum.

Tratamento

  • Ganciclovir ou valganciclovir para recém-nascidos sintomáticos

Neonatos sintomáticos são tratados com fármacos antivirais. Ganciclovir oral, 16 mg/kg, bid, por 6 meses, diminui a disseminação viral em neonatos com CMV congênito e previne de maneira modesta os resultados auditivos e de desenvolvimento aos 12 e 24 meses de idade (1).

A principal toxicidade do tratamento é neutropenia.

Referência sobre o tratamento

Prevenção

A gestante não imunizada deve estar atenta para não se expor ao vírus. Por exemplo, como a infecção por CMV é comum entre as crianças que são atendidas em creches, a gestante deve sempre lavar as mãos cuidadosamente após exposição a urina ou secreções respiratórias ou orais das crianças.

A doença por CMV perinatal associada às transfusões pode ser evitada se os neonatos pré-termos receberem hemoderivados de doadores CMV-soronegativos ou produtos leucorreduzidos.

Uma vacina para prevenir CMV congênito está sendo desenvolvida. Um ensaio com a administração de hiperimunoglobulina para CMV para gestantes com infecção primária por CMV não demonstrou reduzir infecção congênita (1).

Referência sobre prevenção

Pontos-chave

  • CMV é a infecção viral congênita mais comum e pode ser assintomática ou sintomática.

  • Múltiplos órgãos podem ser afetados, e risco de nascimentos prematuros aumenta.

  • Distinguir infecção congênita por CMV sintomática de outras infecções congênitas (p. ex., toxoplasmose, rubéola, vírus da coriomeningite linfocítica, sífilis) usando PCR ou cultura viral.

  • Ganciclovir IV ou valganciclovir oral podem ajudar a prevenir a perda auditiva e atraso no desenvolvimento em crianças com infecção sintomática.

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