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Vertigem posicional paroxística benigna

(Vertigem posicional benigna; vertigem postural benigna; VPPB)

Por

Lawrence R. Lustig

, MD, Columbia University Medical Center and New York Presbyterian Hospital

Última modificação do conteúdo out 2018
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Na vertigem posicional paroxística benigna, ocorrem episódios curtos de vertigem (< 60 s) com certas posições da cabeça. Náuseas e nistagmo se desenvolvem. O diagnóstico é clínico. O tratamento envolve manobras de reposicionamento. Fármacos e cirurgia são raramente, ou nunca, indicados.

A VPPB é a causa mais comum de vertigem otológica reincidente. Ela afeta as pessoas cada vez mais à medida que envelhecem e podem afetar gravemente o equilíbrio em idosos, resultando em quedas potencialmente prejudiciais.

Etiologia

Acredita-se que seja causada por deslocamento de cristais otocônicos (cristais de carbonato de cálcio normalmente localizados no sáculo e utrículo). Esse material deslocado mais comumente estimula células ciliadas no canal semicircular posterior (e raramente no canal semicircular superior), criando a ilusão de movimento. Fatores etiológicos incluem

  • Degeneração espontânea das membranas otolíticas utriculares

  • Concussão labiríntica

  • Otite média

  • Cirurgia de orelha

  • Infecção viral recente (p. ex., neuronite viral)

  • Trauma cranioencefálico

  • Anestesia ou repouso no leito prolongados

  • Doenças vestibulares prévias (p. ex., doença de Meniere)

  • Oclusão da artéria vestibular anterior

Sinais e sintomas

A vertigem é desencadeada quando se move a cabeça do paciente (p. ex., ao rolar no leito ou se abaixar para pegar algo). Paroxismos agudos de vertigem duram somente alguns segundos a minutos; os episódios tendem a atingir o pico na parte da manhã e diminuir ao longo do dia. Náuseas e vômitos podem ocorrer, mas perda auditiva e zumbido não.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

  • RM com gadolínio, caso os resultados sugiram lesão de sistema nervoso central

O diagnóstico da vertigem posicional paroxística benigna baseia-se em sintomas característicos, nistagmo induzido pela manobra de Dix-Hallpike (teste provocativo para nistagmo posicional) e na ausência de outras anormalidades no exame neurológico. Esses pacientes não necessitam de mais testes.

Ao contrário do nistagmo posicional causado pela VPPB, o nistagmo posicional causado por lesão do sistema nervoso central

  • Não tem latência, fatigabilidade e sensação subjetiva grave

  • Pode continuar enquanto a posição é mantida

  • Pode ser vertical ou mudar de direção

  • Se giratório, é provável que esteja na direção inesperada

Pacientes com nistagmo, sugerindo lesão do sistema nervoso central, devem ser submetidos à RM com gadolínio.

Tratamento

  • Manobras provocativas para a fadiga dos sintomas

  • Manobras de reposicionamento de Canalith

  • Tratamento medicamentoso geralmente não é recomendado

A VPPB costuma desaparecer espontaneamente em algumas semanas ou meses, mas pode continuar por meses ou anos. Como a condição pode ser de longa duração, o tratamento medicamentoso (como o utilizado na doença de Meniere) não é recomendado. Muitas vezes, os efeitos adversos dos fármacos pioram o desequilíbrio.

Em razão de a VPPB ser fatigável, uma terapia é fazer com que o paciente realize manobras provocativas no início do dia em ambiente seguro. Os sintomas são, em seguida, minimizados no restante do dia.

Manobras de reposicionamento canalicular (mais comumente, manobra de Epley ou, alternativamente, manobra de Semont ou exercícios de Brandt-Daroff) envolvem mover a cabeça ao longo de uma série de posições específicas, destinadas a devolver o otólito errante para o utrículo. Depois de realizar as manobras de Epley ou Semont, o paciente deve permanecer ereto ou semiereto por 1 a 2 dias e evitar flexão ou extensão cervical. Essas manobras podem ser repetidas se necessário. Em comparação, os exercícios de Brandt-Daroff são realizados pelo paciente em casa 5 vezes seguidas 3 vezes ao dia por cerca de 2 semanas ou até que não haja vertigem com os exercícios.

Manobra de Epley: um tratamento simples para uma causa comum de vertigem

Esta manobra é usada para tratar vertigem posicional paroxística benigna retornando os otólitos deslocados do canal semicircular posterior para o utrículo. Se a vertigem ocorrer durante qualquer uma das posições, essa posição é mantida até que a vertigem cesse.

Manobra de Epley: um tratamento simples para uma causa comum de vertigem

Para a manobra de Semont, o paciente fica sentado na posição vertical no meio de uma maca. A cabeça do paciente é rodada em direção à orelha não afetado; essa rotação é mantida durante toda a manobra. Em seguida, o tronco é abaixado lateralmente na maca de modo que o paciente fique deitado sobre o lado da orelha afetada, com o nariz apontado para cima. Após 3 minutos nessa posição, o paciente é movimentado rapidamente por meio da posição vertical sem a extensão da cabeça e é abaixado lateralmente para o outro lado, agora com o nariz apontado para baixo. Após 3 minutos nessa posição, o paciente é lentamente recolocado na posição vertical e a cabeça é rodada de volta à posição normal.

Pode-se ensinar ao paciente osexercícios de Brandt-Daroff. O paciente senta-se na posição vertical, então deita-se em um dos lados com o nariz voltado para cima em um ângulo de 45 graus. O paciente permanece nessa posição por cerca de 30 segundos ou até que a vertigem desapareça e então volta para a posição sentada. Repete-se o mesmo movimento no lado oposto. Repete-se esse ciclo 5 vezes seguidas 3 vezes ao dia por cerca de 2 semanas, ou até não haver mais vertigem com o exercício.

Pontos-chave

  • A vertigem ocorre devido ao deslocamento de cristais otoconiais em um canal semicircular; os sintomas são desencadeados pelo movimento da cabeça.

  • Geralmente, há náuseas e vômitos, mas sem zumbido ou perda auditiva.

  • O diagnóstico é clínico, mas alguns pacientes exigem RM para descartar outras doenças.

  • O tratamento é com manobras de reposicionamento.

  • Fármacos raramente ajudam e podem piorar os sintomas.

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