Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

honeypot link

Tifo epidêmico

(Tifo Europeu, Clássico ou Transmitido por Piolho; Febre das Prisões)

Por

William A. Petri, Jr

, MD, PhD, University of Virginia School of Medicine

Última modificação do conteúdo fev 2019
Clique aqui para acessar Educação para o paciente

O tifo epidêmico é provocado por Rickettsia prowazekii. Os sintomas são febre alta prolongada, cefaleia intratável e exantema maculopapular.

Tifo epidêmico é uma doença por riquétsias.

Seres humanos são o reservatório natural para a R. prowazekii, que tem distribuição universal e é transmitido quando fezes de piolho são arranhadas ou esfregadas nos locais da picada ou de outras feridas (e, algumas vezes, nas mucosas dos olhos ou da boca). Nos EUA, as pessoas contraem tifo epidêmico após contato com esquilos voadores.

Fatalidades são raras em crianças < 10 anos de idade, mas a mortalidade aumenta com a idade e pode alcançar 60% em pacientes não tratados com > 50 anos.

Sinais e sintomas

Depois de um período de incubação de 7 a 14 dias, febre, cefaleia e prostração ocorrem de maneira súbita. A temperatura alcança 40° C em vários dias e permanece alta, com sinais leves de remissão matutina durante aproximadamente 2 semanas. A cefaleia é generalizada e intensa. Pequenas máculas róseas que aparecem do 4º ao 6º dia cobrem o corpo de modo rápido, geralmente nas axilas e na parte superior do tronco, normalmente excluindo as palmas, as plantas dos pés e a face. Mais tarde, o exantema torna-se escuro e maculopapular. Em casos graves, o exantema torna-se petequial e hemorrágico.

Esplenomegalia pode estar presente. Hipotensão ocorre na maioria dos pacientes gravemente enfermos. Colapso circulatório, insuficiência renal, sinais de encefalite, equimoses com gangrena e pneumonia são sinais de prognóstico reservado.

A doença de Brill-Zinsser, uma recrudescência do tifo epidêmico, pode ocorrer anos depois da infecção inicial se as defesas do hospedeiro falharem.

Diagnóstico

  • Características clínicas

  • Biópsia do exantema com coloração de anticorpos por fluorescência direta para detectar organismos

  • Testes sorológicos na fase aguda e convalescente (sorologias não são úteis na fase aguda)

  • Reação em cadeia da polimerase (PCR)

Com frequência a infestação por piolho é óbvia e sugere fortemente o diagnóstico de tifo (p. ex., morar ou visitar uma área endêmica).

Tratamento

  • Doxiciclina

O tratamento primário do tifo endêmico é com doxiciclina, 200 mg VO uma vez, seguido por 100 mg bid, até que o paciente melhore, tenha estado afebril por 24 a 48 horas e tenha recebido o tratamento durante pelo menos 7 dias.

Cloranfenicol, 500 mg VO ou IV qid, durante 7 dias, é o tratamento de 2ª linha. O cloranfenicol oral não está disponível nos EUA e seu uso está associado a efeitos hematológicos adversos, que exigem monitoramento dos índices sanguíneos.

Pacientes graves com tifo endêmico podem apresentar aumento significativo da permeabilidade capilar nas fases tardias; portanto, deve-se administrar líquidos IV cautelosamente para manter a pressão arterial (PA) e evitar a piora do edema pulmonar e cerebral.

Prevenção

Imunização e controle de piolhos são altamente efetivos para prevenção. Contudo, as vacinas não mais estão disponíveis. Piolhos podem ser eliminados com a aplicação de malationa ou lindano em pessoas infestadas.

Pontos-chave

  • Tifo epidêmico é prevalente em todo o mundo; seres humanos são o reservatório natural.

  • A infecção é transmitida entre seres humanos por piolhos corporais ao arranhar ou esfregar o local da picada ou feridas ou mucosas infectadas pelo piolho.

  • Pequenas máculas rosas cobrem rapidamente o corpo, mais tarde, tornam-se escuras e maculopapulares.

  • A mortalidade aumenta com a idade e pode alcançar 60% em pacientes não tratados > 50 anos de idade, colapso circulatório, insuficiência renal, sinais de encefalite, equimoses com gangrena e pneumonia são sinais de prognóstico reservado.

  • Suspeitar de tifo epidêmico com base nas manifestações clínicas e sinais da infestação por piolhos; confirmar com coloração de anticorpos fluorescente da biópsia cutânea.

  • Tratar com doxiciclina ou cloranfenicol.

  • A doença de Brill-Zinsser, uma recrudescência do tifo epidêmico, pode ocorrer anos depois da infecção inicial se as defesas do hospedeiro falharem.

Doença de Brill-Zinsser

A doença de Brill-Zinsser é uma recrudescência de tifo epidêmico, que acontece anos depois de um ataque inicial.

Os pacientes com doença de Brill-Zinsser previamente tiveram tifo epidêmico ou viveram em uma área endêmica. Aparentemente, quando faltam defesas no hospedeiro, são ativados microrganismos viáveis retidos no corpo, provocando tifo recorrente; assim, a doença é esporádica, acontecendo em qualquer estação do ano ou área geográfica, na ausência de piolho infectado. Porém, piolhos que se alimentam em pacientes podem adquirir e transmitir o agente.

Sinais e sintomas da doença de Brill-Zinsser quase sempre são leves e se assemelham aos do tifo epidêmico com alterações circulatórias, hepáticas, renais e do sistema nervoso central. O curso febril remitente dura cerca de 7 a 10 dias. Exantema cutâneo é frequentemente evanescente ou ausente. A mortalidade é nula.

Ver detalhes do diagnóstico e tratamento em “Visão geral das infecções por riquétsias e infecções relacionadas”.

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família
Profissionais também leram

Também de interesse

Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS ANDROID iOS
PRINCIPAIS