Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

honeypot link

Estomatite aftosa recorrente

Por

Bernard J. Hennessy

, DDS, Texas A&M University, College of Dentistry

Última modificação do conteúdo ago 2018
Clique aqui para acessar Educação para o paciente
Recursos do assunto

Estomatite aftosa recorrente é uma condição comum em que úlceras arredondadas ou ovais dolorosas reaparecem na mucosa bucal. A etiologia não é clara. O diagnóstico é clínico. O tratamento é sintomático e normalmente inclui corticoides tópicos.

Estomatite aftosa recorrente (EAR) afeta 20 a 30% dos adultos e uma maior percentagem de crianças em algum momento da vida.

Etiologia

A etiologia não é clara, mas a EAR tende a ser familiar. O dano é predominantemente mediado por células. As citocinas como a IL-2, a IL-10, e particularmente o FNT-a, desempenham algum papel.

Fatores predisponentes incluem

  • Trauma bucal

  • Estresse

  • Alimentos, especialmente chocolate, café, amendoim, ovos, cereais, amêndoas, morangos, queijo e tomates

Alergia parece não estar envolvida.

Fatores que podem, por razões desconhecidas, ser protetores incluem contraceptivos orais, gestação e tabaco, incluindo o tabaco mastigado e comprimidos contendo nicotina.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas geralmente começam na infância (80% dos pacientes têm < 30 anos) e diminuem de frequência e gravidade com o envelhecimento. Os sintomas podem incluir uma única úlcera 2 a 4 vezes/ano ou doença quase contínua, com novas úlceras se formando à medida que as antigas se cicatrizam. Um pródromo da dor ou ardor durante 1 a 2 dias precede as úlceras, mas não há vesículas ou bolhas antecedentes. Dor severa, desproporcional em relação ao tamanho da lesão, pode durar de 4 a 7 dias.

Úlceras aftosas são bem demarcadas, superficiais, ovais ou arredondadas e têm um centro necrótico com uma pseudomembrana amarelo-acinzentada, uma auréola vermelha e margens vermelhas ligeiramente proeminentes.

Úlceras aftosas menores são responsáveis por 85% dos casos. Elas ocorrem no assoalho da boca, língua lateral e ventral, mucosa bucal e faringe; têm < 8 mm (tipicamente 2 a 3 mm); e cicatrizam em 10 dias sem deixar marcas.

Úlceras aftosas maiores (doença de Sutton, periadenite de mucosa necrótica recurrente) constituem 10% dos casos. Aparecendo após a puberdade, o pródromo é mais intenso e as úlceras são mais profundas, maiores (> 1 cm) e de maior duração (semanas a meses) do que aftas menores. Elas aparecem nos lábios, palato mole e garganta. Pode ocorrer febre, disfagia, mal-estar e cicatrizes.

Úlceras aftosas herpetiformes (morfologicamente semelhantes, mas sem relação com o vírus do herpes) são responsáveis por 5% dos casos. Elas começam como uma série de agrupamentos (até 100) de úlceras pequenas (1 a 3 mm) e dolorosas em uma base eritematosa. Elas se aglutinam para formar úlceras maiores que duram 2 semanas. O início delas em mulheres tende a ocorre em uma idade mais tardia do que outras formas da EAR.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

A avaliação é feita como descrito anteriormente em estomatite. O diagnóstico baseia-se na aparência e exclusão porque não existem características histológicas ou exames laboratoriais definitivos.

Herpes simplex bucal primário pode imitar a EAR, mas geralmente ocorre em crianças mais novas, sempre envolve a gengiva e pode afetar qualquer mucosa queratinizada (palato duro, gengiva inserida, dorso da língua) e está associado com sintomas sistêmicos. Cultura viral pode ser obtida para identificar herpes simples. Lesões herpéticas recorrentes são geralmente unilaterais.

Episódios recorrentes semelhantes podem ocorrer com doença de Behçet, doença inflamatória intestinal, doença celíaca, infecção por HIV, febre periódica com estomatite aftosa, faringite e síndrome de adenite (PFAPA) e deficiências nutricionais; essas condições geralmente têm sinais sintomas sistêmicos. Úlceras bucais recorrentes isoladas podem ocorrer com a infecção por herpes, HIV e, raramente, deficiência nutricional. Testes virais e exames séricos hematológicos podem identificar essas condições.

As reações medicamentosas podem imitar a EAR, mas costumam estar temporalmente relacionadas com a ingestão. Mas reações a alimentos ou produtos odontológicos podem ser difíceis de identificar; eliminação sequencial pode ser necessária.

Tratamento

  • Clorexidina e corticoides tópicos

Tratamentos gerais para a estomatite podem ajudar os pacientes com EAR.

Enxaguatório bucal com gliconato de clorexidina e corticoides tópicos, os principais pilares da terapia, devem ser utilizados durante o pródromo, se possível. O corticosteroide pode ser dexametasona, 0,5 mg/5 mL tid usada como um exanguante e então 0,05% de clobetasol expectorado ou na forma de unguento, ou 0,05% de fluocinonida na forma de unguento em pasta protetiva da mucosa com carboximetilcelulose (1:1) aplicada tid. Os pacientes que usam esses corticoides devem ser monitorados para candidíase. Se corticoides tópicos são ineficazes, prednisona (p. ex., 40 mg VO uma vez ao dia) podem ser necessários por 5 dias.

A EAR contínua ou particularmente grave é mais adequadamente tratada por um especialista em medicina bucal. O tratamento pode exigir o uso prolongado de corticoides sistêmicos, azatioprina ou outros imunossupressores, pentoxifilina, ou talidomida. Injeções intralesionais podem ser aplicadas com betametasona, dexametasona, ou triamcinolona. Suplementação de B1, B2, B6, B12, folato ou ferro diminui a EAR em alguns pacientes.

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família
Profissionais também leram

Também de interesse

Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS ANDROID iOS
PRINCIPAIS