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Síndrome compartimental

Por

Danielle Campagne

, MD, University of San Francisco - Fresno

Última modificação do conteúdo ago 2017
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A síndrome compartimental consiste na pressão aumentada do tecido dentro de um compartimento fascial apertado, o que resulta em isquemia do tecido. O primeiro sintoma consiste em dor exagerada, proporcional ao grau da lesão. O diagnóstico é clínico, sendo em geral confirmado pela aferição da pressão compartimental. O tratamento consiste em fasciotomia.

A síndrome compartimental é uma cascata de eventos que se autoperpetua. Começa com o edema do tecido que normalmente ocorre após a lesão (p. ex., por edema ou hematoma de partes moles). Se o edema ocorre dentro do compartimento fascial, normalmente, no compartimento anterior ou posterior da perna, há pouco espaço para expansão do tecido; dessa maneira, a pressão intersticial (compartimental) aumenta. À medida que a pressão compartimental excede a pressão capilar normal de cerca de 8 mmHg, a perfusão celular desacelera e com o tempo pode parar. (Nota: como 8 mmHg é muito menor que a pressão arterial, o fluxo celular pode estar ocluído bem antes do pulso desaparecer.) A isquemia tecidual resultante posteriormente piora o edema, e isso gera um círculo vicioso.

Conforme a isquemia progride, os músculos tornam-se necrosados, o que leva, às vezes, à rabdomiólise, infecções e hiperpotassemia, ameaçando a perda do membro e podendo levar ao óbito, caso não seja tratada. Hipotensão ou insuficiência arterial pode comprometer a perfusão tecidual mesmo com pressão compartimental levemente elevada, causando ou piorando a síndrome compartimental. Podem aparecer contraturas depois da cicatrização dos tecidos necrosados.

A síndrome compartimental é fundamentalmente uma doença dos membros, sendo mais comum na parte inferior da perna e no antebraço. No entanto, a síndrome compartimental também pode ocorrer em outros locais (p. ex., no braço, no abdome e na região glútea).

Etiologia

Causas comuns da síndrome compartimental são

  • Fraturas

  • Contusões graves ou lesões por esmagamento

  • Lesão de reperfusão após lesão vascular e reparo

Causas raras incluem mordidas de cobra, queimaduras esforço severo, superdosagem de fármaco (heroína, cocaína), gesso, curativos apertados e outros fechamentos rígidos que limitem o edema e, assim, aumentem a pressão compartimental. A pressão prolongada de um músculo durante o coma pode causar rabdomiólise.

Sinais e sintomas

O sintoma inicial da síndrome compartimental é

  • Piora da dor

É tipicamente desproporcional à gravidade da lesão aparente, sendo agravada por estiramento passivo dos músculos no interior do compartimento (p. ex., no compartimento anterior da perna, por flexão plantar passiva do tornozelo e flexão do pododáctilo, o que estira os músculos do compartimento anterior). A dor, é um dos sintomas da isquemia do tecido, é seguida de outros 4: parestesia, paralisia, palidez e pulso ausente. Os compartimentos podem estar tensos à palpação.

Dicas e conselhos

  • Se a intensidade da dor for mais do que o esperado pela aparência da lesão, considerar a síndrome compartimental; verificar se há exacerbação da dor com o estiramento muscular passivo, e se os compartimentos forem palpáveis, verificar se há tensão.

Diagnóstico

  • Medida da pressão compartimental

Deve-se fazer o diagnóstico da síndrome compartimental e iniciar o tratamento antes de a palidez ou falta de pulso se desenvolver, indicando necrose. A avaliação clínica é difícil por várias razões:

  • Pode não haver sinais e sintomas típicos.

  • Os achados são inespecíficos porque achados semelhantes são às vezes causados pela própria fratura.

  • Muitos pacientes com trauma têm alteração do estado mental devido a outras lesões e/ou à sedação.

Como medir a pressão compartimental no braço
Como medir a pressão compartimental no braço
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Como medir a pressão compartimental na perna
Como medir a pressão compartimental na perna
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Portanto, em pacientes com alto risco de lesões, os médicos devem usar um limiar baixo para medir a pressão compartimental (normal, 8 mmHg), geralmente com um monitor comercialmente disponível. A síndrome compartimental é confirmada se a pressão compartimental exceder 30 mmHg ou tiver cerca de 30 mmHg da pressão arterial diastólica.

Tratamento

  • Fasciotomia

O tratamento inicial da síndrome compartimental é a remoção de qualquer estrutura constritiva (p. ex., gesso ou tala) em volta do membro, correção da hipotensão, analgesia e administração de suplementação de oxigênio, como necessário.

Normalmente, a menos que a pressão compartimental caia rapidamente e os sintomas diminuam, é necessário fazer uma fasciotomia de urgência. A fasciotomia deve ser feita através de grandes incisões na pele para abrir todos os compartimentos da fácia no membro e, assim, aliviar a pressão. Deve-se inspecionar cuidosamente todos os músculos em termos de viabilidade, e qualquer tecido não viável deve ser desbridado.

A amputação é indicada se a necrose for extensa.

Pontos-chave

  • Depois do início do processo que desencadeia a síndrome compartimental, a síndrome tende a se agravar.

  • Considerar síndrome compartimental se a dor parecer desproporcional à gravidade da lesão e aumentar por estiramento muscular passivo dos músculos dentro do compartimento ou se o compartimento estiver tenso.

  • Medir a pressão compartimental para confirmar o diagnóstico; um resultado de mais de 30 mmHg ou cerca de 30 mmHg da pressão diastólica confirma.

  • A menos que o quadro regrida rapidamente após o tratamento inicial, deve-se fazer a fasciotomia o mais rápido possível.

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