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A tecnologia “Brain Zap” pode ajudar tabagistas inveterados a parar de fumar

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04/00/22 By Steven Reinberg HealthDay Reporter
A tecnologia “Brain Zap” pode ajudar tabagistas inveterados a parar de fumar

QUARTA-FEIRA, 4 de maio de 2022 (HealthDay News) – Pesquisadores franceses sugerem que tabagismo é o vício mais difícil de quebrar e que certas pessoas podem se beneficiar da estimulação cerebral para parar de fumar.

De acordo com uma nova revisão de pesquisadores do Hospital Universitário de Dijon, tabagistas que receberam estimulação cerebral não invasiva, utilizando impulsos elétricos ou magnéticos de baixa intensidade, apresentaram uma probabilidade duas vezes maior de ficar sem fumar ao longo de três a seis meses do que aqueles que receberam estimulação cerebral simulada. O trabalho reuniu dados de sete estudos previamente publicados que incluíram quase 700 pacientes.

“Este artigo reconhece que a base de onde vem a dependência do tabaco são as partes mais primitivas do cérebro”, disse o Dr. Panagis Galiatsatos, porta-voz médico voluntário da Associação Americana de Pulmão (American Lung Association) e diretor da Clínica de Tratamento do Tabagismo (Tobacco Treatment Clinic) da Johns Hopkins Medicine em Baltimore. Ele não esteve envolvido no estudo.

A estimulação cerebral não invasiva tem gerado muito interesse ultimamente, com estudos analisando-a para tratar uma variedade de problemas, desde dor e depressão até abuso de substâncias e dependência do tabaco. Mas pouco se sabe sobre a duração dos benefícios para os tabagistas depois que eles param, observou o pesquisador principal Dr. Benjamin Petit e colegas na edição de 25 de abril do periódico Addiction.

Embora admita que este estudo tenha sido “modesto” em tamanho, Petit disse que “os resultados parecem ser robustos e nos sentimos confiantes em sugerir que a estimulação cerebral não invasiva é uma técnica de interesse para a cessação do tabagismo em curto prazo e sustentada”.

Vários outros estudos estão em andamento, disse Petit. “Em um futuro próximo, a estimulação cerebral não invasiva poderá ser reconhecida como uma nova opção promissora para auxiliar indivíduos que desejam parar de fumar”, disse ele em um comunicado à imprensa do periódico.

Atualmente, tabagistas têm uma série de opções para ajudá-los a parar de fumar, incluindo adesivos de nicotina, aconselhamento, hipnose e medicamentos para dependência. Às vezes, nenhuma delas é uma solução permanente.

“A introdução da nicotina, especialmente em idade jovem, reconfigura o cérebro para ter essas respostas condicionais a ela”, disse Galiatsatos. É por isso que a dependência da nicotina é extremamente difícil de parar, explicou ele.

Ao contrário do consumo de álcool ou drogas, é possível fumar em quase qualquer lugar, disse Galiatsatos. “Para mim, é o vício mais difícil de quebrar, porque é constantemente lembrado no dia a dia das pessoas”, observou ele.

Duas formas comumente utilizadas de estimulação cerebral não invasiva são a estimulação transcraniana por corrente contínua e a estimulação magnética transcraniana. Esta revisão incluiu ambas.

A estimulação transcraniana por corrente contínua envia uma corrente contínua de baixa intensidade através do cérebro, utilizando eletrodos colocados na cabeça do paciente. Essa corrente fraca afeta a atividade cerebral.

Na estimulação magnética transcraniana, uma bobina de metal é colocada no couro cabeludo do paciente. De acordo com os autores, a bobina gera pulsos magnéticos que induzem correntes elétricas no tecido cerebral. Dependendo da frequência dos pulsos, a atividade na área-alvo é aumentada ou diminuída.

Galiatsatos não acredita que a estimulação cerebral não invasiva seja para todos os fumantes.

“Provavelmente, ela apresenta alguns méritos para casos mais refratários, especialmente se complementados de uma necessidade muito forte de parar”, disse ele. “Estou pensando no meu paciente que teve seu terceiro ataque cardíaco, é um tabagista de dois maços por dia e tem dificuldade de parar.”

Mas antes que Galiatsatos possa dar sua bênção a esse tratamento, ele gostaria de saber quanto tempo o benefício dura e quantos pacientes apresentam recidiva.

“Na minha clínica, o desejo de fumar da maioria dos pacientes é desencadeado por algum distúrbio emocional com o qual aprenderam a lidar com os efeitos [ansiolíticos] da nicotina”, disse ele. “Então, o que me interessa é: qual é a taxa de recidiva? Por que os pacientes apresentam recidiva? E quando recidivam, isso desfaz a estimulação?”

Galiatsatos acredita que o tabagismo deve ser visto como qualquer doença e tratado como qualquer vício. Não é uma questão de querer e de força de vontade, disse ele, mas sim de aprender a lidar com a vontade e gerenciar o desejo diário de fumar.

“Os pacientes precisam que muitas coisas se alinhem em suas vidas para se sentirem capazes de fazer isso”, disse Galiatsatos. “Os pacientes recidivam porque ninguém os ensinou a controlar adequadamente seus desejos durante os tempos nos quais os cigarros são sua resposta ao estresse.”

Medicamentos de reposição de nicotina e aconselhamento comportamental podem ajudar as pessoas a reduzir a necessidade de nicotina e aprender o que desencadeia seus desejos e como lidar com isso, disse Galiatsatos.

“A farmacoterapia pode ajudar a conter esses desejos, mas é uma modificação comportamental [isso é essencial] – o segredo é a atenção plena”, acrescentou ele.

Mais informações

Para mais informações sobre como parar de fumar, consulte a Associação Americana do Pulmão (American Lung Association).

FONTES: Dr. Panagis Galiatsatos, porta-voz médico voluntário, Associação Americana do Pulmão, e diretor, Clínica de Tratamento do Tabagismo, Johns Hopkins Medicine, Baltimore; Addiction, revisão e comunicado à imprensa, 25 de abril de 2022