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Jejum intermitente pode ajudar pessoas com diabetes tipo 2

Notícias
02/00/22 By Dennis Thompson HealthDay Reporter

TERÇA-FEIRA, 2 de agosto de 2022 (HealthDay News) – Um novo estudo observou que o jejum intermitente pode ajudar pessoas com diabetes tipo 2 a controlar melhor os seus níveis de açúcar no sangue.

Os pesquisadores relataram que pessoas com diabetes que restringiram sua alimentação a um intervalo diário de 10 horas conseguiram manter os níveis de açúcar no sangue dentro da faixa normal por cerca de três horas a mais do que quando comiam sempre que quisessem.

Esses participantes também apresentaram níveis mais baixos de açúcar no sangue ao longo de 24 horas e uma glicose em jejum matinal consistentemente mais baixa quando adotaram um padrão alimentar com restrição de tempo, observaram os pesquisadores.

“A alimentação com restrição de tempo pode ser uma abordagem eficaz para melhorar a saúde metabólica em adultos com diabetes tipo 2, mas são necessários mais estudos para confirmar esse achado”, disse a pesquisadora principal Charlotte Andriessen, uma estudante de doutorado do departamento de ciências da nutrição e do movimento na Maastricht University, na Holanda.

Este estudo responde a uma pergunta que vem à mente de muitas pessoas que tentam controlar o diabetes, disse a Dra. Reshmi Srinath, diretora do programa de controle do peso e metabolismo do Mount Sinai, na cidade de Nova York.

“Há muito interesse no jejum intermitente, tanto pelos nossos pacientes com diabetes quanto pelos com obesidade, buscando ajudar a saúde metabólica e a perder peso”, disse Srinath. “Então, este é, de fato, um estudo muito importante que é relevante para nós em tempo real.”

Neste estudo, foi solicitado a 14 adultos com diabetes tipo 2 que limitassem a ingestão de alimentos a um intervalo de 10 horas por dia, com o intervalo se encerrando até as 18h. Eles receberam dispositivos de monitoramento contínuo da glicose, que mediram os níveis de açúcar no sangue a cada 15 minutos.

As pessoas foram orientadas a comer como fariam normalmente durante o período de ingestão de alimentos, sem restrições alimentares especiais. Fora desse período, era permitido que eles bebessem água, chá sem açúcar, café preto e refrigerantes sem calorias.

Os participantes passaram três semanas nessa dieta de jejum intermitente e, depois, mais três semanas comendo normalmente quando quisessem.

Durante a alimentação com restrição de tempo, os participantes apresentaram níveis normais de açúcar no sangue por, em média, 15 horas por dia, em comparação com uma média de 12 horas por dia quando comiam sempre que quisessem.

É importante ressaltar que os resultados mostraram que o período de alimentação de 10 horas provou-se seguro para os participantes, que não apresentaram nenhum aumento significativo na hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue) ou outros efeitos colaterais graves quando estavam em jejum.

“Isso, de fato, nos diz que o jejum intermitente é potencialmente seguro”, disse Srinath. “Essa é sempre uma preocupação. Quando os pacientes me procuram, eles perguntam: é seguro para mim? Existe um risco maior de hipoglicemia? E, a partir deste estudo, eles usaram monitoramento de glicose e descobriram que os açúcares melhoraram de maneira geral. Mais participantes atingiram níveis normais de açúcar no sangue, e esse é um ótimo resultado.”

O jejum intermitente também pareceu ser um padrão alimentar fácil de se adotar. Na verdade, os participantes acabaram naturalmente adotando um período de ingestão de alimentos de 9 horas, uma hora a menos do que o permitido, relata o estudo.

“A maioria dos participantes relatou que achou o regime alimentar com restrição de tempo viável”, disse Andriessen. “Os momentos mais críticos foram durante o fim de semana, quando eles não podiam comer ou beber algo (que não água) em festas ou outras reuniões sociais.”

Há razões biológicas sólidas para considerar que o jejum intermitente possa ajudar a controlar melhor o diabetes, disse Srinath.

“Quando você jejua, seu corpo primeiro decompõe as reservas de glicogênio, que é basicamente o açúcar armazenado no corpo”, disse Srinath. “E então, quando essas reservas de glicogênio acabam, o corpo é forçado a decompor gorduras. A ideia é que, quando você está em jejum por longos períodos de tempo, há maior eficiência” na forma como o corpo utiliza a energia armazenada.

Os achados foram publicados em 25 de julho no periódico Diabetologia.

Tanto a segurança quanto o sucesso desse plano de jejum intermitente podem ser explicados pelo fato de que ele não era tão restritivo quanto o jejum normalmente é, disse a Dra. Mary Vouyiouklis Kellis, endocrinologista da Cleveland Clinic em Ohio.

O intervalo de 10 horas, “na verdade, foi muito generoso neste estudo porque, às vezes, com a alimentação que tem restrição de tempo, permite-se que você coma por um período de no máximo 6 a 8 horas”, disse Kellis. “Com certeza, isso foi muito mais viável.”

O fato de os participantes poderem comer o que quiserem também torna a dieta mais fácil de seguir.

“Comer dentro de um período de tempo mais curto é essencialmente uma forma de restrição calórica, porque existe um limite do que você consegue comer dentro de 10 horas. Mas também sabemos que comer os alimentos errados não ajuda, certo?” disse Srinath. “Comer carboidratos em excesso, comer alimentos gordurosos ou processados em excesso pode levar a prejuízos tanto em termos de resultados metabólicos quanto de ganho de peso e coisas do gênero”, continuou ela.

“Na verdade, essa pode ser uma limitação nesse caso, pois não foi oferecida orientação alimentar”, disse Srinath. “Se tivessem oferecido, talvez eles tivessem obtido uma significância em termos de resultados.”

Os resultados do estudo não foram perfeitos. Os pesquisadores esperavam ver a resistência à insulina dos participantes melhorar durante o período de jejum de três semanas, mas isso não aconteceu.

No entanto, Kellis observou que o estudo foi muito breve e envolveu um número pequeno de pessoas. Um tempo mais longo adotando o jejum intermitente pode trazer ainda mais melhorias para o metabolismo dos pacientes. Além disso, algumas das pessoas estavam tomando medicamentos para diabetes, o que pode ter prejudicado os efeitos do jejum.

“É difícil esclarecer isso, a eficácia da alimentação com restrição de tempo em termos de sensibilidade à insulina, a partir deste estudo”, disse Kellis.

Mais informações

O Johns Hopkins tem mais informações sobre jejum intermitente.

FONTES: Charlotte Andriessen, estudante de doutorado, departamento de ciências da nutrição e do movimento, Maastricht University, Holanda; Dra. Reshmi Srinath, diretora, programa de controle do peso e do metabolismo, Mount Sinai, cidade de Nova York; Dra. Mary Vouyiouklis Kellis, endocrinologista, Cleveland Clinic, Ohio; Diabetologia, 25 de julho de 2022