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Artrite reativa

Por

Apostolos Kontzias

, MD, Stony Brook University School of Medicine

Última modificação do conteúdo dez 2018
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Artrite reativa é uma espondiloartropatia aguda frequentemente relacionada com a infecção, geralmente dos tratos GU ou GI. As manifestações comuns são artrite assimétrica de gravidade variável que tende a comprometer os membros inferiores com deformidades nos pododáctilos ou quirodáctilos, ou ambos, em forma de salsicha, sintomas constitucionais, entesites, tendinites e úlceras mucocutâneas, como lesões vesiculares crostosas e hiperceratoses (ceratoderma blenorrágico). O diagnóstico é clínico. O tratamento envolve o uso de AINEs e, algumas vezes, sulfassalazina ou imunossupressores.

A espondiloartropatia associada à uretrite ou cervicite, conjuntivite e lesões mucocutâneas (previamente chamada de síndrome de Reiter) é um tipo de artrite reativa.

Etiologia

Duas formas de artrite reativa são comuns: sexualmente transmitida e disentérica. A forma sexualmente transmitida ocorre primariamente em homens com idades entre 20 e 40 anos. As infecções genitais como Chlamydia trachomatis são as mais frequentemente implicadas. Homens e mulheres podem adquirir a forma disentérica após infecções entéricas, principalmente Shigella, Salmonella,Yersinia, ou Campylobacter. A artrite reativa provavelmente resulta de uma infecção articular ou inflamação pós-infecção. Embora haja evidência de antígenos microbianos na sinóvia, pode-se realizar cultura à procura de organismos no líquido sinovial articular.

Epidemiologia

A prevalência do alelo HLA-B27 é de 63 a 96% versus 6 a 15% nos indivíduos brancos do grupo-controle, dando suporte à predisposição genética.

Sinais e sintomas

A artrite reativa pode variar desde artrite monoarticular transiente até artrite grave e distúrbio multissistêmico. Os sintomas constitucionais podem incluir febre, fadiga e perda ponderal. A artrite pode ser leve ou grave. O envolvimento articular é, em geral, assimétrico e oligoarticular ou poliarticular, ocorrendo predominantemente nas grandes articulações dos membros inferiores e nos dedos dos pés. Pode ocorrer lombalgia, geralmente com doença grave.

As entesopatias (inflamações das inserções tendinosas ao osso: p. ex., fasciite plantar, periostite digital e tendinite do calcâneo) são comuns e características.

Pequenas lesões mucocutâneas, transientes e úlceras superficiais indolores ocorrem comumente em mucosa oral, língua e glande do pênis (balanite circinada). As vesículas são, particularmente, características (algumas vezes idênticas à psoríase pustular) das palmas das mãos, solas dos pés e também ao redor das unhas, as quais se tornam hiperceratosas e formam crostas (ceratoderma blenorrágico). Ceratoderma blenorrágico também pode apresentar eritema, placas e descamação.

Raramente se desenvolvem complicações cardiovasculares (aortite, insuficiência aórtica, defeitos de condução cardíaca), pleurite ou complicações de sistema nervoso central ou sistema nervoso periférico.

Manifestações mucocutâneas e cutâneas da artrite reativa

Na artrite reativa, a uretrite se desenvolve de 7 a 14 dias após o contato sexual (ou ocasionalmente disenteria); febre baixa, conjuntivite e artrite se desenvolvem nas semanas seguintes. Nem todas as características podem ocorrer, de modo que devem ser consideradas formas incompletas. Nos homens, a uretrite é menos dolorosa e o corrimento purulento menos produtivo que na uretrite gonocócica aguda, podendo estar associado à prostatite ou cistite hemorrágica. Nas mulheres, uretrite e cervicite podem ser leves (com disúria ou corrimento vaginal leve) ou assintomáticas.

Conjuntivite é a lesão ocular mais comum. Ela geralmente causa rubor e irritação leves nos olhos, mas queratite e uveíte anterior também podem se desenvolver, causando dor ocular, fotofobia e lacrimejamento.

Diagnóstico

  • Artrite típica

  • Sintomas de infecção gastrointestinal ou geniturinária precedente

  • Outra característica extra-articular

Artrite reativa deve ser suspeitada em pacientes com artrite aguda e assimétrica, a qual afeta as grandes articulações dos membros inferiores ou dedos dos pés, particularmente se houver tendinite ou história de diarreia ou disúria. O diagnóstico é basicamente clínico e requer artrite periférica típica com sintomas de infecção do sistema GU ou GI, ou quaisquer das outras características extra-articulares. Como elas podem se manifestar em momentos diferentes, o diagnóstico definitivo pode requerer vários meses. Os níveis de complemento sérico ou líquido sinovial estão elevados, mas tais achados geralmente não são diagnósticos e não necessitam ser medidos.

A infecção gonocócica disseminada pode simular bem a artrite reativa. A artrocentese pode falhar em sua diferenciação, devido às características inflamatórias do líquido sinovial de ambos os distúrbios e pela dificuldade da fazer a cultura gonocócica desse líquido. As características clínicas podem ajudar; a infecção gonocócica disseminada tende a envolver membros inferiores e superiores igualmente, ser mais migratória, não causar dor lombar e as vesículas tendem a não ser hiperceratosas. Cultura gonocócica positiva de sangue ou lesões cutâneas ajuda a diferenciar os dois distúrbios, mas cultura positiva de uretra ou cérvice não. Se a diferenciação ainda for difícil, pode ser necessário o uso de ceftriaxona simultaneamente para tratamento e diagnóstico.

Artrite psoriática pode simular artrite reativa, produzindo lesões cutâneas semelhantes, uveíte e artrite assimétrica. Artrite psoriática, no entanto, com frequência afeta principalmente os membros superiores e, em especial, as articulações interfalangianas distais; seu início pode ser abrupto, mas também pode se desenvolver gradualmente; ela produz menos entesopatia e não tende a produzir úlceras orais ou sintomas de infecção GU ou GI.

Prognóstico

Artrite reativa frequentemente se resolve em 3 a 4 meses, mas até 50% dos pacientes experimentam recidiva ou sintomas prolongados por vários anos. Inflamação ou deformidade articular de coluna ou região sacroilíaca pode ocorrer com a doença crônica ou recorrente. Alguns pacientes ficam incapacitados.

Tratamento

  • AINEs

  • Às vezes, sulfassalazina, doxiciclina, azatioprina, metotrexato ou sua combinação

  • Medidas de suporte

Os AINEs (p. ex., indometacina, 25 a 50 mg VO, tid) geralmente ajudam a aliviar os sintomas. Se a artrite for induzida por infecção por C. trachomatis, doxiciclina, 100 mg VO bid, por até 3 meses, pode acelerar a recuperação, mas seu uso é controverso. Sulfassalazina, como a usada para tratar artrite reumatoide, pode ser útil ( Fármacos antirreumáticos modificadores da doença (FMARDs)). Se os sintomas forem intensos apesar dos AINEs e da sulfassalazina, azatioprina ou metotrexato podem ser considerados.

A infiltração local com corticoides para entesopatia ou oligoartrite resistente pode aliviar os sintomas. A fisioterapia, com o objetivo de manter a mobilidade articular, também é útil durante a fase de recuperação. A uveíte anterior é tratada normalmente com gotas midriáticas e corticoesteroides pra prevenir cicatrizes. Conjuntivite e lesões mucocutâneas requerem somente tratamento sintomático.

Pontos-chave

  • Artrite reativa é uma espondiloartropatia aguda que tipicamente ocorre depois de infecção sexualmente transmitida ou entérica.

  • As manifestações podem ser artrite (geralmente assimétrica e atingindo articulações médias e pequenas dos membros inferiores), entesopatia, lesões mucocutâneas, conjuntivite e secreção genital não purulenta (p. ex., uretrite, cervicite).

  • Confirmar o diagnóstico com manifestações artríticas típicas, além de sintomas de infecção do trato gastrointestinal ou geniturinário ou algum achado extra-articular característico.

  • Tratar com AINEs e, algumas vezes, sulfassalazina.

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