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Avaliação da dor

Por

James C. Watson

, MD, Mayo Clinic

Última modificação do conteúdo ago 2018
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Os médicos devem avaliar a causa, a gravidade e a natureza da dor e seu efeito sobre atividades, humor, cognição e sono. A avaliação da causa da dor aguda (p. ex., dor lombar, dor torácica) difere da avaliação da dor crônica.

A história deve incluir as seguintes informações sobre a dor:

  • Qualidade (p. ex., em queimação, espasmódica, persistente, profunda, superficial, penetrante, lancinante)

  • Gravidade

  • Localização

  • Padrões de dor referida

  • Duração

  • Ocasião (incluindo padrão, grau de flutuação e frequência de remissões)

  • Fatores exacerbantes e atenuantes.

Deve-se avaliar o nível funcional do paciente, concentrando-se nas atividades cotidianas (p. ex., vestir-se, tomar banho), trabalho, passatempos e relações interpessoais (incluindo as sexuais).

A percepção da dor do paciente pode representar mais do que os processos fisiopatológicos intrínsecos da doença. Deve ser determinado o significado da dor para o paciente, com ênfase em aspectos psicológicos, depressão e ansiedade. O relato de dor é mais aceitável socialmente que o de ansiedade ou de depressão, e a terapia adequada geralmente depende de se distinguir essas percepções divergentes. Dor e sofrimento também devem ser diferenciados, sobretudo nos pacientes com câncer; o sofrimento pode ser também decorrente tanto da perda de função como do medo da morte iminente, além da dor.

Deve-se avaliar se um ganho secundário (vantagens externas e incidentais por enfermidade — p. ex., afastamento do trabalho, auxílio invalidez) contribui para a dor ou para incapacidades relacionadas à dor. Deve-se perguntar ao paciente se há processo em andamento ou se será solicitada uma compensação financeira pela lesão.

Uma história pessoal ou familiar de dor crônica pode esclarecer o problema. Deve-se considerar uma possível contribuição dos membros da família para a perpetuação da dor crônica (p. ex., por constantemente indagar sobre a saúde do paciente).

Deve-se perguntar aos pacientes e, algumas vezes aos cuidadores, sobre o uso, eficácia e efeitos adversos dos fármacos vendidos com e sem receita médica e outros tratamentos e sobre consumo de álcool e uso de fármacos recreativas ou ilícitas.

Intensidade da dor

A intensidade da dor deve ser avaliada antes e após intervenções potencialmente dolorosas. Em pacientes capazes de verbalizar, o autorrelato é o padrão-ouro e os sinais externos de dor (p. ex., chorar, estremecer, balançar) são secundários. Para pacientes com dificuldades de comunicação e em crianças pequenas, os indicadores não verbais (comportamentais e algumas vezes psicológicos) podem ser a fonte primária de informação.

Medidas formais (ver figura Algumas escalas de dor para quantificar a dor vigente) são

  • Escalas de categoria verbal (p. ex., leve, moderada e grave)

  • Escalas numéricas

  • A Escala Visual Analógica (EVA)

Para a escala numérica, pede-se aos pacientes que classifiquem sua dor de 0 a 10 (0 = ausência de dor; 10 = “a pior dor imaginável”). Na EVA, os pacientes criam um sinal representando o grau da dor em uma linha de 10 cm sem identificação, com a extremidade esquerda com os dizeres “sem dor” e a direita com os dizeres “dor insuportável”. A pontuação da dor é a distância em mm desde a extremidade esquerda da linha. Crianças e pacientes com alfabetização deficiente ou problemas de desenvolvimento podem selecionar imagens de faces que vão do sorriso à expressão distorcida pela dor, ou frutas de vários tamanhos para transmitir sua percepção de intensidade da dor. Ao mensurar a dor, o examinador deve especificar um período de tempo (p. ex. “em média durante a última semana”).

Algumas escalas de dor para qualificar a dor à medida que ocorre

Para a Escala de Dor Funcional, os examinadores devem explicar com clareza ao paciente que as limitações funcionais serão relevantes para a avaliação somente se decorrerem da dor que está sendo avaliada; o tratamento visa ao máximo alívio possível da dor, pelo menos até o nível tolerável (0–2).

Adaptado de American Geriatrics Society (AGS) Panel on Chronic Pain in Older Persons: The management of chronic pain in older persons. Journal of the American Geriatrics Society 46:635–651, 1998; used with permission; from Gloth FM III, Scheve AA, Stober CV, et al: The functional pain scale (FPS): Reliability, validity, and responsiveness in a senior population. Journal of the American Medical Directors Association 2 (3):110–114, 2001; e de Gloth FM III: Assessment. Em Handbook of Pain Relief in Older Adults: An Evidence-Based Approach, editado por FM Gloth III. Totowa (NJ), Humana Press, 2003, p. 17; usada com permissão; copyright © FM Gloth, III, 2000.

Algumas escalas de dor para qualificar a dor à medida que ocorre

Pacientes com demência e afasia

Avaliar a dor em pacientes com doenças que afetam a cognição, fala ou linguagem (p. ex., demência e afasia) pode ser difícil. A dor é sugerida pelas contrações faciais, enrugar a testa ou piscar os olhos repetidamente. Algumas vezes, os cuidadores podem descrever comportamentos que sugerem dor (p. ex., exclusão social súbita, irritabilidade, caretas). A dor deve ser considerada em pacientes com dificuldade de comunicação e que apresentam alterações súbitas de comportamento. Muitos pacientes com dificuldade de comunicação podem comunicar significativamente quando é utilizada a escala de dor apropriada. Por exemplo, a Escala de Dor Funcional foi validada e pode ser utilizada em pacientes em casas de repouso que têm escore do Miniexame do Estado Mental 17.

Pacientes que recebem bloqueios neuromusculares

Não há instrumentos validados para avaliar a dor quando é utilizado um bloqueio neuromuscular para facilitar a ventilação mecânica.

Se o paciente receber um sedativo, a dose pode ser ajustada até que não haja evidência de consciência. Nestes casos, analgésicos específicos não são necessários. Se, entretanto, o paciente estiver sedado, mas ainda apresenta alguma evidência de consciência (p. ex., piscando, ou com resposta de movimentos oculares ao comando), deve ser considerado o tratamento da dor, com base no grau de dor habitualmente causado pela condição (p. ex., queimaduras, traumas). Se um procedimento potencialmente doloroso (p. ex., virar um paciente acamado) for necessário, o pré-tratamento com analgésico selecionado ou anestésico deve ser administrado.

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