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Manejo da perda auditiva

Por

Lawrence R. Lustig

, MD, Columbia University Medical Center and New York Presbyterian Hospital

Última revisão/alteração completa mar 2019| Última modificação do conteúdo mar 2019
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A maioria das causas de perda de audição não tem cura. Nesses casos, o tratamento consiste em compensar a perda de audição, na medida do possível. A maioria das pessoas que apresentam uma perda de audição moderada a grave usa aparelhos auditivos. No caso daquelas que apresentam perda de audição grave a profunda, um implante coclear revela-se de grande ajuda.

Aparelhos auditivos

A amplificação sonora através de um aparelho auditivo auxilia as pessoas que têm perda auditiva condutiva ou neurossensorial. Infelizmente, um aparelho auditivo não restitui a audição normal. Um aparelho auditivo deve, contudo, melhorar significativamente a capacidade de uma pessoa para se comunicar e desfrutar dos sons.

Muitas pessoas relutam em usar aparelhos auditivos devido ao custo, problemas com conforto e, em alguns casos, devido ao estigma social. Os médicos devem discutir esses problemas e encorajar as pessoas a se consultarem com um audiólogo para avaliar a variedade de aparelhos auditivos de diferentes formatos disponíveis. Alguns idosos e os que têm artrite ou problemas neurológicos acham difícil manipular os aparelhos auditivos menores e devem pensar em usar dispositivos ligeiramente maiores.

Aparelhos auditivos: Amplificando o som

O aparelho auditivo que se coloca atrás da orelha é o mais potente, mas também o menos atraente. O aparelho auditivo que se coloca dentro do ouvido é a melhor escolha em casos de perda grave da audição. É fácil de ajustar, mas o seu uso torna-se incômodo quando se fala ao telefone. O aparelho auditivo dentro do canal auditivo é utilizado em casos de perda leve a moderada da audição. Esse aparelho é bastante discreto, mas seu uso também é difícil para falar ao telefone. O aparelho auditivo que se coloca totalmente dentro do canal auditivo é utilizado em casos de perda leve a moderada da audição. Esse aparelho tem boa qualidade de som, é quase invisível, e pode ser usado facilmente para falar ao telefone. É removido puxando-se por um pequeno fio. Contudo, é o mais dispendioso e algumas pessoas podem ter dificuldade em se adaptar.

Aparelhos auditivos: Amplificando o som

Todos os aparelhos auditivos possuem um microfone para captar sons, um amplificador alimentado por pilhas para aumentar seu volume e meios para transmitir o som à pessoa. A maioria dos aparelhos auditivos transmite os sons através de um pequeno autofalante colocado no canal auditivo. Outros aparelhos auditivos requerem implante cirúrgico, transmitem os sons diretamente aos ossos do ouvido médio (ossículos) ou do crânio, em vez de o fazerem através de um autofalante.

Os aparelhos auditivos diferem de acordo com o tamanho dos seus componentes e com a sua colocação. Como regra geral, os aparelhos auditivos com saída de som de qualidade melhor podem ser mais notados, mas são mais fáceis de ajustar e oferecem vantagens de audição. Os aparelhos auditivos maiores podem facilmente acomodar recursos adicionais de audição assistida que não estão disponíveis nos pequenos.

Os aparelhos auditivos possuem características eletrônicas distintas que são escolhidas para se adaptarem ao tipo de deficiência auditiva de cada pessoa. Por exemplo, as pessoas cuja perda de audição afeta principalmente as frequências mais altas (agudas), não se beneficiam de uma simples amplificação do som, pois isto faz simplesmente com que a fala, que eles ouvem murmurada, soe mais alta. Os aparelhos auditivos que amplificam de forma seletiva as altas frequências aumentam consideravelmente o reconhecimento da fala. Outras próteses auditivas possuem perfurações no molde auricular, facilitando a passagem das ondas sonoras de alta frequência para o ouvido. Muitos aparelhos auditivos utilizam processadores digitais de som, com canais multifrequência, para que a amplificação do som possa atender, com precisão cada vez maior, a deficiência auditiva da pessoa. No caso das pessoas que não conseguem tolerar os sons altos, elas podem necessitar de aparelhos auditivos com circuitos eletrônicos especiais, que mantenham o volume do som num nível tolerável.

Falar ao telefone pode ser difícil para as pessoas que utilizam aparelhos auditivos. Com os aparelhos auditivos típicos, produz-se um apito quando se coloca o ouvido perto do telefone. Alguns aparelhos auditivos têm uma bobina telefônica. Clicando num botão, o microfone é desligado e uma bobina telefônica conecta-se eletromagneticamente ao magneto do telefone. Sempre que a prótese auditiva possuir as características adequadas, esse sistema pode ser instalado pela companhia telefônica com alterações simples no transmissor do telefone. As próteses auditivas com características complexas tendem a ser mais dispendiosas, mas são geralmente essenciais para satisfazer as necessidades de audição.

Implantes cocleares

A maioria das pessoas com surdez profunda que não conseguem ouvir sons ou entender palavras, mesmo usando um aparelho auditivo, pode se beneficiar de um implante coclear. Os implantes cocleares transmitem sinais elétricos diretamente ao nervo coclear, através de vários eletrodos inseridos na cóclea, que é a estrutura do ouvido interno que contém o nervo coclear. É necessário um implante coclear quando as pessoas com deficiência auditiva só entendem metade das palavras das frases. Um microfone externo e um processador captam os sinais sonoros e os convertem em impulsos elétricos. Esses impulsos são transmitidos eletromagneticamente por meio de uma bobina externa, através da pele até uma bobina interna, que está conectada aos eletrodos. Estes, por sua vez, estimulam o nervo coclear.

Um implante coclear não transmite sons tão bem quanto uma cóclea normal, mas fornece um benefício substancial aos deficientes auditivos. Ajuda as pessoas a fazerem leitura labial. Muitas pessoas que têm implantes podem distinguir as palavras sem fazer a leitura labial e também conseguem falar ao telefone.

Um implante coclear também ajuda as pessoas a ouvir e distinguir os sinais do ambiente e de advertência, como campainhas, telefones e alarmes. Ele as ajuda a modular suas próprias vozes, para que sua fala possa ser mais facilmente compreendida pelas outras pessoas. Um implante coclear é mais eficaz numa pessoa cuja perda de audição seja recente, ou que tenha utilizado, com êxito, um aparelho auditivo antes do implante.

Implantes no tronco cerebral

Pessoas cujos nervos auditivos foram destruídos, por exemplo, por fraturas na base do crânio (osso temporal) que ocorreram bilateralmente, ou por neurofibromatose, e crianças que nasceram sem um nervo auditivo não irão se beneficiar do uso de aparelhos auditivos ou implantes cocleares. Contudo, eles podem ter alguma audição restaurada por eletrodos implantados na parte do cérebro responsável pela audição (tronco cerebral). Os eletrodos são conectados a equipamentos detectores e processadores dos sons, semelhantes aos usados nos implantes cocleares.

Outros meios de lidar com a deficiência auditiva

Estão disponíveis vários tipos de dispositivos auxiliares para as pessoas que apresentam deficiência auditiva significativa, incluindo

  • Sistemas de alerta luminosos que permitem a essas pessoas saberem quando alguém está tocando a campainha da porta ou quando um bebê está chorando.

  • Sistemas sonoros especiais que ajudam as pessoas a ouvirem em teatros, igrejas, ou outros lugares onde os ruídos se sobrepõem.

  • Muitos programas de televisão legendados, com os diálogos mostrados sob a forma de texto.

  • Dispositivos de comunicação por telefone que fornecem uma versão escrita da conversa.

A leitura dos lábios (leitura labial) é uma habilidade importante das pessoas que apresentam audição diminuída. É particularmente importante para as pessoas que conseguem ouvir, mas que têm problemas para distinguir sons, normalmente as que têm perda auditiva relacionada à idade. Observar a posição dos lábios do interlocutor permite à pessoa reconhecer qual a consoante que está sendo pronunciada. Uma vez que as pessoas que apresentam perda de audição que afeta as altas frequências são incapazes de compreender os sons das consoantes, a leitura labial pode melhorar de forma significativa a compreensão da linguagem.

A leitura labial e outras estratégias para lidar com a perda auditiva são, algumas vezes, ensinadas por profissionais da área de otorrinolaringologia num programa chamado reabilitação auricular. Além do treinamento em leitura labial, as pessoas são ensinadas a adquirir controle sobre o ambiente de escuta, aprendendo a antecipar situações de dificuldade de comunicação e modificando-as, ou evitando-as. Por exemplo, no início de uma conversação telefônica, as pessoas podem se identificar como portadoras de deficiência auditiva. Em conversas diretas, a pessoa pode pedir ao interlocutor que olhe para ela. Pessoas com perda auditiva comendo em um restaurante podem querer

  • Ir ao restaurante fora dos momentos de pico, quando é mais silencioso.

  • Pedir um reservado, que bloqueia alguns sons extrínsecos.

  • Pedir que as promoções do dia sejam escritas, ao invés de faladas.

As pessoas que apresentam perda de audição profunda costumam se comunicar usando a linguagem de sinais. A Linguagem de Sinais Americana (ASL) é a versão mais amplamente usada nos Estados Unidos. Outras formas de linguagem de sinais incluem o Inglês Sinalizado (Signed English), o Inglês Sinalizado Exato (Signing Exact English) e a Palavra Complementada (Cued Speech). [E, naturalmente, a Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS)]. A estimativa é que, no mundo, existam mais de 300 linguagens de sinal exclusivas, com diferentes países, culturas e vilarejos tendo sua forma exclusiva de linguagem de sinais.

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