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Infecção renal

(Pielonefrite)

Por

Talha H. Imam

, MD, University of Riverside School of Medicine

Última revisão/alteração completa jul 2018| Última modificação do conteúdo ago 2018
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Fatos rápidos

A pielonefrite é uma infecção bacteriana de um ou de ambos os rins.

  • A infecção pode espalhar-se do trato urinário para os rins ou, pouco frequentemente, os rins podem ser infectados através das bactérias na corrente sanguínea.

  • Calafrios, febre, dor nas costas, náusea e vômito podem ocorrer.

  • A urina e, algumas vezes, os exames de sangue e de imagem são feitos se os médicos suspeitarem de pielonefrite.

  • Antibióticos são usados para tratar a infecção.

Causas

A pielonefrite é mais frequente nas mulheres do que nos homens. Escherichia coli, um tipo de bactérias normalmente no intestino grosso, causa cerca de 90% dos casos de pielonefrite entre as pessoas que não estão internadas ou morando em uma casa de repouso. Geralmente, as infecções vão da área genital até a bexiga através da uretra e em seguida pelos ureteres até os rins. Em uma pessoa com o trato urinário saudável, uma infecção é normalmente evitada com o movimento, dos ureteres em direção aos rins, do fluxo de urina que leva os micro-organismos para fora e pelo fechamento dos ureteres na entrada para a bexiga. No entanto, qualquer bloqueio físico (obstrução) que impeça a passagem do fluxo da urina, como uma anormalidade estrutural, cálculo renal ou um aumento do tamanho da próstata, ou o retorno (refluxo) da urina a partir da bexiga até os ureteres, aumenta a probabilidade de ocorrer pielonefrite.

O risco de pielonefrite é aumentado durante a gravidez. Durante a gravidez, o aumento do útero exerce certa pressão sobre os ureteres e obstrui parcialmente o fluxo descendente normal da urina. A gravidez também aumenta o risco para um refluxo da urina até os ureteres porque estes se dilatam, provocando a redução de contrações musculares que impulsionam a urina até os ureteres e interior da bexiga. Ocasionalmente, um cateter que permanece na bexiga pode causar pielonefrite permitindo que bactérias entrem ou permaneçam na bexiga.

Em cerca de 5% dos casos, as infecções chegam aos rins, vindas de outra parte do corpo através da corrente sanguínea. Por exemplo, uma infecção da pele por estafilococos pode espalhar-se para os rins através da corrente sanguínea.

O risco e a gravidade da pielonefrite estão aumentados nas pessoas com diabetes ou com um sistema imunológico debilitado (que reduz a capacidade de o corpo combater infecções). A pielonefrite é normalmente causada por bactérias, mas raramente é causada por tuberculose (uma causa bacteriana rara da pielonefrite), infecções fúngicas e vírus.

Algumas pessoas desenvolvem infecções de longa duração (pielonefrite crônica). Quase todas elas têm anormalidades importantes subjacentes, como uma obstrução do trato urinário, grandes cálculos renais que persistem ou, mais comumente, refluxo da urina da bexiga para os ureteres (que ocorre com mais frequência em crianças pequenas). A pielonefrite crônica pode fazer as bactérias serem liberadas na corrente sanguínea, às vezes resultando em infecções no rim oposto ou em outra parte do corpo. Em certos casos, a pielonefrite crônica pode lesionar gravemente os rins.

Sintomas

Os sintomas da pielonefrite começam geralmente com calafrios repentinos, febre, dor lombar em qualquer um dos lados, náuseas e vômitos.

Cerca de um terço das pessoas que sofrem de pielonefrite manifestam sintomas de cistite (infecção da bexiga) incluindo micção frequente e dolorosa. Um ou ambos os rins podem aumentar de tamanho e ficarem doloridos, e os médicos podem encontrar sensibilidade ao tato na parte lombar do lado afetado. Em certas ocasiões, os músculos do abdômen contraem-se com força. A irritação provocada pela infecção ou pela passagem de um cálculo renal (se estiver presente) pode causar espasmos dos ureteres. Se os ureteres apresentarem espasmos, as pessoas podem sofrer episódios de dor intensa (cólica renal). Nas crianças, os sintomas de uma infecção renal frequentemente são leves e mais difíceis de reconhecer. Em idosos, a pielonefrite pode não causar nenhum sintoma que pareça indicar um problema no trato urinário. Ao invés disso, idosos podem ter uma redução na função mental (delírio ou confusão), febre ou uma infecção na corrente sanguínea (sepse).

Numa pielonefrite crônica, a dor pode ser indefinida e a febre pode ser intermitente ou nem ser sentida.

Diagnóstico

  • Urinálise

  • Urocultura

  • Algumas vezes, exames de imagem

Os sintomas típicos da pielonefrite levam os médicos a realizar dois exames laboratoriais comuns para determinar se os rins estão infectados: (1) exame de amostra de urina sob um microscópio para contar o número de glóbulos vermelhos, brancos e de bactérias e (2) uma cultura de urina, na qual as bactérias de uma amostra de urina são cultivadas em um laboratório para identificar o número e o tipo de bactérias (consulte também Urinálise e urocultura). Exames de sangue podem ser realizados para comprovar altos níveis de glóbulos brancos (sugerindo infecção), bactérias no sangue ou lesão renal.

Exames de imagem são realizados nas pessoas que apresentam dor intensa nas costas, típica de cólica renal, naquelas que não respondem ao tratamento antibiótico dentro de 72 horas, naquelas cujos sintomas retornam logo depois de o tratamento antibiótico ser terminado, naquelas com pielonefrite de longa duração ou recorrente, naquelas cujos resultados dos exames de sangue indicam lesão renal e em homens (porque eles raramente desenvolvem pielonefrite). Ultrassonografia ou tomografia computadorizada (TC) helicoidal (espiral) realizada nessas situações pode revelar cálculos renais, anormalidades estruturais ou outras causas de obstrução urinária.

Prognóstico

A maioria das pessoas se recupera totalmente. A recuperação atrasada e a possibilidade de complicações são mais prováveis se a pessoa precisar de hospitalização, se o micro-organismo infeccioso for resistente a antibióticos normalmente utilizados ou se a pessoa tiver um distúrbio que enfraqueça o sistema imunológico (como certos cânceres, diabetes mellitus ou AIDS) ou um cálculo renal.

Prevenção e tratamento

  • Antibióticos

  • Cirurgia ocasional (para corrigir anormalidades no trato urinário)

Deve-se iniciar a administração de antibióticos assim que o médico suspeitar da existência de pielonefrite e assim que tenham sido coletadas amostras para exames laboratoriais. A escolha do medicamento ou sua dosagem pode ser modificada com base nos resultados dos exames laboratoriais (incluindo os resultados da cultura), a gravidade da doença da pessoa e se a infecção começou no hospital, onde as bactérias tendem a ser mais resistentes aos antibióticos. Outros fatores que podem alterar a escolha ou a dose do medicamento incluem se o sistema imunológico da pessoa está comprometido e se a pessoa tem uma anormalidade no trato urinário (como uma obstrução).

O tratamento ambulatorial com antibióticos por via oral é normalmente bem-sucedido se a pessoa:

  • Não tiver náusea ou vômito

  • Não tiver sinais de desfibrilação

  • Não tiver nenhum outro distúrbio que enfraqueça o sistema imunológico, como certos cânceres, diabetes mellitus ou AIDS

  • Não tiver sinais de infecções muito graves, como pressão arterial baixa ou confusão

  • Dor controlada com medicamentos orais

Do contrário, a pessoa é normalmente tratada inicialmente no hospital. Se hospitalização for necessária e a pessoa precisar de antibióticos, os antibióticos são injetados intravenosamente por um ou dois dias e, depois disso, eles podem normalmente ser dados por via oral.

O tratamento antibiótico de pielonefrite é administrado por 5 a 14 dias, de forma que a infecção não recorra. Entretanto, a terapia com antibiótico pode continuar por até seis semanas para os homens com infecção devido a uma prostatite, que é mais difícil de se erradicar. Normalmente, é coletada uma amostra final da urina logo após o tratamento com antibióticos ter sido concluído para garantir a completa erradicação da infecção.

Cirurgia é necessária apenas ocasionalmente se os testes mostrarem que algo está bloqueando o trato urinário de modo crônico, como uma anormalidade estrutural ou um cálculo particularmente grande. A remoção do rim infectado pode ser necessária no caso de pessoas com pielonefrite crônica que estão prestes a passar por um transplante renal. A disseminação da infecção para o rim transplantado é particularmente arriscada porque a pessoa toma medicamentos imunossupressores, que evitam a rejeição do rim transplantado, mas também enfraquecem a capacidade do corpo de combater a infecção.

As pessoas que sofrem de episódios frequentes de pielonefrite, ou cuja infecção reaparece depois de terminar o tratamento com antibióticos, são aconselhadas a tomar uma pequena dose de antibióticos por um período prolongado. A duração ideal dessa terapia preventiva não é conhecida. Se a infecção retornar, a terapia preventiva pode ser continuada indefinidamente. Se uma mulher em idade fértil estiver tomando antibiótico, ela deve evitar a gravidez ou deve conversar com seu médico sobre o uso de um antibiótico que seja seguro durante a gravidez caso ela fique grávida.

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