Manual MSD

Please confirm that you are not located inside the Russian Federation

Carregando

Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em crianças

Por

Geoffrey A. Weinberg

, MD, University of Rochester School of Medicine and Dentistry

Última revisão/alteração completa jan 2018| Última modificação do conteúdo fev 2018
Clique aqui para a versão para profissionais
Fatos rápidos
OBS.: Esta é a versão para o consumidor. MÉDICOS: Clique aqui para a versão para profissionais
Clique aqui para a versão para profissionais
Recursos do assunto

A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) é uma infecção viral que destrói progressivamente determinados glóbulos brancos do sangue e provoca a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).

  • A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) é causada pelos vírus HIV-1 e HIV-2 e, em crianças pequenas, é normalmente adquirida da mãe no momento do nascimento.

  • Os sinais de infecção incluem crescimento lento, aumento dos linfonodos em diversas áreas do corpo, atraso no desenvolvimento, infecções bacterianas recorrentes e inflamação dos pulmões.

  • O diagnóstico se baseia em exames de sangue especiais.

  • As crianças que recebem tratamento farmacológico anti-HIV (chamado de terapia antirretroviral ou TAR) podem viver até a fase adulta.

  • As mães infectadas podem prevenir a infecção de seus recém-nascidos usando a terapia antirretroviral, alimentando seus filhos com leite de fórmula ao invés de leite materno e, para algumas mulheres, fazendo parto por cesariana.

  • As crianças são tratadas com os mesmos medicamentos que os adultos.

Para infecção por HIV em adultos, Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV).

Há dois vírus da imunodeficiência humana:

  • HIV-1

  • HIV-2

A infecção com HIV-1 é muito mais comum do que a infecção com HIV-2 em quase todas as áreas geográficas. Os dois destroem progressivamente certos tipos de glóbulos brancos do sangue chamados linfócitos, que são parte importante das defesas imunológicas do organismo. Quando esses linfócitos são destruídos, o corpo fica vulnerável ao ataque de muitos outros organismos infecciosos. Muitos dos sintomas e complicações da infecção por HIV, incluindo a morte, são resultados de outras infecções e não da infecção por HIV propriamente dita. A infecção por HIV pode levar a várias infecções problemáticas com microrganismos que geralmente não infectam pessoas saudáveis. Estas são chamadas infecções oportunistas porque se aproveitam de um sistema imune enfraquecido. As infecções oportunistas podem ser causadas por vírus, parasitas, fungos e, talvez com mais frequência que em adultos, ocasionalmente por bactérias.

A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) é a forma mais grave de infecção por HIV. Considera-se que uma criança com infecção por HIV tem AIDS quando pelo menos uma doença complicadora se desenvolve ou quando ocorre um declínio significativo da capacidade do corpo de se defender contra infecções.

Somente cerca de 1% das pessoas infectadas com o HIV nos Estados Unidos são crianças ou adolescentes. Desde que a epidemia de AIDS começou, cerca de dez mil casos foram relatados em crianças e adolescentes mais jovens. Em 2013, foi diagnosticado um número inferior a cem novos casos em crianças com menos de 13 anos de idade.

Embora o número de bebês e crianças infectados por HIV que vivem nos Estados Unidos continue a diminuir, o número de adolescentes infectados por HIV está aumentando. O número está aumentando porque as crianças que foram infectadas quando bebês estão sobrevivendo mais tempo e novos casos estão surgindo em adolescentes, sobretudo em rapazes que praticam sexo com homens.

No mundo todo, o HIV é um problema muito mais comum entre crianças. Aproximadamente dois milhões de crianças têm infecção por HIV. Todos os anos, aproximadamente 150 mil crianças são infectadas e aproximadamente 110 mil crianças morrem. Nos últimos anos, os novos programas criados para administrar a terapia antirretroviral (TAR) a gestantes e crianças causaram uma redução de 33% no número anual de novas infecções e mortes infantis. No entanto, as crianças infectadas ainda estão longe de receber TAR com a mesma frequência que adultos.

Transmissão da infecção por HIV

Crianças pequenas

O HIV é mais comumente transmitido a crianças por

  • Uma mãe infectada antes ou durante o nascimento

  • Após o nascimento através do leite da mãe

No caso de crianças pequenas, a infecção por HIV é quase sempre adquirida da mãe. Mais de 95% das crianças infectadas por HIV nos Estados Unidos adquiriram a infecção de suas mães, seja antes ou perto do nascimento (chamada transmissão vertical ou transmissão de mãe para filho). A maior parte das demais crianças que agora convive com a AIDS adquiriu a infecção devido a atividade sexual, incluindo, raramente, abuso sexual. Em função de melhores medidas de segurança em relação à triagem de sangue e seus derivados, nos últimos anos quase não houve infecções resultantes do uso de sangue e seus derivados nos Estados Unidos, no Canadá ou na Europa Ocidental.

Até 2.500 mulheres infectadas por HIV dão à luz todos os anos nos Estados Unidos. Sem a adoção de medidas preventivas, 25 a 33% delas transmitiriam a infecção ao bebê. A transmissão frequentemente ocorre durante o trabalho de parto e o parto.

O risco de transmissão máximo ocorre em mães que

  • Adquirem a infecção por HIV durante a gestação ou a durante a amamentação

  • Estão gravemente doentes

  • Têm outros vírus no organismo

Todavia, a transmissão diminuiu significativamente nos Estados Unidos, passando de aproximadamente 25% em 1991 para 1% em 2013. A transmissão de mãe para filho foi reduzida devido a um esforço intenso de testar e tratar mulheres grávidas infectadas tanto durante a gravidez como durante o parto.

Você sabia que...

  • Nos Estados Unidos, a transmissão do HIV de uma mãe infectada para o filho diminuiu de aproximadamente 25% em 1991 para 1% em 2013.

O vírus também pode ser transmitido pelo leite materno. Aproximadamente 12 a 14% dos bebês não infectados ao nascimento adquirem a infecção por HIV quando são amamentados por uma mãe infectada por HIV. Mais frequentemente, a transmissão ocorre nas primeiras semanas ou meses de vida, mas pode ocorrer mais tarde. A transmissão pela amamentação é mais provável em mães que têm uma concentração elevada de vírus no corpo, incluindo as que adquiriram a infecção durante o período em que estavam amamentando seu bebê.

Adolescentes

  • Praticar relação sexual sem proteção

  • Compartilhar agulhas infectadas

Adolescentes heterossexuais e homossexuais correm maior risco de infecção por HIV se fizerem sexo sem proteção. Os adolescentes que compartilham agulhas infectadas enquanto injetam drogas também correm mais risco.

Em casos muito raros, o HIV foi transmitido pelo contato com sangue infectado na pele. Em quase todos os casos, a superfície da pele estava rompida por arranhões ou feridas abertas. Embora a saliva possa conter o vírus, a transmissão da infecção por tosse, beijo ou mordida nunca foi confirmada.

O HIV não é transmitido através de

  • Alimentos

  • Água

  • Artigos domésticos

  • Contato social em casa, no local de trabalho ou na escola

Sintomas

As crianças que nascem com infecção por HIV raramente apresentam sintomas nos primeiros meses, mesmo que não tenham recebido TAR. Caso as crianças permaneçam sem tratamento, somente cerca de 20% desenvolvem problemas durante o primeiro e o segundo anos de vida. Essas crianças provavelmente foram infectadas bem antes do nascimento. Em relação aos 80% restantes das crianças que não recebem tratamento, os problemas podem não surgir até os três anos ou até mesmo depois dos cinco anos de idade. Essas crianças provavelmente foram infectadas ao nascimento ou próximo a ele.

Crianças infectadas por HIV que não recebem tratamento

Os sintomas comuns da infecção por HIV em crianças sem tratamento incluem

  • Crescimento lento e atraso de maturação

  • Aumento dos linfonodos em várias áreas do corpo

  • Diarreia recorrente

  • Infecções pulmonares

  • Aumento do volume do baço ou do fígado

  • Infecção fúngica da boca (candidíase)

As crianças às vezes apresentam episódios repetidos de infecções bacterianas, tais como infecção do ouvido médio (otite média), sinusite, bactérias no sangue (bacteremia) ou pneumonia.

Uma diversidade de sintomas e complicações pode surgir à medida que o sistema imunológico da criança se deteriora. Cerca de um terço das crianças infectadas por HIV desenvolve inflamação pulmonar (pneumonite intersticial linfoide) com tosse e dificuldade respiratória.

Crianças nascidas com infecção por HIV comumente têm pelo menos um episódio de pneumonia provocada por Pneumocystis jirovecii ( Pneumonia em pessoas imunocomprometidas). Esta infecção oportunista séria pode ocorrer já com 4 a 6 semanas de idade, mas ocorre principalmente em bebês de 3 a 6 meses de idade que adquiriram a infecção por HIV antes ou no momento do nascimento. Mais de metade das crianças infectadas com HIV que não recebem tratamento apresentam pneumonia em algum momento. A pneumonia provocada por Pneumocystis é uma importante causa de morte de crianças e adultos com AIDS.

Em um número significativo de crianças infectadas por HIV, os danos cerebrais progressivos impedem ou atrasam marcos do desenvolvimento, tais como andar e falar. Essas crianças também podem ter prejuízo da inteligência e cabeça pequena em relação ao tamanho do corpo. Até 20% das crianças infectadas sem tratamento perdem progressivamente suas aptidões sociais, da linguagem e o controle muscular. Elas podem sofrer de paralisia parcial ou instabilidade dos pés ou de certa rigidez muscular.

Anemia (valor baixo de glóbulos vermelhos) é comum entre crianças infectadas por HIV e faz com que elas fiquem fracas e se cansem facilmente. Cerca de 20% das crianças sem tratamento desenvolvem problemas do coração, como batimentos rápidos e irregulares ou insuficiência cardíaca.

Crianças sem tratamento também costumam apresentar inflamação do fígado (hepatite) ou inflamação dos rins (nefrite). O câncer é incomum em crianças com AIDS, mas o linfoma não Hodgkin e os linfomas do cérebro podem ocorrer em frequência um pouco maior do que em crianças não infectadas. O sarcoma de Kaposi, um câncer relacionado à AIDS que afeta a pele e os órgãos internos, é comum entre adultos infectados com HIV, mas é muito raro em crianças infectadas por HIV.

Crianças infectadas por HIV que recebem tratamento

Com TAR, as crianças com infecção por HIV nem sempre desenvolvem alguns dos sintomas da infecção por HIV. A TAR mudou significativamente a forma como a infecção por HIV se manifesta em crianças. Embora a pneumonia bacteriana e outras infecções bacterianas (como bacteremia e otite média recorrente) sejam ligeiramente mais frequentes em crianças infectadas por HIV, as infecções oportunistas e o déficit de crescimento são muito menos frequentes do que na época anterior à TAR.

Embora a TAR diminua nitidamente os efeitos dos distúrbios no cérebro e na medula espinhal, parece haver uma taxa maior de problemas de comportamento, desenvolvimento e cognição em crianças infectadas por HIV que recebem tratamento. Não está claro se esses problemas são causados pela própria infecção por HIV, pelos medicamentos usados para tratar o HIV ou por outros fatores biológicos, psicológicos e sociais que são comuns entre crianças infectadas por HIV.

Como a TAR permitiu que crianças e adultos sobrevivessem por muitos anos, mais pessoas estão desenvolvendo complicações de longo prazo resultantes da infecção por HIV. Essas complicações incluem obesidade, doenças do coração, diabetes e doença renal. Essas complicações parecem estar relacionadas à própria infecção por HIV como também aos efeitos de determinados medicamentos da TAR.

Os sintomas de infecção por HIV adquirida durante a adolescência são semelhantes aos sintomas em adultos (consulte Sintomas da infecção por HIV em adultos).

Diagnóstico

  • Exames preventivos pré-natais

  • Exames de sangue

  • Após o diagnóstico, monitoramento frequente

O diagnóstico da infecção por HIV em crianças começa com a identificação da infecção por HIV em mulheres grávidas graças aos exames de sangue pré-natais de rotina. Os exames rápidos para detecção do HIV podem ser feitos nas mulheres em trabalho de parto e na sala de parto no hospital. Esses exames podem disponibilizar os resultados em minutos ou até horas.

Crianças com mais de 18 meses de idade e adolescentes

No caso de crianças com mais de 18 meses de idade e adolescentes, é possível utilizar os mesmos exames de sangue oferecidos para diagnosticar a infecção por HIV em adultos. Eles são exames de sangue que costumam ser feitos à procura de anticorpos contra o HIV e antígenos do HIV. (Anticorpos são proteínas fabricadas pelo sistema imunológico para ajudar a defender o organismo contra ataques, e antígenos são substâncias que conseguem desencadear uma resposta imunológica pelo organismo; consulte Exames que detectam anticorpos contra ou antígenos de microrganismos.)

Crianças com menos de 18 meses de idade

No caso de crianças com menos de 18 meses de idade, os exames de sangue padronizados para detectar anticorpos contra o HIV ou antígenos do HIV para adultos não são úteis, uma vez que o sangue do bebê cuja mãe está infectada por HIV quase sempre contém anticorpos contra o HIV que chegaram a ele através da placenta, mesmo quando o bebê não está infectado. Assim, para poder fazer diagnóstico definitivo de infecção por HIV em crianças com menos de 18 meses de idade, é realizado um exame de sangue especial denominado teste de amplificação dos ácidos nucleicos (do inglês nucleic acid amplification test, NAT). Esse exame detecta a presença de material genético (DNA ou RNA) por meio da técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR) (do inglês polymerase chain reaction). O exame NAT confirma a presença de infecção caso ele encontre material genético do HIV no sangue da criança.

O exame NAT deve ser realizado em intervalos frequentes, geralmente nas primeiras duas semanas de vida, e então com aproximadamente um mês de idade e entre os quatro a seis meses de idade. Esses exames frequentes identificam a maioria dos bebês infectados por HIV até os seis meses de idade. É possível que os exames sejam feitos com mais frequência em alguns bebês que estão sob um risco muito grande de apresentar HIV.

Exames devem ser realizados em todos os bebês cujas mães

  • Têm infecção por HIV

  • Correm o risco de ter infecção por HIV

Monitoramento

Uma vez diagnosticada a infecção por HIV, o médico faz exames de sangue em intervalos regulares de três a quatro meses para monitorar o número de linfócitos CD4+ (valor de CD4) e o número de partículas virais no sangue (carga viral).

O valor de CD4 diminui à medida que a infecção por HIV piora. Se o valor de CD4 for baixo, a criança terá mais propensão a desenvolver infecções graves e outras complicações do HIV, como determinados tipos de câncer.

A carga viral aumenta à medida que a infecção por HIV piora. A carga viral ajuda a prever a velocidade em que o valor de CD4 provavelmente diminuirá nos anos seguintes.

O valor de CD4 e a carga viral ajudam os médicos a determinar quando devem iniciar os medicamentos antirretrovirais, os possíveis efeitos do tratamento e se outros medicamentos podem ser necessários para prevenir infecções mais severas.

Prognóstico

Antes da TAR, 10 a 15% das crianças de países industrializados e talvez 50 a 80% das crianças de países em desenvolvimento morriam antes de chegar aos quatro anos de idade. Hoje, com a TAR, a maioria das crianças nascidas com infecção por HIV vive até o final da adolescência e, nos Estados Unidos, a maioria sobrevive chegando à fase adulta. Cada vez mais jovens adultos deram à luz ou conceberam seus próprios filhos.

Ainda assim, se ocorrerem infecções oportunistas, principalmente pneumonia provocada por Pneumocystis, o prognóstico não é bom, a menos que a TAR seja bem-sucedida. A pneumonia provocada por Pneumocystis causa morte em 5 a 40% das crianças tratadas e em quase 100% das crianças sem tratamento. O prognóstico também é ruim para crianças nas quais o vírus é detectado cedo (na primeira semana de vida) ou que desenvolvem sintomas no primeiro ano de vida.

Não se sabe se a própria infecção por HIV ou a TAR administrada a crianças infectadas por HIV durante períodos críticos do crescimento e desenvolvimento causará outros efeitos colaterais que surgem mais tarde na vida, pois só agora a primeira leva de crianças infectadas antes ou durante o nascimento tratadas com TAR está chegando à fase adulta.

Devido à forma como o HIV se mantém oculto nas células das pessoas, os medicamentos não eliminam totalmente o vírus do corpo. Mesmo quando os exames não detectam os vírus, alguns deles permanecem dentro das células. Recentemente, foram administradas altas doses de TAR a uma criança que nasceu de uma mãe infectada por HIV que não recebeu tratamento. Embora a TAR tenha sido inadvertidamente interrompida aos 15 meses de idade, aos 24 meses de idade os médicos ainda não haviam conseguido detectar o HIV em reprodução (replicação) na criança. Entretanto, os médicos conseguiram detectar o vírus mais tarde. Há estudos de pesquisa em andamento para descobrir se administrar doses altas de TAR para suprimir o vírus, mesmo que por um curto período, é melhor para a saúde.

Não existe atualmente cura para a infecção por HIV e ainda não se sabe se a cura é mesmo possível. Entretanto, sabe-se de fato que a infecção por HIV é tratável e que a sobrevida de longo prazo é possível caso uma TAR eficaz seja administrada.

Prevenção

Prevenção da transmissão em mães infectadas

A terapia preventiva atual para mulheres grávidas infectadas é altamente eficaz para minimizar a transmissão. Mulheres grávidas infectadas por HIV devem iniciar a TAR por via oral. Idealmente, a TAR deve ser iniciada assim que a infecção por HIV é diagnosticada e a mulher estiver preparada para cumprir a terapia receitada. Gestantes infectadas por HIV que já estiverem usando TAR devem continuar a terapia durante a gestação.

Além da TAR, o medicamento antirretroviral zidovudina (ZDV) costuma ser é administrado pela veia (por via intravenosa) à mulher durante o trabalho de parto e o parto. Depois disso, a ZDV é administrada ao recém-nascido duas vezes ao dia, por via oral, durante as quatro a seis primeiras semanas de vida. O tratamento de mães e crianças feito desse modo reduz a taxa de transmissão de 25% a 33% para entre 1% a 2%. Além disso, o parto por cesariana (cesariana) realizado antes do início do trabalho de parto reduz o risco de o recém-nascido adquirir a infecção por HIV. Os médicos podem recomendar parto por cesariana para mulheres cuja infecção não tiver sido bem controlada por TAR. Os recém-nascidos que estão sob alto risco de ter infecção por HIV recebem outros medicamentos antivirais além da ZDV.

Nos países em que há boas fórmulas de leite infantil e água potável facilmente acessível, as mães infectadas por HIV devem dar mamadeiras de fórmula a seus bebês e ser desencorajadas de amamentar seus filhos com leite materno ou de doar o leite materno a bancos de leite. Nos países em que os riscos de desnutrição ou diarreia infecciosa devido ao uso de água não potável para alimentar bebês ou preparar fórmulas forem elevados, os benefícios da amamentação superam o risco de transmissão do HIV. Nesses países em desenvolvimento, as mães infectadas por HIV devem continuar a amamentar durante os primeiros seis meses de vida do bebê e depois desmamar rapidamente o bebê, passando-o para alimentos. A mãe infectada por HIV não deve pré-mastigar os alimentos para o bebê.

Prevenção da transmissão em crianças

Visto que é provável que não se saiba se uma criança está infectada por HIV, todas as escolas e creches devem adotar medidas especiais para lidar com acidentes, como hemorragias nasais, e para limpar e desinfetar superfícies contaminadas com sangue. Durante a limpeza, o profissional deve ser instruído a evitar o contato da pele com o sangue. Luvas cirúrgicas devem estar sempre à disposição e as mãos devem ser lavadas depois de removê-las. As superfícies contaminadas devem ser limpas e desinfetadas com solução recém-preparada de uma parte de água sanitária para dez a cem partes de água. Essas práticas (denominadas precauções universais) são seguidas não somente para crianças com infecção por HIV, mas para todas as crianças e em todas as situações que envolvam sangue.

Prevenção da transmissão em adolescentes

A prevenção em adolescentes é igual à prevenção em adultos. Todos os adolescentes devem ter acesso a exames de HIV e devem aprender como o HIV é transmitido e como ele pode ser evitado, abstendo-se de comportamentos e sexo de alto risco ou usando práticas de sexo seguro (ver Como usar um preservativo).

Tratamento preventivo antes da exposição

Tomar um medicamento antirretroviral antes de ser exposto ao HIV pode reduzir o risco de infecção por HIV. Esse tratamento preventivo é denominado profilaxia pré-exposição (PrEP) (do inglês preexposure prophylaxis). No entanto, a PrEP é cara e é eficaz somente se as pessoas tomarem o medicamento todos os dias. Portanto, a PrEP é recomendada somente para pessoas que tiverem um risco alto de serem infectadas, como pessoas que têm um parceiro infectado por HIV, homens que praticam relações sexuais com outros homens e pessoas transgênero. É possível que a PrEP também venha a ser administrada a adolescentes mais velhos sob risco, porém, problemas de sigilo e custo são mais complexos para eles que para os adultos recebendo a PrEP.

Prevenção de infecções oportunistas

Para prevenir a pneumonia provocada por Pneumocystis, os médicos administram trimetoprima/sulfametoxazol a certas crianças com infecção por HIV comprovada e comprometimento significativo do sistema imunológico e a todos os bebês nascidos de mães infectadas por HIV a partir de 4 a 6 semanas de idade (prosseguindo até os exames mostrarem que os bebês não estão infectados). Crianças que não conseguirem tolerar trimetoprima/sulfametoxazol podem receber dapsona, atovaquona ou pentamidina.

As crianças com comprometimento significativo do sistema imunológico também recebem azitromicina ou claritromicina para prevenir a infecção pelo complexo Mycobacterium avium. A rifabutina é um medicamento alternativo.

Tratamento

  • Medicamentos

  • Monitoramento contínuo

  • Incentivar a adesão ao tratamento

Tratamento medicamentoso

As crianças são tratadas com quase todos os mesmos medicamentos antirretrovirais que os adultos ( Tratamento medicamentoso da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)), normalmente uma combinação de TAR que consiste de:

  • Dois inibidores do nucleosídeo da transcriptase reversa (do inglês nucleoside reverse transcriptase inhibitors, NRTIs) mais

  • Um inibidor da protease ou um inibidor da integrase

Às vezes, um inibidor não nucleosídeo da transcriptase reversa é administrado juntamente com dois NRTIs.

No entanto, nem todos os medicamentos para adultos estão disponíveis para crianças pequenas, em parte porque alguns não estão disponíveis na forma líquida.

Normalmente as crianças desenvolvem os mesmos tipos de efeitos colaterais que os adultos, mas em geral a uma taxa muito mais baixa. Contudo, os efeitos colaterais dos medicamentos podem também limitar o tratamento.

Monitoramento

Um médico monitora a eficácia do tratamento medindo regularmente a quantidade de vírus presente no sangue (carga viral) e o número de células CD4+ da criança (consulte Diagnóstico da infecção por HIV em crianças). Valores mais elevados do vírus no sangue podem ser um sinal de que o vírus está desenvolvendo resistência aos medicamentos ou que a criança não está tomando os medicamentos. Em ambos os casos o médico pode precisar alterar os medicamentos. Para monitorar o progresso de uma criança, o médico examina a criança e faz exames de sangue na criança em intervalos de três a quatro meses. Outros exames de sangue e urina são realizados em intervalos de seis a doze meses.

Adesão

A adesão (o que significa cumprir a terapia medicamentosa exatamente conforme receitada) aos cronogramas de administração da TAR receitados é extremamente importante. Se as crianças tomarem medicamentos da TAR em frequência menor do que a necessária, o HIV em seu sistema pode ficar rapidamente resistente, de forma permanente, a um ou mais dos medicamentos. Ainda assim, pode ser difícil para os pais e as crianças seguirem e aderirem a regimes farmacológicos complicados, o que pode limitar a eficácia da terapia. Para simplificar os regimes e melhorar a adesão, é possível administrar comprimidos contendo três ou mais medicamentos. Esses comprimidos podem ter que ser tomados somente uma ou duas vezes ao dia. Hoje em dia, as formas líquidas dos medicamentos têm melhor sabor, o que pode aumentar a adesão.

A adesão à TAR pode ser mais difícil para adolescentes do que para crianças menores. Os adolescentes também têm dificuldade em aderir a regimes de tratamento para outras doenças crônicas como diabetes e asma. Os adolescentes querem ser como seus amigos e podem sentir-se deslocados por causa de sua doença. Pular ou parar o tratamento pode ser uma forma de negar que têm uma doença. Outros problemas que podem complicar o tratamento e reduzir a adesão em adolescentes incluem

  • Baixa autoestima

  • Estilo de vida caótico e desestruturado

  • Medo de ser discriminado por causa da doença

  • Ocasionalmente, a falta de apoio da família

Além disso, os adolescentes podem não conseguir entender por que os medicamentos são necessários quando eles não se sentem doentes e podem ficar muito preocupados com os efeitos colaterais. Apesar do contato frequente com uma equipe pediátrica de assistência médica, os adolescentes que foram infectados desde o nascimento podem temer ou negar sua infecção por HIV ou desconfiar das informações fornecidas pela equipe de assistência médica. Em vez de confrontar diretamente os adolescentes que não contam com um bom sistema de apoio sobre a necessidade de tomar medicamentos, às vezes, as equipes de atendimento os ajudam a dar enfoque a questões práticas, por exemplo, como evitar infecções oportunistas e como obter informações sobre serviços de saúde reprodutiva, moradia e como ser bem-sucedido na escola (consulte Transição para o cuidado na fase adulta).

Vacinação

Quase todas as crianças infectadas por HIV devem receber a vacinação infantil de rotina, incluindo

Recentemente, a vacina meningocócica conjugada tem sido recomendada para uso rotineiro e de compensação em crianças, adolescentes e adultos infectados por HIV.

Algumas vacinas que contêm bactérias vivas, como o bacilo Calmette-Guérin (usado para prevenir a tuberculose em alguns países fora dos Estados Unidos), ou vírus vivos, como a vacina oral contra o vírus da poliomielite, da varicela e a vacina tríplice contra sarampo, caxumba e rubéola, podem causar uma doença grave ou fatal em crianças com HIV cujo sistema imunológico esteja muito comprometido. Contudo, a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola com vírus vivos e a vacina contra varicela com vírus vivos são recomendadas para crianças com infecção por HIV cujo sistema imunológico não esteja gravemente comprometido.

A vacina contra o rotavírus com vírus vivos pode ser administrada de acordo com o cronograma de rotina para bebês expostos ou infectados por HIV.

A imunização contra a gripe com vírus inativados (não vivos) realizada anualmente também é recomendada para todas as crianças infectadas por HIV com mais de seis meses de idade, e a imunização com vírus inativados ou vivos é recomendada a todos os que vivem na mesma residência.

Contudo, a eficácia de qualquer vacina é menor em crianças com infecção por HIV. Crianças infectadas por HIV com valores muito baixos de células CD4+ são consideradas suscetíveis a doenças passíveis de prevenção por vacina quando ficam expostas a uma dessas doenças (como sarampo, tétano ou varicela), independentemente de terem recebido a vacina para aquela doença, e podem receber imunoglobulina por veia (via intravenosa). A imunoglobulina intravenosa ou a vacinação imediata com vacina tríplice contra sarampo, caxumba e rubéola também deve ser considerada para outro residente não imunizado da casa que seja exposto a sarampo.

Problemas sociais

No caso das crianças que precisam de adoção, cuidados infantis ou escolarização, o médico pode ajudar a determinar o risco de exposição da criança a doenças infecciosas. Geralmente, a transmissão de infecções (como a catapora) a uma criança infectada por HIV (ou a qualquer criança com sistema imunológico comprometido) constitui um perigo maior do que a transmissão de HIV por parte dessa criança a outras. Contudo, uma criança pequena com infecção por HIV que tiver lesões abertas na pele ou manifeste um comportamento possivelmente perigoso, como morder, não deve ir para a creche.

As crianças infectadas por HIV devem participar de tantas atividades rotineiras da infância quanto sua condição física permitir. A interação com outras crianças melhora o desenvolvimento social e a autoestima. Em razão do estigma associado à doença, do uso rotineiro de precauções universais em escolas e creches e do fato de a transmissão da infecção para outras crianças ser extremamente improvável, não é necessário que ninguém além dos pais, do médico ou talvez do enfermeiro da escola, saibam que a criança tem HIV.

À medida que o estado da criança piorar, o melhor é realizar o tratamento num ambiente o menos restritivo possível. Caso se possa contar com assistência médica em domicílio e com serviços sociais adequados, as crianças podem passar mais tempo em casa do que no hospital.

Transição para o cuidado na fase adulta

Ao atingirem determinada idade (normalmente 18 a 21 anos), os adolescentes infectados por HIV farão a transição de cuidados pediátricos para cuidados adultos. O modelo de assistência médica para adultos é bastante diferente, de forma que os adolescentes não devem ser simplesmente encaminhados a uma clínica ou consultório de adultos sem um planejamento mais elaborado.

A assistência médica pediátrica tende a ser centralizada na família e a equipe de atendimento inclui uma equipe multidisciplinar de médicos, enfermeiros, assistentes sociais e profissionais de saúde mental. Os adolescentes infectados ao nascer podem ter recebido cuidados de uma dessas equipes durante a vida toda. Em contraste, o modelo típico de assistência médica para adultos tende a ser centralizado no indivíduo e os profissionais de saúde envolvidos podem estar localizados em consultórios separados, o que exige várias consultas. Os profissionais de saúde em clínicas e consultórios de atendimento para adultos muitas vezes gerenciam um grande volume de pacientes e as consequências de atrasos ou faltas às consultas (que podem ser mais comuns entre adolescentes) são mais rígidas.

Planejar a transição durante vários meses e promover conversas ou visitas conjuntas de adolescentes com os profissionais de saúde pediátrica e de adultos pode resultar em uma transição mais suave e bem-sucedida. (Consulte também o recurso de transição da Organização Mundial da Saúde).

Mais informações

OBS.: Esta é a versão para o consumidor. MÉDICOS: Clique aqui para a versão para profissionais
Clique aqui para a versão para profissionais
Obtenha o

Também de interesse

Vídeos

Visualizar tudo
Síndrome de aspiração de mecônio (SAM)
Vídeo
Síndrome de aspiração de mecônio (SAM)
Durante a gravidez, o trato intestinal do feto é revestido de material fecal verde escuro...
Modelos 3D
Visualizar tudo
Como a insulina funciona
Modelo 3D
Como a insulina funciona

MÍDIAS SOCIAIS

PRINCIPAIS