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Corpos estranhos esofágicos

Por

Raghav Bansal

, MBBS, Ichan School of Medicine at Mount Sinai, NY;


Aaron E. Walfish

, MD,

  • Mount Sinai Medical Center

Última modificação do conteúdo ago 2018
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Alimentos e uma variedade de outros objetos podem tornar-se impactados no esôfago. Corpos estranhos esofágicos causam disfagia e, às vezes, levam à perfuração. O diagnóstico é clínico, mas podem ser necessários exames de imagem e endoscopia. Alguns objetos passam espontaneamente, mas muitas vezes é necessária remoção endoscópica.

O esôfago é o local mais comum da impactação de corpos estranhos. Impactação de alimentos causa corpos estranhos esofágicos. Grandes pedaços de alimentos moles comuns (p. ex., bife, cachorros-quentes) são particularmente fáceis de engolir de maneira inadvertida antes de serem mastigados suficientemente. Ossos, especialmente ossos de peixes, podem ser ingeridos, se a carne em que eles estiverem não for suficientemente mastigada.

Lactentes e crianças pequenas não têm coordenação orofaríngea totalmente madura e, muitas vezes, inadvertidamente engolem pequenos alimentos redondos (p. ex., uvas, amendoins, doces), que podem tornar-se impactados. Além disso, lactentes e crianças pequenas muitas vezes engolem uma grande variedade de objetos não comestíveis (p. ex., moedas, pilhas), alguns dos quais tornam-se impactados no esôfago. Pilhas botão impactadas são particularmente preocupantes porque podem causar queimaduras esofágicas, perfuração ou fístula traqueoesofágica.

Os corpos estranhos alojados no esôfago normalmente se depositam em áreas em que há um estreitamento luminal fisiológico ou patológico. O estreitamento luminal pode ser causado por membranas, anéis, estenoses, tumores neoplásicos, acalasia e esofagite eosinofílica.

Complicações

As principais complicações dos corpos estranhos esofágicos são

A obstrução pode ser parcial (p. ex., o paciente pode engolir líquidos ou pelo menos as suas secreções orais) ou completa. A obstrução parcial tem um caráter menos emergencial, a menos que envolva um objeto pontiagudo incrustado na parede, o que pode levar à perfuração. A obstrução completa é mal tolerada clinicamente e, mesmo em caso de um objeto mole, se firmemente impactado, pode causar necrose por pressão e risco de perfuração se permanecer no esôfago por mais de cerca de 24 h.

As complicações também dependem da natureza do objeto envolvido. Apesar de seu pequeno tamanho, as pilhas botão impactadas são objetos de particular interesse, porque a necrose por liquefação e perfuração podem ocorrer rapidamente.

Sinais e sintomas

O principal sintoma de apresentação é uma disfagia aguda. Os pacientes com obstrução completa do esôfago hipersalivam e são incapazes de engolir as secreções orais. Outros sintomas incluem plenitude retrosternal, regurgitação, odinofagia, saliva manchada de sangue, engasgos e sufocação. A hiperventilação resultante da ansiedade e desconforto muitas vezes dá a aparência de desconforto respiratório, mas a dispneia real ou achados auscultatórios de estridores ou sibilos sugerem fortemente que o corpo estranho está nas vias respiratórias, em vez de no esôfago.

Às vezes, os corpos estranhos escarificam o esôfago, mas não se alojam. Nesses casos, os pacientes podem relatar sensação de presença do corpo estranho sem que este, de fato, esteja lá.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

  • Exames de imagem, se necessário

  • Frequentemente, avaliação endoscópica

Muitos pacientes fornecem uma história clara de ingestão; aqueles com sintomas importantes que sugerem uma obstrução completa devem passar por uma endoscopia terapêutica imediata. Pacientes com sintomas mínimos que conseguem engolir normalmente podem não ter um corpo estranho impactado e podem ser observados para ver se os sintomas desaparecem. Outros pacientes podem exigir exames de imagem.

Alguns pacientes, como crianças pequenas, adultos com deficiência mental, idosos e aqueles com transtorno psiquiátrico, podem não ser capazes de fornecer uma história adequada de ingestão. Esses pacientes podem apresentar asfixia, recusa alimentar, vômitos, salivação, respiração ofegante, saliva manchada de sangue ou desconforto respiratório. Exames de imagens também podem ser necessários nesses pacientes.

Alguns corpos estranhos podem ser detectados com radiografias simples (preferencialmente em 2 incidências). Esses radiografias são melhores para detectar objetos metálicos estranhos e ossos de carnes, bem como para detectar sinais de perfuração (p. ex., ar livre no mediastino ou peritônio). No entanto, ossos de peixes e até mesmo alguns ossos de galinha, madeira, plástico, vidro e objetos de metal fino podem ser difíceis de identificar nas radiografias simples. Se houver alguma suspeita de corpo estranho ou de corpo estranho intencional ou perigoso (p. ex., pacotes de drogas ilícitas) às vezes, deve-se realizar exames de imagem, como TC, antes da endoscopia para confirmar e localizar o corpo estranho. A avaliação endoscópica geralmente é necessária em pacientes com suspeita de ingestão de corpo estranho e sintomas em curso, apesar de achados de imagem negativos.

Normalmente, não se deve fazer exame contrastado por via oral devido ao risco de aspiração e extravasamento do agente de contraste em pacientes com perfuração. Além disso, a presença de material residual de contraste pode dificultar a recuperação endoscópica subsequente.

Tratamento

  • Às vezes, tentativas de observação e/ou admininstração de glucagon IV

  • Frequentemente, remoção endoscópica.

Alguns corpos estranhos passam espontaneamente pelo estômago e então normalmente atravessam todo o trato GI e são expelidos. Pacientes sem sintomas de obstrução de alto grau e sem ingestão de objetos pontiagudos ou pilhas botão normalmente podem ser observados de maneira segura por até 24 h para aguardar a passagem, o que é indicado pelo alívio de sintomas. A administração de glucagon, 1 mg, IV é uma opção relativamente segura e aceitável que, às vezes, permite a passagem espontânea de um bolo alimentar através do relaxamento do esôfago distal. Outros métodos, como o uso de agentes efervescentes, maturadores de carne e lubrificantes não são recomendados.

Corpos estranhos que não passam em 24 h (1) devem ser removidos porque o atraso aumenta o risco de complicações, incluindo a perfuração, e diminui a probabilidade de remoção bem sucedida.

A remoção endoscópica é o tratamento de escolha. A melhor maneira de alcançar a remoção é por meio de pinças, cestas ou alças, preferencialmente, com uso de overtube posicionado no esôfago ou entubação orotraqueal para proteger a via respiratória.

A remoção endoscópica imediata é necessária para objetos pontiagudos, baterias na forma de disco ou botão e qualquer obstrução que cause sintomas significativos.

Recomendam-se cuidados de acompanhamento para a avaliação das alterações estruturais e funcionais para pacientes com impactação alimentar esofágica.

Referência sobre o tratamento

1. ASGE Standards of Practice Committee, Ikenberry SO, Jue TL, Anderson MA, et al: Management of ingested foreign bodies and food impactions. Gastrointest Endosc 73:1085–1091, 2011. doi: 10.1016/j.gie.2010.11.010.

Pontos-chave

  • O esôfago é o local mais comum de impactação por corpos estranhos ingeridos.

  • O principal sintoma é a disfagia aguda; os pacientes com obstrução completa do esôfago hipersalivam e são incapazes de engolir secreções orais.

  • A obstrução completa pode causar necrose por pressão e aumenta o risco de perfuração se presente por mais de cerca de 24 h.

  • A remoção endoscópica imediata é necessária para objetos pontiagudos, baterias na forma de disco ou botão e qualquer obstrução que cause sintomas significativos.

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