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Artrite psoriática

Por

Apostolos Kontzias

, MD, Stony Brook University School of Medicine

Última modificação do conteúdo dez 2018
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Artrite psoriática é uma espondiloartropatia e uma artrite inflamatória crônica que ocorre em pessoas com psoríase de pele ou unhas. A artrite geralmente é assimétrica e algumas formas envolvem as articulações interfalangianas distais. O diagnóstico é clínico. O tratamento é feito com antirreumáticos modificadores da doença (FMARDs) e agentes biológicos.

A artrite psoriática se desenvolve em cerca de 30% dos pacientes psoriáticos. A prevalência está aumentada em pacientes com síndrome da imunodeficiência adquirida (aids). O risco é maior nos pacientes com HLA-B27 ou algum outro alelo específico e seus familiares. A etiologia e a fisiopatologia da artrite psoriática são desconhecidas.

Sinais e sintomas

Psoríase de pele ou unhas pode preceder ou seguir um envolvimento articular. A gravidade da doença articular e cutânea costuma ser discordante. Além disso, as lesões da pele podem estar ocultas no couro cabeludo, nas pregas glúteas ou no umbigo, e não serem percebidas pelo paciente.

As IFD dos dedos de mãos e pés são as mais afetadas. É comum o envolvimento assimétrico das grandes e pequenas articulações, incluindo a sacroilíaca e a coluna. Os sintomas articulares e cutâneos podem melhorar ou piorar simultaneamente. A inflamação dos dedos das mãos e/ou dos pés pode causar deformidades em forma de salsicha, que não estão presentes em pacientes com artrite reumatoide. Os nódulos reumatoides estão ausentes. As remissões artríticas tendem a ser mais frequentes, rápidas e completas que na artrite reumatoide, mas a progressão para artrite crônica e incapacitante pode ocorrer. Pode haver artrite mutilante (destruição de múltiplas articulações das mãos com afilamento dos dedos).

As entesopatias (inflamações das inserções tendíneas nos ossos — p. ex., tendinite calcânea, tendinite patelar, epicôndilos do cotovelo, processos espinais das vértebras) podem ocorrer e causar dor.

Pode haver dor lombar. Costuma ser acompanhada de sindesmófitos assimétricos da coluna vertebral.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

  • Fator reumatoide (FR)

Artrite psoriática deve ser suspeitada em pacientes tanto com psoríase como com artrite. Como a psoríase pode não ser observada, estar oculta ou só ocorrer após a artrite, deve-se considerar artrite psoriática para qualquer paciente com artrite inflamatória soronegativa; especialmente quando assimétrica ou atingindo o segmento inferior da coluna vertebral, deve-se examinar nesses pacientes a psoríase e depressão ungueal, e deve-se perguntar se há história familiar de psoríase. Pacientes com suspeita de artrite psoriática devem ser testados para FR. Ocasionalmente, os resultados do teste para FR podem ser positivos. Entretanto, os anticorpos antipeptídeos citrulinados anticíclicos (anti-CCP) são altamente específicos para artrite reumatoide.

A artrite psoriática é diagnosticada clinicamente, excluindo-se outros distúrbios que possam causar manifestações semelhantes. Resultados radiográficos comuns da artrite psoriática incluem envolvimento das articulações interfalangianas distais, reabsorção das falanges distais, artrite mutilante e extensa destruição, reação óssea proliferativa e forma de salsicha nos dedos e deslocamento de pequenas e grandes articulações.

Tratamento

  • A artrite tratada com antirreumáticos modificadores da doença (FMARDs — especialmente o metotrexato) e agentes biológicos (p. ex., antagonistas de FNT-alfa, ustekinumabe, secukinumabe, ixekizumabe, tofacitinibe, abatacept,)

O tratamento é direcionado ao controle das lesões cutâneas e à redução da inflamação articular. A terapia farmacológica é semelhante à da artrite reumatoide, particularmente o FMARD metotrexato. A hidroxicloroquina é inconsistentemente benéfica e pode causar dermatite esfoliante ou agravar a psoríase subjacente. Benefícios podem ser obtidos com AINEs, ciclosporina, antagonistas do FNT-alfa, ustecinumabe, secuquinumabe, ixekizumab, tofacitinibe, abatacepte e apremilaste (ver Agentes biológicos). Os antagonistas do FNT-alfa têm sido particularmente eficazes. (Ver também an international task force's 2017 update of recommendations for treating axial spondyloarthritis and peripheral spondyloarthritis, especially psoriatic arthritis.)

Ustequinumabe é um antagonista da IL 12 e IL 23. A dose é 45 mg IM da primeira à quarta semana (doses de ataque), seguida de 45 mg a cada 12 semanas depois disso. A dose é 90 mg IM se o paciente pesar > 100 kg. Efeitos adversos são semelhantes àqueles dos outros agentes biológicos.

Secuquinumabe é um inibidor da IL-17. Pode-se administrar secuquinumabe em doses de 150 mg por via subcutânea nas semanas 0, 1, 2, 3 e 4 e a seguir a cada 4 semanas. Sem as doses de ataque (semanais), adminstrar secuquinumabe em doses de 150 mg por via subcutânea a cada 4 semanas. Se os pacientes continuarem com artrite psoriática em atividade, deve-se considerar a dose de 300 mg. Pode-se administrar secuquinumabe com ou sem metotrexato. Efeitos adversos são urticária, infecções do trato respiratório, infecções fúngicas por Candida, diarreia, herpes-zóster e doença intestinal inflamatória.

Ixekizumabe é um inibidor da IL-17A. Indica-se para adultos com psoríase em placas moderada a grave que são candidatos à terapia sistêmica ou fototerapia, bem como para adultos com artrite psoriática ativa. Pode ser administrada isoladamente ou associada a um FMARD convencional (p. ex., metotrexato). A primeira dose é de 160 mg SC (2 injeções de 80 mg) seguida de 80 mg SC a cada 4 semanas. O ixequizumabe aumenta o risco de infecção do trato urinário e infecção fúngica, e também foi associado ao agravamento dos sintomas da doença inflamatória intestinal.

O tofacitinibe é um inibidor oral da quinase Janus (QJ). Está disponível para adultos com artrite psoriática ativa que tiveram resposta inadequada ou intolerância ao metotrexato ou outros DMARDs. A dose é de 5 mg VO bid. A dose de liberação prolongada é de 11 mg VO uma vez ao dia Os potenciais efeitos adversos são risco de infecção, particularmente reativação do vírus da varicela zóster, aumento dos níveis de creatinina, neutropenia e hiperlipidemia.

O abatacepte é uma proteína solúvel de fusão antígeno 4 (CTLA-4) ligada à IgG Está disponível para adultos com artrite psoriática ativa e pode ser usado com ou sem um DMARD não biológico (p. ex., metotrexato, sulfassalazina, hidroxicloroquina, leflunomida). Pode ser administrado por infusão IV ou injeção subcutânea. Para infusão IV a dose é ajustada de acordo com o peso: 500 mg para pacientes < 60 kg 750 mg para pacientes entre 60 e 100 kg e 1 g IV para pacientes > 100 kg. Após a aplicação inicial, deve-se administrar o abatacept na segunda e na quarta semanas e, a seguir, a cada 4 semanas. A dose da injeção SC é 125 mg uma vez por semana. Os efeitos adversos são toxicidade pulmonar, suscetibilidade à infecção, cefaleia, ITRS, faringite e náuseas.

Apremilaste é um inibidor da fosfodiesterase 4. A dose inicial é 10 mg VO uma vez ao dia, ajustada para a dose de manutenção de 30 mg bid, conforme tolerado. Efeitos adversos incluem náuseas, vômitos, dores de cabeça, depressão e perda ponderal.

Pontos-chave

  • Artrite psoriática é uma artrite inflamatória crônica que ocorre em pessoas com psoríase; contudo, a psoríase pode ser leve ou menosprezada ou ainda pode não ter se desenvolvido.

  • A artrite costuma ser assimétrica, atinge grandes e pequenas articulações (incluindo as articulações axiais) e tipicamente compromete mais as articulações interfalangianas distais dos pododáctilos do que dos quirodáctilos.

  • Diagnóstico baseado em achados clínicos.

  • Tratar com FMARDs e agentes biológicos.

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