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Hepatite A, aguda

Por

Anna E. Rutherford

, MD, MPH, Harvard Medical School

Última modificação do conteúdo jan 2019
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Hepatite A é causada por um vírus de RNA transmitido entericamente que, em crianças mais velhas e adultos, provoca sintomas típicos da hepatite viral, incluindo anorexia, mal-estar e icterícia. Crianças pequenas podem ser assintomáticas. Hepatite fulminante e morte são raras nos países desenvolvidos. Hepatite crônica não ocorre. O diagnóstico é por teste para anticorpos. O tratamento é de suporte. Vacinação e infecção prévia são protetores.

O vírus da hepatite A é um picornavírus de cadeia única de ácido ribonucleico (RNA). É a causa mais comum de hepatite viral aguda, particularmente comum em crianças e adultos jovens.

Em alguns países, > 75% da população adulta já foi exposta ao vírus da hepatite A. Nos EUA, estima-se que ocorrem anualmente 3.000 casos, uma queda de 25.000 a 35.000 casos anuais antes da vacina contra hepatite A se tornar disponível em 1995 (ver CDC Hepatitis A FAQs).

O HAV é transmitido principalmente por via fecal-oral e, portanto, ocorre de forma mais frequente em áreas com pouca higiene. Ocorrem epidemias por contaminação alimentar e por água, principalmente em países subdesenvolvidos. A ingestão de mariscos crus contaminados pode ser uma forma de transmissão. Casos esporádicos também são comuns, geralmente por contato entre pessoas.

A disseminação fecal do vírus ocorre antes do aparecimento dos sintomas e geralmente acaba poucos dias depois do início da sintomatologia; portanto, a infecciosidade comumente já cessou quando a hepatite se torna clinicamente evidente.

O HAV não apresenta estado de portador crônico e não causa hepatite crônica ou cirrose.

Sinais e sintomas

Em crianças < 6 anos, 70% das infecções por hepatite A são assintomáticas e, em crianças com sintomas, icterícia é rara. Por outro lado, a maioria das crianças mais velhas e adultos tem manifestações típicas de hepatite viral, incluindo anorexia, mal-estar, febre, náuseas e vômitos; icterícia ocorre em mais de 70%.

Manifestações tipicamente desaparecem depois de cerca de 2 meses, mas, em alguns pacientes, os sintomas persistem, ou recorrem por até 6 meses.

A recuperação da hepatite A aguda é geralmente total. Raramente ocorre hepatite fulminante.

Diagnóstico

  • Exames sorológicos

No diagnóstico inicial da hepatite aguda, deve-se diferenciar a hepatite viral de outras doenças que causam icterícia (ver figura Abordagem diagnóstica simplificada para suspeita de hepatite viral aguda).

Se há suspeita de hepatite viral aguda, os seguintes testes são realizados para triagem das hepatites virais A, B e C:

  • Anticorpo IgM para HAV (IgM anti-HAV)

  • Antígeno de superfície da hepatite B (HBsAg)

  • Anticorpo central da hepatite B (IgM anti-HBc)

  • Anticorpo contra o vírus da hepatite C (anti-HCV) e RNA da hepatite C (HCV-RNA)

Se o teste IgM anti-HAV é positivo, a hepatite A é diagnosticada. Realiza-se o teste de anticorpo IgG para HAV (anti-HAV IgG) (ver Sorologia para hepatite A) a fim de ajudar a distinguir infecção aguda de prévia. Um teste anti-HAV IgG positivo sugere infecção por HAV prévia ou imunidade adquirida. Não há outros testes para hepatite A.

O HAV está presente no sangue apenas durante a infecção aguda e não pode ser detectável clinicamente com os testes disponíveis.

O anticorpo IgM tipicamente aparece em fases precoces da infecção e atinge seu pico em 1 a 2 semanas após o aparecimento da icterícia. Diminui após algumas semanas, seguido pelo aparecimento de IgG protetor (IgG anti-HAV), que geralmente persiste por toda a vida. Dessa forma, o anticorpo IgM é um marcador de infecção aguda, ao passo que o IgG anti-HAV indica apenas exposição prévia ao HAV e imunidade contra infecções recorrentes.

Tabela
icon

Sorologia para hepatite A

Marcador

Infecção aguda por HAV

Infecção prévia por HAV*

IgM anti-HAV

+

IgG anti-HAV

+

*HAV não causa hepatite.

HAV = vírus da hepatite A; IgG anti-HAV = anticorpo imunoglobulina G do HAV.

Tratamento

  • Cuidados de suporte

Nenhum tratamento atenua a hepatite viral aguda, incluindo hepatite A. Deve-se evitar a ingestão de álcool, pois pode haver piora da lesão hepática. Não existem evidências científicas que apoiem o uso de restrições dietéticas ou de atividades, incluindo o repouso no leito habitualmente prescrito.

Para a hepatite colestática, o uso de colestiramina, 8 g VO uma vez ao dia ou bid, pode melhorar o prurido.

Deve-se relatar a ocorrência de hepatite viral às autoridades de saúde locais.

Prevenção

Bons hábitos de higiene pessoal ajudam a prevenir a transmissão fecal-oral da hepatite A. Recomenda-se barreiras de contato, mas o isolamento dos pacientes tem pouca efetividade para prevenir a propagação do HAV.

Quedas de líquidos e superfícies contaminadas na casa dos pacientes podem ser limpas com água sanitária diluída.

Vacinação

Recomenda-se a vacina contra hepatite A para todas as crianças a partir de 1 ano de idade, com uma 2ª dose aos 6 a 18 meses após a primeira (ver tabela Cronograma de imunização recomendado para idades de 0–6 anos).

Pré-exposição à vacina contra HAV (ver Adult Immunization Schedule) deve ser fornecida para

  • Viajantes para os países com incidência alta ou intermediária de HAV

  • Funcionários de laboratórios de diagnóstico

  • Homens que fazem sexo com homens

  • Pessoas que usam drogas ilícitas injetáveis ou não injetáveis

  • Pessoas com doenças hepáticas crônicas (incluindo hepatite C crónica) porque têm maior risco de desenvolver hepatite fulminante por HAV

  • Pessoas que recebem concentrados do fator de coagulação

  • Pessoas que antecipam contato próximo com um adotado internacional durante os primeiros 60 dias após a chegada de um país com endemicidade alta ou intermediária de HAV

Profilaxia pré-exposição para o vírus da hepatite A deve ser considerada para funcionários de creches e militares.

Diversas vacinas para o vírus da hepatite A estão disponíveis atualmente, cada uma com diferentes doses e esquemas de administração; são seguras, promovem proteção a partir de 4 semanas e garantem proteção por longo período (provavelmente por > 20 anos).

Anteriormente, viajantes eram aconselhados a se vacinarem contra hepatite A ≥ 2 semanas antes da viagem; aqueles partindo em < 2 semanas também devem receber imunoglobulina padrão. Evidências atuais sugerem que imunoglobulina é necessária apenas para viajantes mais velhos e aqueles com doença hepática crônica ou outra doença crônica.

Profilaxia pós-exposição

Profilaxia pós-exposição deve ser dada aos familiares e contatos próximos dos pacientes com hepatite A.

Para pacientes não vacinados saudáveis com 1 a 40 anos, uma dose única da vacina contra hepatite A é dada.

Para outros pacientes, particularmente aqueles > 75 anos, aqueles com doença hepática crônica e pacientes imunocomprometidos, imunoglobulina padrão (anteriormente, imunoglobulina sérica) previne ou diminui a gravidade da hepatite A. A dose recomendada é 0,02 mL/kg, IM mas alguns especialistas aconselham 0,06 mL/kg (3 a 5 mL para adultos). Pode ser administrada até 2 semanas depois da exposição, mas, quanto antes, melhor.

Pontos-chave

  • O vírus da hepatite A é a causa mais comum de hepatite viral aguda, transmitida por via fecal-oral.

  • Crianças < 6 anos podem ser assintomáticas; crianças mais velhas e adultos têm anorexia, mal-estar e icterícia.

  • Hepatite fulminante é rara, e hepatite crônica, cirrose e câncer não ocorrem.

  • Tratamento de suporte.

  • Vacinação de rotina a partir do 1º de idade é recomendada para todos.

  • Vacinar as pessoas em risco (p. ex., viajantes para áreas endêmicas, trabalhadores de laboratório) e fornecer profilaxia pós-exposição com imunoglobulina padrão ou, para alguns, vacinação.

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