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Intolerância à lactose

Por

Atenodoro R. Ruiz, Jr.

, MD, The Medical City, Pasig City, Philippines

Última revisão/alteração completa out 2019| Última modificação do conteúdo out 2019
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Fatos rápidos

A intolerância à lactose é a incapacidade de digerir o açúcar lactose devido a uma deficiência da enzima digestiva lactase, provocando diarreia e cólicas abdominais.

  • A intolerância à lactose é causada pela falta da enzima lactase.

  • Os sintomas em crianças incluem diarreia e baixo ganho de peso, enquanto os sintomas em adultos incluem distensão abdominal e cólicas, diarreia, flatulência e náusea.

  • O diagnóstico é baseado no reconhecimento de que os sintomas ocorrem após uma pessoa consumir laticínios e pode ser confirmado pelo exame respiratório do hidrogênio expirado.

  • O tratamento envolve tomar suplementos da enzima lactase e evitar lactose, presente particularmente em laticínios.

A lactose, o açúcar predominante presente no leite e laticínios, é decomposta pela enzima lactase, produzida por células do revestimento interno do intestino delgado. A lactase decompõe a lactose, um açúcar complexo, em seus dois compostos: glicose e galactose. Posteriormente, esses açúcares simples são absorvidos pela parede intestinal e entram na corrente sanguínea. Sem lactase, a lactose não pode ser digerida nem absorvida. A elevada concentração de lactose resultante drena líquido para o intestino delgado, provocando diarreia líquida. Em seguida, a lactose chega ao intestino grosso, onde é fermentada por bactérias, produzindo gases que causam flatulência, distensão e cólicas abdominais.

A alergia a leite de vaca é diferente da intolerância à lactose. Em comparação à intolerância à lactose, a pessoa com alergia a leite de vaca consegue digerir leite adequadamente, mas as proteínas do leite acionam uma resposta do sistema imunológico (consulte Considerações gerais sobre reações alérgicas). A alergia a leite de vaca normalmente afeta crianças.

Você sabia que...

  • Exceto para pessoas de origem norte-europeia, a maioria dos adultos saudáveis não consegue digerir quantidades significativas de lactose e, assim, eles são normalmente “intolerantes à lactose”.

Causas

Os níveis de lactase são altos em bebês, o que permite que digiram o leite. Porém, na maioria dos grupos étnicos (80% dos negros e hispânicos, mais de 90% dos asiáticos), os níveis de lactase diminuem após o fim do período de amamentação. Esses níveis reduzidos significam que crianças mais velhas e adultos nesses grupos étnicos são incapazes de digerir muita lactose. Porém, 80% a 85% de brancos de origem norte-europeia produzem lactase por toda a vida e conseguem digerir leite e laticínios na idade adulta. Portanto, considerando a composição étnica da população dos Estados Unidos, é provável que entre 30 milhões e 50 milhões de pessoas sejam intolerantes à lactose no país. É interessante notar que essa “intolerância” é, na verdade, o estado normal para mais de 75% da população mundial.

A intolerância à lactose temporária pode se desenvolver quando um distúrbio, como uma infecção intestinal (consulte Considerações gerais sobre a gastroenterite), danifica o revestimento do intestino delgado. Assim que a pessoa se recupera desses distúrbios, ela consegue digerir lactose novamente.

Também podem ocorrer intolerâncias a outros açúcares, mas são relativamente raras. Por exemplo, a falta da enzima sucrase impede que o açúcar sacarose seja absorvido e transportado para a corrente sanguínea, assim como a falta das enzimas maltase e isomaltase impede que o açúcar maltose seja absorvido e transportado para a corrente sanguínea.

Sintomas

A pessoa com intolerância à lactose geralmente não consegue tolerar leite ou laticínios, já que esses produtos contêm lactose. Os adultos normalmente desenvolvem sintomas apenas após consumirem mais de 250 a 375 mililitros de leite. Algumas pessoas identificam precocemente que leite e laticínios causam problemas gastrointestinais e, consciente ou inconscientemente, evitam tais alimentos.

Uma criança que não tolera lactose tem diarreia e pode não ganhar peso enquanto o leite fizer parte de sua alimentação.

Um adulto pode ter distensão e cólicas abdominais, diarreia líquida, flatulência, náusea, ruídos intestinais tipo bolhas ou roncos (borborigmo) e necessidade urgente de defecar entre trinta minutos e duas horas depois de ingerir alimentos contendo lactose. Em determinadas pessoas, a diarreia intensa pode impedir a absorção adequada dos nutrientes, pois eles são eliminados do corpo com muita rapidez. No entanto, os sintomas que resultam da intolerância à lactose tendem a ser leves. Por outro lado, os sintomas que resultam de má absorção em quadros clínicos como a doença celíaca, o espru tropical e infecções do intestino são mais graves.

Alergia a leite de vaca

Crianças com alergia a leite de vaca também desenvolvem sintomas depois de consumirem leite ou laticínios. Entretanto, esses sintomas se assemelham a outras reações alérgicas, como coceira, eritema e/ou sibilos. Às vezes, as crianças têm sintomas no trato digestivo, como vômito, dor abdominal e, raramente, diarreia.

A alergia a leite de vaca é rara em adultos e pode causar vômito e sintomas de refluxo esofágico.

Diagnóstico

  • Avaliação médica dos sintomas que ocorrem após o consumo de lactose

  • Às vezes, exame respiratório do hidrogênio expirado

O médico suspeita de intolerância à lactose quando a pessoa apresenta sintomas depois de consumir laticínios. O diagnóstico confirma-se em um período de três a quatro semanas se os sintomas desaparecerem com uma dieta sem laticínios e se os sintomas retornarem posteriormente quando a pessoa consumir laticínios.

Exames específicos raramente são necessários, mas, em algumas pessoas, o médico confirma o diagnóstico por meio de um exame respiratório do hidrogênio expirado. Nesse exame de quatro horas, a pessoa consome uma quantidade pequena e calculada de lactose. O médico mede a quantidade de gás hidrogênio na respiração da pessoa antes e depois que ela consumiu lactose, em intervalos de uma hora. O hidrogênio é medido porque as bactérias intestinais produzem hidrogênio ao digerir a lactose não absorvida. Se a quantidade de hidrogênio na respiração apresentar um aumento significativo após a pessoa ter consumido lactose, então ela é intolerante à lactose.

O exame de tolerância à lactose é um tipo de exame alternativo menos sensível, raramente realizado nos dias de hoje. Depois que a pessoa tiver consumido uma quantidade calculada de lactose, o médico monitora seus sintomas e mede seus níveis de açúcar (glicose) no sangue várias vezes. A pessoa que consegue digerir lactose não desenvolve sintomas e seu nível de açúcar no sangue sobe. A pessoa que não consegue digerir lactose desenvolve diarreia, distensão abdominal e desconforto em 20 a 30 minutos e seu nível de açúcar no sangue não aumenta.

Tratamento

  • Evitar consumo de lactose

  • Tomar suplemento de lactase

A intolerância à lactose pode ser controlada através de dieta, evitando-se os alimentos que contenham lactose, sobretudo laticínios. O iogurte geralmente é tolerado, pois contém lactase naturalmente, produzida por lactobacilos. O queijo contém quantidades menores de lactose que o leite e, normalmente, é tolerado, dependendo da quantidade ingerida. Em diversos supermercados, é possível encontrar leite e outros produtos com lactose reduzida.

A pessoa que precisa evitar os laticínios deve tomar suplementos de cálcio para prevenir sua deficiência. Suplementos da enzima lactase são vendidos sem receita e podem ser tomados quando forem ingeridos produtos que contêm lactose.

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