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Anemia em recém-nascidos

Por

Andrew W. Walter

, MS, MD, Sidney Kimmel Medical College at Thomas Jefferson University

Última revisão/alteração completa jun 2019| Última modificação do conteúdo jun 2019
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A anemia é caracterizada por uma escassa quantidade de glóbulos vermelhos no sangue.

  • A anemia pode ocorrer quando há uma destruição dos glóbulos de maneira excessivamente rápida, há perda de sangue em excesso ou a medula óssea não produz glóbulos vermelhos em quantidade suficiente.

  • Caso a destruição dos glóbulos vermelhos ocorra de maneira excessivamente rápida, isso pode provocar anemia e um aumento da concentração de bilirrubina (um pigmento amarelado que é produzido durante a destruição normal dos glóbulos vermelhos), o que faz com que a pele e o branco dos olhos do recém-nascido fiquem amarelados (um quadro clínico denominado icterícia).

  • Quando grandes quantidades de sangue são perdidas muito rapidamente, o recém-nascido pode ficar gravemente doente e ele pode entrar em choque, apresentar palidez, ter frequência cardíaca acelerada e pressão arterial baixa, juntamente com respiração superficial e rápida.

  • Caso haja perda de sangue menos grave ou o sangue seja perdido gradualmente, o recém-nascido possivelmente terá uma aparência normal, mas com palidez.

  • O tratamento pode envolver hidratação pela veia (por via intravenosa) seguida de uma transfusão de sangue ou de uma exsanguineotransfusão.

A medula óssea contém células especializadas que produzem células sanguíneas. Normalmente, a medula óssea produz uma quantidade muito pequena de glóbulos vermelhos entre o nascimento e três ou quatro semanas de idade, o que causa uma queda lenta no número de glóbulos vermelhos (um quadro clínico denominado anemia fisiológica) nos primeiros dois a três meses de vida.

Os recém-nascidos muito prematuros apresentam uma queda maior no número de glóbulos vermelhos. Esse quadro clínico é denominado anemia da prematuridade. A anemia da prematuridade costuma afetar bebês cuja idade gestacional (o tempo que o óvulo fertilizado passa dentro do útero) é inferior a 32 semanas e também bebês que passaram muitos dias no hospital.

Anemia mais grave pode ocorrer quando

  • A destruição dos glóbulos vermelhos ocorre de maneira excessivamente rápida (um processo denominado hemólise).

  • Muito sangue é coletado de recém-nascidos prematuros para a realização de exames de sangue.

  • Uma quantidade excessiva de sangue é perdida durante o trabalho de parto ou durante o parto.

  • A medula óssea não produz uma quantidade suficiente de glóbulos vermelhos.

Mais de um desses processos podem ocorrer ao mesmo tempo.

Destruição rápida dos glóbulos vermelhos (hemólise)

A destruição grave de glóbulos vermelhos resulta em anemia e concentrações elevadas de bilirrubina no sangue (hiperbilirrubinemia).

A doença hemolítica no recém-nascido é um problema de saúde em que os anticorpos do sangue da mãe podem causar uma destruição rápida dos glóbulos vermelhos do bebê.

Os glóbulos vermelhos também podem ser destruídos rapidamente se o recém-nascido tiver uma anomalia hereditária dos glóbulos vermelhos. Um exemplo é a esferocitose hereditária, na qual os glóbulos vermelhos parecem pequenas esferas quando observados ao microscópio.

Outro exemplo ocorre em bebês que têm uma deficiência de uma enzima relacionada aos glóbulos vermelhos, denominada glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD). Nesses bebês, exposição da mãe e do feto a certos medicamentos usados durante a gravidez (tais como corantes com anilina, sulfas e muitos outros) podem resultar em uma destruição rápida dos glóbulos vermelhos.

A hemólise também pode ocorrer em hemoglobinopatias. Hemoglobinopatias são distúrbios genéticos que afetam a estrutura ou produção de hemoglobina. Hemoglobina é uma proteína no interior dos glóbulos vermelhos do sangue que permite que as células transportem oxigênio dos pulmões para todas as partes do corpo. Exemplos de hemoglobinopatias incluem alfa-talassemia e anemia falciforme.

Algumas infecções adquiridas antes do nascimento, como toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, infecção pelo vírus herpes simples ou sífilis também podem destruir rapidamente os glóbulos vermelhos, bem como infecções bacterianas do recém-nascido adquiridas durante ou depois do parto.

Perda de sangue

Perda de sangue é outra causa de anemia. A perda de sangue no recém-nascido pode ocorrer de muitas maneiras. Por exemplo, ocorre perda de sangue se um grande volume de sangue do feto atravessar a placenta (o órgão que conecta o feto ao útero e alimenta o feto) e entrar na circulação sanguínea da mãe (um quadro clínico denominado transfusão feto-materna). Além disso, pode haver perda de sangue se um grande volume de sangue ficar preso na placenta no momento do parto, algo que pode ocorrer se o recém-nascido for segurado acima do abdômen da mãe por muito tempo antes de o cordão umbilical ser pinçado.

As transfusões feto-fetais, nas quais o sangue flui de um feto para o outro, podem causar anemia em um dos gêmeos e excesso de sangue (policitemia) no outro gêmeo.

Além disso, a placenta pode se descolar do útero antes do parto (ruptura de placenta) ou a implantação da placenta pode ter ocorrido no local incorreto (placenta prévia), o que provoca uma perda de sangue no feto.

A perda de sangue pode ocorrer quando determinados procedimentos invasivos são realizados no feto para detectar anomalias genéticas e cromossômicas. Procedimentos invasivos são aqueles em que é necessário inserir algum instrumento no corpo da mãe. Esses procedimentos incluem a amniocentese, a amostragem de vilosidades coriônicas e a amostragem de sangue umbilical.

Às vezes, a perda de sangue ocorre quando o recém-nascido sofre alguma lesão durante o parto. Por exemplo, a ruptura do fígado ou do baço durante o parto pode causar sangramento interno. Em casos raros, pode ocorrer sangramento dentro do crânio do recém-nascido quando um extrator a vácuo ou fórceps é usado durante o parto.

Pode haver também perda de sangue em recém-nascidos com deficiência de vitamina K. A vitamina K é uma substância que ajuda o organismo a formar coágulos sanguíneos e ajuda a controlar sangramentos. A deficiência de vitamina K pode causar doença hemorrágica no recém-nascido, que é caracterizada por uma tendência à hemorragia. Em geral, todos os recém-nascidos têm uma baixa concentração de vitamina K ao nascer. Para prevenir a ocorrência de sangramento, a administração de uma injeção de vitamina K a recém-nascidos ao nascer é uma prática rotineira.

Redução na produção de glóbulos vermelhos

Antes do nascimento, a medula óssea do feto pode não produzir uma quantidade suficiente de novos glóbulos vermelhos. Esse defeito raro pode resultar em anemia grave. Exemplos dessa falta de produção incluem doenças genéticas raras, como a síndrome de Fanconi e a anemia de Diamond-Blackfan.

Após o nascimento, algumas infecções (por exemplo, a infecção por citomegalovírus, a sífilis e o vírus da imunodeficiência humana [HIV]) podem também impedir que a medula óssea produza uma quantidade suficiente de glóbulos vermelhos. Além disso, o recém-nascido pode ter deficiência de determinados nutrientes, como ferro, folato (ácido fólico) e vitamina E, o que pode causar anemia, porque a medula óssea não consegue produzir glóbulos vermelhos.

Sintomas

A maioria dos bebês com anemia leve ou moderada não apresenta sintomas. Anemia moderada pode resultar em lentidão (letargia) ou alimentação inadequada.

Complicações da anemia em recém-nascidos

O recém-nascido que subitamente perde grandes quantidades de sangue durante o trabalho de parto ou durante o parto pode entrar em choque, apresentar palidez, ter frequência cardíaca acelerada e pressão arterial baixa, juntamente com respiração superficial e rápida.

Quando a anemia resulta da rápida degradação dos glóbulos vermelhos, existe também um aumento na produção de bilirrubina e tanto a pele quanto o branco dos olhos do recém-nascido ficam amarelados (icterícia).

Diagnóstico

  • Antes do nascimento, ultrassom pré-natal

  • Após o nascimento, sintomas e exames de sangue

Antes do nascimento, o médico possivelmente realiza um ultrassom pré-natal e, às vezes, ele pode notar sinais de anemia no feto.

Após o nascimento, o diagnóstico de anemia toma por base os sintomas e é confirmado por meio de exames realizados em uma amostra de sangue do recém-nascido.

Tratamento

  • No caso de anemia decorrente de perda de sangue rápida, hidratação intravenosa e uma transfusão de sangue

  • No caso de anemia decorrente de doença hemolítica, o tratamento varia

  • Às vezes, suplementos de ferro

A maioria dos bebês prematuros saudáveis apresenta anemia leve e não precisa de tratamento.

O recém-nascido que perdeu grandes quantidades de sangue rapidamente, muitas vezes durante o trabalho de parto e o parto, é tratado com hidratação pela veia (intravenosa), seguida de transfusão de sangue.

Anemia muito grave causada pela doença hemolítica pode também exigir transfusão de sangue, mas a anemia é mais frequentemente tratada com uma exsanguineotransfusão, que tanto diminui a concentração de bilirrubina como aumenta o número de glóbulos vermelhos. Em uma exsanguineotransfusão, uma pequena quantidade do sangue do recém-nascido é gradualmente removida e substituída por um volume igual de sangue doado fresco.

Recém-nascidos com icterícia podem ser tratados com fototerapia ou “banhos de luz”, que ajudam a diminuir a concentração de bilirrubina.

Alguns bebês recebem suplementos de ferro para ajudá-los a aumentar o número de glóbulos vermelhos mais rapidamente.

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