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Penfigoide bolhoso

Por

Daniel M. Peraza

, MD, Geisel School of Medicine at Dartmouth University

Última modificação do conteúdo jun 2019
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Penfigoide bolhoso é uma doença cutânea autoimune crônica que causa lesões bolhosas pruriginosas generalizadas em pacientes idosos. O envolvimento da mucosa é raro. O diagnóstico é por biópsia cutânea e testes de imunofluorescência da pele e soro. Corticoides tópicos e sistêmicos são inicialmente usados. A maioria dos pacientes requer terapia de manutenção de longo período, para a qual um variedade de imunossupressores pode ser utilizada.

Bolhas são elevações contendo líquido com diâmetro ≥ 10 mm.

Penfigoide bolhoso ocorre mais frequentemente em pacientes > 60 anos, mas pode ocorrer em crianças. Autoanticorpos IgG se ligam a certos antígenos hemidesmossomos (BPAg1 [BP230], BPAg2 [BP180]), resultando na ativação do complemento para formar uma bolha subepidérmica.

Etiologia

Não comprovou-se nenhuma causa de penfigoide bolhoso; mas os gatilhos a seguir foram sugeridos:

  • Medicamentos [como furosemida, espironolactona, omeprazol, anticorpos monoclonais PD-1 e PD-L1 (p. ex., durvalumabe, nivolumabe, pembrolizumabe), sulfassalazina, penicilina, penicilamina, etanercepte, antipsicóticos e inibidores da dipeptidil peptidase 4]

  • Gatilhos físicos (incluindo trauma, radioterapia para câncer de mama, radiação UV e antralina)

  • Doenças de pele (incluindo psoríase, líquen plano, e algumas infecções)

Fatores genéticos e ambientais podem influenciar.

Os gatilhos podem induzir uma reação autoimune mimetizando sequências moleculares na membrana epidérmica basal (mimetismo molecular, por exemplo, com fármacos e possivelmente infecções), expondo ou alterando antígenos normalmente tolerados pelo hospedeiro (p. ex., com gatilhos físicos e certas doenças) ou por outros mecanismos. Disseminação de epítopos se refere ao recrutamento de linfócitos autorreativos contra antígenos normalmente tolerados pelo hospedeiro, o que contribui para a cronicidade e curso da doença.

Certas doenças do sistema nervoso central (SNC) e transtornos psiquiátricos podem preceder o penfigoide bolhoso, especialmente na esclerose múltipla e na esquizofrenia, mas também nas demências, sangramentos intracranianos, acidente vascular encefálico, transtornos delirantes e da personalidade, e na doença de Parkinson. Em menor grau, esses transtornos podem ser precedidos pelo penfigoide bolhoso. A hipótese das causas compartilhadas engloba a resposta imunitária cruzada reativa entre antígenos neurais e cutâneos (o BPAg1 é expresso no SNC), bem como o deflagrada por certos fármacos usados para tratar os transtornos (como antipsicóticos fenotiazínicos, espironolactona); no entanto, o mecanismo de deflagração farmacológica não foi elucidado.

Sinais e sintomas

Prurido é o primeiro sintoma de penfigoide bolhoso. Pode não ocorrer lesão de pele durante vários anos. Bolhas podem se desenvolver na pele de aparência normal ou podem ser precedidas por placas eritematosas ou com aparência de urticária. Mas frequentemente bolhas tensas características se desenvolvem na pele do tronco e nas áreas flexurais e intertriginosas. Bolhas podem se desenvolver na pele de aparência normal ou podem ser precedidas por placas eritematosas ou com aparência de urticária. Pode ocorrer doença localizada em regiões de trauma, estomas, e áreas anogenitais e do membro inferior. As bolhas geralmente não se rompem, mas aquelas que se rompem, quase sempre cicatrizam rapidamente.

Podem ocorrer lesões polimórficas, anulares, edematosas e vermelho-escuras, com ou sem vesículas periféricas. Raramente, pequenas bolhas se desenvolvem nas mucosas. Leucocitose e eosinofilia são comuns, mas febre é rara. O sinal de Nikolsky, em que as camadas superiores da epiderme se movem lateralmente a uma leve pressão ou atrito da pele adjacente a uma bolha, é negativo.

Diagnóstico

  • Biópsia de pele e títulos de IgG

Se houver bolhas, o penfigoide bolhoso precisa ser diferenciado do pênfigo vulgar, uma doença bolhosa com prognóstico pior; a diferenciação normalmente é possível utilizando critérios clínicos ( Diferenciação entre penfigoide bolhoso e pênfigo vulgar).

Tabela
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Diferenciação entre penfigoide bolhoso e pênfigo vulgar

Distúrbio

Aparência da lesão

Acometimento oral

Prurido

Sinal de Nikolsky

Prognóstico

Penfigoide bolhoso

Bolhas tensas que se desenvolvem na pele de aparência normal ou eritematosa ou com placas urticariformes

Raro, com pequenas bolhas

Comum

Geralmente negativo

Em geral, bom; ocasionalmente fatal em idosos

Bolhas flácidas de vários tamanhos

Geralmente pele ou mucosas se soltam, produzindo erosões dolorosas

Inicia-se tipicamente na boca

Ausente

Positivo

Mortalidade 10% com tratamento e maior sem tratamento

Se houver suspeita de penfigoide bolhoso, biópsia de pele para histologia e teste de imunofluorescência direta. Amostras do interior e arredores da própria lesão muitas vezes são utilizadas para histologia, mas usam-se amostras da pele não envolvida (geralmente cerca de 3 mm da borda de uma lesão) para imunofluorescência direta. A bolha no penfigoide bolhoso é subepidérmica, muitas vezes contendo muitos neutrófilos e eosinófilos. Imunofluorescência direta mostra depósitos complementares lineares de IgG ao longo da zona da membrana basal (junção dermo-epidérmica). Imunofluorescência indireta mostra depósitos circulantes de IgG no lado epidérmico de uma preparação dividida por sal da pele normal (substrato de teste).

Testa-se o soro a procura de anticorpos IgG contra BPAg1 e BPAg2 usando um ensaio de imunoadsorção enzimática (ELISA). Anticorpos IgG na circulação estão presentes em aproximadamente três quartos dos pacientes.

Prognóstico

O penfigoide bolhoso é uma doença crônica potencialmente fatal, sobretudo sem tratamento. Embora tratamentos tópicos e sistêmicos sejam úteis, podem ter efeitos adversos.

Tratamento

  • Corticoides tópicos ou orais

  • Fármacos anti-inflamatórios

  • Fármacos imunossupressores ou biológicos

Corticoides tópicos de alta potência (p. ex., creme de clobetasol a 0,05%) devem ser usados para doença localizada e podem reduzir a dose necessária de fármacos sistêmicos.

Pacientes com doença generalizada costumam exigir tratamento sistêmico com prednisona, 60 a 80 mg VO uma vez ao dia, que pode ser reduzida para a dose de manutenção de 10 a 20 mg/dia após várias semanas. A maioria dos pacientes alcança remissão após 2 a 10 meses, mas o tratamento pode precisar ser mantido por vários anos antes de o processo da doença apresentar remissão suficiente para permitir a descontinuação. Se for necessária terapia a longo prazo, uma nova bolha a cada poucas semanas não exige aumentar a dose de prednisona.

Penfigoide bolhoso algumas vezes responde à atividade anti-inflamatória de certos fármacos, como uma combinação de tetraciclina ou minociclina e nicotinamida. Outras opções de tratamento incluem a monoterapia com dapsona, sulfapiridina ou eritromicina. A imunoglobulina IV é utilizada ocasionalmente.

Para pacientes com doença recalcitrante ou generalizada, e algumas vezes para aumentar a dose de corticoides na doença crônica, imunossupressores como metotrexato, azatioprina, ciclofosfamida, micofenolato de mofetila e ciclosporina podem ser usados. Entre os biológicos, pode-se usar rituximabe e omalizumabe.

Pontos-chave

  • Penfigoide bolhoso geralmente afeta pacientes > 60 anos e é autoimune e idiopático.

  • Prurido pode preceder em anos o desenvolvimento de um exantema, e o envolvimento de mucosas é raro.

  • Fazer biópsia da pele para realizar testes histológicos e de imunofluorescência e medir autoanticorpos circulantes.

  • Tratar os pacientes com corticoides tópicos de alta potência, quando possível, para evitar ou minimizar o uso de corticoides sistêmicos.

  • Pode-se usar terapia anti-inflamatória, imunossupressora, e biológica para diminuir a dose de corticosteroides.

  • Os sintomas geralmente diminuem em meses, mas às vezes o tratamento é necessário por vários anos.

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