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Ataque isquêmico transitório (AIT)

Por

Elias A. Giraldo

, MD, MS, California University of Science and Medicine School of Medicine

Última modificação do conteúdo mar 2017
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Um ataque isquêmico transitório é uma isquemia cerebral focal que causa deficits neurológicos transitórios repentinos e não é acompanhada de infarto cerebral permanente (p. ex., resultados negativos na RM ponderada em difusão). O diagnóstico é clínico. Endarterectomia da carótida ou implante de stent, fármacos antiplaquetários e anticoagulantes diminuem o risco de acidente vascular encefálico após certos tipos de AIT.

O AIT é similar ao acidente vascular encefálico isquêmico, exceto que os sintomas duram normalmente < 1 h; a maioria dos AITs dura < 5 minutos. É muito improvável a ocorrência de infarto quando os deficits desaparecem no período de 1 h. Como demonstrado por RM ponderada em difusão e outros estudos, deficits que desaparecem espontaneamente em 1 a 24 h são frequentemente acompanhados por infarto e, portanto, não são mais considerados AITs.

Os AIT são mais comuns em indivíduos de meia-idade e idosos. Os AIT aumentam acentuadamente o risco de acidente vascular encefálico, com início nas primeiras 24 h.

Etiologia

Os fatores de risco de AIT são os mesmos que para acidente vascular encefálico isquêmico. Os fatores de risco modificáveis incluem:

  • Alcoolismo

  • Hipertensão

  • Tabagismo

  • Dislipidemia

  • Diabetes

  • Resistência à insulina (1)

  • Obesidade

  • Falta de atividade física

  • Dieta de alto risco (p. ex., rica em gorduras saturadas, gorduras trans e calorias)

  • Estresse psicossocial (p. ex., depressão)

  • Doenças cardíacas (particularmente doenças que predispõem à embolia, como infarto agudo do miocárdio, endocardite infecciosa e fibrilação atrial)

  • Uso de determinadas drogas (p. ex., cocaína, anfetamina)

  • Hipercoagulabilidade

  • Vasculite

Os fatores de risco não modificáveis incluem:

  • Acidente vascular encefálico anterior

  • Idade avançada

  • História familiar de acidente vascular encefálico

  • Sexo masculino

A maior parte dos AIT é causada por êmbolos, geralmente das artérias carótidas ou vertebrais, embora a maioria das causas de acidente vascular encefálico isquêmico também possa resultar em AIT.

Raramente, os AIT resultam de perfusão insuficiente decorrente de hipoxemia grave, capacidade reduzida de transporte de oxigênio pelo sangue (p. ex., anemia profunda, envenenamento por monóxido de carbono) ou aumento da viscosidade sanguínea (p. ex., policitemia grave), em particular nas artérias cerebrais com estenose preexistente. A isquemia geralmente não é causada por hipotensão sistêmica, a menos que esta seja grave ou haja uma estenose arterial preexistente, pois o fluxo sanguíneo cerebral é mantido em níveis próximos ao normal em ampla variedade de pressão arterial sistêmicas.

Na síndrome do roubo da subclávia, uma artéria subclávia estenosada, em um ponto proximal à origem da artéria vertebral, “rouba” sangue desta última (na qual ocorre inversão do fluxo sanguíneo) para suprir o membro superior durante o esforço, determinando sinais de isquemia vertebrobasilar.

Ocasionalmente, os AIT ocorrem em crianças com distúrbio cardiovascular grave, o qual produz êmbolos ou gera um hematócrito muito alto.

Referência sobre etiologia

Sinais e sintomas

Os deficits neurológicos são similares aos do acidente vascular encefálico ( Síndromes selecionadas de acidente vascular encefálico). Quando a artéria oftálmica é afetada, pode ocorrer cegueira monocular transitória (amaurose fugaz), que costuma durar < 5 minutos.

Tabela
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Síndromes selecionadas de acidente vascular encefálico

Sinais e sintomas

Síndrome

Hemiparesia contralateral (máxima no membro inferior), incontinência urinária, apatia, confusão, julgamento deficitário, mutismo, reflexo de preensão, apraxia da marcha

Artéria cerebral anterior (incomum)

Hemiparesia contralateral (pior no membro superior e na face que no membro inferior), disartria, hemianestesia, hemianopsia homônima contralateral, afasia (quando o hemisfério dominante é afetado) ou apraxia e negligência sensorial (quando o hemisfério não dominante é afetado)

Artéria cerebral média (comum)

Hemianopsia homônima contralateral, cegueira cortical unilateral, perda de memória, paralisia unilateral do III par craniano, hemibalismo

Artéria cerebral posterior

Perda da visão monocular (amaurose)

Artéria oftálmica (um ramo da artéria carótida interna)

Déficits uni ou bilaterais dos pares cranianos (p. ex., nistagmo, vertigem, disfagia, disartria, diplopia, cegueira), ataxia do tronco ou membros, paresia espástica, deficits sensoriais e motores cruzados* consciência comprometida, coma, morte (quando a oclusão da artéria basilar é completa), taquicardia, pressão arterial lábil

Sistema vertebrobasilar

Ausência de deficits corticais, além de um dos seguintes:

  • Hemiparesia motora pura

  • Hemianestesia sensorial pura

  • Hemiparesia atáxica

  • Disartria — síndrome das mãos desajeitadas (incoordenadas)

Infartos lacunares

*Perda sensorial ou fraqueza motora facial ipsolateral com hemianestesia ou hemiparesia contralateral no restante do corpo indica lesão na ponte ou na medula.

Os sintomas do AIT têm início súbito, geralmente com duração de 2 a 30 minutos, para depois desaparecerem por completo. Os pacientes podem ter vários AIT por dia, ou apenas 2 ou 3 em vários anos. Em geral, os sintomas são similares em ataques sucessivos na artéria carótida, mas variam um pouco em ataques vertebrobasilares sucessivos.

Diagnóstico

  • Resolução dos sintomas semelhantes aos do acidente vascular encefálico em 1 h

  • Neuroimagem

  • Avaliação para identificar a causa

Estabelece-se o diagnóstico dos ataques isquêmicos transitórios retrospectivamente considerando que os deficits neurológicos repentinos relacionados com isquemia de um território arterial que desapareceram em 1 h.

Paralisia do nervo facial periférico isolada, perda de consciência ou comprometimento da consciência não sugerem AIT. AIT devem ser diferenciados de outras causas de sintomas similares, como

  • Paralisia pós-ictal [de Todd] (um deficit neurológico transitório, geralmente fraco, contralateral ao foco da crise epiléptica)

Como um infarto, uma pequena hemorragia e até uma lesão tumoral não podem ser clinicamente excluídos, solicita-se a imagem neurológica. Em geral, a TC é o exame mais prontamente disponível. Entretanto, TC pode não identificar infartos por > 24 h. RM normalmente detecta infarto em evolução em questão de horas. A RM ponderada por difusão é o exame de imagem mais preciso para excluir um infarto em paciente com AIT presumido, mas nem sempre está disponível.

Busca-se a causa de um AIT quanto às causas dos acidentes vasculares encefálicos isquêmicos; a avaliação é feita por exames para estenose da carótida, fontes cardíacas de êmbolos, fibrilação atrial, alterações hematológicas e triagem para fatores de risco de acidente vascular encefálico. Visto que o risco de um acidente vascular encefálico isquêmico subsequente é alto e imediato, procede-se à avaliação rapidamente, geralmente como em um paciente internado. Não está claro se um paciente, se é que isso ocorre, pode receber alta com segurança do departamento de emergência. O risco de acidente vascular encefálico após AIT ou acidente vascular encefálico menor é maior nas primeiras 24 a 48 h, assim, se há suspeita de um ou outro, os pacientes geralmente são internados para fazer telemetria e avaliação.

Tratamento

O tratamento de ataques isquêmicos transitórios visa prevenir acidente vascular encefálico; utilizam-se antiplaquetários e estaminas. A endarterectomia da carótida ou a angioplastia arterial e ainda a colocação de stent podem ser úteis para determinados pacientes, em particular aqueles que não possuem deficits neurológicos, mas apresentam alto risco de acidente vascular encefálico. Anticoagulantes são indicados se houver fontes cardíacas de êmbolos.

O controle dos fatores de risco de acidente vascular encefálico passíveis de modificação pode impedir o acidente vascular encefálico.

Pontos-chave

  • Déficit neurológico focal que desaparece em 1 hora é quase sempre um ataque isquêmico transtório.

  • Testes como para acidente vascular encefálico isquêmico.

  • Usar os mesmos tratamentos utilizados para prevenção secundária de acidente vascular encefálico isquêmico (p. ex., fármacos antiplaquetários, estatinas, às vezes, endarterectomia carotídea ou angioplastia arterial mais colocação de stent).

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