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Exposição pré-natal a fármacos

Por

Kevin C. Dysart

, MD, Perelman School of Medicine at the University of Pennsylvania

Última modificação do conteúdo dez 2018
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O álcool e as drogas ilícitas são tóxicos para a placenta e para o feto em desenvolvimento e podem provocar síndromes congênitas e sintomas de abstinência. Fármacos prescritos também podem ter efeitos adversos sobre o feto ( Alguns fármacos com efeitos adversos durante a gestação). O transtorno do espectro alcoólico fetal e os efeitos do tabagismo sobre o feto são discutidos em outras partes.

Um feto que foi exposto a drogas ilícitas no útero (chamado feto exposto a substâncias nocivas [FESN]) podem tornar-se dependente da droga durante a gestação. Embora algumas substâncias tóxicas utilizadas pela mãe não sejam ilegais, muitas são. Seja qual for o caso, a situação da casa precisa ser avaliada para saber se o lactente será bem cuidado após a alta. Com o apoio e a ajuda de parentes, amigos e enfermeiros visitantes, a mãe pode ser capaz de cuidar do filho. Caso contrário, pode ser melhor contar com os cuidados em casa de apoio ou um plano alternativo de atenção.

Anfetaminas

A exposição pré-natal às anfetaminas tem efeitos tênues permanentes sobre estruturas e funções cerebrais do neonato. Alguns estudos demonstraram diminuição do volume do caudato, do putame e do globo pálido (componentes anatômicos cerebrais) de crianças expostas a metanfetamina, ao passo que outros não confirmam esses achados. Ainda, outros estudos indicam que a exposição pré-natal à metanfetamina pode estar associada a padrões de comportamento neurológico anormais ou prejuízo do crescimento fetal, dados esses não completamente confirmados.

Barbitúricos

O uso abusivo e prolongado de barbitúricos pela mãe pode provocar abstinência neonatal com nervosismo, irritabilidade e inquietação, que geralmente não aparecem até 7 a 10 dias após o parto, ou seja, só depois que o neonato já recebeu alta para casa. Pode ser necessária a sedação com fenobarbital 0,75 a 1,5 mg/kg VO ou IM a cada 6 h e, então, suspensa gradativamente durante alguns dias ou semanas, dependendo da duração dos sintomas.

Cocaína

A cocaína inibe a recaptação dos neurotransmissores noradrenalina e adrenalina, cruza a placenta e provoca vasoconstrição e hipertensão no feto. O abuso de cocaína na gestação está associado a alta taxa de descolamento prematuro da placenta e aborto espontâneo, provocado talvez pela redução do fluxo sanguíneo materno para o leito vascular placentário; o descolamento da placenta também pode provocar a morte fetal intrauterina ou lesões neurológicas para o feto sobrevivente.

Os neonatos nascidos de mães viciadas apresentam baixo peso ao nascimento, redução do comprimento e do perímetro cefálico e pontuações baixas no Apgar. Pode ocorrer infarto cerebral, e anomalias raras associadas ao uso de cocaína pré-natal abrangem amputação dos membros, malformações genitourinárias, incluindo a síndrome de prune belly (ventre de ameixa seca) e atresia ou necrose intestinal. Todas são causadas pela ruptura vascular, possivelmente secundária à isquemia local provocada por intensa vasoconstrição das artérias fetais ocasionada pela cocaína. Além disso, tem-se observado um padrão de efeitos leves neurocomportamentais, incluindo diminuição da atenção e da vigilância, QI rebaixado e diminuição das habilidades motoras grossa e fina.

Alguns neonatos podem demonstrar sintomas de abstinência caso a mãe tenha utilizado cocaína próximo à ocasião do parto, porém os sintomas são menos graves e menos comuns que os da suspensão do opioide, e sinais e tratamento são os mesmos.

Maconha

A maconha não aumenta consistentemente o risco de malformações congênitas, deficit de crescimento fetal ou anormalidades do comportamento neurológico pós-natal. Entretanto, mulheres que utilizam maconha durante a gestação também costumam usar álcool, cigarros ou ambos, o que pode causar problemas fetais.

Opioides

A exposição ao opioide na vida uterina pode provocar abstinência na hora do parto. Deve-se observar o recém-nascido de uma mulher que usou opioides cronicamente durante a gestação a procura de sintomas de abstinência (síndrome de abstinência narcótica [SAN]). A SAN geralmente ocorre depois de 72 h do parto, embora muitas unidades neonatais observem crianças durante 4 ou 5 dias para certificarem-se de que não há sinais significativos de abstinência.

Os sinais característicos da abstinência incluem

  • Irritabilidade

  • Nervosismo

  • Hipertonicidade

  • Vômitos e/ou diarreia

  • Sudorese

  • Convulsões

  • Hiperventilação que causa alcalose respiratória.

A exposição pré-natal a benzodiazepínicos pode provocar efeitos semelhantes.

Existem muitos sistemas de classificação para ajudar a quantificar a gravidade da abstinência (The Opioid Exposed Newborn: Assessment and Pharmacologic Management). Sintomas leves de abstinência são tratados por alguns dias com enfaixamento e cuidados para acalmar e aliviar a hiperexcitação física e fornecimento frequente de alimentos para aliviar a irritabilidade. Com paciência, alguns problemas desaparecem em não mais que uma semana. Mas até 80% das crianças com SAN requerem tratamento medicamentoso, tipicamente utilizando um opioide, às vezes, com o acréscimo de clonidina. Fenobarbital (0,75 a 1,5 mg/kg, VO, a cada 6 h) ajuda, mas agora é considerado tratamento de 2ª linha. O tratamento é suspenso gradativamente por vários dias ou semanas dependendo do abrandamento dos sintomas; muitos recém-nascidos exigem até 5 semanas de terapia.

Não há consenso sobre o melhor fármaco, mas a maioria dos especialistas usa metadona, morfina, ou algumas vezes tintura de ópio. A dosagem baseia-se no peso do recém-nascido e na gravidade dos sintomas. Tipicamente, uma dose inicial é administrada e aumentada até os sintomas serem controlados e então reduzida lentamente ( Um regime medicamentoso para abstinência de opioides em recém-nascidos).

Tabela
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Um regime medicamentoso para abstinência de opioides em recém-nascidos

Fármaco

Dose inicial

Aumento incremental

Redução

Morfina

0,04 mg/kg, VO, a cada 3–4 h

0,04 mg/kg/dose

10–20%, a cada 2–3 dias

Metadona

0,05–0,1 mg/kg, VO, a cada 6 h

0,05 mg/kg/dose

10–20% a cada semana

Adaptado de Hudak ML, Tan RC, The Committee on Drugs,The Committee on Fetus and Newborn: Neonatal drug withdrawal. Pediatrics 129:E540–E560, 2012.

O acréscimo de clonidina, 1 mcg/kg, VO, a cada 4 h, pode reduzir a duração do tratamento medicamentoso necessário em neonatos nascidos a termo. Mas a clonidina não deve ser administrada para lactentes prematuros por causa do risco de bradicardia. Se clonidina é usada, deve-se monitorar pressão arterial à medida que a dose de clonidina é reduzida, porque pode haver hipertensão rebote.

A incidência da síndrome da morte súbita do lactente é maior em lactentes nascidos de viciadas em opioides, porém a mortalidade é < 10/1.000 recém-nascidos, assim, para essas crianças, não se recomenda o uso de monitores cardiorrespiratórios caseiros de rotina.

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