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Bronquite aguda

Por

Sanjay Sethi

, MD, University at Buffalo SUNY

Última modificação do conteúdo fev 2018
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A bronquite aguda é a inflamação da árvore traqueobrônquica, geralmente depois de uma ITRS que ocorre em pacientes sem doenças pulmonares crônicas. A causa quase sempre é uma infecção viral. O patógeno raramente é identificado. O sintoma mais comum é tosse, com ou sem febre, e possivelmente produção de escarro. O diagnóstico baseia-se em achados clínicos. O tratamento é de suporte; antibióticos normalmente são desnecessários. O prognóstico é excelente.

Frequentemente, a bronquite aguda é um componente da infecção da via respiratória superior causada por rinovírus, parainfluenza, vírus da influenza A ou B, vírus sincicial respiratório, coronavírus ou metapneumovírus humano. Causas menos comuns podem ser Mycoplasma pneumoniae, Bordetella pertussis e Chlamydia pneumoniae. Menos de 5% dos casos são provocados por bactérias, às vezes em surtos.

A inflamação aguda da árvore traqueobrônquica em pacientes com doenças bronquiais crônicas subjacentes (p. ex., DPOC, bronquiectasia, fibrose cística) é considerada uma agudização dessa doença, em vez de uma bronquite aguda. Nesses pacientes, a etiologia, o tratamento e o desfecho diferem daqueles da bronquite aguda ( Tratamento da agudização de DPOC).

Dicas e conselhos

  • A tosse aguda em pacientes com DPOC, bronquiectasia ou fibrose cística normalmente deve ser considerada uma exacerbação dessa doença, em vez de uma bronquite aguda simples.

Sinais e sintomas

Os sintomas são constituídos por tosse, com nenhum ou pouco escarro, acompanhada ou precedida de sintomas de ITRS, normalmente em > 5 dias. A dispneia subjetiva resulta de dor torácica com a respiração, mas não de hipóxia. Frequentemente, não existem sinais, mas podem surgir roncos e sibilos esparsos. O escarro pode ser claro, purulento ou, ocasionalmente, conter sangue. As características do escarro não correspondem a uma etiologia particular (viral versus bacteriana). Pode haver febre leve, mas febre alta ou prolongada é incomum e sugere gripe ou pneumonia.

Na resolução, a tosse é o último sintoma a desaparecer e, muitas vezes, leva 2 a 3 semanas ou mesmo mais tempo para que isso aconteça.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

  • Às vezes, radiografia torácica para excluir outras doenças

O diagnóstico baseia-se nas manifestações clínicas. São geralmente desnecessários. Contudo, os pacientes com queixa de dispneia devem ser submetidos à oximetria de pulso para descartar hipoxemia. Faz-se uma radiografia de tórax se os achados sugerirem uma doença grave ou pneumonia (p. ex., aparência enferma, alteração no estado mental, febre alta, taquipneia, hipoxemia, crepitações, sinais de consolidação ou derrame pleural). Os pacientes idosos são a exceção ocasional, uma vez que podem ter pneumonia sem febre nem achados auscultatórios, apresentando em vez disso um estado mental alterado e taquipneia.

Coloração de Gram e cultura do escarro geralmente não são úteis. Pode-se testar as amostras nasofaríngeas a procura de influenza e coqueluche caso se suspeite clinicamente dessas doenças (p. ex., para coqueluche, tosse paroxística e persistente após 10 a 14 dias da doença, às vezes somente com o som de guincho característico e/ou vômito, exposição a um caso confirmado). Geralmente não se recomenda o teste de painel viral porque os resultados não afetam o tratamento.

A tosse é solucionada em 2 semanas em 75% dos pacientes. Aqueles com tosse persistente devem ser submetidos à radiografia de tórax. A decisão de investigar causas não infecciosas, incluindo gotejamento pós-nasal e doença do refluxo gastroesofágico, normalmente pode ser tomada com base na apresentação clínica. A diferenciação entre tosse decorrente e asma pode exigir testes de função pulmonar.

Tratamento

  • Alívio dos sintomas (p. ex., paracetamol, hidratação e, possivelmente, antitussígenos)

  • Beta-agonista inalável para sibilos

Bronquite aguda em pacientes do contrário saudáveis é a principal causa do uso excessivo de antibióticos. Quase todos os pacientes necessitam apenas de tratamento sintomático, como paracetamol e hidratação. As evidências que apoiam a eficácia do uso rotineiro de outros tratamentos sintomáticos, como antitússicos, mucolíticos e broncodilatadores, são fracas. Deve-se considerar antitussígenos somente se a tosse interferir no sono. Pacientes com sibilos podem se beneficiar de beta-2-agonistas inaláveis (p. ex., albuterol) por alguns dias. Não se recomenda o uso mais amplo de beta-2-agonistas porque efeitos adversos como tremor, nervosismo e calafrios são comuns.

Embora ocorram benefícios sintomáticos modestos com o uso de antibióticos na bronquite aguda, a natureza autolimitada da bronquite aguda, o risco dos efeitos adversos e resistência a antibióticos contraindicam o uso amplo de antibióticos. Geralmente, não se utilizam antibióticos orais, exceto em pacientes com coqueluche ou durante surtos conhecidos de infecção bacteriana. Administra-se um macrolídio como a azitromicina, 500 mg VO 1 vez, então 250 mg VO uma vez ao dia durante 4 dias ou claritromicina, 500 mg VO uma vez ao dia durante 7 dias.

Dicas e conselhos

  • Tratar a maioria dos casos de bronquite aguda em pacientes saudáveis sem o uso de antibióticos.

Pontos-chave

  • A bronquite aguda é viral em > 95% dos casos, muitas vezes parte de uma IRTS.

  • Diagnosticar a bronquite aguda principalmente por meio de avaliação clínica; fazer radiografia de tórax e/ou outros testes somente em pacientes que têm manifestações de doenças mais graves.

  • Tratar a maioria dos pacientes somente para aliviar os sintomas.

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