Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

Carregando

Visão geral dos efeitos da luz solar

Por

Elizabeth H. Page

, MD, Harvard Medical School

Última modificação do conteúdo mar 2018
Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família

A pele pode responder à luz solar com alterações crônicas (p. ex., dermato-heliose [fotoenvelhecimento], queratose actínica) ou agudas (p. ex., fotossensibilidade, queimadura solar).

Radiação ultravioleta (UV)

O sol emite uma vasta gama de radiação eletromagnética. A maioria dos efeitos dermatológicos da luz solar é causada pela radiação UV, que é dividida em 3 bandas (UVA, 320 a 400 nm; UVB, 280 a 320 nm; e UVC, 100 a 280 nm). Como a atmosfera filtra a radiação, apenas a UVA e a UVB chegam à superfície da Terra. O caráter e a quantidade de raios que produzem queimaduras solares (principalmente os de comprimentos de onda < 320 nm) que alcançam a superfície da Terra variam significativamente de acordo com os seguintes fatores:

  • Condições atmosféricas e de superfície

  • Latitude

  • Estação

  • Hora do dia

  • Altitude

  • Camada de ozônio

Exposição da pele à luz solar também depende de vários fatores relacionados ao estilo de vida (p. ex. roupas, ocupação, atividades recreacionais).

Raios que produzem queimaduras solares são filtrados por um vidro e em grande parte por nuvens densas, fumaça e poluição atmosférica; mas eles ainda podem atravessar nuvens claras, neblina ou 30 cm de água limpa, potencialmente causando queimaduras graves. Neve, areia e água intensificam a exposição pelo reflexo dos raios. A exposição aumenta em baixas latitudes (mais perto do equador), no verão e durante o meio-dia (das 10 h às 15 h) porque a luz solar atravessa a atmosfera mais diretamente (i.e., em um ângulo menor) nesses ambientes. A exposição também aumenta em altitudes elevadas, principalmente por causa da atmosfera mais fina. O ozônio estratosférico, que filtra a radiação ultravioleta, em especial os comprimentos de onda mais curtos, está sendo depletado pelo homem pela emissão de clorofluorocarbonos (p. ex., em refrigeradores e aerossóis). A diminuição na camada de ozônio aumenta a quantidade de raios UVA e UVB que alcançam a superfície da Terra.

As lâmpadas de bronzeamento usam luz artificial que contém mais UVA que UVB. Esse uso de UVA é geralmente divulgado como “seguro” para o bronzeamento da pele, contudo é esperado um efeito deletério a longo prazo, também com a exposição a UVB, incluindo fotoenvelhecimento e câncer de pele. A luz UV emitida por equipamentos de bronzeamento foi classificada como um carcinógeno humano, e foi demonstrado que o bronzeamento artificial aumenta o risco de melanoma. Na realidade, não há bronzeamento "seguro”.

Fisiopatologia

Efeitos adversos da exposição UV incluem queimadura solar grave e várias alterações crônicas. As alterações crônicas incluem espessamento da pele, rugas e certas lesões como queratose actínica e câncer. A exposição também leva à inativação e perda das células epidérmicas de Langerhans, que são uma parte importante do sistema imunitário da pele.

Como uma resposta protetora após exposição à luz do sol, a epiderme se espessa e os melanócitos produzem o pigmento de melanina em uma taxa mais alta, causando o que é conhecido como "bronzeado". O bronzeamento fornece alguma proteção natural contra radiação UV, mas normalmente não tem nenhum benefício para a saúde.

Os indivíduos diferem muito quanto à sensibilidade e resposta à luz solar, principalmente com base na quantidade de melanina na pele. A pele foi classificada em 6 tipos (I a VI) em ordem decrescente de suscetibilidade ao dano solar. A classificação baseia-se em variáveis inter-relacionadas da cor da pele, sensibilidade à radiação UV e resposta à exposição solar. O tipo de pele I é claro a muito levemente pigmentado, muito sensível à luz UV, não apresenta pigmentação imediata, sempre se queima facilmente e nunca se bronzeia. A pele tipo VI tem coloração marrom escuro ou preto, é a mais protegida contra a radiação UV, e tem uma cor escura intensa (preto-marrom) com ou sem exposição ao sol. Mas pessoas de pele mais escura não são imunes aos efeitos do sol e pele pigmentada escura pode desenvolver dano solar com exposição forte e prolongada. Os efeitos a longo prazo da exposição ao UV em indivíduos de pele negra são os mesmos que nos de pele clara, porém surgem mais tarde e geralmente são menos graves porque a melanina em sua pele fornece proteção intrínseca contra essa radiação.

Pessoas com cabelo loiro ou ruivo são especialmente suscetíveis aos efeitos agudos ou crônicos da exposição aos raios UV. Depósitos irregulares de melanina ocorrem na maioria das pessoas claras e resultam em efélides.

Não há pigmentação em albinos devido a um defeito no metabolismo da melanina. Há áreas irregulares de despigmentação em pacientes com vitiligo devido à destruição imunológicia dos melanócitos. Estes e qualquer outro grupo de pessoas que são incapazes de produzir melanina em uma taxa rápida e completa são especialmente suscetíveis a danos induzidos pela luz solar.

Prevenção

Evitar o sol, usar roupas protetoras e aplicar filtro solar ajudam a minimizar a exposição UV.

Evitar o sol

A simples precaução ajuda a prevenir a queimadura solar e os efeitos crônicos da luz solar. É recomendada para aqueles indivíduos com todos os tipos de pele, em particular aqueles com pele clara e que se queima com facilidade. A exposição ao sol do meio-dia e outros ambientes de alta radiação UV ( Visão geral dos efeitos da luz solar : Radiação ultravioleta (UV)) deve ser minimizada (30 min ou menos), mesmo para pessoas com pele escura. Em zonas temperadas, a intensidade dos raios UV é menor antes das 10 h da manhã e após as 15 h porque mais comprimentos de onda que produzem queimaduras solares são filtrados. Nevoeiros e nuvens não reduzem o risco significativamente; o risco aumenta em altas altitudes e baixas latitudes (p. ex., na linha do Equador).

Embora a exposição ao sol ajude a produzir vitamina D, a maioria dos especialistas recomenda a manutenção de níveis adequados de vitamina D consumindo suplementos, se necessário, em vez de praticando a exposição intencional ao sol.

Roupas protetoras

A exposição da pele à radiação UV pode ser minimizada por meio da utilização de revestimentos protetores como chapéus, camisas, calças e óculos escuros. Tecidos com tramas estreitas bloqueiam o sol melhor do que aqueles com configuração mais frouxa. Roupas especiais que produzem alta proteção ao sol são encontradas comercialmente. Esse tipo de vestuário é rotulado pelo termo fator de proteção ultravioleta (FPU) seguido por um número que indica o nível de proteção (semelhante a rotulagem dos filtros solares). Chapéus de abas largas ajudam a proteger o rosto, orelhas e pescoço, mas essas áreas ainda precisam de proteção suplementar com um filtro solar tópico. O uso regular de protetor UV ao redor dos óculos escuros ajuda a proteger os olhos e pálpebras.

Fotoprotetores

Filtros solares ajudam a proteger a pele contra queimaduras solares e danos crônicos provocados pelo sol absorvendo ou refletindo os raios solares UV. Protetores solares mais antigos tendem a filtrar apenas a luz UVB, mas a maioria dos protetores solares mais recentes também filtra a luz UVA e é identificada como de "amplo espectro". Nos EUA, a FDA classifica os filtros solares pelo fator de proteção solar (FPS): quanto maior o número, melhor a proteção. O FPS só quantifica a proteção contra exposição UVB; não há uma escala nos EUA para proteção UVA. As pessoas normalmente devem usar um protetor solar de amplo espectro com uma classificação FSP de 30 ou mais.

Os fotoprotetores estão disponíveis em uma grande variedade de formulações como: cremes, sprays, espumas, géis e bastões. Os produtos autobronzeantes não protegem à exposição ao UV.

A maioria dos fotoprotetores contém diversos agentes que funcionam como uma química protetora, absorvendo a luz ou provendo proteção física que reflete ou dispersa a luz. Os ingredientes dos protetores solares que absorvem radiação UVB incluem filtros orgânicos como cinamatos, salicilatos e derivados de ácido para-aminobenzoico (PABA). Benzofenonas são comumente usadas para fornecer proteção contra UVB e UVA de ondas curtas. Avobenzona e ecamsule filtram no intervalo UVA e podem ser adicionados para fornecer proteção UVA extra.

Outros protetores solares contém filtros inorgânicos com óxido de zinco e dióxido de titânio que, fisicamente, refletem tanto os raios UVB como os UVA (impedindo-os assim de atingir a pele). Embora as formulações desses produtos fossem previamente muito brancas e pastosas quando aplicadas, a micronização e nanotecnologia permitiram que formassem uma camada mais transparente e, ao mesmo tempo, fornecessem proteção de amplo espectro.

A falha de um fotoprotetor é comum e, em geral, resultante da aplicação insuficiente ou tardia do produto (deve ser aplicado 30 min antes da exposição), da não reaplicação após exercícios ou natação ou da não aplicação a cada 2 ou 3 h de exposição ao sol.

Podem ocorrer reações alérgicas ou fotoalérgicas a protetores solares que contêm filtros orgânicos e devem ser diferenciadas de outras erupções cutâneas fotossensitíveis. Testes de contato ou fototestes com componentes dos fotoprotetores podem ser necessários para confirmar o diagnóstico. Isso costuma ser realizado por dermatologistas com experiência em dermatite de contato alérgica.

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família
Profissionais também leram

Também de interesse

Vídeos

Visualizar tudo
How to Drain a Subungual Hematoma
Vídeo
How to Drain a Subungual Hematoma

MÍDIAS SOCIAIS

PRINCIPAIS