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Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)

(Bronquite crônica; enfisema)

Por

Robert A. Wise

, MD, Johns Hopkins University School of Medicine

Última revisão/alteração completa nov 2018| Última modificação do conteúdo nov 2018
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A doença pulmonar obstrutiva crônica é o estreitamento (bloqueio ou obstrução) persistente das vias aéreas, que ocorre com enfisema, bronquite obstrutiva crônica ou ambos os distúrbios.

  • O tabagismo é a causa mais importante da doença pulmonar obstrutiva crônica.

  • As pessoas desenvolvem tosse e, então, começam a sentir falta de ar.

  • O diagnóstico é feito com radiografia do tórax e testes de função pulmonar.

  • Parar de fumar e tomar medicamentos que ajudam a manter as vias aéreas abertas é importante.

  • As pessoas que têm doenças graves podem precisar tomar outros medicamentos, usar oxigênio ou fazer reabilitação pulmonar.

Nos Estados Unidos, cerca de 12 milhões de pessoas têm doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Ela é a terceira causa mais comum de morte, respondendo por 155.000 mortes em 2015. De 1980 a 2000, o número de mortes por DPOC aumentou em 64%, mas desde então, o número de mortes tem se mantido estável. Mais de 97% de todas as mortes relacionadas à DPOC ocorrem em pessoas com mais de 64 anos. A DPOC afeta mulheres mais frequentemente do que homens, mas homens e mulheres morrem em consequência de DPOC em taxas quase iguais.

Globalmente, o número de pessoas com DPOC está aumentando. Os fatores que contribuem para a DPOC incluem o aumento do tabagismo em muitos países em desenvolvimento e, em todo o mundo, a exposição a toxinas presentes em combustíveis de biomassa, como madeira e gramíneas. As taxas de morte podem estar aumentando nos países em desenvolvimento. Em 2030, prevê-se que a DPOC se torne a terceira maior causa de morte no mundo.

A DPOC leva a uma diminuição persistente da taxa de fluxo de ar dos pulmões quando a pessoa expira (exala), um quadro clínico conhecido como obstrução crônica do fluxo aéreo. A DPOC inclui o diagnóstico de bronquite obstrutiva crônica e enfisema. Muitas pessoas têm ambos os distúrbios.

  • A bronquite crônica é definida como tosse que produz escarro repetidamente durante dois anos consecutivos. Quando a bronquite crônica envolve obstrução do fluxo aéreo, ela se qualifica como bronquite obstrutiva crônica.

  • Enfisema é definido como a destruição generalizada e irreversível das paredes alveolares (as células que suportam os sacos de ar, ou alvéolos, que compõem os pulmões) e alargamento de muitos dos alvéolos.

A bronquite asmática crônica é semelhante à bronquite crônica. As pessoas apresentam sibilos, tosse produtiva e uma obstrução parcialmente reversível do fluxo de ar. Isso ocorre predominantemente em pessoas que fumam e têm asma. Em alguns casos, a distinção entre a bronquite obstrutiva crônica e a bronquite asmática crônica não é clara. Nesses casos, o quadro clínico pode ser chamado sobreposição de asma e DPOC (asthma COPD overlap, ACO).

As vias aéreas de pequenas dimensões (bronquíolos) dos pulmões contêm músculos lisos e normalmente são mantidas abertas por sua ligação às paredes alveolares. No enfisema, a destruição das ligações da parede alveolar resulta em colapso dos bronquíolos quando a pessoa expira, causando obstrução do fluxo de ar permanente e irreversível. Na bronquite crônica, as glândulas que revestem as vias aéreas de grandes dimensões (brônquios) dos pulmões se expandem e aumentam sua secreção de muco. Desenvolve-se inflamação dos bronquíolos, que faz com que os músculos lisos no tecido pulmonar sofram contrações (espasmos), obstruindo ainda mais o fluxo de ar. A inflamação também causa inchaço das passagens das vias aéreas e secreções nas mesmas, limitando ainda mais o fluxo de ar. Subsequentemente, as vias aéreas de pequenas dimensões nos pulmões tornam-se estreitadas e destruídas. A asma também é caracterizada por obstrução ao fluxo aéreo. No entanto, ao contrário da obstrução ao fluxo aéreo na DPOC, a obstrução ao fluxo aéreo na asma é completamente reversível na maioria das pessoas, seja espontaneamente ou com tratamento.

A obstrução ao fluxo aéreo na DPOC faz com que o ar fique preso nos pulmões após uma expiração completa, aumentando o esforço necessário para respirar. Também em pacientes com DPOC, o número de capilares nas paredes dos alvéolos diminui. Essas anomalias prejudicam a troca de oxigênio e dióxido de carbono entre os alvéolos e o sangue. Nos estágios iniciais da DPOC, os níveis de oxigênio no sangue podem estar reduzidos, mas os níveis de dióxido de carbono permanecem normais. Nos estágios mais avançados, os níveis de dióxido de carbono aumentam e os níveis de oxigênio caem.

Causas

A principal causa da DPOC é

  • Tabagismo

Apenas cerca de 15% dos fumantes desenvolvem DPOC. Com o envelhecimento, fumantes de cigarro suscetíveis perdem a função pulmonar mais rapidamente do que os não fumantes. A função pulmonar melhora apenas um pouco se as pessoas param de fumar. No entanto, a taxa de declínio da função pulmonar retorna ao de não fumantes quando as pessoas param de fumar, retardando, assim, o desenvolvimento e a progressão dos sintomas. Fumantes de cachimbo e charuto desenvolvem DPOC com mais frequência do que não fumantes, mas não tão frequentemente quanto fumantes de cigarros. Não está claro se fumar maconha contribui para a DPOC.

Trabalhar em um ambiente poluído por vapores químicos, poeira ou fumaça pesada de fornos a lenha interiores pode aumentar o risco de DPOC (consulte Visão geral sobre doenças pulmonares ambientais). A exposição à poluição do ar e à fumaça de fumantes de cigarro nas proximidades (exposição passiva ao tabaco) pode causar crises em pessoas que têm DPOC, mas, provavelmente, não causa DPOC.

A DPOC tende a ocorrer com mais frequência em algumas famílias, portanto, pode haver uma tendência hereditária em alguns pacientes.

Uma causa rara de DPOC é uma condição hereditária em que o corpo não produz proteína alfa 1-antitripsina suficiente. A função principal dessa proteína é evitar que a elastase de neutrófilos (uma enzima em certos glóbulos brancos) danifique os alvéolos. Consequentemente, o enfisema se desenvolve no início da meia-idade em pessoas com deficiência de alfa-1 antitripsina grave (também chamada deficiência de alfa-1 antiprotease), especialmente naquelas que também fumam.

Sintomas

A DPOC leva anos para se desenvolver e progredir.

DPOC precoce

Em pessoas com DPOC, uma leve tosse com expectoração de escarro claro se desenvolve quando a pessoa chega aos 40 ou 50 anos. A tosse e a expectoração de escarro são geralmente piores logo quando a pessoa levanta da cama pela manhã. A tosse e a expectoração de escarro podem persistir durante todo o dia.

A falta de ar pode ocorrer durante o esforço. As pessoas costumam pensar inicialmente que o envelhecimento ou estar em má condição física é a causa e tendem a diminuir sua atividade física em resposta. Às vezes, a falta de ar ocorre a princípio somente quando a pessoa tem uma infecção pulmonar (geralmente bronquite), período em que a pessoa tosse mais e tem um aumento da quantidade de escarro. A cor do escarro passa de claro ou branco para amarelo ou verde.

Progressão da DPOC

No momento em que as pessoas com DPOC chegam na faixa dos 60 anos, especialmente se continuarem fumando, a falta de ar durante o esforço se torna mais problemática.

Pneumonia e outras infecções pulmonares ocorrem com mais frequência. As infecções podem resultar em falta de ar grave, mesmo quando a pessoa está em repouso, e podem exigir hospitalização. A falta de ar durante as atividades cotidianas, como ir ao banheiro, lavar-se, vestir-se e atividade sexual, pode persistir depois que a pessoa se recuperou de uma infecção pulmonar.

Cerca de um terço das pessoas com DPOC grave apresentam perda de peso grave. A causa da perda de peso não é clara e pode variar em diferentes pessoas. As possíveis causas incluem falta de ar, que faz com que comer seja difícil e aumenta os níveis sanguíneos de uma substância denominada fator de necrose tumoral.

Pessoas com cor pulmonale desenvolvem inchaço das pernas.

Pessoas com DPOC podem tossir sangue de forma intermitente, o que geralmente é decorrente de uma inflamação dos brônquios, mas que sempre traz preocupação de câncer de pulmão.

Cefaleia matinal pode ocorrer porque a respiração diminui durante o sono, o que causa aumento da retenção de dióxido de carbono e diminuição dos níveis de oxigênio no sangue.

Conforme a DPOC progride, algumas pessoas, especialmente aquelas que têm enfisema, desenvolvem padrões respiratórios anormais. Algumas pessoas respiram através de lábios franzidos. Outras acham que é mais confortável ficar diante de uma mesa com seus braços estendidos e apoiar seu peso nas palmas das mãos ou cotovelos, uma manobra que melhora a função de alguns músculos respiratórios.

Com o tempo, muitas pessoas desenvolvem tórax em tambor, pois o tamanho dos pulmões aumenta por causa do ar aprisionado. Os baixos níveis de oxigênio no sangue podem trazer uma coloração azul para a pele (cianose). O baqueteamento dos dedosé raro e levanta a suspeita de câncer de pulmão ou outras doenças pulmonares.

Áreas frágeis nos pulmões podem se romper, permitindo que o ar escape dos pulmões para o espaço pleural, um quadro clínico denominado pneumotórax. Esse quadro clínico muitas vezes causa dor súbita e falta de ar e exige intervenção imediata de um médico para remover o ar do espaço pleural.

Crise de DPOC

Uma crise (ou exacerbação) de DPOC é um agravamento de sintomas, geralmente tosse, aumento da produção de escarro e falta de ar. A cor do escarro muitas vezes muda para amarelo ou verde; às vezes, ocorrem febre e dores no corpo. A falta de ar pode estar presente quando a pessoa está em repouso e pode ser grave o suficiente para exigir a hospitalização. Poluição intensa do ar, alérgenos comuns e infecções virais ou bacterianas podem causar crises.

Durante crises graves, as pessoas podem desenvolver um quadro clínico potencialmente de risco à vida chamado de insuficiência respiratória aguda. Entre os possíveis sintomas estão falta de ar (uma sensação comparada ao afogamento), ansiedade grave, sudorese, cianose e confusão.

Complicações da DPOC

Se os baixos níveis de oxigênio não forem tratados com oxigênio suplementar, podem ocorrer complicações. Os baixos níveis de oxigênio no sangue, se não forem tratados, estimulam a medula óssea a enviar mais glóbulos vermelhos para a corrente sanguínea, um quadro clínico conhecido como policitemia secundária (também denominada eritrocitose). Os baixos níveis de oxigênio no sangue também causam constrição dos vasos sanguíneos que levam sangue do lado direito do coração para os pulmões, aumentando assim, a pressão nestes vasos. Como resultado do aumento da pressão, denominado hipertensão pulmonar, pode ocorrer insuficiência do lado direito do coração (denominado cor pulmonale). As pessoas com DPOC também têm risco aumentado de desenvolver anormalidades no ritmo cardíaco (arritmias). As pessoas com DPOC que fumam têm um risco maior de desenvolver câncer de pulmão do que as pessoas que não têm DPOC, mas fumam a mesma quantidade. As pessoas com DPOC parecem ter um risco aumentado de desenvolver osteoporose, depressão, doença arterial coronariana, desgaste muscular (atrofia) e refluxo gastroesofágico. No entanto, não é claro se o risco é aumentado por causa da DPOC ou outros fatores.

Diagnóstico

  • Radiografias do tórax

  • Testes de função pulmonar

A bronquite crônica é diagnosticada através do histórico de tosse produtiva prolongada. Pessoas com bronquite obstrutiva crônica apresentam bronquite crônica, além de evidências de obstrução do fluxo aéreo em testes de função pulmonar (testes de função pulmonar).

O enfisema é diagnosticado com base em resultados observados durante um exame físico e nos resultados dos testes de função pulmonar. No entanto, no momento em que o médico perceber essas anormalidades, o enfisema está moderadamente grave. Os achados da radiografia ou tomografia computadorizada (TC) do tórax também podem ajudar no diagnóstico de enfisema e bronquite crônica algumas vezes. Não é importante que os médicos diferenciem entre bronquite crônica obstrutiva e enfisema e, frequentemente, a bronquite crônica e o enfisema ocorrem na mesma pessoa. O fator mais importante de como a pessoa se sente e atua é a gravidade da obstrução do fluxo de ar.

Na DPOC leve, os médicos podem não encontrar nada anormal durante o exame físico. Conforme a doença progride, os médicos podem ouvir sibilos ou notar uma diminuição nos sons normais da respiração (diminuição dos sons respiratórios) quando escutam os pulmões com um estetoscópio. Os médicos podem notar que leva muito tempo para que a pessoa expire o ar que foi inspirado (expiração prolongada). O movimento do tórax durante a respiração diminui e a pessoa pode usar os músculos do pescoço e ombros para respirar.

Na DPOC leve, a radiografia torácica geralmente é normal. Conforme a DPOC se agrava, a radiografia torácica indica que os pulmões contêm excesso de ar (superinflação dos pulmões). A superinflação, o afinamento dos vasos sanguíneos ou a presença de cistos nos pulmões (chamados vesículas) sugerem a presença de enfisema.

Testes de função pulmonar

Os médicos podem avaliar a obstrução do fluxo de ar com espirometria expiratória forçada (testes que medem o quanto e quão rapidamente o ar pode ser exalado dos pulmões — veja Teste de função pulmonar). Reduções na quantidade máxima de ar que a pessoa consegue expirar em um segundo (volume expiratório forçado em um segundo, ou VEF1) e a razão entre o VEF1 e a quantidade de ar que uma pessoa consegue forçar para fora dos pulmões depois de uma respiração o mais profunda possível (capacidade vital forçada, ou CVF) são necessárias para demonstrar obstrução ao fluxo de ar e fazer o diagnóstico.

Os médicos podem medir a quantidade de oxigênio no sangue por meio de um sensor colocado em um dedo ou uma orelha (oximetria de pulso) ou coletando uma amostra de sangue de uma artéria (Análise de gasometria arterial) ou de uma veia. Os níveis de oxigênio tendem a ser baixos em pessoas com DPOC. Níveis elevados de dióxido de carbono nas artérias ocorrem tardiamente no curso da doença.

Nas pessoas que desenvolvem DPOC quando jovens, especialmente quando há um histórico familiar de DPOC, o nível de alfa 1-antitripsina no sangue é medido para determinar se há deficiência de alfa 1-antitripsina. Também se suspeita desse distúrbio genético quando a DPOC se desenvolve em pessoas que nunca fumaram.

Outros exames

Às vezes, os médicos também testam a função cardíaca com o eletrocardiograma (ECG) ou examinam o coração com um ecocardiograma para garantir que um distúrbio cardíaco não esteja causando falta de ar.

Eles podem fazer outros exames para detectar outras doenças que poderiam estar causando os sintomas da pessoa.

Exames durante crises de DPOC

Quando as pessoas têm uma exacerbação da DPOC, os médicos usam medidas de gás no sangue para determinar a quantidade de oxigênio presente no sangue da pessoa. Os médicos também podem fazer uma radiografia do tórax para procurar evidências de infecção pulmonar. Caso suspeitem de uma infecção pulmonar, particularmente se a exacerbação for grave o suficiente para que a pessoa seja tratada no hospital, os médicos farão exames adicionais para identificar o vírus ou bactéria que está causando a exacerbação porque o tratamento depende do organismo responsável.

Tratamento

  • Parar de fumar

  • Alívio dos sintomas (por exemplo, com medicamentos)

  • Tratamento de suporte (por exemplo, reabilitação pulmonar, uma dieta nutritiva)

O tratamento mais importante para a DPOC é parar de fumar. Parar de fumar quando a obstrução do fluxo de ar é leve ou moderada, muitas vezes diminui a tosse, reduz a quantidade de escarro e retarda o desenvolvimento de falta de ar. Parar de fumar a qualquer momento durante o processo da doença fornece algum benefício. Tentar várias estratégias ao mesmo tempo tem mais chances de funcionar. Entre essas estratégias estão o compromisso com uma data específica para parar de fumar, o uso de técnicas de modificação do comportamento (por exemplo, dificultar a obtenção de cigarros e recompensar-se por se abster por períodos cada vez mais longos), aconselhamento em grupo e sessões de apoio, bem como reposição de nicotina (por exemplo, mascar chiclete de nicotina, usar um adesivo de nicotina na pele ou usar um inalador de nicotina, pastilhas de nicotina ou spray nasal de nicotina). Os medicamentos vareniclina e bupropiona também podem ajudar a diminuir o desejo de fumar. No entanto, mesmo com os métodos mais eficazes, menos da metade das pessoas que tentam conseguem parar de fumar após um ano.

As pessoas também devem tentar evitar a exposição a outras substâncias irritantes no ar, incluindo o fumo passivo e a poluição.

Contrair influenza ou pneumonia pode piorar a DPOC intensamente. Portanto, todas as pessoas com DPOC devem receber a vacinação contra influenza todos os anos. É provável que a vacinação pneumocócica, tanto com a vacina pneumocócica polissacarídica e a vacina pneumocócica conjugada, também ajude.

Como a DPOC pode causar perda de peso grave, as pessoas devem manter uma alimentação balanceada e nutritiva.

Tratamento de sintomas

O sibilo e a falta de ar são aliviados quando a obstrução ao fluxo aéreo diminui. Embora a obstrução do fluxo de ar devido a enfisema não seja reversível, os espasmos do músculo liso brônquico, a inflamação e o aumento das secreções são todos potencialmente reversíveis.

Broncodilatadores inalatórios são administrados com um dispositivo que permite ao utilizador pulverizar uma dose específica e consistente de um medicamento nas vias aéreas através da boca e da garganta (inaladores, incluindo os inaladores de doses controladas e inaladores de pó seco). Broncodilatadores inalatórios incluem

  • Medicamentos anticolinérgicos

  • Medicamentos beta-adrenérgicos

Tanto anticolinérgicos quanto beta-adrenérgicos relaxam os músculos ao redor dos bronquíolos.

Os medicamentos anticolinérgicos incluem ipratrópio, umeclidínio, aclidínio e tiotrópio. Ipratrópio é administrado aproximadamente quatro vezes por dia, aclidínio duas vezes por dia e tiotrópio e umeclidínio uma vez por dia.

Medicamentos beta-adrenérgicos de ação curta, como o albuterol, aliviam mais rapidamente a falta de ar do que os medicamentos anticolinérgicos e, por isso, podem ser mais úteis durante as crises. Salmeterol, formoterol, arformoterol, vilanterol, olodaterol e indacaterol são medicamentos beta-adrenérgicos de ação prolongada. Salmeterol, arformoterol e formoterol são administrados a cada 12 horas. Indacaterol, olodaterol e vilanterol são administrados uma vez por dia. Umeclidínio e vilanterol estão disponíveis como formulação inalatória que combina ambos os medicamentos. Olodaterol também está disponível em combinação com tiotrópio. Medicamentos beta-adrenérgicos de longa duração são úteis para alívio prolongado dos sintomas em algumas pessoas, especialmente à noite, mas eles não devem ser usados para alívio rápido dos sintomas.

Muitas pessoas podem usar inaladores de dose controlada de forma mais eficaz quando inalam o medicamento através de um dispositivo de administração chamado de espaçador (consulte Como utilizar um inalador de dose controlada). Broncodilatadores inaláveis também podem ser administrados usando-se nebulizadores. Essa modalidade de tratamento deve ser reservada às pessoas que têm doença grave ou para aquelas que não podem usar um inalador de doses controladas corretamente. Um nebulizador cria uma névoa de medicamento e o momento de sua inalação não precisa ser coordenado com a respiração. Os nebulizadores são portáteis e algumas unidades podem até mesmo ser conectadas à entrada acessória do carro.

Os corticosteroides são úteis para muitas pessoas com DPOC moderada a grave cujos sintomas não podem ser controlados por outros medicamentos ou para aquelas que têm crises frequentes, apesar do uso de outros medicamentos. Corticosteroides inaláveis não previnem o declínio da função pulmonar ao longo do tempo. No entanto, seu uso diminui os sintomas e a frequência das crises de DPOC. Como o medicamento é disponibilizado nos pulmões, as doses típicas de corticosteroides inaláveis provocam menos efeitos colaterais do que o tratamento com corticosteroides administrados por via oral. No entanto, doses elevadas de corticosteroides inaláveis podem ter efeitos por todo o corpo, como agravamento de osteoporose, particularmente em pessoas mais idosas. Os corticosteroides administrados por via oral são, em grande parte, restritos ao tratamento das crises de DPOC ou são administrados a pessoas que apresentam crises periódicas ou continuam a ter sintomas devido à obstrução do fluxo de ar e que não estão respondendo a um regime mais simples.

Inibidores de fosfodiesterase 4, como roflumilaste, reduzem a inflamação e dilatam as vias aéreas. Inibidores de fosfodiesterase 4 podem ser usados em conjunto com outros broncodilatadores para reduzir o risco de crises de DPOC. Os efeitos colaterais comuns incluem náusea, cefaleia e perda de peso, mas esses efeitos podem diminuir com o uso contínuo do medicamento.

Tomar o antibiótico azitromicina ou eritromicina por períodos prolongados pode ajudar a prevenir as crises de DPOC, particularmente em pessoas propensas a crises frequentes ou graves e que não fumam.

A teofilina é dada raramente, apenas para pessoas que não respondem a outros medicamentos. A dose deve ser cuidadosamente controlada pelo médico, e, em algumas pessoas, os níveis do medicamento no sangue devem ser medidos periodicamente. A forma de ação prolongada do medicamento permite dose única diária ou duas vezes por dia em muitas pessoas e ajuda a controlar a falta de ar durante a noite.

Os médicos costumavam administrar medicamentos (expectorantes) para ajudar a tornar as secreções menos espessas e torná-las mais fáceis de serem expectoradas. No entanto, não há evidências boas de que esses medicamentos funcionem. No entanto, evitar a desidratação pode evitar o espessamento das secreções. Uma regra de ouro é beber bastante líquido para manter a urina clara, exceto a primeira expelida pela manhã.

A oximetria de pulso é muitas vezes utilizada para monitorar sintomas. Coletar uma amostra de sangue de uma artéria ou veia e medir a quantidade de oxigênio e dióxido de carbono no sangue pode fornecer informações adicionais úteis no monitoramento da doença grave.

Tratamento de crises

As crises devem ser tratadas o mais cedo possível. Quando se suspeita de infecção bacteriana, um curso de tratamento antibiótico de sete a dez dias é receitado normalmente. Muitos médicos dão às pessoas que têm DPOC um fornecimento de um antibiótico para ser mantido à mão e tomado no início de uma crise. Uma série de antibióticos podem ser tomados por via oral, incluindo trimetoprima/sulfametoxazol, doxiciclina, amoxicilina/clavulanato e ampicilina. Muitos médicos reservam certos antibióticos, como azitromicina, claritromicina e levofloxacino, para pessoas com infecções pulmonares mais graves, pessoas em quem o tratamento com os medicamentos mais antigos não funcionou, pessoas com sintomas graves e pessoas em risco de infecção com organismos que não são suscetíveis de serem eliminados pelos medicamentos antigos (bactérias resistentes). Pessoas cujo sistema imunológico está deprimido ou aquelas que vivem em asilos são mais suscetíveis de ser infectadas com bactérias resistentes.

Pessoas com crises graves necessitam hospitalização e tratamento com medicamentos beta-adrenérgicos de ação curta e ipratrópio, corticosteroides administrados por via oral ou intravenosa, bem como oxigênio. Elas podem necessitar de máquinas para auxiliar a respiração (ventilação mecânica) e, algumas vezes, a colocação de um tubo endotraqueal (para respiração).

Algumas pessoas com doença grave ou crises frequentes se beneficiam de tomar antibióticos em longo prazo. Os antibióticos administrados comumente incluem azitromicina, claritromicina ou eritromicina. No entanto, o uso de antibióticos em longo prazo pode não ser possível ou recomendado por causa dos efeitos colaterais incômodos ou porque o uso prolongado pode tornar as bactérias resistentes aos efeitos do antibiótico.

Oxigenoterapia

Algumas pessoas com DPOC precisam receber oxigênio extra para manterem um nível de oxigênio suficiente no sangue. Algumas pessoas precisam de oxigenoterapia por apenas um curto período de tempo, por exemplo, quando são liberadas de um hospital depois de uma crise de DPOC. A oxigenoterapia de longa duração prolonga a vida das pessoas que têm DPOC avançada e níveis de oxigênio no sangue gravemente reduzidos. Embora a terapia em tempo integral seja melhor, o uso de oxigênio 12 horas por dia também tem alguns benefícios. Essa terapia reduz o excesso de hemácias causado por níveis baixos de oxigênio no sangue e ajuda a aliviar a cor pulmonale causada pela DPOC. A oxigenoterapia também pode diminuir a falta de ar durante o exercício.

Diferentes dispositivos estão disponíveis para oxigenoterapia. Concentradores de oxigênio acionados eletricamente são usados quando há tomadas elétricas disponíveis. Oxigênio comprimido está disponível em pequenos tanques que permitem que as pessoas saiam de suas casas por duas a seis horas. Sistemas de oxigênio líquidos são mais caros, mas são preferíveis para pessoas ativas, pois permitem várias horas de distância do reservatório fonte. Concentradores de oxigênio portáteis acionados por bateria são uma outra opção e podem ser usados durante viagens em aviões comerciais. As pessoas nunca devem usar oxigenoterapia perto de chamas ou ao fumar.

Reabilitação pulmonar

A reabilitação pulmonar pode ajudar as pessoas que têm DPOC, mas não melhora a função pulmonar. Programas abrangem educação sobre a doença, exercícios e aconselhamento nutricional e psicossocial. Esses programas podem melhorar a independência e a qualidade de vida, diminuir a frequência e a duração das estadias hospitalares e melhorar a capacidade de exercício. Programas de exercícios podem ser realizados em uma instalação de tratamento ambulatorial ou em casa. Andar a pé (às vezes em uma esteira) é uma medida utilizada normalmente para exercitar as pernas. Às vezes, também são utilizadas medidas como andar de bicicleta ergométrica e subir escadas. Musculação é utilizada para os braços. Muitas vezes, é recomendado oxigênio durante o exercício. Como acontece com qualquer programa de exercícios, os ganhos de condicionamento são rapidamente perdidos se a pessoa para de se exercitar. Técnicas especiais são ensinadas para diminuir a falta de ar durante as atividades, como cozinhar, fazer passatempos e atividade sexual.

Outros tratamentos

Antitussígenos de venda livre geralmente não ajudam e não são recomendados.

Algumas vezes, são usados opioides para aliviar acessos de tosse graves ou dor, mas estes devem ser evitados sempre que possível, pois podem causar sonolência e constipação, suprimir a tosse (o que pode causar infecção ou agravá-la) e, se usados regularmente, podem causar dependência ou vício.

Para as pessoas com grave deficiência de alfa-1-antitripsina, a proteína faltante pode ser substituída. O tratamento requer infusões intravenosas semanais da proteína.

A cirurgia de redução do volume pulmonar pode ser realizada em pessoas com enfisema grave nas porções superiores dos seus pulmões. O objetivo é melhorar a capacidade de praticar exercícios e a qualidade de vida. Nessa cirurgia, as partes dos pulmões mais afetadas são removidas, permitindo, assim, que as partes restantes dos pulmões e do diafragma funcionem melhor. A melhora dura, pelo menos, vários anos. As pessoas são obrigadas a parar de fumar por pelo menos seis meses antes da cirurgia. Elas devem ser submetidas a um intenso programa de reabilitação para determinar se a função total pode ser significativamente melhorada sem cirurgia antes de a realizarem, pois esta acarreta um risco de morte de cerca de 5%.

Válvulas podem ser colocadas dentro de partes das vias aéreas para bloquear estas partes (chamada válvulas endobrônquicas). Fazer isso pode ajudar um pequeno número de pessoas com DPOC. Para implantar essas válvulas, o médico utiliza um tubo de visualização flexível.

O transplante pulmonar de um ou ambos pulmões pode ser utilizado em certas pessoas que, normalmente, têm menos de 65 anos e têm obstrução do fluxo aéreo grave. O objetivo do transplante do pulmão é melhorar a qualidade de vida, pois o tempo de sobrevida não é necessariamente aumentado. É necessária imunossupressão ao longo da vida, o que põe as pessoas em risco de infecções.

Prognóstico e questões sobre o fim da vida

A própria DPOC geralmente não causa a morte ou sintomas graves se a pessoa parar de fumar em uma época em que o fluxo de ar está apenas levemente obstruído. Continuar a fumar, no entanto, praticamente garante que os sintomas piorarão. Com obstrução moderada e grave, o prognóstico torna-se progressivamente pior.

Pessoas em estágios avançados de DPOC tendem a necessitar de ajuda considerável com assistência médica e atividades cotidianas. Elas podem, por exemplo, organizar-se para viver em um único andar de sua casa, comer várias pequenas refeições todos os dias ao invés de uma grande refeição e evitar o uso de sapatos que devem ser amarrados.

A morte pode resultar de insuficiência respiratória, câncer de pulmão, doenças do coração (por exemplo, insuficiência cardíaca ou arritmias), pneumonia, pneumotórax ou bloqueio das artérias que irrigam os pulmões (embolia pulmonar).

As pessoas com doença em estágio terminal que desenvolvem crises podem precisar de um tubo para respiração e ventilação mecânica. A duração da ventilação mecânica pode ser prolongada e algumas pessoas permanecem dependentes de ventilador até a morte. É importante para as pessoas discutirem com seus médicos e entes queridos se desejam ou não esse tipo de terapia de suporte e fazê-la antes que ocorra uma crise.

Uma alternativa a essa terapia de suporte é um tratamento que visa o conforto (e não a prolongar a vida). A melhor maneira de garantir que os desejos da pessoa em relação à ventilação mecânica prolongada sejam respeitados é preparar instruções prévias e nomear um intermediário para os cuidados com a saúde.

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