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Coronavírus e Síndromes respiratórias agudas (COVID-19, MERS e SARS)

Por

Brenda L. Tesini

, MD, University of Rochester School of Medicine and Dentistry

Última revisão/alteração completa dez 2020| Última modificação do conteúdo dez 2020
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Os coronavírus são uma grande família de vírus que causam doença respiratória, que varia em gravidade desde um resfriado comum até pneumonia fatal.

Existem muitos coronavírus diferentes. A maioria deles causa doença em animais. No entanto, sete tipos de coronavírus são conhecidos por causar doença em seres humanos.

Quatro dessas sete infecções por coronavírus em humanos envolvem doença do trato respiratório superior leve, que causa os mesmos sintomas do resfriado comum.

No entanto, três das sete infecções por coronavírus em humanos podem ser muito mais graves e recentemente causaram grandes surtos de pneumonia mortal:

  • SARS-CoV-2 é um coronavírus novo que foi identificado pela primeira vez em Wuhan, China, no final 2019, como a causa da doença por coronavírus de 2019 (COVID-19) e se espalhou por todo o mundo.

  • MERS-CoV foi identificado em 2012 como a causa da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS).

  • O SARS-CoV foi identificado em 2003 como a causa de um surto de síndrome respiratória aguda grave (SARS) que começou na China aproximadamente no fim de 2002.

Esses coronavírus que causam infecções respiratórias graves são transmitidos por animais para os seres humanos (patógenos zoonóticos).

COVID-19

A COVID-19 é uma doença respiratória aguda que pode ser grave e é causada por um coronavírus recentemente identificado, oficialmente chamado SARS-CoV-2.

A COVID-19 foi relatada no final de 2019 em Wuhan, China, e, desde então, disseminou-se amplamente no mundo todo. Para informações atuais sobre o número de casos e mortes, consulte o documento Centros de Controle e Prevenção de Doenças: Os novos coronavírus de 2019 e os relatórios de situação da Organização Mundial da Saúde (COVID-2019).

O coronavírus recentemente identificado que causa a COVID-19 é chamado de SARS-CoV-2, porque está relacionado ao coronavírus que causa a SARS, embora seja um pouco diferente dele.

Transmissão da COVID-19

As primeiras infecções pelo COVID-19 foram relacionadas a um mercado de animais vivos em Wuhan, China, sugerindo que o vírus foi transmitido por animais que estavam sendo vendidos como alimentos exóticos para os seres humanos.

A COVID-19 é transmitida principalmente de pessoa para pessoa por meio das gotículas respiratórias que são produzidas quando uma pessoa infectada tosse, espirra, canta, se exercita ou fala. Ela é normalmente transmitida a partir de um contato próximo (estar a cerca de 2 metros [6 pés] de distância por 15 minutos ou mais em um período de 24 horas) com uma pessoa contagiosa, mas o vírus pode se disseminar por distâncias mais longas ou permanecer no ar por mais tempo em determinadas situações. Em geral, quanto mais próxima e mais longa for a interação com uma pessoa infectada, mais alto será o risco de disseminação do vírus. As pessoas também podem contrair uma infecção pelo COVID-19 ao tocar algo que tenha o vírus e depois tocar sua própria boca, nariz ou olhos. O vírus é normalmente transmitido por uma pessoa com sintomas da infecção, mas pode ser transmitido pelas pessoas antes que elas apresentem sintomas (pré‑sintomáticas) e até mesmo por pessoas que foram infectadas, mas nunca apresentaram sintomas (assintomáticas).

Sintomas

A maioria das pessoas infectadas com COVID-19 têm sintomas leves ou nenhum sintoma, mas algumas ficam gravemente doentes e morrem. Os sintomas podem incluir os seguintes:

  • Febre

  • Tosse

  • Falta de ar ou dificuldade para respirar

  • Calafrios ou tremores repetidos com calafrios

  • Fadiga

  • Dor muscular

  • Dor de cabeça

  • Inflamação da garganta

  • Perda do olfato ou do paladar

  • Congestão nasal ou coriza

  • Náuseas ou vômitos

  • Diarreia

Os sintomas costumam surgir cerca de 2 a 14 dias depois que as pessoas são infectadas, mais comumente dentro de 4 a 5 dias.

O risco de doença séria e de morte em pessoas com COVID-19 aumenta com a idade, em pessoas que fumam e em pessoas com outros distúrbios clínicos sérios, como câncer, doença cardíaca, pulmonar, renal ou hepática, anemia falciforme, diabetes, obesidade ou distúrbios que comprometem o sistema imunológico.

Além da doença respiratória, que pode ser grave e levar à morte, outras complicações sérias incluem:

Uma complicação rara chamada síndrome inflamatória multissistêmica em crianças (multisystem inflammatory syndrome in children, MIS-C) que pode estar relacionada à COVID-19 foi relatada em crianças. Os sintomas podem ser semelhantes aos de um quadro clínico raro, denominado doença de Kawasaki e incluem febre, dor abdominal e erupção cutânea. Uma complicação semelhante tem sido relatada em adultos jovens e de meia-idade (síndrome inflamatória multissistêmica em adultos [multisystem inflammatory syndrome in adults, MIS-A]).

Na maioria das pessoas, os sintomas desaparecem em cerca de uma semana. No entanto, em algumas pessoas, os sintomas duram mais tempo, mais frequentemente com falta de ar, tosse e fadiga extrema, que às vezes persistem por semanas a meses. Testes de detecção de viral nessas pessoas geralmente não mostram nenhum vírus ativo, e elas geralmente não são consideradas contagiosas.

Sabe-se que a imunidade após a infecção com outros coronavírus é temporária. A pandemia da COVID-19 não tem acontecido por tempo suficiente para que os pesquisadores tenham certeza de por quanto tempo as pessoas podem permanecer imunes após a doença por COVID-19. No entanto, recentemente, relatou-se um número muito pequeno de casos em que as pessoas que haviam se recuperado da COVID-19 ficaram doentes novamente com uma cepa geneticamente diferente do SARS-CoV-2. Essa reinfecção até agora parece extremamente rara, considerando as dezenas de milhões de pessoas que tiveram COVID-19, mas os pesquisadores não sabem o que acontecerá ao longo do tempo.

Diagnóstico

  • Exames para identificar o vírus

Os médicos suspeitam de COVID-19 em pessoas com sintomas da infecção. O contato próximo recente com alguém que tenha COVID-19 aumenta a probabilidade de infecção. As pessoas que suspeitarem que possam ter COVID-19 devem ligar para seu médico antes de serem testadas e antes de chegarem a uma clínica, para que as devidas precauções possam ser tomadas.

Testes virais, como teste de reação em cadeia de polimerase (polymerase chain reaction, PCR), podem ser realizados com secreções do trato respiratório superior ou inferior (amostras do esfregaço nasal ou oral ou da saliva) para identificar o vírus. Testes que detectam antígenos específicos de SARS-CoV-2 também podem ser feitos, mas geralmente são menos precisos do que os testes de PCR. (Consulte também CDC: considerações gerais sobre os testes para SARS-CoV-2 [COVID-19].)

As pessoas devem ser testadas para COVID-19 se:

  • Apresentarem sintomas da COVID-19

  • Tiverem tido contato próximo (a cerca de 2 metros [6 pés] de uma pessoa infectada por, pelo menos, 15 minutos em um período de 24 horas) com alguém com COVID-19 confirmada

  • Tiverem recebido solicitação ou encaminhamento de um profissional de saúde ou departamento de saúde local ou estadual para a realização do teste

OBSERVAÇÃO: Os testes de anticorpos (também chamados testes sorológicos) ajudam a determinar se a pessoa testada foi previamente infectada, o que é importante para rastrear os casos e estudar o vírus. Os testes de anticorpos não são usados para diagnosticar as infecções em andamento.

Prevenção

A melhor maneira de prevenir a infecção é evitar a exposição a esse vírus, o que pode ser difícil, porque algumas pessoas infectadas não sabem que têm o vírus. É importante praticar o “distanciamento social” (mantendo cerca de 2 metros [6 pés] de distância entre pessoas que não moram na mesma casa) e usar uma máscara facial de pano que cubra a boca e o nariz quando ao redor de pessoas não moram na mesma casa. O CDC recomenda o seguinte:

  • Usar uma máscara facial de pano se estiver saudável (sem sintomas), quando estiver em ambientes públicos e perto de pessoas que não vivem na mesma residência, especialmente quando outras medidas de distanciamento social forem difíceis de manter (a máscara facial de pano não substitui o distanciamento social).

  • Usar uma máscara facial ou máscara facial de pano quando estiver doente e perto de outras pessoas (máscaras faciais de pano podem ser feitas com itens encontrados em casa ou feitas em casa com materiais comuns [ver Uso de máscaras faciais de pano orientado pelo CDC para ajudar a retardar a disseminação da COVID‑19]).

  • Usar uma máscara facial ao cuidar de alguém doente.

Além do distanciamento social e de usar uma máscara facial de pano, o CDC recomenda as seguintes ações de rotina para ajudar a prevenir a disseminação dos vírus respiratórios (consulte CDC: como proteger a si mesmo e aos demais):

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, especialmente após ir ao banheiro, antes de comer e depois de assoar o nariz, tossir ou espirrar

  • Usar um antisséptico de mão à base de álcool, com pelo menos 60% álcool, se água e sabão não estiverem prontamente disponíveis

  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com mãos não lavadas

  • Evitar contato próximo com pessoas que estão doentes

  • Ficar casa quando estiver doente

  • Tossir ou espirrar protegendo o nariz e a boca com um lenço, que depois deve ser jogado no lixo

  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados frequentemente com um spray ou lenço de limpeza doméstica comum

  • Monitorar a saúde quanto a possíveis sintomas e medir a temperatura caso sintomas se desenvolvam

Quarentena e isolamento

Para ajudar a prevenir a transmissão, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (Centers for Disease Control and Prevention, CDC) recomendam medidas de quarentena e isolamento.

A quarentena se destina a pessoas que foram expostas ou que podem ter sido expostas. Ela serve para separar e restringir o movimento de “pessoas que tiveram um contato próximo” para observar se ficam doentes dentro do período de incubação de 14 dias. As seguintes pessoas devem fazer quarentena por 14 dias após a última exposição ao vírus:

  • Pessoas que tiveram um contato próximo, não apresentam sintomas e tiveram resultado negativo no teste

  • Pessoas que tiveram um contato próximo, não apresentam sintomas e não foram testadas

Se uma pessoa que teve contato próximo receber um resultado positivo no teste, essa pessoa deve se isolar durante, pelo menos, 10 dias. A adesão estrita a essas medidas tem sido bem-sucedida no controle da disseminação da infecção em áreas selecionadas.

Uma pessoa que teve um contato próximo é alguém que

  • Esteve a cerca de 2 metros (6 pés) de uma pessoa infectada (com ou sem máscara) por, pelo menos, 15 minutos em um período de 24 horas, iniciando 48 horas antes do momento em que essa pessoa apresentou sintomas

Um contato próximo também pode incluir pessoas que:

  • Prestaram cuidados na casa de alguém doente por COVID-19

  • Tiveram contato físico direto com uma pessoa doente (abraçaram ou beijaram essa pessoa)

  • Compartilharam utensílios para comer ou beber

  • Estiveram dentro do alcance das gotículas respiratórias de uma pessoa doente (por exemplo, por meio de um espirro ou tosse)

O isolamento se destina a separar as pessoas que estão contagiosas das que estão suscetíveis. As seguintes pessoas devem se isolar:

  • Pessoas que estiverem doentes com sintomas de COVID-19, mas não tiverem sido testadas

  • Qualquer pessoa que teve resultado positivo no teste para SARS-CoV-2 (independentemente de ter ou não sintomas)

O isolamento, em geral, pode terminar 10 dias após o início dos sintomas, desde que a pessoa não tenha febre por, pelo menos, 24 horas, sem o uso de medicamentos para abaixar a febre, e que os sintomas estejam melhorando. Pessoas que nunca apresentaram sintomas podem encerrar o isolamento 10 dias após a data do seu primeiro resultado positivo no teste.

Vacinação

Em 11 de dezembro de 2020, a Federal Drug Administration (FDA) dos EUA emitiu uma autorização de uso emergencial (AUE) para a vacina contra a COVID-19 da Pfizer‑BioNTech para a prevenção da COVID-19 para uso em pessoas a partir de 16 anos de idade. (Consulte a planilha informativa da FDA sobre a vacina da Pfizer‑BioNTech.) Em seguida, em 18 de dezembro de 2020, a FDA dos EUA emitiu uma AUE para uma vacina para uso em pessoas a partir de 18 anos de idade produzida por outra empresa (Moderna, consulte a planilha informativa da FDA sobre a vacina da Moderna). Numerosas outras vacinas estão atualmente em estudos clínicos em andamento.

As vacinas contra a COVID-19 da Pfizer-BioNTech e da Moderna são administradas como uma série de duas injeções em um músculo. As injeções da Pfizer-BioNTech são administradas com três semanas de intervalo e as injeções da Moderna têm de ser administradas com quatro semanas de intervalo. As vacinas não são intercambiáveis, ou seja, as pessoas têm de receber a vacina do mesmo fabricante para as duas doses.

Em um estudo clínico, a vacina da Pfizer-BioNTech preveniu a COVID-19 em 95% das pessoas após as duas doses administradas com três semanas de intervalo. Em um estudo separado, a vacina da Moderna preveniu a COVID-19 em 94,1% das pessoas. Atualmente, a duração dessa proteção não é conhecida. As pessoas com um sistema imunológico enfraquecido, incluindo aquelas em uso de medicamentos imunossupressores, podem ter uma resposta diminuída à vacina. Ainda não se sabe quão bem as vacinas irão prevenir a disseminação do vírus que causa a COVID-19, de modo que as pessoas vacinadas devem, ainda assim, seguir as medidas gerais de prevenção, como usar máscara, praticar o distanciamento social e lavar frequentemente as mãos.

As pessoas que tiveram uma reação alérgica grave a uma dose anterior da vacina ou a qualquer componente na vacina não devem receber a vacina.

Os efeitos colaterais da vacina incluem

  • Dor, inchaço e vermelhidão no local da injeção

  • Cansaço

  • Dor de cabeça

  • Dor muscular

  • Calafrios

  • Dor nas articulações

  • Febre

  • Náusea

  • Mal-estar geral

  • Linfonodos inchados

Os efeitos colaterais normalmente duram vários dias. Mais pessoas sofrem efeitos colaterais depois da segunda dose do que após a primeira dose.

Existe uma pequena chance de uma reação alérgica grave. Ela geralmente acontece dentro de poucos minutos a uma hora após tomar uma dose da vacina e requer tratamento de emergência (ligar para a assistência médica de emergência, [911 nos Estados Unidos] ou ir para o hospital mais próximo). As pessoas que tiveram reações alérgicas graves a outras vacinas ou medicamentos injetáveis devem discutir o risco de uma reação alérgica com seu médico e ser observadas após receber a vacina. Sinais de uma reação alérgica grave incluem

  • Dificuldade em respirar

  • Inchaço do rosto e da garganta

  • Batimento cardíaco acelerado

  • Uma erupção pruriginosa importante em todo o corpo

  • Tontura e fraqueza

Tratamento

  • Medicamentos para aliviar a febre e as dores musculares

  • Às vezes, remdesivir e/ou dexametasona.

A maioria das pessoas com COVID-19 não necessita de tratamento.

Diretrizes dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (National Institutes of Health, NIH) recomendaram remdesivir (um medicamento antiviral) e dexametasona (um medicamento anti-inflamatório) para pessoas selecionadas com doença grave. Remdesivir é o único tratamento aprovado pela Agência de Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (Food and Drug Administration, FDA) para COVID-19, e ele está aprovado para uso apenas em pacientes hospitalizados com COVID-19. Muitos medicamentos estão sendo avaliados em estudos clínicos, mas não há informações suficientes sobre o quão bem eles funcionam para recomendar o uso deles fora desses estudos clínicos. Diversos estudos clínicos dos medicamentos retrovirais para HIV lopinavir/ritonavir e dos medicamentos antimaláricos cloroquina e hidroxicloroquina demonstraram que esses medicamentos não têm benefício. Existem também estudos clínicos não randomizados que documentam a utilidade do medicamento antiparasitário ivermectina na prevenção ou no tratamento da COVID-19.

As pessoas que se recuperaram da COVID-19 têm anticorpos contra o vírus SARS-CoV-2 no sangue. Os pesquisadores estão testando se a transfusão de plasma do sangue de participantes recuperados poderia ajudar a recuperação, mas resultados definitivos ainda estão pendentes. Anticorpos fabricados (anticorpos monoclonais) contra o vírus SARS-CoV-2 estão sendo feitos e testados. Esses agentes ainda estão disponíveis apenas como parte de um estudo clínico.

Paracetamol ou um medicamento anti-inflamatório não esteroide (AINE), como ibuprofeno, poderão ser tomados para aliviar a febre e as dores musculares. Apesar das preocupações anedóticas iniciais, não há evidência científica de que o uso de AINEs piore a COVID-19. Da mesma forma, não há evidência científica de que pessoas com COVID-19 devam parar de tomar os medicamentos para a pressão arterial chamados inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRAs).

Algumas pessoas ficam tão gravemente doentes que precisam ser tratadas com ventilação mecânica para auxiliar a respiração.

Mais informações

Síndrome respiratória do Oriente Médio (Middle East Respiratory Syndrome, MERS)

A síndrome respiratória do Oriente Médio é uma infecção por coronavírus que causa sintomas semelhantes aos da gripe.

O vírus que causa a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) é um coronavírus semelhante ao vírus que causa a síndrome respiratória aguda grave (severe acute respiratory syndrome, SARS).

O vírus MERS foi detectado pela primeira vez na Jordânia e na Arábia Saudita em 2012. Até o início de 2018, houve 2.220 casos confirmados de MERS e 790 mortes. A maioria ocorreu na Arábia Saudita, onde novos casos continuam a surgir. Também houve casos em países fora do Oriente Médio, inclusive França, Alemanha, Itália, Tunísia e Reino Unido, em pessoas que haviam viajado ou trabalhado no Oriente Médio.

Um surto de MERS por coronavírus ocorreu na Coreia do Sul de maio a julho de 2015, depois que um sul-coreano retornou do Oriente Médio. Esse surto envolveu mais de 180 casos e 36 mortes. A maioria dos casos de transmissão de pessoa para pessoa ocorreu em ambientes de cuidados de saúde.

Em maio de 2014, dois casos foram confirmados nos Estados Unidos. Ambos os foram profissionais de saúde que haviam retornado recentemente do Golfo Pérsico. Não houve casos de MERS nos Estados Unidos desde maio de 2014.

Em vários países (inclusive Egito, Omã, Qatar e Arábia Saudita), os dromedários são suspeitos de serem a fonte primária de infecção das pessoas, mas a forma como o vírus se dissemina desses animais para pessoas é desconhecida.

A infecção é mais comum entre homens e é mais grave em pessoas idosas e em pessoas com um distúrbio crônico subjacente, como diabetes, ou uma doença cardíaca ou renal. A infecção foi fatal em cerca de um terço das pessoas infectadas.

O vírus da MERS é transmitido através do contato próximo com pessoas que têm MERS ou através de gotículas transportadas pelo ar que foram expelidas pela tosse ou pelos espirros de uma pessoa infectada. As pessoas não são consideradas contagiosas até o desenvolvimento dos sintomas. A maioria dos casos de disseminação de pessoa para pessoa ocorreu em profissionais de saúde que cuidavam de pessoas infectadas.

Os sintomas costumam surgir cerca de cinco dias (mas em qualquer intervalo de dois a catorze dias) depois que as pessoas são infectadas. A maioria das pessoas tem febre, calafrios, dores musculares e tosse. Cerca de um terço tem diarreia, vômito e dor abdominal.

Diagnóstico

  • Exame de secreções do trato respiratório

  • Exames de sangue

Os médicos suspeitam de MERS em pessoas que apresentam infecção do trato respiratório inferior e que viajaram para uma área onde possam ter sido expostas ao vírus, que residem em tal área ou que tenham tido contato próximo recente com alguém que possa ter tido MERS.

Para diagnosticar MERS, os médicos retiram uma amostra de secreção de vários locais do trato respiratório em momentos distintos e a analisam para detectar o vírus. Eles também fazem exames de sangue para detectar o vírus ou anticorpos contra o vírus. São feitos exames de sangue em todas as pessoas que tiveram contato próximo com alguém que possa ter MERS.

Tratamento

  • Medicamentos para aliviar a febre e as dores musculares

  • Isolamento

Não existe tratamento específico para a MERS. Paracetamol ou um medicamento anti-inflamatório não esteroide (AINE), como ibuprofeno, são administrados para aliviar a febre e dores musculares.

São tomadas precauções para prevenir a disseminação do vírus. Por exemplo, a pessoa é isolada em um quarto com um sistema de ventilação que limita a transmissão de micróbios no ar. As pessoas que entram no quarto precisam usar uma máscara especial, proteção ocular, jaleco, touca e luvas. As portas do quarto devem ser mantidas fechadas, exceto quando as pessoas entrarem ou saírem do quarto, e elas devem entrar e sair o mínimo possível.

As pessoas que viajam para o Oriente Médio devem visitar o site da Organização Mundial de Saúde (OMS) para obter orientações de viagem (veja WHO World-travel advice on MERS-CoV for pilgrimages [Orientações da OMS sobre MERS-CoV em viagens mundiais para peregrinações]).

Síndrome respiratória aguda grave (SARS)

A síndrome respiratória aguda grave é uma infecção por coronavírus que causa sintomas semelhantes aos da gripe.

  • Nenhum caso foi relatado mundialmente desde 2004.

  • Os sintomas de SARS lembram os de outras infecções virais respiratórias mais comuns (como febre, dores de cabeça, calafrios e dores musculares), mas são mais graves.

  • Os médicos suspeitam de SARS somente se as pessoas tiverem sido eventualmente expostas a uma pessoa infectada.

  • Se os médicos desconfiarem de que uma pessoa tem SARS, a pessoa é isolada em um quarto com um sistema de ventilação que limita a transmissão de micróbios no ar.

A síndrome respiratória aguda grave (SARS) foi primeiramente detectada na China no fim de 2002. Houve um surto mundial que resultou em mais de oito mil casos no mundo todo, inclusive Canadá e Estados Unidos, e mais de oitocentas mortes em meados de 2003. Nenhum caso foi relatado no mundo desde 2004 e considera-se que a SARS (a doença, mas não o vírus) foi erradicada.

Presume-se que a fonte imediata tenham sido as civetas, mamíferos semelhantes a gatos, que estavam sendo vendidas em mercados de animais vivos como alimentos exóticos. Como as civetas foram infectadas não está claro, embora acredite-se que os morcegos sejam o hospedeiro reservatório do vírus SARS na natureza.

A SARS é causada por um coronavírus. A SARS é muito mais grave do que a maioria das outras infecções por coronavírus, que geralmente causam somente sintomas semelhantes aos do resfriado. No entanto, a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) é outra doença grave causada por um coronavírus.

A SARS é transmitida de pessoa para pessoa através do contato próximo com uma pessoa infectada ou através de gotículas transportadas pelo ar que foram expelidas pela tosse ou pelos espirros de uma pessoa infectada.

Sintomas

Os sintomas de SARS lembram os de outras infecções virais respiratórias mais comuns, mas são mais graves. Eles incluem febre, dor de cabeça, calafrios e dores musculares, seguidos de tosse seca e, às vezes, dificuldade para respirar.

A maioria das pessoas se recuperou em uma a duas semanas. Entretanto, algumas desenvolveram grave dificuldade respiratória e cerca de 10% morreram.

Diagnóstico

  • Avaliação médica

  • Exames para identificar o vírus

Suspeita-se de SARS somente se as pessoas que possam ter sido expostas a uma pessoa infectada tiverem febre acompanhada tosse ou dificuldade em respirar.

Podem ser feitos exames para identificar o vírus.

Tratamento

  • Isolamento

  • Se necessário, oxigênio

  • Às vezes, é necessário um ventilador para ajudar na respiração.

Se os médicos desconfiarem de que uma pessoa tem SARS, a pessoa é isolada em um quarto com um sistema de ventilação que limita a transmissão de micróbios no ar. No primeiro e único surto de SARS, esse isolamento impediu a transmissão do vírus e acabou por eliminá-lo.

Pessoas com sintomas leves não precisam de tratamento específico. Aquelas com dificuldade respiratória moderada podem precisar receber oxigênio. Algumas pessoas com dificuldade respiratória grave podem precisar de ventilação mecânica para poderem respirar.

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