Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

Carregando

Paralisia do nervo facial

(Bell's Palsy; Bell's Palsy)

Por

Michael Rubin

, MDCM, Weill Cornell Medical College

Última modificação do conteúdo dez 2017
Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família
Recursos do assunto

A paralisia do nervo facial (7º nervo craniano) geralmente é idiopática (anteriormente chamada paralisia de Bell). A paralisia do nervo facial idiopática é súbita, unilateral e periférica. Os sintomas da paralisia do nervo facial compreendem paresia hemifacial das porções superior e inferior da face. Testes (p. ex., raio-x de tórax, nível de ECA) são feitos para diagnosticar as causas tratáveis. O tratamento pode incluir lubrificação do olho, uso intermitente de um tapa-olho, e, para paralisia do nervo facial idiopática, corticoides.

Etiologia

Historicamente, acreditava-se que a paralisia de Bell fosse paralisia do nervo facial idiopática (7º nervo craniano periférico). No entanto, a paralisia do nervo facial agora é considerada uma síndrome clínica com um diagnóstico diferencial próprio, e o termo "paralisia de Bell" nem sempre é considerado sinônimo de paralisia do nervo facial idiopática. Cerca de metade dos casos de paralisia do nervo facial é idiopática.

O mecanismo da paralisia do nervo facial idiopática é, presumivelmente, edema do nervo facial devido a uma doença imunitária ou viral. Evidências recentes sugerem que a infecção por vírus herpes simplex é a causa mais comum e que herpes-zóster pode ser a segunda causa viral mais comum. Outras causas virais incluem coxsackie, citomegalovírus, adenovírus e vírus Epstein-Barr, caxumba, rubéola e vírus influenza B. O nervo inchado é comprimido ao máximo à medida que atravessa a porção labiríntica do canal facial, resultando em isquemia e paresia.

Várias outras doenças (p. ex., doença de Lyme, sarcoidose) podem causar paralisia do nervo facial.

Fisiopatologia

Os músculos faciais são inervados perifericamente (inervação infranuclear) pelo 7º nervo craniano ipsolateral e centralmente (inervação supranuclear) pelo córtex cerebral contralateral. A inervação central tende a ser bilateral para a face superior (p. ex., músculos da testa) e unilateral para a face inferior. Como resultado, tanto lesões centrais como periféricas tendem a paralisar a parte inferior da face. Mas lesões periféricas (paralisia do nervo facial) tendem a afetar a face superior mais do que as lesões centrais (p. ex., acidente vascular cerebral) afetam.

Sinais e sintomas

Dor atrás da orelha, muitas vezes, precede a paralisia facial na paralisia idiopática do nervo facial. A paresia, geralmente com paralisia completa, desenvolve-se em horas e em geral é máxima em 48 a 72 h. Os pacientes podem se queixar de dormência ou sensação de peso na face. O lado afetado fica sem rugas e sem expressão; a capacidade de franzir a testa, piscar e fazer caretas é limitada ou inexistente. Em casos graves, a margem palpebral se amplia e os olhos não se fecham, muitas vezes irritando a conjuntiva e ressecando a córnea.

Paralisia de Bell
Paralisia de Bell
DR P. MARAZZI/SCIENCE PHOTO LIBRARY

O exame sensorial é normal, exceto para o meato acústico externo e um pequeno trecho atrás da orelha. Se a lesão nervosa for proximal, a salivação, a gustação e o lacrimejamento são prejudicados e pode ocorrer hiperacusia.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

  • Radiografia ou tomografia computadorizada de tórax e níveis séricos da ECA para verificar se há sarcoidose

  • RM se o início é gradual ou outros déficits neurológicos estão presentes

  • Outros testes se indicados pelos resultados clínicos

A paralisia do nervo facial é diagnosticada com base na avaliação clínica. Não existem testes diagnósticos específicos.

A paralisia do nervo facial pode ser distinguida de uma lesão do nervo facial central (p. ex., por causa de tumor ou acidente vascular cerebral hemisférico), que provoca fraqueza, principalmente da face inferior, poupando o músculo da testa e permitindo que os pacientes contraiam a testa; além disso, os pacientes com lesões centrais geralmente podem franzir a testa e fechar os olhos firmemente.

Outras doenças que causam paralisia do nervo facial periféricas incluem:

  • Herpes no gânglio geniculado (síndrome de Ramsay Hunt, decorrente de herpes-zóster)

  • Infecções no orelha média ou mastoidite

  • Sarcoidose

  • Doença de Lyme

  • Fraturas do osso petroso

  • Invasão leucêmica ou carcinomatosa do nervo

  • Meningite crônica

  • Tumores de ângulo pontocerebelar ou de glomo jugular

  • Diabetes

As outras doenças que causam paralisia do nervo facial periférico costumam se desenvolver de forma mais lenta do que a paralisia idiopática do nervo facial e podem apresentar outros sinais e sintomas diferenciais. Assim, se os pacientes tiverem quaisquer outros sintomas ou sinais neurológicos ou se os sintomas se desenvolveram gradualmente, deve-se fazer ressonância magnética.

Na paralisia do nervo facial idiopática, RM pode mostrar aumento de contraste do nervo facial em ou perto do gânglio geniculado ou ao longo de todo o curso do nervo. Mas esse aumento do contraste pode refletir outras causas, como tumor meníngeo. Se a paralisia progride ao longo de semanas a meses, a probabilidade de um tumor (p. ex., mais comumente schwannomas) comprimir o nervo facial aumenta. RM também pode ajudar a excluir outras doenças estruturais que causam paralisia do nervo facial. TC, geralmente negativa na paralisia de Bell, é feita se há suspeita de fratura, se RM não está imediatamente disponível e acidente vascular cerebral é possível.

Além disso, testes sorológicos agudos e convalescentes para doença de Lyme são feitos se os pacientes estiveram em uma área geográfica onde carrapatos e doença de Lyme são endêmicos.

Para todos os pacientes, radiografia ou TC de tórax é feita e ACE no soro é medida para verificar se há sarcoidose. Mede-se o nível de glicose. Títulos virais não são úteis.

Prognóstico

Na paralisia idiopática do nervo facial, a extensão do dano nervoso determina o resultado. Se restar alguma função, em geral ocorrerá recuperação total em alguns meses. Estudos de condução nervosa e eletromiografia são feitos para ajudar a prever o resultado. A probabilidade de recuperação completa após paralisia total é de 90% quando os ramos nervosos na face preservam a excitabilidade normal à estimulação elétrica supramáxima e apenas cerca de 20% quando não há excitabilidade elétrica.

A regeneração de fibras nervosas pode ser mal direcionada, inervando os músculos da porção inferior da face com fibras perioculares e vice-versa. O resultado é a contração não intencional de alguns músculos durante movimentos faciais voluntários (sincinesia) ou a síndrome de lágrimas de crocodilo durante a salivação. O desuso crônico dos músculos da face pode causar contraturas.

Tratamento

  • Proteção para a córnea

  • Corticoides para paralisia do nervo facial idiopática

O ressecamento da córnea deve ser prevenido com o uso frequente de lágrimas artificiais, solução salina isotônica ou gotas de metilcelulose e uso intermitente de fita adesiva ou tapa-olho para ajudar a fechar o olho, em particular durante o sono. Às vezes, há necessidade de tarsorrafia.

Na paralisia do nervo facial idiopática, corticoides, se iniciados em 48 horas após a manifestação, resultam em recuperação mais rápida e mais completa (1). Prednisona, 60 a 80 mg, VO, 1 vez/dia é administrada por 1 semana, então diminuída gradualmente ao longo da 2ª semana.

Fármacos antivirais eficazes contra o vírus de herpes simplex (p. ex., valaciclovir, 1 g, VO, 3 vezes/dia, durante 7 a 10 dias, famciclovir, 500 mg, VO, 3 vezes/dia, durante 5 a 10 dias, aciclovir, 400 mg, VO, 5 vezes/dia, durante 10 dias) foram prescritas, mas dados recentes sugerem que os fármacos antivirais não fornecem nenhum benefício.

Referência sobre o tratamento

  • 1. Gronseth GS, Paduga R: Evidence-based guideline update: Steroids and antivirals for Bell palsy: Report of the Guideline Development Subcommittee of the American Academy of Neurology. Neurology 79:2209–2213, 2012.

Pontos-chave

  • Na paralisia do nervo facial, os pacientes não podem mover a parte superior e inferior da face para um dos lados; em comparação, lesões do nervo facial central (p. ex., devido a acidente vascular cerebral) afetam principalmente a face inferior.

  • A causa da paralisia do nervo facial idiopática é incerta, mas evidências cada vez mais implicam o vírus do herpes.

  • O diagnóstico é clínico, mas se o início não é claramente agudo, RM deve ser feita.

  • Se administrados precocemente, corticoides são úteis para a paralisia do nervo facial idiopática; antivirais provavelmente não fornecem nenhum benefício.

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família
Profissionais também leram

Também de interesse

Vídeos

Visualizar tudo
Como fazer um exame do estado mental
Vídeo
Como fazer um exame do estado mental
Modelos 3D
Visualizar tudo
Meninges
Modelo 3D
Meninges

MÍDIAS SOCIAIS

PRINCIPAIS