Medicamentos para tratar a asma e prevenir crises

PorVictor E. Ortega, MD, PhD, Mayo Clinic;
Sergio E. Chiarella, MD, Mayo Clinic
Revisado porRichard K. Albert, MD, Department of Medicine, University of Colorado Denver - Anschutz Medical
Revisado/Corrigido: modificado dez. 2025
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Na asma, as vias aéreas se estreitam, geralmente de forma reversível, em resposta a certos fatores desencadeantes. Medicamentos permites que a maioria das pessoas com asma levem uma vida relativamente normal. A maioria dos medicamentos usados para tratar as crises de asma (exacerbação) podem ser usados (muitas vezes em doses mais baixas) para evitá-las.

A terapia se baseia em duas classes de medicamentos:

  • Medicamentos anti-inflamatórios

  • Broncodilatadores

Os medicamentos anti-inflamatórios suprimem a inflamação que estreita as vias aéreas. Os medicamentos anti-inflamatórios incluem esteroides (às vezes chamados de glicocorticoides ou corticosteroides), modificadores de leucotrienos e estabilizadores de mastócitos. Os esteroides podem ser inalados, tomados por via oral ou administrados por via intravenosa. Os modificadores de leucotrienos são tomados por via oral. Os estabilizadores de mastócitos administrados para asma são inalados.

Broncodilatadores ajudam a relaxar e alargar (dilatar) as vias aéreas. Broncodilatadores incluem medicamentos beta-adrenérgicos (tanto para alívio rápido dos sintomas como para controle em longo prazo), anticolinérgicos e metilxantinas. Normalmente, eles são inalados.

Outros tipos de medicamentos que alteram diretamente o sistema imunológico (chamados imunomoduladores) são usados algumas vezes em pessoas com asma grave, mas a maioria das pessoas não precisa de imunomoduladores.

Medicamentos beta-adrenérgicos

Medicamentos beta-adrenérgicos de ação curta

Medicamentos beta-adrenérgicos de ação curta podem ser usados para aliviar crises de asma. Eles também são usados ​​para prevenir a broncoconstrição induzida pelo exercício. Esses medicamentos são denominados broncodilatadores, pois eles estimulam os receptores beta-adrenérgicos a alargar (dilatar) as vias aéreas. Broncodilatadores que atuam em todos os receptores beta-adrenérgicos ao longo do corpo (como epinefrina) causam efeitos colaterais, como taquicardia, agitação, cefaleias e tremores musculares. Broncodilatadores (como albuterol) que atuam principalmente sobre receptores beta-2 adrenérgicos, encontrados especialmente nas células dos pulmões, têm menos efeito sobre outros órgãos e, assim, provocam menos efeitos colaterais. A maioria dos medicamentos beta-adrenérgicos de ação curta, especialmente os inaláveis, agem dentro de minutos, mas seus efeitos duram apenas de 6 a 8 horas.

Deve ser procurada atenção médica imediata quando uma pessoa que tem asma sentir a necessidade de usar mais medicamentos beta-adrenérgicos do que o recomendado. A necessidade de uso extra, particularmente o uso contínuo, indica piora da broncoconstrição, o que pode ser perigoso, inclusive com risco possível de insuficiência respiratória e morte.

Medicamentos beta-adrenérgicos de ação longa

Medicamentos beta-adrenérgicos de ação prolongada (como formoterol) podem ser usados para aliviar e prevenir crises de asma, quando usados juntamente com um esteroide inalado. Beta-adrenérgicos de longa ação são eficazes por aproximadamente 12 horas; portanto, geralmente é preciso tomar 2 doses ao dia.

Não é recomendado o uso isolado de medicamentos beta-adrenérgicos de ação longa; os médicos sempre os prescrevem em conjunto com esteroides inalatórios.

Medicamentos beta-adrenérgicos de ação ultralonga

Beta-adrenérgicos de ação ultralonga são eficazes por até 24 horas; portanto, só é necessária uma dose ao dia.

Não é recomendado o uso isolado de medicamentos beta-adrenérgicos de ação ultralonga; os médicos sempre os prescrevem em conjunto com esteroides inalatórios.

O uso de beta-adrenérgicos inalatórios

Inaladores de doses controladas (inaladores portáteis contendo gás pressurizado) são o método mais comumente usado para administrar os medicamentos beta-adrenérgicos inaláveis. A pressão transforma o medicamento em um spray fino contendo uma dose medida do medicamento. A inalação deposita o medicamento diretamente nas vias respiratórias, de modo que ele atua rapidamente, mas o medicamento pode não atingir vias aéreas que estão gravemente estreitadas. Recomenda-se o uso de espaçadores ou câmaras de retenção com qualquer medicamento inalado. Esses dispositivos aumentam a quantidade de medicamento disponível nos pulmões. Com qualquer tipo de inalador, o uso de uma técnica adequada é essencial. Se o dispositivo não for usado corretamente, o medicamento não atingirá as vias respiratórias.

Uma formulação do medicamento em pó seco também está disponível para muitos broncodilatadores. A formulação em pó é mais fácil para algumas pessoas usarem, em parte porque exige menos coordenação com a respiração do que ao usar um inalador dosimetrado.

Um nebulizador pode ser usado para administrar beta-adrenérgicos diretamente aos pulmões. Um nebulizador usa ar pressurizado ou de ondas de som ultrassônicas para criar uma névoa contínua de medicamento que é inalada sem a necessidade de se coordenar a respiração com a administração. É frequente que os nebulizadores sejam portáteis e algumas unidades podem até mesmo ser conectadas à fonte de energia do carro. Nebulizadores e inaladores de doses controladas muitas vezes fornecem diferentes quantidades de medicamento com uma dose única, mas ambos são capazes de fornecer quantidades suficientes de medicamento aos pulmões. É menos provável que o tratamento com um nebulizador alcance vias aéreas mais distantes em pessoas que estejam respirando confortavelmente sem inspirar profundamente, tornando o tratamento com nebulizador menos eficaz do que um inalador dosimetrado usado corretamente ou uma formulação de pó seco.

Outros broncodilatadores, incluindo o anticolinérgico ipratrópio administrado via nebulizador, podem ser combinados com medicamentos beta-adrenérgicos para as crises agudas. Uma combinação de ipratrópio mais albuterol para administração via inalador de doses controladas também está disponível.

Outras apresentações de beta-adrenérgicos também estão disponíveis. Medicamentos beta-adrenérgicos também podem ser tomados na forma líquida, em comprimidos ou injetados. No entanto, os medicamentos orais tendem a agir mais lentamente do que os inalatórios ou injetáveis e são mais propensos a causar efeitos colaterais, sendo portanto, menos usados pelos médicos. Os efeitos colaterais incluem ritmos cardíacos anormais, especialmente quando usados em excesso.

Como utilizar um inalador de dose controlada com um espaçador

  • Agite o inalador após remover as tampas do inalador e do espaçador.

  • Conecte o espaçador ao inalador.

  • Expire completamente por um ou dois segundos. Tente expelir o máximo de ar que conseguir dos pulmões.

  • Coloque o espaçador entre os dentes e feche os lábios firmemente ao redor dele.

  • Inspire lentamente pela boca.

  • Pressione a parte superior do inalador e continue a respirar lenta e profundamente.

  • Remova o espaçador da boca.

  • Segure a respiração por 10 segundos (ou enquanto você puder).

  • Expire e, se uma segunda dose for necessária, repita o processo depois de um minuto.

  • Coloque as tampas de volta no inalador e no espaçador.

Para usar um inalador de doses controladas, a pessoa agita o inalador e remove a tampa. A pessoa expira todo o ar dos pulmões e, em seguida, leva o inalador até perto ou dentro da boca e inspira lentamente, enquanto pressiona a parte superior do inalador. Ela continua a inalar enquanto o medicamento é aplicado através do spray. A pessoa, então, prende a respiração e, posteriormente, expira novamente. Expirar o ar todo dos pulmões ajuda a remover o ar dos pulmões, de modo que mais ar possa entrar na próxima inspiração. Quanto mais ar for inspirado, mais medicamento também pode ser inalado e, assim, alcançar as vias aéreas menores e mais distantes.

Consulte os Centros de Controle e Prevenção de Doenças: Autocuidado para asma: Uso do inalador

Medicamentos anticolinérgicos

Medicamentos anticolinérgicos (também chamados de antagonistas colinérgicos ou antimuscarínicos), como ipratrópio e tiotrópio, impedem que a acetilcolina cause contração do músculo liso e que produza excesso de muco nos brônquios. Esses medicamentos são inalados. Esses medicamentos aumentam (dilatam) ainda mais as vias aéreas em pessoas que já receberam medicamentos beta-adrenérgicos ou um esteroide inalatório.

Modificadores dos leucotrienos

Modificadores dos leucotrienos, como o montelucaste, zafirlucaste e zileutona, também ajudam a controlar a asma. Eles são medicamentos anti-inflamatórios que previnem a ação ou a síntese dos leucotrienos. Os leucotrienos são substâncias químicas produzidas pelo corpo que causam broncoconstrição. Estes medicamentos, que são tomados por via oral, são usados mais para prevenir as crises de asma do que para tratá-las.

Estabilizadores de mastócitos

Estabilizadores de mastócitos, como cromolina, são inalados. Acredita-se que estes medicamentos inibam a liberação de substâncias químicas inflamatórias dos mastócitos e tornem as vias aéreas menos propensas ao estreitamento. Assim, eles também são medicamentos anti-inflamatórios. Eles são úteis para a prevenção de crises, mas não para seu tratamento. Estabilizadores de mastócitos podem ser úteis para crianças com asma e para pessoas que desenvolvem asma provocada pela prática de exercícios. Estes medicamentos são seguros e devem ser tomados regularmente, mesmo quando a pessoa está sem sintomas.

Esteroides

Os esteroides (às vezes chamados de glicocorticoides ou corticosteroides) bloqueiam a resposta inflamatória do corpo e são excepcionalmente eficazes na redução dos sintomas de asma. São um dos vários tipos de medicamentos anti-inflamatórios e têm sido uma parte importante do tratamento da asma há décadas.

Os esteroides podem ser tomados em várias formas diferentes. Frequentemente, as versões inaláveis são melhores porque disponibilizam o medicamento diretamente nas vias aéreas e reduzem a quantidade que é absorvida pelo corpo. A apresentação inalatória é usada para prevenir crises e melhorar a função pulmonar. Os esteroides inalatórios estão disponíveis em várias potências e são, geralmente, usados duas vezes ao dia. As pessoas devem enxaguar a boca após o uso para diminuir a probabilidade de que uma infecção fúngica da boca (candidíase) se desenvolva.

Os esteroides orais ou injetáveis podem ser utilizados em doses elevadas para aliviar uma crise de asma grave e são, geralmente, mantidos por até 2 semanas. Os esteroides orais podem ser administrados por vários dias após uma crise de asma e são prescritos para uso prolongado apenas quando nenhum outro tratamento é capaz de controlar os sintomas.

Se forem tomados por longos períodos, os esteroides gradualmente reduzem a probabilidade de ocorrer uma crise de asma, pois torna as vias aéreas menos sensíveis a uma série de estímulos desencadeadores. O uso prolongado de esteroides, especialmente em doses elevadas tomadas por via oral, pode causar efeitos colaterais, incluindo obesidade, osteoporose, catarata, fácil formação de hematomas, afinamento da pele, insônia, níveis elevados de açúcar no sangue e, muito raramente, psicose. Alguns estudos sugeriram que o crescimento pode ser retardado quando as crianças usam esteroides por um período prolongado. No entanto, é provável que a maioria das crianças que usa esteroides inaláveis atinjam sua altura adulta prevista.

Medicamentos biológicos

Existem diversos medicamentos biológicos disponíveis que têm como alvo moléculas específicas envolvidas na inflamação das vias aéreas. Omalizumabe é um medicamento que é um anticorpo dirigido contra um grupo de outros anticorpos chamados de imunoglobulina E (IgE). O omalizumabe é usado em pessoas com asma que também têm alergias graves e altos níveis de IgE no sangue. O omalizumabe impede que a IgE se ligue aos mastócitos e, portanto, impede a liberação de substâncias inflamatórias que podem estreitar as vias aéreas. Ele pode diminuir os requisitos para uso de esteroides orais e ajudar a aliviar os sintomas. O medicamento é administrado por via subcutânea a cada duas a quatro semanas.

Benralizumabe, dupilumabe, mepolizumabe, reslizumabee tezepelumabe são anticorpos que têm como alvo interleucinas ou citocinas. Eles são usados no tratamento de pessoas com asma grave desencadeada por alérgenos. O mepolizumabe reduz o número de crises de asma, diminui os sintomas da asma e reduz a necessidade de esteroides. O mepolizumabe é administrado por via subcutânea a cada quatro semanas. O reslizumabe reduz o número de crises de asma e diminui os sintomas da asma. É administrado a cada quatro semanas. O benralizumabe e o dupilumabe podem ser administrados somados a outros medicamentos para a asma para as pessoas que têm uma grande quantidade de eosinófilos (um tipo de glóbulo branco) na corrente sanguínea. O tezepelumabe é administrado em adição a outros medicamentos para asma em pessoas com asma grave.

Às vezes podem ocorrer reações alérgicas graves (anafilaxia) após a administração desses medicamentos; portanto, são administrados em unidades supervisionadas de assistência à saúde, como clínicas ambulatoriais ou consultórios médicos.

Metilxantinas

A teofilina, uma metilxantina, é outro medicamento que provoca broncodilatação. Ela é raramente usada. A teofilina é geralmente tomada por via oral. A teofilina oral vem em muitas formas, de comprimidos e xaropes de ação curta a cápsulas e comprimidos de liberação e ação prolongadas. Teofilina é utilizada principalmente para a prevenção de asma.

A quantidade de teofilina no sangue pode ser medida em um laboratório e deve ser acompanhada cuidadosamente por um médico. Muito pouco medicamento no sangue pode fornecer poucos benefícios e muito medicamento pode causar arritmias cardíacas de risco à vida ou convulsões. Quando a primeira dose de teofilina é tomada, uma pessoa que tem asma pode se sentir um pouco nervosa e desenvolver cefaleias. Esses efeitos colaterais geralmente desaparecem conforme o corpo se ajusta ao medicamento. Doses maiores podem causar batimentos cardíacos acelerados, náusea ou palpitações. A pessoa também pode apresentar insônia, agitação, vômito e convulsões. A ocorrência desses efeitos colaterais é uma das razões pelas quais teofilina é usada com menos frequência do que outros medicamentos.

Tabela
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Outros medicamentos usados para tratar a asma e prevenir crises

Outros medicamentos são ocasionalmente usados no tratamento da asma. Esses medicamentos podem ser usados em circunstâncias específicas. Magnésio é frequentemente administrado na veia para crises agudas, no pronto-socorro.

Pessoas que usam esteroides inalatórios e têm fatores de risco para osteoporose, como idade avançada, parentes com osteoporose, uma dieta com pouco cálcio e vitamina D ou um porte físico magro, podem precisar receber suplementos de cálcio e vitamina D e bifosfonatos para tentar preservar a densidade óssea.

A imunoterapia alergênica (dessensibilização) pode ser administrada quando os sintomas são desencadeados por alergia.

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