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Jejum intermitente: Melhor do que as dietas típicas de perda de peso?

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27/00/22 By Amy Norton HealthDay Reporter
Jejum intermitente: Melhor do que as dietas típicas de perda de peso?

QUARTA-FEIRA, 27 de abril de 2022 (HealthDay News) – A alimentação “com restrição de tempo” tornou-se uma tática popular para perda de peso, mas um novo estudo clínico não encontra benefícios em adicioná-la ao corte de calorias à moda antiga.

A alimentação com restrição de tempo é uma forma de jejum intermitente, na qual as pessoas limitam a sua alimentação a um determinado período de tempo todos os dias. Fora desse período, elas recusam tudo, além de água ou outras bebidas sem calorias.

A restrição de tempo se tornou uma estratégia popular de perda de peso em grande parte porque é simples. Em vez de ter o trabalho de contar as calorias, as pessoas só precisam observar o relógio. E estudos pequenos mostraram que períodos limitados para a alimentação, sendo bem popular o intervalo de seis horas, podem ajudar as pessoas a perder alguns quilos.

No novo estudo, pesquisadores testaram se a adição de restrição de tempo à contagem tradicional de calorias apresentava benefícios extras de perda de peso.

O veredicto foi “não”, de acordo com os achados publicados em 21 de abril no periódico New England Journal of Medicine.

Pesquisadores na China descobriram que, quando um grupo de adultos obesos reduz as calorias, com ou sem a adição de restrição de tempo, aqueles no grupo de jejum não apresentaram maior perda de peso.

A boa notícia foi que ambos os grupos foram bem-sucedidos, perdendo uma média de cerca de 6,4 a 7,7 quilogramas (14 a 17 libras) ao longo de um ano. Eles também perderam gordura corporal e alguns centímetros da cintura, independentemente de usarem restrição de tempo ou não.

Mas especialistas disseram que os achados não dizem muito sobre a eficácia da alimentação com restrição de tempo, por si só.

Eles destacaram que ambos os grupos do estudo foram instruídos a cortar suas calorias diárias em 25%, com o apoio de um programa intensivo que envolveu orientadores de saúde e manutenção de registros diários de alimentação.

Portanto, é difícil mostrar um benefício adicional ao sobrepor a alimentação com restrição de tempo, de acordo com a Dra. Blandine Laferrère, endocrinologista e professora de medicina no Centro Médico Irving da Universidade de Colúmbia, na cidade de Nova York.

Laferrère, que coescreveu um editorial que acompanha o estudo, disse que o estudo demonstra o poder do corte de calorias.

“A restrição de calorias funciona para a perda de peso”, disse ela.

Mas, de acordo com Laferrère, até que ponto os resultados se aplicam às pessoas no mundo real é discutível.

Outro pesquisador dos EUA, que estuda jejum intermitente, concordou.

“Este estudo clínico não está realmente testando a alimentação com restrição de tempo”, disse Krista Varady, professora de nutrição da Universidade de Illinois, em Chicago.

As pessoas recorrem à restrição de tempo para uma maneira mais simples de alcançar a meta de redução de calorias, não como um complemento à contagem de calorias, explicou Varady.

E, se elas acharem que a restrição de tempo é uma maneira sustentável de comer menos, disse ela, então pode funcionar bem para elas.

“A coisa mais importante é encontrar algo que se encaixe no seu estilo de vida”, disse Varady. “Eu não acredito que exista uma dieta que seja melhor para todo mundo.”

Laferrère também destacou uma característica importante dos pacientes do estudo: Eles começaram com um período de alimentação bastante restrito por dia. Em média, eles comiam refeições e lanches durante um período de 10 horas por dia. Esse período foi limitado para oito horas durante o estudo clínico – uma alteração relativamente modesta de duas horas.

Em contraste, Laferrère disse que sua pesquisa descobriu que as pessoas, nos Estados Unidos, normalmente se alimentavam por um período mais longo todos os dias, uma média de 14 horas. O estreitamento desse período pode ter um impacto maior na perda de peso.

Para o estudo, pesquisadores liderados pelo Dr. Deying Liu da Universidade Médica do Sul em Cantão, China, recrutaram 139 pacientes com obesidade. Todos eles iniciaram uma dieta restritiva de calorias, mas metade foi randomizada para também seguir a restrição de tempo, comendo apenas entre as 8:00 e as 16:00 todos os dias.

Após um ano, a perda de peso foi semelhante entre os dois grupos, assim como as reduções na pressão arterial, colesterol e açúcar no sangue.

Varady disse que os pontos fortes do estudo são o tamanho relativamente grande e o acompanhamento longo.

“Mas eu não acho que isso aborda a questão de se a alimentação com restrição de tempo funciona”, disse ela.

Estudos prévios menores indicaram que a estratégia ajuda as pessoas a perder algum peso. Mas, disse Varady, os pesquisadores têm estudado isso há apenas cerca de cinco anos e ainda resta muito a aprender.

Neste momento, a tática pode valer a pena para pessoas com obesidade que a considerem interessante. No entanto, Varady disse que alguns grupos devem evitar a alimentação com restrição de tempo, incluindo mulheres grávidas e que estejam amamentando, pessoas com histórico de distúrbios alimentares e idosos com mais de 70 anos (devido a preocupações com a perda muscular).

Ela também aconselhou as pessoas com diabetes a conversarem com seus médicos primeiro, pois elas estão tomando medicamentos para controlar o açúcar no sangue.

Mais informações

A Harvard School of Public Health tem mais informações sobre jejum intermitente.


FONTES: Dra. Blandine Laferrère, professora, medicina, Centro Médico Irving da Universidade de Colúmbia, cidade de Nova York; Krista Varady, PhD, professora, nutrição, Universidade de Illinois, Chicago; New England Journal of Medicine, 21 de abril de 2022