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Cólicas menstruais

(Dismenorreia; menstruação dolorosa)

Por

JoAnn V. Pinkerton

, MD, University of Virginia Health System

Última revisão/alteração completa fev 2021| Última modificação do conteúdo fev 2021
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Fatos rápidos
Recursos do assunto

As cólicas são dores na parte mais baixa do tronco (pelve), sentidas alguns dias antes, durante ou depois da menstruação. A dor tende a ser mais intensa aproximadamente 24 horas depois do início da menstruação e começa a diminuir após dois a três dias. A dor geralmente vem em espasmos ou em pontadas descontínuas, mas também pode ser prolongada e constante. Às vezes a dor irradia para a lombar e para as pernas.

Muitas mulheres também apresentam dor de cabeça, náuseas (às vezes com vômitos), constipação ou diarreia. Elas também podem sentir uma necessidade de urinar com frequência.

Às vezes, o sangue menstrual contém coágulos. Os coágulos, que podem ter uma coloração vermelho-vivo ou vermelho escuro, podem conter tecidos e líquidos do revestimento uterino, além de sangue.

Os sintomas tendem a ser mais graves se

  • A menstruação começar cedo, em idade precoce.

  • A menstruação for prolongada ou com fluxo intenso.

  • A mulher for fumante.

  • Mulheres da família também tiverem dismenorreia.

Causas das cólicas menstruais

É possível que as cólicas menstruais

  • Não tenham uma causa identificável (um quadro clínico denominado dismenorreia primária)

  • Sejam causadas por outro distúrbio (um quadro clínico denominado dismenorreia secundária)

A dismenorreia primária geralmente começa durante a adolescência e pode ficar menos intensa com a idade e após a gravidez. Ela é mais comum que a dismenorreia secundária.

A dismenorreia secundária geralmente começa durante a idade adulta, a menos que seja causada por um defeito congênito.

Causas comuns

Mais de 50% das mulheres com dismenorreia têm

  • Dismenorreia primária

Em aproximadamente 5% a 15% dessas mulheres, as cólicas são intensas o suficiente para interferir nas atividades diárias, o que pode levar a mulher a faltar à escola ou ao trabalho.

Os especialistas acreditam que a dismenorreia primária talvez seja causada pela liberação de substâncias chamadas prostaglandinas durante a menstruação. A concentração de prostaglandina é elevada em mulheres com dismenorreia primária. As prostaglandinas podem causar a contração do útero (como ocorre durante o parto), reduzindo o fluxo sanguíneo para o útero. Essas contrações podem causar dor e desconforto. As prostaglandinas também fazem com que as terminações nervosas no útero fiquem mais sensíveis à dor.

A falta de atividade física e a ansiedade sobre a menstruação também podem contribuir para a dor.

A dismenorreia secundária geralmente é causada pela

Causas menos comuns

Os DIUs que liberam progestina causam menos cólicas que aqueles que liberam cobre.

Algumas mulheres sentem dor porque a passagem através do colo do útero (canal cervical) é estreita. O estreitamento do canal cervical (estenose cervical) pode surgir após um procedimento, como a remoção de um pólipo no útero, ou no tratamento de um quadro clínico pré-canceroso (displasia) ou de câncer de colo do útero. O surgimento de uma massa (pólipo ou fibrose) também pode causar o estreitamento do canal cervical.

Avaliação das cólicas menstruais

Geralmente, o médico faz um diagnóstico de dismenorreia quando a mulher relata sentir dores incômodas regulares durante a menstruação. Após esse diagnóstico inicial, ele determina se é uma dismenorreia primária ou secundária.

O médico geralmente consegue identificar esses distúrbios, porque a dor e os outros sintomas que eles costumam provocar diferem daqueles da dismenorreia.

Uma gravidez ectópica geralmente causa dores repentinas e constantes que começam em um ponto específico (não espasmódica). Ela pode estar acompanhada ou não de sangramento vaginal. Essa dor pode ficar muito intensa. Caso a gravidez ectópica se romper, é possível que a mulher sinta tontura, fraqueza, fique com batimentos cardíacos acelerados ou entre em choque.

Na doença inflamatória pélvica, é possível que a dor fique mais intensa e possa ser sentida em um ou em ambos os lados da pelve. A mulher também pode apresentar um corrimento vaginal malcheiroso e purulento, sangramento vaginal ou ambos. Às vezes, a mulher tem febre, náuseas ou vômitos ou sente dor durante a relação sexual ou ao urinar.

Sinais de alerta

Alguns sintomas são motivos de preocupação em mulheres com dismenorreia:

  • Dor intensa que surgiu repentinamente ou é nova

  • Dor contínua

  • Febre

  • Corrimento vaginal purulento

  • Dor aguda que piora quando o abdômen é tocado levemente ou até mesmo com um movimento mínimo

Quando consultar um médico

A mulher que apresentar qualquer sinal de alerta deve consultar um médico no mesmo dia.

Caso a mulher sem sinais de alerta sinta cólicas mais intensas que o normal, ou sinta dores que durem mais que o habitual, ela também deve procurar um médico dentro de poucos dias.

Outras mulheres que sentem cólicas menstruais devem entrar em contato com seu médico. É ele quem decide se a mulher ou não precisa vir logo ou não a uma consulta tomando por base os outros sintomas, a idade e o histórico clínico da mulher.

O que o médico faz

O médico ou outro profissional de saúde faz perguntas sobre a dor e o histórico clínico da mulher, incluindo seu histórico menstrual. Em seguida, o médico faz um exame físico. O que ele identifica durante a anamnese e o exame físico geralmente sugere uma causa para as cólicas menstruais e os exames que talvez precisem ser realizados (consulte a tabela Algumas causas e características das cólicas menstruais Algumas causas e características das cólicas menstruais Algumas causas e características das cólicas menstruais ).

Para poder obter um histórico menstrual completo, o médico pergunta à mulher

  • Qual era a sua idade quando as menstruações começaram

  • Quanto tempo eles duram

  • Qual é a intensidade do fluxo

  • Quanto tempo de intervalo há entre as menstruações

  • Se sua menstruação é regular

  • Se aparecem manchas de sangue nas roupas íntimas entre as menstruações ou após as relações sexuais

  • Quando os sintomas apareceram em relação à menstruação

O profissional também pergunta à mulher:

  • Qual a idade que ela tinha quando os sintomas começaram

  • Quais outros sintomas ela tem

  • Uma descrição da dor, incluindo seu grau de intensidade, o que alivia ou agrava os sintomas, e de que maneira os sintomas interferem nas atividades diárias

  • Se ela sente dor pélvica não relacionada com a menstruação

  • Tanto o paracetamol como os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ajudam a aliviar a dor.

Eles ainda perguntam para a mulher se ela tem ou teve doenças e outros distúrbios que possam causar cólicas, incluindo o uso de certos medicamentos (por exemplo, pílulas anticoncepcionais) ou DIUs. Também é perguntado se ela sofre alguma experiência física ou emocionalmente traumática, tal como abuso sexual. O médico pergunta se ela realizou algum procedimento cirúrgico que aumenta o risco de ter dor pélvica, como, por exemplo, um procedimento que destrói ou remove o revestimento do útero (ablação endometrial).

É realizado um exame pélvico Exame pélvico Para cuidados ginecológicos, a mulher deve escolher um médico com quem possa discutir confortavelmente temas delicados, como sexo, métodos anticoncepcionais, gravidez e problemas relacionados... leia mais . Ele verifica a vagina, a vulva, o colo do útero, o útero e a área ao redor dos ovários em busca de anomalias, incluindo pólipos e miomas.

O médico também toca (apalpa) levemente o abdômen na tentativa de detectar áreas que estão particularmente doloridas, pois isso pode indicar uma inflamação grave no abdômen (peritonite Peritonite A dor abdominal é comum e, geralmente, pouco importante. Dores abdominais graves que surgem rapidamente, porém, quase sempre indicam um problema significativo. A dor pode ser o único sinal da... leia mais ).

Tabela
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Exames

Os exames são feitos para excluir as doenças que talvez estejam causando a dor. A maioria das mulheres faz os seguintes exames:

  • Exame de gravidez

  • Ultrassonografia da pelve para verificar se há miomas, endometriose, adenomiose e cistos nos ovários

Em caso de suspeita de doença inflamatória pélvica, uma amostra das secreções é colhida do colo do útero, examinada em microscópio e enviada para um laboratório para ser testada.

  • Histerossalpingografia ou histerossonografia para identificar pólipos, miomas e defeitos congênitos

  • Ressonância magnética (RM) para identificar outras anomalias ou, se a cirurgia estiver planejada, para fornecer mais informações sobre as anomalias identificadas anteriormente

  • Histeroscopia para identificar problemas no colo do útero ou no útero (mas não nos ovários)

  • Laparoscopia, caso necessário

Durante uma histerossalpingografia, uma radiografia é tirada depois que uma substância que pode ser visualizada na radiografia (meio de contraste radiopaco) é injetada no útero e nas trompas de Falópio através do colo do útero.

Na histerossonografia, uma ultrassonografia é realizada depois que o líquido é injetado no útero por um tubo fino inserido através da vagina e colo do útero. O líquido facilita a identificação das anomalias.

Durante uma histeroscopia, o médico insere um tubo de visualização fino através da vagina e do colo do útero para ver o interior do útero. Esse procedimento pode ser realizado no consultório médico ou em um hospital em caráter ambulatorial.

Durante uma laparoscopia, um tubo de visualização que é inserido através de uma pequena incisão logo abaixo do umbigo é utilizado para visualizar o útero, as trompas de Falópio, os ovários e os órgãos no abdômen. Esse procedimento é realizado em um hospital ou centro cirúrgico.

Se o resultado da histerossalpingografia ou da histerossonografia for inconclusivo, uma histeroscopia ou uma laparoscopia pode ser realizada. Tanto a histeroscopia como a laparoscopia permite que o médico visualize diretamente as estruturas na pelve. A laparoscopia permite ao médico examinar toda a pelve e os órgãos reprodutivos.

Tratamento das cólicas menstruais

Quando as cólicas menstruais derivam de outro distúrbio, ele será devidamente tratado, se possível. Por exemplo, um canal cervical estreito pode ser alargado com uma cirurgia. No entanto, essa operação costuma aliviar a dor apenas temporariamente. Se necessário, o mioma ou tecido endometrial ectópico (decorrente de endometriose) é removido cirurgicamente.

Quando o médico diagnostica a dismenorreia primária, ele tranquiliza a mulher, afirmando que nenhuma outra doença está causando a dor e recomenda medidas gerais para aliviar os sintomas.

Medidas gerais

A primeira etapa no sentido de aliviar os sintomas é dormir o suficiente e praticar atividade física com regularidade.

Outras medidas que são sugeridas para ajudar a aliviar a dor incluem seguir uma dieta pobre em gordura e o consumo de suplementos, tais como ácidos graxos da série ômega 3, semente de linhaça, magnésio, vitamina B1, vitamina E e zinco. Calor úmido aplicado no abdômen também pode ajudar.

Medicamentos

Se a dor persistir, medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), tais como o ibuprofeno, naproxeno ou ácido mefenâmico, talvez ajudem. Os AINEs devem ser tomados de 24 a 48 horas antes do início da menstruação, até um ou dois dias após o início da menstruação.

Caso os AINEs sejam ineficazes, é possível que o médico recomende à mulher que também tome pílulas anticoncepcionais Contraceptivos orais Os hormônios contraceptivos podem ser Tomados por via oral (contraceptivos orais) Colocados na vagina (anéis vaginais ou contraceptivos de barreira) Aplicados na pele (adesivo) Implantados sob a pele leia mais Contraceptivos orais que contêm progestina e uma dose baixa de estrogênio. Essas pílulas impedem que os ovários liberem um óvulo (ovulação). A mulher que não pode tomar estrogênio pode tomar pílulas anticoncepcionais que contêm apenas uma progestina.

Outros tratamentos hormonais também podem ajudar a aliviar os sintomas. Eles incluem o danazol (um hormônio masculino sintético), progestinas (por exemplo, o levonorgestrel, o etonogestrel, a medroxiprogesterona ou a progesterona micronizada, tomados por via oral), os agonistas do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) Medicamentos usados para tratar a endometriose Medicamentos usados para tratar a endometriose (por exemplo, a leuprolida e a nafarelina), os antagonistas do GnRH (por exemplo, o elagolix) e um DIU que libera uma progestina. Os agonistas e antagonistas do GnRH ajudam a aliviar as cólicas menstruais causadas por endometriose.

Medicamentos como a gabapentina, por exemplo, também podem ajudam a aliviar os sintomas. A gabapentina é um medicamento anticonvulsivante que, às vezes, é utilizado para reduzir a dor causada por danos ao nervo.

Outros tratamentos

Se a mulher tiver dor grave que persiste apesar do tratamento, é possível que o médico realize um procedimento que afeta os nervos ligados ao útero e, com isso, bloqueia os sinais de dor. Esses procedimentos incluem:

  • Injeção de um agente anestésico nos nervos (bloqueio nervoso)

  • Eliminação dos nervos com laser, eletricidade ou ultrassom

  • Cortar os nervos

Os procedimentos para afetar os nervos podem ser realizados com um laparoscópio. Quando esses nervos são cortados, outros órgãos na pelve, tais como os ureteres, são ocasionalmente lesionados.

Alguns tratamentos alternativos para as cólicas menstruais foram sugeridos, mas não foram bem estudados. Eles incluem tratamento psicológico comportamental (por exemplo, dessensibilização sistemática e treinamento para relaxamento e controle da dor), acupuntura Acupuntura A acupuntura, uma terapia que faz parte da medicina tradicional chinesa, é uma das terapias da MCA mais amplamente aceitas nos países ocidentais. Os acupunturistas autorizados não têm, necessariamente... leia mais , acupressão, quiropraxia Quiroprática Na quiroprática, um tipo de prática manipulativa corporal, a relação entre a estrutura da coluna e a função do sistema nervoso é considerada essencial para a manutenção ou recuperação da... leia mais e estimulação elétrica nervosa transcutânea Tratamento da dor sem medicamentos (que consiste na aplicação de uma corrente elétrica suave transmitida por eletrodos colocados sobre a pele). A hipnose também está sendo estudada como uma forma de tratamento.

Pontos-chave sobre as cólicas menstruais

  • Em geral, as cólicas menstruais podem não ter uma causa identificável (chamadas de dismenorreia primária).

  • A dor costuma vir em espasmos ou em pontadas, começando alguns dias antes da menstruação e desaparecendo depois de dois ou três dias.

  • Para a maioria das mulheres, os exames para diagnosticar a causa da dor são um exame de gravidez, exame médico e ultrassonografia (para verificar se há estruturas anormais ou massas na pelve).

  • Medidas gerais que podem ajudar a aliviar os sintomas da dismenorreia primária incluem dormir adequadamente, praticar atividade física com regularidade, aplicar calor na região pélvica e seguir uma dieta hipolipídica.

  • Os AINEs ou um AINE combinado com pílulas anticoncepcionais de baixa dose talvez ajudem a aliviar a dor.

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