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Considerações gerais sobre suplementos alimentares

Por

Laura Shane-McWhorter

, PharmD, University of Utah College of Pharmacy

Última revisão/alteração completa fev 2019| Última modificação do conteúdo fev 2019
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A medicina complementar ou alternativa (MCA) inclui abordagens e terapias de cura que historicamente não foram incluídas na medicina ocidental convencional generalizada. A MCA mais comum consiste na utilização de suplementos alimentares, que incluem ervas medicinais e produtos nutracêuticos. Como o uso de suplementos alimentares é disseminado, o governo dos Estados Unidos aprovou a Lei de educação e saúde para suplementos alimentares (Dietary Supplement Health and Education Act, DSHEA) em 1994. Essa lei define um suplemento alimentar como qualquer produto (além do tabaco) que contém uma vitamina, um mineral, uma erva ou outro produto vegetal, um aminoácido e que tem como uso pretendido o suplemento da dieta normal. Determinados hormônios, como a desidroepiandrosterona (DHEA) e a melatonina, também são considerados suplementos alimentares.

A lei exige que o rótulo de um suplemento alimentar o identifique como suplemento alimentar. Além disso, o rótulo precisa declarar que as propriedades do suplemento alimentar não foram avaliadas pela Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos dos EUA (Food and Drug Administration, FDA). O rótulo também precisa incluir uma lista de todos os ingredientes, indicando o nome, a quantidade e o peso total e precisa identificar quais partes da planta deram origem a cada ingrediente. Os fabricantes têm autorização para fazer declarações sobre a estrutura e a função do produto (por exemplo, ser bom para a saúde do trato urinário), mas eles não podem declarar nem insinuar que o produto é um medicamento ou um tipo de terapia (por exemplo, tratar infecções do trato urinário). Muitas vezes, a data de vencimento é incluída nos rótulos padronizados de produtos.

A maioria dos suplementos alimentares usados na medicina alternativa deriva de plantas e outros provêm de animais. Devido a esses suplementos alimentares serem naturais, algumas pessoas pressupõem que eles são seguros de se usar. No entanto, uma substância não é necessariamente segura só porque é natural. Por exemplo, existem muitos venenos fortes, como a cicuta, que são derivados de plantas, e outros, como o veneno de cobra, que são de origem animal. Além disso, quase todas as substâncias que afetam o organismo, independentemente de serem suplementos alimentares ou medicamentos aprovados para uso médico pela FDA, podem causar efeitos colaterais indesejáveis.

Segurança e eficácia

Uma vez que os suplementos alimentares não são considerados medicamentos para fins de regulamentação pela Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos dos EUA (Food and Drug Administration, FDA), os fabricantes de suplementos não precisam comprovar que eles são seguros e eficazes (embora eles precisem contar com um histórico de segurança). Consequentemente, são poucos os suplementos que foram rigorosamente estudados quanto à segurança e à eficácia. Além disso, como só há pouco tempo se reconheceu a necessidade de avaliar os suplementos nos seres humanos, muitas das informações disponíveis não foram coletadas de forma sistêmica ou científica e, portanto, são difíceis de avaliar. Atualmente, os fabricantes são obrigados a relatar eventos adversos sérios à FDA através do sistema MedWatch da FDA. No entanto, alguns suplementos (por exemplo, óleo de peixe, condroitina, glucosamina, erva-de-são-joão) já comprovaram ser acréscimos seguros e úteis para medicamentos padrão.

Você sabia que...

  • Os fabricantes não são obrigados a comprovar que os suplementos alimentares são seguros e eficazes.

Em comparação, os medicamentos sob receita e os medicamentos sem receita (de venda livre) têm sido estudados e analisados de forma ampla e sistêmica pelos pesquisadores com relação à segurança e à eficácia pela FDA. Esses estudos incluem aqueles realizados em animais para detectar o surgimento do câncer e de lesão de órgãos e estudos realizados em humanos para detectar eventuais sinais de toxicidade.

A quantidade e a qualidade da evidência que respalda a eficácia dos suplementos são muito variáveis. Para alguns suplementos, a evidência que suporta sua eficácia é convincente. No entanto, para a maioria, o desenho dos estudos científicos ainda não foi suficientemente bem estabelecido para fornecer respostas claras e confiáveis. Em relação a outros suplementos, a única evidência que sugere a sua eficácia baseia-se em relatórios sobre indivíduos ou estudos realizados em animais.

Evidência em relação à segurança e à eficácia dos suplementos alimentares vem aumentando rapidamente, conforme um número cada vez maior de estudos clínicos está sendo realizado. Informações sobre os estudos mencionados são disponibilizadas pelo Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa (National Center for Complementary and Integrative Health, NCCIH) dos Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health, NIH).

Pureza e padronização

Outras áreas de interesse são a pureza e a padronização dos suplementos. Os suplementos, ao contrário dos medicamentos, não são regulamentados para garantir que sejam puros ou que contenham os ingredientes ou a quantidade do princípio ativo que alegam conter. Assim, é possível que o suplemento contenha outras substâncias que podem ser inertes ou prejudiciais, incluindo, em alguns casos, medicamentos que exigem receita ou que são de venda livre, toxinas naturais, bactérias, pesticidas, corantes não aprovados e até mesmo substâncias perigosas, como metais pesados, incluindo chumbo e mercúrio.

A quantidade de princípio ativo em uma dose de um suplemento pode variar, especialmente quando ervas inteiras são moídas ou transformadas em extratos para produzir um comprimido, uma cápsula ou uma solução. O consumidor corre o risco de obter menos, mais ou, em alguns casos, nenhuma quantidade de princípio ativo no suplemento. A padronização exige que cada dose individual do produto contenha uma quantidade exata do princípio ou dos princípios ativos. No entanto, a maior parte dos produtos à base de ervas consiste em misturas de várias substâncias e nem sempre se sabe qual princípio é o mais ativo. Portanto, é difícil determinar qual princípio ou princípios devem ser considerados ativos e, consequentemente, também é difícil sujeitá-los à padronização. Alguns suplementos, sobretudo os fabricados na Europa, foram padronizados e podem incluir uma designação de padronização no rótulo.

As recomendações sobre como escolher um produto puro e padronizado variam conforme o especialista. A maioria dos especialistas aconselha adquirir o produto de um fabricante bem conhecido e muitos recomendam que se comprem produtos feitos na Alemanha, pois lá o controle dos suplementos é mais rigoroso que nos Estados Unidos.

Embora o conteúdo de um suplemento não seja padronizado, a maneira como ele é fabricado tem sido. Em 2007, a Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) criou as atuais boas práticas de fabricação (BPF) que padronizam a fabricação, a embalagem, a rotulagem e o armazenamento dos suplementos alimentares. Essas BPF ajudam a garantir a qualidade dos suplementos alimentares e ajudam a proteger a saúde pública.

Interações com medicamentos

Os suplementos podem interagir com medicamentos sob receita e com medicamentos sem receita. Essas interações podem vir a intensificar ou reduzir a eficácia de um medicamento ou causar um efeito colateral sério. Antes de tomar qualquer suplemento, é importante consultar o médico, para prevenir a ocorrência de tais interações. Alguns estudos com desenho adequado têm sido realizados para investigar as interações suplemento-medicamento e, portanto, a maioria das informações sobre essas interações vem de relatórios individuais esporádicos sobre interações.

Tabela
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Algumas possíveis interações entre medicamentos e suplementos alimentares

Erva medicinal

Medicamentos afetados

Interação

Anticoagulantes (medicamentos que evitam coágulos, como a varfarina)

A camomila tomada com anticoagulantes pode aumentar o risco de hemorragia.

Sedativos (como barbitúricos e benzodiazepínicos)

A camomila pode intensificar ou prolongar os efeitos dos sedativos.

A camomila pode reduzir a absorção do ferro.

Medicamentos que podem danificar o fígado (como amiodarona, esteroides anabolizantes, cetoconazol e metotrexato)

Caso seja tomada por mais de oito semanas, a equinácea pode danificar o fígado. Caso a equinácea seja tomada com outro medicamento que pode danificar o fígado, o risco de lesão no fígado pode aumentar.

Imunossupressores (medicamentos que suprimem, intencionalmente, o sistema imunológico, como corticosteroides e ciclosporina)

Ao estimular o sistema imunológico, a equinácea pode anular os efeitos dos imunossupressores.

Éfedra*

Medicamentos estimulantes (como cafeína, epinefrina, fenilpropanolamina e pseudoefedrina)

A éfedra contém efedrina, que é um estimulante que aumenta os efeitos estimulantes de outros medicamentos, aumentando o risco de frequência cardíaca rápida ou irregular e de hipertensão arterial.

Inibidores da monoaminoxidase (IMAO, um tipo de antidepressivo)

A efedrina pode intensificar os efeitos desses medicamentos e aumentar o risco de efeitos colaterais, como dor de cabeça, tremores, frequência cardíaca irregular ou rápida e hipertensão arterial.

Anticoagulantes (como a varfarina)

A matricária, quando tomada com anticoagulantes, pode aumentar o risco de hemorragia.

A matricária pode reduzir a absorção de ferro.

A matricária pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial quando tomada com medicamentos usados para controlar enxaquecas.

Os AINEs reduzem a eficácia da matricária em prevenir e controlar enxaquecas.

Anticoagulantes (como a varfarina)

Caso seja tomado com anticoagulantes, o alho pode aumentar o risco de hemorragia.

Medicamentos antiplaquetários (como aspirina ou clopidogrel)

O alho pode aumentar o risco de hemorragia.

Anti-hipertensivos

O alho pode potencializar os efeitos anti-hipertensivos e hipotensores.

Isoniazida

O alho pode reduzir a absorção de isoniazida.

Inibidores de protease (como indinavir ou saquinavir), que são usados para tratar a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)

O alho reduz os níveis de inibidores de protease no sangue, tornando-os menos eficazes.

Anticoagulantes (como a varfarina)

Caso seja tomado com anticoagulantes, o gengibre pode aumentar o risco de hemorragia.

Medicamentos antiplaquetários (como aspirina ou clopidogrel)

O gengibre pode aumentar o risco de hemorragia.

Anticoagulantes (como a varfarina) e medicamentos antiplaquetários (como a aspirina e outros AINEs)

Caso seja tomado com anticoagulantes, aspirina ou outros AINEs, o ginkgo pode aumentar o risco de hemorragia.

Anticonvulsivantes (como a fenitoína)

O ginkgo pode reduzir a eficácia dos anticonvulsivantes em prevenir convulsões.

Inibidores da monoaminoxidase (IMAO, um tipo de antidepressivo)

O ginkgo pode intensificar os efeitos desses medicamentos e aumentar o risco de apresentar efeitos colaterais, como dor de cabeça, tremores e episódios maníacos.

Anticoagulantes (como a varfarina) e medicamentos antiplaquetários (como a aspirina e outros AINEs)

Caso seja tomado com anticoagulantes, aspirina ou outros AINEs, o ginseng pode aumentar o risco de hemorragia.

O ginseng pode intensificar os efeitos desses medicamentos, causando redução excessiva dos níveis de glicose no sangue (hipoglicemia).

O ginseng pode intensificar os efeitos colaterais dos corticosteroides.

Digoxina

O ginseng pode aumentar os níveis de digoxina.

Terapia com estrogênio

O ginseng pode intensificar os efeitos colaterais do estrogênio.

O ginseng pode causar dor de cabeça, tremores e episódios maníacos quando tomado com IMAO.

Opioides (narcóticos)

O ginseng pode reduzir a eficácia dos opiáceos.

Anticoagulantes (como a varfarina)

A hydrastis canadensis pode anular os efeitos dos anticoagulantes e aumentar o risco de coágulos.

Anti-hipertensivos

A berberina pode aumentar os efeitos anti-hipertensivos, possivelmente causando uma diminuição excessiva da pressão arterial.

Varfarina

O chá verde pode fazer com que a varfarina seja menos eficaz.

Sedativos (como barbitúricos e benzodiazepínicos)

A kava pode intensificar ou prolongar os efeitos dos sedativos.

Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra)

O alcaçuz pode aumentar a retenção de sal e de líquido e aumentar a pressão arterial, reduzindo a eficácia dos anti-hipertensivos.

O alcaçuz pode aumentar o risco de um ritmo anormal do coração, reduzindo a eficácia da terapia antiarrítmica.

Digoxina

Como o alcaçuz aumenta a formação de urina, pode resultar em níveis baixos de potássio, que é excretado na urina. Quando o alcaçuz é tomado com a digoxina, os níveis baixos de potássio aumentam o risco de toxicidade por digoxina.

O alcaçuz pode intensificar os efeitos da maioria dos diuréticos, provocando uma perda maior e rápida de potássio. O alcaçuz pode interferir na eficácia dos diuréticos que eliminam o potássio, como a espironolactona, reduzindo a eficácia desses diuréticos.

O alcaçuz pode intensificar os efeitos desses medicamentos e aumentar o risco de efeitos colaterais, como dor de cabeça, tremores e episódios maníacos.

O cardo-mariano pode intensificar os efeitos desses medicamentos, causando redução excessiva dos níveis de glicose no sangue.

Inibidores de protease (como indinavir ou saquinavir), que são usados para tratar a infecção por HIV

O cardo-mariano reduz os níveis de inibidores de protease no sangue, tornando-os menos eficazes.

Varfarina

O cardo-mariano pode aumentar o risco de hemorragia ao potencializar os efeitos.

Terapia com estrogênio e contraceptivos orais

A serenoa repens pode afetar os níveis hormonais.

Medicamentos antiplaquetários e anticoagulantes 

A serenoa repens pode potencializar os efeitos e causar hemorragia.

Ciclosporina

A erva-de-são-joão pode reduzir os níveis de ciclosporina no sangue, tornando-a menos eficaz, com resultados possivelmente perigosos (como rejeição de um órgão transplantado).

Digoxina

A erva-de-são-joão pode reduzir os níveis de digoxina no sangue, tornando-a menos eficaz, com resultados possivelmente perigosos.

Ferro

A erva-de-são-joão pode reduzir a absorção de ferro.

A erva-de-são-joão pode intensificar os efeitos dos IMAO, causando, possivelmente, pressão arterial muito alta que requeira tratamento de emergência.

A erva-de-são-joão aumenta o metabolismo desses medicamentos, reduzindo sua eficácia.

A erva-de-são-joão aumenta o metabolismo desses medicamentos, reduzindo sua eficácia.

Medicamentos fotossensibilizantes (como o lansoprazol, o omeprazol, o piroxicam e antibióticos à base de sulfonamida)

Caso seja tomada com esses medicamentos, a erva-de-são-joão pode aumentar o risco de sensibilidade ao sol.

Inibidores de protease (como indinavir ou saquinavir), que são usados para tratar a infecção por HIV

A erva-de-são-joão pode reduzir os níveis de inibidores de protease no sangue, tornando-os menos eficazes.

Inibidores seletivos de reabsorção de serotonina (selective serotonin reuptake inhibitors, SSRI) (como fluoxetina, paroxetina e sertralina)

A erva-de-são-joão pode intensificar os efeitos desses medicamentos.

Antidepressivos tricíclicos

A erva-de-são-joão pode diminuir os efeitos desses medicamentos.

Varfarina

A erva-de-são-joão pode reduzir os níveis de varfarina no sangue, tornando-a menos eficaz, e a formação de coágulos mais provável.

Sedativos (como barbitúricos e benzodiazepínicos)

A valeriana pode intensificar ou prolongar os efeitos dos sedativos, provocando sedação excessiva.

*A venda de suplementos que contêm éfedra foi banida dos Estados Unidos.

O verdadeiro alcaçuz natural, não o bombom de alcaçuz mais comum e cujo sabor é artificial.

Outras preocupações

Além das interações medicamentosas, há outros problemas que podem surgir com o uso de suplementos alimentares:

  • É possível que os suplementos (particularmente produtos à base de ervas) não tenham estabilidade depois de serem fabricados e, com isso, podem gerar benefícios inconsistentes ou nenhum benefício.

  • É possível que a pessoa use suplementos alimentares em vez de medicamentos convencionais receitados pelo médico.

  • Os suplementos podem ser tóxicos e prejudiciais.

  • O uso de suplementos pode contribuir para um diagnóstico incorreto de um problema de saúde porque o efeito placebo pode simular benefícios verdadeiros, sobretudo se a pessoa e/ou médico acreditam muito no poder no suplemento. Respostas terapêuticas a suplementos, sejam elas mediadas por placebo ou não, poderiam ser erroneamente consideradas evidência que confirma um diagnóstico específico e possivelmente incorreto.

Para evitar ou controlar esses possíveis problemas, é importante que as pessoas informem ao médico todos os suplementos alimentares que estão usando.

Mais informações

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