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Quedas em idosos

Por

Laurence Z. Rubenstein

, MD, MPH,

  • University of Oklahoma College of Medicine
  • University of California, Los Angeles

Última modificação do conteúdo abr 2019
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Define-se queda quando uma pessoa cai ao solo ou outro nível inferior; às vezes, uma parte do corpo colide contra um objeto que interrompe a queda. Normalmente, os eventos causados por distúrbios agudos (p. ex., convulsões, acidente vascular encefálico) ou grandes riscos ambientais (p. ex., ser atingido por um objeto em movimento) não são considerados quedas.

Anualmente, ocorrem quedas em 30 a 40% dos indivíduos idosos que vivem na comunidade e em 50% dos residentes em instituição de longa permanência. Nos Estados Unidos, quedas são a principal causa de morte acidental e a 7ª causa principal de mortalidade em pessoas com 65 anos. Em 2017, houve 31.190 mortes por queda em pessoas com 65 anos versus 5.148 naquelas mais jovens; portando 85% das mortes causadas por quedas ocorrem em 13% da população com 65 anos (1). Além disso, as quedas foram responsáveis por mais de 3 milhões de atendimentos de idosos em serviços de pronto-socorro. Os custos médicos para o Medicare apenas para lesões causadas por quedas foram de US $31 bilhões em 2015 e, sem dúvida, aumentarão (2).

As quedas ameaçam a independência dos idosos e causam uma cascata de consequências individuais e socioeconômicas. No entanto, os médicos muitas vezes desconhecem as quedas em indivíduos que não apresentam lesões porque normalmente a história e o exame físico de rotina não incluem avaliação específica para quedas. Muitos idosos se tornam relutantes em relatar uma queda porque a atribuem ao processo de envelhecimento ou por temer posterior restrição de suas atividades ou serem institucionalizados.

Referências

Etiologia

O melhor preditor de queda é uma queda anterior. No entanto, as quedas em idosos raramente têm causa ou fator de risco único. É causada geralmente por complexa interação entre o seguinte:

  • Fatores intrínsecos (declínio relacionado com a idade da função, distúrbios e efeitos adversos de fármaco)

  • Fatores extrínsecos (riscos ambientais)

  • Fatores situacionais (relacionados à atividade que está sendo realizada—p. ex., correr para o banheiro)

Fatores intrínsecos

Alterações relacionadas à idade podem comprometer os sistemas envolvidos na manutenção do equilíbrio e da estabilidade (p. ex., ao permanecer em pé, andar ou sentar-se) e aumentam o risco de quedas. Acuidade visual, sensibilidade ao contraste, percepção de profundidade e adaptação ao escuro declinam. As alterações dos padrões de ativação muscular e a capacidade de gerar força muscular e velocidade suficientes podem prejudicar a capacidade de manter ou recuperar o equilíbrio em resposta a perturbações (p. ex., pisar em superfície irregular, colisão). Na verdade, fraqueza muscular de qualquer tipo é um importante preditor de quedas.

Doenças crônicas e agudas (ver tabela Algumas doenças que contribuem para o risco de quedas) e uso de fármacos (ver tabela Alguns fármacos que contribuem para o risco de quedas) são os principais fatores de risco para quedas. O risco de quedas aumenta com o número de fármacos usados. Os fármacos psicoativos são os fármacos mais comumente relatados como importantes fatores do risco aumentado de quedas e lesões.

Fatores extrínsecos

Os fatores ambientais podem aumentar o risco de quedas independentemente, ou de modo mais importante, interagindo com fatores intrínsecos. O risco é maior quando o ambiente exige maior controle postural e mobilidade (p. ex., ao caminhar sobre uma superfície escorregadia) e quando o ambiente não é familiar (p. ex., quando se muda para uma nova casa).

Fatores situacionais

Certas atividades ou decisões podem aumentar o risco de quedas e lesões relacionadas. Os exemplos são andar enquanto fala ou se distrair com multitarefas e não notar um perigo ambiental (p. ex., uma sarjeta ou degrau), correr para o banheiro (à noite, quando não totalmente desperto ou quando a iluminação é inadequada) e correr para atender ao telefone.

Complicações

Cair, principalmente várias vezes, aumenta o risco de lesões, hospitalização e morte, principalmente em indivíduos idosos frágeis e com comorbidades preexistentes (p. ex., osteoporose) e deficits nas AVD (p. ex., incontinência). As complicações a longo prazo podem incluir redução da função física, medo de cair e institucionalização. Quedas, supostamente, contribuem para > 40% das internações em clínicas de repouso.

Mais de 50% das quedas dos idosos resultam em lesões. Embora na maioria das vezes as lesões não sejam graves (p. ex., contusões, escoriações), as quedas relacionadas às lesões são responsáveis por cerca de 5% das hospitalizações em indivíduos com 65 anos. Cerca de 5% das quedas resultam em fraturas do úmero, punho ou pelve. Cerca de 2% das quedas resultam em fratura de quadril. Outras lesões graves (p. ex., cabeça e lesões internas, lacerações) ocorrem em cerca de 10% das quedas. Algumas lesões relacionadas a quedas são fatais. Cerca de 5% das pessoas idosas com fratura de quadril morrem enquanto hospitalizadas. A mortalidade geral em 12 meses após fratura de quadril varia de 18 a 33%.

Cerca da metade dos indivíduos idosos que caem não pode se levantar sem ajuda. Permanecer no chão por > 2 horas após a queda aumenta o risco de desidratação, úlceras de pressão, rabdomiólise, hipotermia e pneumonia.

A função e a qualidade de vida podem se deteriorar drasticamente após a queda; pelo menos 50% dos idosos deambulatórios antes de fraturar o quadril não recuperam seu nível anterior de mobilidade. Após a queda, o idoso pode ter medo de cair novamente e a mobilidade, às vezes, é reduzida por falta de confiança. Algumas pessoas podem evitar certas atividades (p. ex., compras limpeza,) devido a esse medo. A diminuição da atividade pode aumentar a rigidez articular e fraqueza, reduzindo ainda mais a mobilidade.

Tabela
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Alguns distúrbios que contribuem para o risco de quedas

Incapacidade funcional

Distúrbio

Regulação da pressão arterial

Anemia

Arritmias

Hipersensibilidade cardioinibitória do seio carotídeo

DPOC

Desidratação

Infecções (p. ex., sepse, pneumonia)

Distúrbios metabólicos (p. ex., diabetes, distúrbios da tireoide, hipoglicemia, estados hiperosmolares)

Inibição neurocardiogênica após micção

Hipotensão postural

Hipotensão pós-prandial

Doenças cardíacas valvares

Processamento central

Delirium

Demência

Acidente vascular encefálico

Marcha

Artrite

Deformidades dos pés

Fraqueza muscular

Função postural e neuromotora

Degeneração cerebelar

Mielopatia (p. ex., por espondilose cervical ou lombar)

Doença de Parkinson

Neuropatia periférica

Acidente vascular encefálico

Insuficiência vertebrobasilar

Propriocepção

Neuropatia periférica (p. ex., decorrente de diabetes melito)

Deficiência de vitamina B12

Função otolaringológica

Labirintite aguda

Vertigem posicional paroxística benigna

Perda auditiva

Doença de Ménière

Visão

Catarata

Glaucoma

Degeneração macular (relacionada à idade)

Tabela
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Alguns fármacos que contribuem para o risco de quedas

Fármacos

Mecanismo

Aminoglicosídeos

Lesão vestibular direta

Analgésicos (especialmente opioides)

Alerta reduzido ou processamento central lento

Antiarrítmicos

Perfusão cerebral prejudicada

Anticolinérgicos

Confusão/delirium

Anti-hipertensivos (especialmente vasodilatadores)

Perfusão cerebral prejudicada

Antipsicóticos

Síndromes extrapiramidais, outros efeitos antiadrenérgicos, estado de alerta reduzido ou processamento central lento

Diuréticos (principalmente quando os pacientes estão desidratados)

Perfusão cerebral prejudicada

Diuréticos de alça (alta dose)

Lesão vestibular direta

Fármacos psicoativos (especialmente antidepressivos, antipsicóticos e benzodiazepínicos)

Alerta reduzido ou processamento central lento

Avaliação

  • Avaliação clínica

  • Teste de desempenho

  • Às vezes, testes laboratoriais

Após o tratamento das lesões agudas, a avaliação busca identificar os fatores de risco e as intervenções adequadas, diminuindo assim o risco de quedas futuras e lesões relacionadas a quedas (1, 2).

Algumas quedas são prontamente identificadas devido a lesão óbvia relacionada à queda ou referente a uma possível lesão. Entretanto, como os idosos frequentemente não relatam as quedas, eles devem ser questionados sobre eventos de quedas ou de mobilidade ao menos 1 vez por ano.

Os pacientes que relatam uma única queda devem ser avaliados quanto a possíveis problemas de equilíbrio e de marcha usando o teste básico de levantar e andar. Para o teste, os indivíduos são observados quando se levantam de uma poltrona-padrão, andam 3 m em linha reta, viram, andam de volta para a poltrona-padrão e sentam-se. A observação pode detectar fraqueza dos membros inferiores, desequilíbrio em pé ou sentado ou instabilidade da marcha. Às vezes, o teste é cronometrado. Um tempo > 12 segundos indica aumento significativo do risco de quedas.

Os pacientes que necessitam de avaliação mais completa dos fatores de risco de quedas incluem

  • Aqueles que têm dificuldade durante o teste de levantar e andar

  • Aqueles que relatam múltiplas quedas durante a triagem

  • Aqueles que estão sendo avaliados após uma queda recente (após serem identificadas e tratadas as lesões agudas)

História e exame físico

Quando uma avaliação mais completa dos fatores de risco é necessária, o foco está na identificação dos fatores intrínsecos, extrínsecos e situacionais que podem ser reduzidos com intervenções direcionadas a eles.

Os pacientes são solicitados a responder um questionário aberto sobre a queda ou quedas mais recentes, seguido de perguntas mais específicas sobre quando e onde ocorreu a queda e o que estavam fazendo. Para as testemunhas, são feitas as mesmas perguntas. Os pacientes devem ser questionados se tiveram sintomas premonitórios ou associados (p. ex., palpitação, falta de ar, dor no peito, vertigens, tonturas) e se perderam os sentidos. Os pacientes também devem ser questionados se todos os fatores extrínsecos óbvios ou situacionais podem ter sido envolvidos. A história deve ainda incluir perguntas sobre problemas médicos retrospectivos e atuais, prescrição de fármacos e uso de fármacos de venda livre, além de uso de álcool. Uma vez que a eliminação de todos os riscos de futuras quedas pode ser impossível, os pacientes devem ser questionados se foram capazes de se levantar sem ajuda depois de cair e se ocorreram lesões; o objetivo é reduzir o risco de complicações decorrentes de quedas futuras.

O exame físico deve ser abrangente o suficiente para excluir causas óbvias intrínsecas de quedas. Se a queda ocorreu recentemente, a temperatura deve ser medida para determinar se a febre representou um fator. A frequência cardíaca e o ritmo cardíaco devem ser avaliados para identificar bradicardia, taquicardia de repouso ou ritmos irregulares. Deve-se aferir a pressão arterial com os pacientes na posição supina e após 1 a 3 minutos em pé para excluir possível hipotensão ortostática. A ausculta pode detectar vários tipos de doenças valvares. A acuidade visual deve ser avaliada com o paciente usando suas lentes corretivas habituais, se necessário. As anormalidades na acuidade visual devem desencadear exame visual mais detalhado por optometrista ou oftalmologista. Pescoço, coluna e extremidades (especialmente pernas e pés) devem ser avaliados com relação a fraqueza, deformidades, dor e limitação na amplitude de movimento.

Deve-se fazer exame neurológico; ele inclui testes de força e tônus musculares, sensação (incluindo propriocepção), coordenação (incluindo função cerebelar), equilíbrio estacionário e marcha. O controle postural básico e os sistemas proprioceptivo e vestibular são avaliados com o teste de Romberg (em que o indivíduo permanece em pé com os pés unidos e olhos tanto abertos quanto fechados). Os testes para estabelecer a função de equilíbrio de alto nível incluem a postura em somente umo membro inferior e a marcha tandem com um pé na frente do outro na mesma linha. Caso os pacientes possam ficar apoiados em um só membro inferior por 10 segundos com os olhos abertos e manter uma precisão de 3 m de marcha tandem, é provável que o deficit de controle postural intrínseco seja mínimo. Os médicos devem avaliar a função vestibular posicional (p. ex., com a manobra de Dix-Hallpike ver Nistagmo) e o estado mental.

Exames de desempenho

A avaliação de mobilidade orientada ao desempenho ou o teste de levantar e andar pode identificar problemas de equilíbrio e de estabilidade durante a marcha e outros movimentos que podem indicar aumento do risco de quedas. Esses testes são especialmente úteis se o paciente tiveram dificuldade de fazer o teste básico get up and go.

Exames laboratoriais

Não existe uma avaliação diagnóstica-padrão. O teste deve basear-se na anamnese e exame clínico e ajuda a descartar várias causas:

  • Hemograma completo (HC) para anemia ou leucocitose

  • Medição da glicemia para hipoglicemia ou hiperglicemia

  • Medição de eletrólitos para desidratação

Exames como eletrocardiografia (ECG), monitoramento cardíaco ambulatorial e ecocardiografia são recomendados apenas quando houver suspeita de causa cardíaca. A massagem carotídea sob condições controladas (acesso IV e monitoramento cardíaco) tem sido proposta para determinar a hipersensibilidade da carótida e, finalmente, os pacientes que podem responder ao tratamento com marca-passo. Recomenda-se a realização de radiografias da coluna vertebral e tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) da cabeça quando a história e o exame físico detectarem novas anomalias neurológicas.

Referências sobre avaliação

Prevenção

O foco dever ser a prevenção ou diminuição do número de futuras quedas e de lesões relacionadas a quedas e, ao mesmo tempo, manter o máximo possível das funções e independência do paciente. No exame clínico periódico ou na consulta preventiva de saúde, deve-se perguntar aos pacientes sobre quedas no último ano e dificuldades com o equilíbrio ou a deambulação (1, 2).

Pacientes que relatam uma única queda e não têm problemas de equilíbrio e marcha no teste de levantar e andar ou em teste similar devem receber informações gerais sobre a redução do risco de quedas. Isso deve incluir a maneira de usar os fármacos de maneira segura e a diminuição dos riscos ambientais (ver tabela Lista de verificação para avaliação domiciliar).

Pacientes que relatam mais de uma queda ou um problema com equilíbrio ou marcha devem passar por uma avaliação para quedas a fim de identificar os fatores de risco e as oportunidades para reduzir o risco.

Tabela
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Lista de avaliação domiciliar para perigos que aumentam o risco de quedas

Localização

Perigo

Correção

Fundamento

Ambiente doméstico geral

Iluminação

Muito fraca

Fornecer ampla iluminação em todas as áreas

Melhora a acuidade visual e sensibilidade ao contraste

Muito direta, criando brilho

Reduzir o brilho com luz distribuída uniformemente, iluminação indireta ou quebra-luz translúcido

Melhora a acuidade visual e sensibilidade ao contraste

Interruptores de luz inacessíveis

Fornecer luzes noturnas ou luzes ativadas por toque

Reduz o risco de tropeçar ou esbarrar em obstáculos invisíveis em um quarto escuro

Instalar interruptores que sejam imediatamente acessíveis ao entrar em uma sala ou sensores de movimento que ativam as luzes

Tapetes, carpetes, linóleo

Rasgados

Reparar ou substituir tapete rasgado

Reduz o risco de tropeços e escorregões, sobretudo para pessoas que têm dificuldade para andar

Escorregadio

Providenciar tapetes antiderrapantes

Reduz o risco de escorregar

Bordas enroladas

Adesivo ou fita para baixo de tapetes ou linóleo para evitar o enrolamento

Substituir tapetes ou linóleo

Reduz o risco de tropeçar

Cadeiras, mesas, outros móveis

Instável

Fornecer mobiliário estável o suficiente para suportar o peso do indivíduo inclinando-se em bordas da mesa ou nos braços e encostos da cadeira

Não usar cadeiras de rodas ou com assentos giratórios

Reparar pernas soltas da cadeira

Aumenta o apoio às pessoas com diminuição do equilíbrio e ajuda na transferência

Cadeiras sem braços

Providenciar cadeiras com braços que se estendem o suficiente para a frente, de modo que sejam como uma alavanca ao levantar-se ou sentar-se

Auxilia as pessoas com fraqueza muscular proximal, assim como na transferência

Passagens obstruídas

Organizar móveis de modo que as passagens não sejam obstruídas

Remover a desordem dos corredores

Reduz o risco de tropeçar ou esbarrar em obstáculos, tornando o movimento em casa mais fácil e seguro, principalmente para as pessoas com visão periférica comprometida

Fios e cabos

Expostos em passagens

Prender os cabos acima do chão ou sob revestimentos ou coberturas no solo

Reduz o risco de tropeçar

Cozinha

Armários, prateleiras

Muito altos

Manter os itens usados frequentemente no nível da cintura

Instalar prateleiras e armários em uma altura acessível

Reduz o risco de quedas devido ao frequente alcançar ou subir em escadas ou cadeiras

Pisos

Molhados ou encerados

Colocar um tapete de borracha no chão da pia

Usar sapatos com sola de borracha na cozinha

Usar cera antiderrapante

Reduz o risco de escorregar, principalmente para as pessoas com distúrbio de marcha

Banheiro

Banheira ou chuveiro

Piso ou banheira escorregadio

Instalar tiras resistentes à derrapagem ou tapetes de borracha

Usar calçados no chuveiro ou um assento de banho (uma cadeira de banho permite que as pessoas com diminuição do equilíbrio se sentem durante o banho)

Reduz o risco de escorregar no piso úmido do banheiro

Precisa usar o lado da banheira para apoio ou transferência

Instalar barras de apoio no chuveiro

Instalar uma barra de apoio ao lado da banheira

Seguras em barras ou faixas

Auxilia na transferência

Porta-toalha na pia

Instável para o uso como suporte ao se transferir do vaso sanitário, banheira ou chuveiro

Fixar os corrimãos na parede com parafusos

Auxilia na transferência

Assento

Muito baixo

Usar assento elevado

Auxilia na transferência do banheiro e para ele

Portas

Fechaduras

Remover as fechaduras das portas do banheiro que podem ser abertas de ambos os lados da porta

Permite a outras pessoas entrarem, se uma pessoa cai

Escadas

Altura

Degraus muito elevados

Altura correta do degrau é < 15 cm

Reduz o risco de tropeçar, especialmente para pessoas que têm dificuldade em subir degraus

Corrimão

Ausente

Instalar e fixar bem apoios em ambos os lados da escada

Usar corrimão cilíndrico de 2,5–5 cm da parede

Fornece suporte e permite que as pessoas agarrem o apoio com a mão

Muito curto e no final do corrimão escuro

Estende-se além dos planos superior e inferior e se encerra

Sinais de que o degrau de cima ou de baixo foi alcançado

Configuração

Muito íngreme ou muito longa

Instalar patamares nas escadas quando viável ou selecionar uma residência com patamar de escada

Fornece uma parada de descanso, principalmente para pessoas com distúrbios cardíacos ou pulmonares

Condição

Escorregadio

Colocar antiderrapante na proteção da escada em todos os degraus

Previne o escorregão

Iluminação

Inadequada

Instalar iluminação adequada no topo e ao pé da escada

Fornecer luzes noturnas ou fitas adesivas de cores claras para marcar claramente os degraus

Descreve a localização dos degraus, sobretudo para pessoas com problemas de visão ou percepção

Fisioterapia e exercícios

Os pacientes que caíram mais de 1 vez ou tiveram problemas nos testes iniciais de equilíbrio e de marcha devem ser encaminhados à fisioterapia ou a um programa de exercícios. A fisioterapia ou os programas de exercício podem ser realizados em casa, se os pacientes tiverem dificuldade de locomoção.

Os fisioterapeutas devem personalizar o programa de exercícios para melhorar o equilíbrio e a marcha, além de corrigirem problemas específicos que contribuem para o risco de queda.

Os programas de exercícios mais gerais realizados nas unidades de saúde ou na comunidade podem também melhorar o equilíbrio e a marcha. Por exemplo, o tai chi chuan pode ser eficaz e realizado sozinho ou em grupos. Os programas de exercícios mais eficazes para reduzir o risco de queda são aqueles

  • Adaptados ao deficit do paciente

  • Fornecidos por um profissional treinado

  • Têm um componente de desafio de equilíbrio suficiente

  • Prestados a longo prazo (p. ex., ≥ 4 meses)

Muitos centros para idosos, ACMs ou academias oferecem aulas de ginástica em grupo, gratuitas ou de baixo custo, sob medida para idosos, e essas aulas podem ajudar na acessibilidade e adesão. Os ganhos resultantes de despesas mais baixas relacionadas a quedas excedem os custos desses programas (3).

Dispositivos de assistência

Alguns indivíduos se beneficiam do uso de dispositivos de apoio (p. ex., bengala, andador). A bengala pode ser adequada para pacientes com comprometimento mínimo da musculatura unilateral ou da articulação, mas os andadores, especialmente os com rodas, são mais apropriados aos indivíduos com risco aumentado de quedas atribuível à fraqueza bilateral das pernas ou coordenação prejudicada (os andadores com rodas podem ser perigosos para indivíduos que não conseguem se controlar adequadamente). Os fisioterapeutas podem auxiliar no ajuste ou no tamanho dos dispositivos e ensinar os indivíduos a usá-los.

Tratamento medicamentoso

Deve-se interromper os fármacos que podem aumentar o risco de quedas ou ajustá-los à menor dose efetiva (ver tabela Alguns fármacos que contribuem para o risco de quedas). Deve-se avaliar nos pacientes osteoporose, se diagnosticada, o tratamento é reduzir o risco de quedas futuras.

Caso qualquer outro distúrbio específico seja identificado como fator de risco, as intervenções direcionadas serão obrigatórias. Por exemplo, os fármacos e a fisioterapia podem reduzir o risco em pacientes com doença de Parkinson. O manejo da dor, fisioterapia e talvez cirurgia de substituição articular podem diminuir o risco nos indivíduos com artrite. Uma mudança para lentes apropriadas (lentes unifocais, em vez de bifocais ou trifocais) ou cirurgia, principalmente para remoção de cataratas, pode auxiliar os indivíduos com deficiência visual.

Controle ambiental

A correção dos riscos ambientais na residência pode diminuir o risco de quedas (ver tabela Lista de verificação para avaliação domiciliar). Os pacientes também devem ser aconselhados a reduzir o risco decorrente de fatores situacionais. Por exemplo, o calçado deve ser sem salto, ter algum apoio no tornozelo e ser firme, com entressolas antiderrapantes. Muitos indivíduos com distúrbio crônico de mobilidade (p. ex., causado por artrite grave ou paresia) se beneficiam de estratégias médicas, reabilitativas e ambientais combinadas. As adaptações da cadeira de rodas (p. ex., apoios para os pés removíveis para reduzir os tropeços durante as transferências, barras antiderrapantes para evitar tombamento para trás), cintos e assentos removíveis e encosto podem prevenir as quedas em pacientes com pouco equilíbrio para se sentar ou fraqueza grave quando estão sentados ou na transferência.

Em geral, restrições podem provocar mais quedas e outras complicações e não devem ser utilizadas. A vigilância de um cuidador é mais eficaz e mais segura. Os detectores de movimento podem ser usados, mas um cuidador deve estar presente para responder prontamente ao alarme disparado.

Protetores de quadril (enchimento costurado em roupas íntimas especiais) mostraram reduzir as fraturas de quadril nos pacientes de alto risco em casas de repouso, mas são menos eficazes em idosos que vivem em comunidade. Além disso, muitos pacientes relutam em usar os protetores indefinidamente. O piso compatível (p. ex., borracha presa) pode auxiliar a dissipar a força do impacto, mas um piso muito complacente (p. ex., espuma macia) pode desestabilizar o indivíduo.

Os pacientes também devem ser ensinados a lidar com situações de quedas sem poder se levantar. Algumas técnicas úteis incluem virar-se da posição supina para a posição prona, ficando de quatro, engatinhando para uma superfície de apoio forte e se levantar. O contato frequente com familiares ou amigos, um telefone que pode ser alcançado a partir do chão, um alarme remoto ou um dispositivo portátil com sistema de resposta emergência podem diminuir a probabilidade de ficar longo tempo deitado no chão depois da queda.

Referências sobre prevenção

Informações adicionais

Pontos-chave

  • Anualmente, ocorrem quedas em 30 a 40% dos indivíduos idosos que vivem na comunidade e em 50% dos residentes em casas de repouso.

  • Quedas contribuem para > 40% das internações em clínicas de repouso e são a 7ª principal causa de morte em pessoas 65.

  • As causas são multifatorais e incluem declínio das funções relacionado com doenças e à idade, riscos ambientais e efeitos adversos de fármacos.

  • Avaliar no paciente os fatores predisponentes e também riscos em casa.

  • Na medida do possível, tratar os distúrbios causadores, alterar ou interromper os fármacos causadores e corrigir os riscos ambientais.

  • Os pacientes que caíram mais de 1 vez ou tiveram problemas nos testes iniciais de equilíbrio e marcha podem se beneficiar de fisioterapia ou programa de exercícios.

  • Ensinar técnicas de como se levantar e considerar o uso de um dispositivo de resposta de emergência vestível.

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