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Precauções e reações adversas durante transfusões de sangue

Por

Ravindra Sarode

, MD, The University of Texas Southwestern Medical Center

Última revisão/alteração completa fev 2020| Última modificação do conteúdo fev 2020
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As transfusões são administradas para aumentar a capacidade do sangue de transportar oxigênio, restaurar a quantidade de sangue no corpo (volume sanguíneo) e corrigir problemas de coagulação. Transfusões são geralmente seguras, mas às vezes as pessoas têm reações adversas.

Para minimizar o risco de reações adversas durante uma transfusão, os profissionais de saúde tomam muitas precauções. Antes de iniciar a transfusão, geralmente poucas horas ou até mesmo alguns dias antes, faz-se a análise da compatibilidade do sangue da pessoa com o sangue do doador (isso não é feito para transfusões de plasma ou plaquetas).

Depois de fazer uma dupla verificação das etiquetas das bolsas de sangue que serão administradas para garantir que as unidades se destinam àquele receptor, o profissional de saúde administra o sangue ao receptor lentamente, em geral no período de uma a quatro horas para cada unidade de sangue. Como a maioria das reações adversas ocorre durante os primeiros quinze minutos da transfusão, o receptor é observado cuidadosamente no início do procedimento. Depois desse período, uma enfermeira observa o receptor periodicamente e deve suspender a transfusão caso ocorra uma reação adversa.

A maioria das transfusões é segura e bem-sucedida. No entanto, reações leves ocorrem ocasionalmente e, raramente, podem ocorrer reações graves e até fatais.

As reações mais comuns que ocorrem em 1 a 2% das transfusões são

  • Febre

  • Reações alérgicas

As reações mais graves são

  • Sobrecarga hídrica

  • Lesões pulmonares

  • Destruição dos glóbulos vermelhos devido à incompatibilidade entre os tipos sanguíneos do doador e do receptor

As reações raras incluem

  • Doença do enxerto contra o hospedeiro (na qual as células transfundidas atacam as células da pessoa que está recebendo a transfusão)

  • Infecções

  • Complicações da transfusão maciça (baixa coagulação do sangue, baixa temperatura corporal e níveis reduzidos de cálcio e potássio)

Febre

A febre pode ser causada por uma reação aos glóbulos brancos transfundidos ou às substâncias químicas (citocinas) liberadas pelos glóbulos brancos transfundidos. Por essa razão, a maioria dos hospitais dos Estados Unidos remove os glóbulos brancos do sangue transfundido após sua coleta.

Além de uma elevação da temperatura, a pessoa apresenta calafrios e ocasionalmente cefaleia e dor nas costas. Às vezes, a pessoa também apresenta sintomas de reação alérgica, tais como coceira ou erupções cutâneas.

Em geral, paracetamol para reduzir a febre é o único tratamento necessário. Pessoas que apresentaram febre e precisam de outra transfusão podem receber paracetamol antes da próxima transfusão.

Reações alérgicas

Os sintomas de reação alérgica incluem coceira, erupções cutâneas disseminadas, inchaço, tontura e cefaleia. Os sintomas menos comuns são dificuldades para respirar, sibilos e obstrução das vias respiratórias. Em raras ocasiões, uma reação alérgica é suficientemente grave para causar hipotensão arterial e choque.

Em caso de reação alérgica, a transfusão é interrompida e a pessoa recebe um anti-histamínico. As reações alérgicas mais graves podem ser tratadas com hidrocortisona ou até mesmo epinefrina.

Há tratamentos disponíveis que permitem administrar transfusões a pessoas que anteriormente apresentaram reações alérgicas. As pessoas que apresentam reações alérgicas repetidas a sangue doado podem precisar receber glóbulos vermelhos lavados. A lavagem dos glóbulos vermelhos remove os componentes do sangue do doador que podem causar reações alérgicas. Uma vez que os glóbulos brancos e as plaquetas são filtrados do sangue doado antes de ele ser armazenado (um processo chamado redução de leucócitos), hoje em dia as reações alérgicas são menos comuns.

Sobrecarga hídrica

Os receptores de transfusões podem acabar recebendo mais líquido do que seu corpo pode processar com facilidade. O excesso de líquido pode causar inchaço por todo o corpo ou dificuldades para respirar. Essa complicação é a causa mais comum de mortes relacionadas à transfusão. Os receptores com doenças cardíacas são os mais vulneráveis. Por esse motivo, as transfusões deles são administradas mais lentamente e eles são cuidadosamente monitorados. As pessoas que recebem líquidos demais recebem um medicamento para ajudar o corpo a eliminar o líquido (um diurético).

Lesões pulmonares

Outra reação muito rara, chamada lesão pulmonar aguda relacionada a transfusão (TRALI), é causada por anticorpos no plasma do doador. Essa reação pode causar sérias dificuldades respiratórias. Essa complicação é a segunda causa mais comum de mortes relacionadas à transfusão. Ela ocorre em 1 em cada 5.000 a 1 em cada 10.000 casos, mas muitos casos são leves e, assim, podem não ser diagnosticados. A maioria das pessoas com lesões pulmonares de leves a moderadas recebe oxigênio e outros tratamentos que objetivam apoiar a respiração até os pulmões sararem. Usar plasma doado por homens reduz o risco de ocorrência dessa reação.

Destruição de glóbulos vermelhos

A despeito da tipagem e da prova cruzada cuidadosas do sangue, ainda podem ocorrer incompatibilidades devido a sutis diferenças entre o sangue do doador e o do receptor (e, muito raramente, erros). Quando tais incompatibilidades ocorrem, o corpo do receptor destrói os glóbulos vermelhos transfundidos (uma reação hemolítica) logo após a transfusão.

Essa reação normalmente começa com uma sensação de desconforto geral ou ansiedade durante ou imediatamente após a transfusão. Ocasionalmente, ocorrem dificuldade respiratória, pressão torácica, rubor e dor intensa nas costas. Às vezes, a pessoa apresenta pele fria e úmida e pressão arterial baixa (choque). Muito raramente, a pessoa pode morrer.

Assim que o médico suspeita de uma reação hemolítica, ele interrompe a transfusão. Os médicos proporcionam tratamento de suporte para manter a respiração e a pressão arterial da pessoa. Os médicos fazem exames de sangue e de urina para confirmar que os glóbulos vermelhos estão sendo destruídos.

Às vezes, a reação hemolítica é retardada e ocorre em até um mês após a transfusão. Tais reações são normalmente leves e podem ser notadas somente quando são realizados exames de sangue para monitorar a recuperação da pessoa do distúrbio que exigiu a transfusão. Essas reações ocorrem devido à presença de um antígeno no sangue do doador que não é comum nos grupos sanguíneos e não é pesquisado rotineiramente.

Doença do enxerto contra o hospedeiro

A doença do enxerto contra o hospedeiro é uma complicação incomum que afeta principalmente as pessoas cujo sistema imunológico está debilitado por medicamentos ou doenças. Nessa doença, glóbulos brancos doados (o enxerto) atacam os tecidos do receptor (hospedeiro). Os sintomas incluem febre, erupções cutâneas, pressão arterial baixa, menos células sanguíneas do que o normal (baixas contagens de células sanguíneas), destruição do tecido e choque. Essas reações podem ser fatais. Contudo, a doença do enxerto contra o hospedeiro pode ser eliminada dando-se às pessoas com sistema imunológico debilitado glóbulos vermelhos e plaquetas tratadas com radiação.

Infecções

A despeito da cuidadosa testagem e do cuidadoso armazenamento dos produtos do sangue, são ocasionalmente transferidos organismos infecciosos durante transfusões. A testagem do sangue e a avaliação cuidadosa dos doadores mantêm a transmissão de organismos infecciosos baixa. Às vezes, porém, a testagem não detecta organismos no sangue de doadores infectados muito recentemente ou infectados por um organismo para o qual não existem testes.

Complicações da transfusão maciça

Transfusões maciças são transfusões de volumes de sangue iguais ao volume total de sangue da pessoa (cerca de dez unidades em um adulto médio) em um período de 24 horas ou menos. Tais transfusões são às vezes necessárias após uma lesão grave ou durante certos procedimentos cirúrgicos. As principais complicações de uma transfusão maciça são baixa coagulação do sangue (coagulopatia) e baixa temperatura corporal (hipotermia).

A coagulação sanguínea é prejudicada porque o sangue transfundido não contém o suficiente das substâncias (fatores de coagulação e plaquetas) que ajudam na coagulação. Assim, se os médicos acharem que as pessoas provavelmente precisarão de um grande volume de sangue transfundido, também são transfundidas plaquetas e plasma fresco congelado. O plasma fresco congelado contém fatores de coagulação.

Às vezes, a transfusão maciça pode causar hipocalcemia (nível de cálcio reduzido no sangue) e/ou hipocalemia (nível de potássio reduzido no sangue). Níveis de cálcio muito reduzidos podem causar sintomas como espasmos musculares (tetania) e arritmias cardíacas. Níveis de potássio muito reduzidos podem causar fraqueza muscular e arritmias cardíacas.

Uma vez que o sangue é refrigerado enquanto armazenado, a transfusão de muitas unidades de sangue resulta em uma baixa temperatura corporal. Para prevenir uma baixa temperatura corporal devido a uma transfusão maciça, os médicos usam um dispositivo especial que aquece levemente o sangue à medida que ele passa pela tubagem intravenosa.

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