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Retinopatia da prematuridade

(Fibroplasia retrolenticular)

Por

Christopher M. Fecarotta

, MD, Phoenix Children’s Hospital;


Wendy W. Huang

, MD, PhD, Phoenix Children’s Hospital

Última modificação do conteúdo out 2018
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A retinopatia da prematuridade é uma disfunção bilateral da vascularização anormal da retina dos prematuros, especialmente daqueles com muito baixo peso. As consequências variam desde visão normal até cegueira. A oftalmoscopia faz o diagnóstico. O tratamento da doença grave inclui crioterapia ou fotocoagulação a laser ou bevacizumabe; outros tratamentos são direcionados para as complicações (p. ex., deslocamento da retina).

Os vasos internos da retina iniciam seu crescimento no meio do período gestacional, mas a retina só se torna completamente vascularizada na gestação de termo. A retinopatia da prematuridade (RDP) surge se esses vasos continuarem a crescer com um padrão anormal, formando um sulco de tecido entre a retina central vascularizada e a periférica não vascularizada. Nos casos graves da retinopatia da prematuridade, esses novos vasos invadem o vítreo. Algumas vezes, a vasculatura inteira dos olhos se torna ingurgitada (doença “plus”).

A suscetibilidade à retinopatia da prematuridade se correlaciona à proporção da retina que permanece avascular ao nascimento. Em recém-nascidos com peso ao nascer < 1 kg, a retinopatia da prematuridade ocorre em 47 a 80%, e a retinopatia da prematuridade grave ocorre em 21 a 43% dos casos. A porcentagem é mais alta quando existem muitas complicações médicas (p. ex., infecção,hemorragia intraventricular, displasia broncopulmonar). A oxigenioterapia excessiva (especialmente prolongada) aumenta o risco. Entretanto, a suplementação de oxigênio é frequentemente necessária para oxigenar o recém-nascido de modo adequado, embora o nível de segurança e a duração da oxigenioterapia não tenham sido determinados.

Diagnóstico

  • Oftalmoscopia

O diagnóstico da retinopatia da prematuridade é por exame oftalmológico, realizado por um oftalmologista, que mostra uma linha de demarcação e um sulco nos casos leves e proliferação dos vasos da retina nos casos mais graves.

Triagem oftalmoscópica é feita em todos os recém-nascidos com peso < 1.500 g ou < 30 semanas de gestação no momento do nascimento. Como o início da doença geralmente ocorre em 32 a 34 semanas da idade gestacional, a triagem começa na 31ª semana. Exames oftalmológicos continuam a cada 1 a 3 semanas (dependendo da gravidade da doença ocular) até que o crescimento dos vasos dos recém-nascidos cheguem à periferia (equivalente a nascimento a termo). Como a retinopatia da prematuridade significativa é rara em recém-nascidos apropriadamente tratados e pesando > 1.500 g ao nascimento, deve-se considerar diagnósticos alternativos nesses recém-nascidos (p. ex., retinopatia exsudativa familiar, doença de Norrie).

Prognóstico

O crescimento anormal dos vasos costuma diminuir espontaneamente, mas cerca de 4% dos que sobrevivem pesando < 1 kg ao nascimento evoluem com deslocamento de retina e perda da visão em 2 a 12 meses após o parto. Crianças com retinopatia da prematuridade cicatrizada têm alta incidência de miopia, estrabismo e ambliopia. Em algumas crianças que tiveram uma retinopatia da prematuridade moderada, permanecem as lesões cicatriciais (p. ex., retina puxada ou dobras retinais) e essas crianças têm o risco de descolamento da retina mais tarde na vida; raramente, glaucoma e catarata também podem ocorrer.

Tratamento

  • Fotocoagulação a laser

  • Bevacizumabe

Na retinopatia da prematuridade grave, a fotocoagulação a laser para eliminar a retina avascular periférica reduz a incidência de pregas e deslocamento da retina. A vascularização da retina deve ser avaliada com intervalos de 1 ou 2 semanas até que a vasculatura tenha atingido maturação suficiente. Se ocorrer o deslocamento da retina no recém-nascido, a cirurgia para correção da córnea ou vitrectomia com lenticulotomia deverá ser considerada, mas esses procedimentos são esforços de socorro tardios com poucos benefícios.

Pacientes com cicatriz residual devem ser sempre avaliados pelo menos uma vez por ano. O tratamento da ambliopia e dos erros de refração no primeiro ano melhora a visão. Os lactentes com deslocamento total da retina devem ser monitorados para glaucoma secundário e crescimento ocular deficiente e encaminhados para programas de intervenção por diminuição visual.

Bevacizumabe é um novo anticorpo monoclonal antivascular contra o fator de crescimento endotelial que pode interromper a progressão da retinopatia da prematuridade. Em comparação à laserterapia, o bevacizumabe tem menor taxa de recorrência e menos anormalidades estruturais. Quando houve recorrência da doença, ela retornou meses depois; é necessário acompanhamento oftalmológico de longo prazo. As preocupações quanto à absorção sistêmica e possível infecção juntamente com a necessidade de uma dose e momento de acompanhamento ideais são razões pelas quais esse fármaco manteve-se como uma terapia de 2ª linha que pode ser utilizada para tratar doença grave ou em conjunto com a laserterapia.

Prevenção

Após o nascimento pré-termo, deve-se fornecer suplementação de oxigênio apenas como necessário para evitar oscilações no oxigênio, uma vez que tanto hiperroxia como hipóxia aumentam o risco de retinopatia da prematuridade. A vitamina E e a restrição da luz não são eficientes.

Pontos-chave

  • A retinopatia da prematuridade (RDP) normalmente se desenvolve em recém-nascidos com peso < 1.500 g e < 30 semanas de gestação ao nascimento, especialmente aqueles que tiveram complicações médicas graves ou que receberam oxigenioterapia excessiva e/ou prolongada.

  • O risco aumenta à medida que a prematuridade aumenta.

  • A maioria dos casos diminui espontaneamente, mas um pequeno número desenvolve deslocamento de retina e perda da visão em 2 a 12 meses após o parto.

  • Triagem de recém-nascidos em risco por oftalmoscopia (feito por um oftalmologista) com início na 31ª semana de gestação.

  • Tratar a RDP grave utilizando fotocoagulação com laser ou bevacizumabe.

  • Minimizar o uso de suplementação de oxigênio após nascimento prematuro.

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