Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

honeypot link

Prolapso uterino e apical

Por

Charlie C. Kilpatrick

, MD, MEd, Baylor College of Medicine

Última modificação do conteúdo abr 2019
Clique aqui para acessar Educação para o paciente
Recursos do assunto

Prolapso uterino é a descida do útero em direção ao introito vaginal ou ultrapassando-o. Prolapso apical é a descida da vagina ou da cavidade vaginal ou da bainha vaginal após histerectomia. Os sintomas incluem sensação de plenitude e pressão vaginal. O diagnóstico é clínico. O tratamento é feito com redução, pessários e cirurgias.

Pode-se graduar a gravidade dos prolapsos pelo sistema de Baden-Walker, que se baseia no nível de protrusão:

  • Grau 0: nenhum prolapso

  • Grau 1: no meio do caminho até o hímen

  • Grau 2: no hímen

  • Grau 3: no meio do caminho depois do hímen

  • Grau 4: máximo possível

Embora o sistema de Baden-Walker seja comumente usado, é um sistema de classificação antigo, que não é reproduzível; portanto, organizações profissionais recomendam o uso do sistema Pelvic Organ Prolapse-Quantification (POP-Q). O sistema POP-Q é um sistema de classificação mais confiável e reproduzível que baseia-se em características anatômicas predefinidas:

  • Estágio 0: nenhum prolapso

  • Estágio I: a maior parte do prolapso distal está mais de 1 cm acima do hímen

  • Estágio II: a maior parte do prolapso distal está entre 1 cm acima e 1 cm abaixo do hímen

  • Estágio III: a maior parte do prolapso distal está mais de 1 cm abaixo do hímen, mas 2 cm mais curto que o comprimento vaginal total

  • Estágio IV: eversão completa

Sinais e sintomas

Os sintomas tendem a ser mínimos no prolapso uterino de 1º grau. Nos prolapsos uterinos de 2º ou 3º grau, são comuns sensação de plenitude, pressão, dispareunia e impressão de queda dos órgãos; os sintomas mais comuns de apresentação é protuberância vaginal. Pode se desenvolver dor lombar. Esvaziamento incompleto da bexiga e prisão de ventre são possíveis.

O prolapso uterino de terceiro grau manifesta-se como uma protuberância ou protrusão da cérvice ou da cúpula vaginal, embora possa ocorrer redução espontânea antes mesmo da paciente apresentar os sintomas. A mucosa vaginal pode se tornar ressecada, fina, cronicamente inflamada e, secundariamente, infectada e ulcerada. As úlceras podem ser dolorosas ou sangrar e, às vezes, lembram câncer vaginal. A cérvice, se estiver protrusa, também pode se tornar ulcerada.

Os sintomas do prolapso vaginal são similares. Em geral, há cistocele e retocele.

A incontinência e urgeincontinência urináriassão comuns. Os órgãos pélvicos prolapsados podem obstruir o fluxo urinário intermitentemente, causando retenção e incontinência urinárias e mascarando uma incontinência de esforço. O aumento da frequência miccional e da incontinência de urgência podem acompanhar o prolapso uterino ou vaginal.

Diagnóstico

  • Exame pélvico

Confirma-se o diagnóstico do prolapso uterino ou vaginal por exame com espéculo ou exame pélvico bimanual.

Raramente, úlceras vaginais exigem biópsia para excluir câncer.

A avaliação simultânea da incontinência urinária deve ser realizada.

Tratamento

  • Para prolapso sintomático leve, pessários

  • Correção cirúrgica das estruturas de suporte, se necessário, geralmente com histerectomia

Prolapso uterino

Prolapso assintomático não exige tratamento, mas deve-se acompanhar a progressão clínica da paciente.

Pode-se tratar os prolapsos sintomáticos com pessários se o períneo puder suportar estruturalmente o pessário; reparo cirúrgico é uma opção para mulheres que não querem usar um pessário ou o períneo não consegue suportar um pessário.

Pode-se realizar cirurgia para prolapso uterovaginal por meio da vagina ou por uma incisão no abdome, usando técnicas diversas. Os fatores que determinam a escolha das técnicas são a experiência do cirurgião e os desejos da paciente. As técnicas podem incluir um ou uma combinação dos seguintes:

  • Histerectomia

  • Reparo cirúrgico das estruturas de suporte pélvico (colporrafia)

  • Suspensão da parte superior da vagina (sutura da vagina superior a uma estrutura estável próxima)

  • Colpocleose [fechamento da vagina após a remoção do útero ou com o útero no lugar (procedimento de Le Fort)]

Em geral, a cirurgia vaginal causa menos morbidade e tem um tempo de recuperação mais rápido que a cirurgia abdominal. Independentemente da via cirúrgica, os sintomas geralmente recorrem, principalmente ao longo da parede vaginal anterior.

A cirurgia deve ser adiada até a cura completa de todas as úlceras.

Prolapso vaginal

O tratamento do prolapso vaginal é similar ao do prolapso uterino.

Pode-se suturar a vagina (colpocleose) se as mulheres não forem boas candidatas à cirurgia prolongada (p. ex., se têm comorbidades graves). As vantagens do fechamento vaginal são curta duração da cirurgia, baixo risco de morbidade perioperatória e risco muito baixo de recorrência do prolapso. Entretanto, após o fechamento vaginal, as mulheres não mais conseguem ter relações sexuais vaginais.

A incontinência urinária requer tratamento concomitante.

Pontos-chave

  • Os órgãos pélvicos prolapsados podem obstruir o fluxo urinário intermitentemente, causando retenção e incontinência urinárias e mascarando uma incontinência de esforço.

  • O prolapso uterino de terceiro grau (a cérvice fora do introito) pode diminuir espontaneamente antes mesmo de a paciente apresentar os sintomas.

  • Confirmar o diagnóstico por exame.

  • Tratar as mulheres com prolapso se elas tiverem sintomas incômodos.

  • Tratar mulheres sintomáticas com um pessário se o períneo puder suportá-lo.

  • Tratar cirurgicamente se as mulheres preferem cirurgia a um pessário ou se o períneo não puder suportar um pessário.

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família
Profissionais também leram

Também de interesse

Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS ANDROID iOS
PRINCIPAIS