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Considerações gerais sobre a medicina integrativa, complementar e alternativa

Por

Denise Millstine

, MD, Mayo Clinic

Última revisão/alteração completa fev 2019| Última modificação do conteúdo fev 2019
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A medicina e saúde integrativa (MSI) e a medicina complementar e alternativa (MCA) incluem várias abordagens e terapias de cura que historicamente não foram incluídas na medicina ocidental convencional. Muitos aspectos da MCA estão enraizados em sistemas antigos e indígenas de cura, como os da China, da Índia, do Tibete, da África e das Américas.

Medicina complementar, alternativa e integrada são termos que costumam ser usados de forma intercambiável; porém, eles têm significados diferentes.

  • A medicina complementar diz respeito a práticas não convencionais utilizadas juntamente com a medicina convencional (tradicional).

  • A medicina alternativa diz respeito a práticas não convencionais utilizadas em vez da medicina convencional.

  • Por sua vez, a medicina integrativa é um tipo de assistência à saúde que utiliza todas as abordagens terapêuticas adequadas – tanto a convencional como a não convencional – dentro de uma estrutura que dá enfoque à saúde, ao relacionamento terapêutico e à pessoa como um todo.

Embora nem sempre seja fácil diferenciar entre a medicina convencional e MSI ou a MCA, existe de fato uma diferença filosófica básica. A medicina convencional tende utilizar a melhor evidência científica à disposição como base para suas práticas. Ao contrário, a MCA tende a basear suas práticas naquelas respaldadas por evidência, evidência essa que talvez não atenda necessariamente aos critérios mais elevados e rigorosos em questão de eficácia e segurança. (No entanto, algumas práticas da MCA, incluindo o uso de algunssuplementos alimentares, têm sido homologadas pelos elevados e rigorosos critérios científicos tradicionais.) De acordo com a medicina convencional, a definição geral de saúde é a ausência de doença ou de disfunção. Geralmente, as causas principais de doença e de disfunção são consideradas fatores identificáveis, como bactérias ou vírus, desequilíbrios bioquímicos e o envelhecimento, e os tratamentos geralmente incluem medicamentos ou cirurgia. Em contrapartida, as práticas da MSI e da MCA costumam definir a saúde de maneira holística, ou seja, um equilíbrio entre os sistemas físico, emocional e espiritual que engloba a pessoa como um todo. Acredita-se que a desarmonia entre esses sistemas contribui para causar doença. O tratamento envolve o fortalecimento das defesas do próprio corpo e a restauração desse equilíbrio.

Tabela
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Diferenças entre a medicina convencional e a integrativa

Fator

Medicina convencional

Medicina integrativa

Definição de saúde

Um estado em que existe bem-estar físico, mental e social e a ausência de doença e outras alterações

Um equilíbrio ideal, resiliência e integridade entre corpo, mente e espírito e o modo pelo qual eles se inter-relacionam

Definição de doença

O mau funcionamento de um órgão ou de um processo físico ou bioquímico ou sintomas indesejados

O desequilíbrio entre corpo, mente e espírito

Toma por base os sintomas específicos de uma pessoa, bem como a composição física, mental e espiritual individual

Conceito de força vital

Processos internos que tomam por base leis físicas conhecidas e envolvem processos físicos e bioquímicos

Uma energia que flui livremente que conecta mente e corpo e contribui para a saúde (chamada qi na medicina tradicional chinesa, pronunciada “chi”)

Compreensão da consciência

Resulta apenas de processos físicos no cérebro

Pode ou não ser criada no cérebro e na mente

Pode ajudar com o processo de cura

Método de tratamento

Todo tratamento que é fundamentado por evidência científica, incluindo medicamentos, cirurgia, aparelhos médicos, fisioterapia, exercícios, dieta e mudanças no estilo de vida

Inclui métodos da medicina convencional somados a práticas de cura naturais respaldadas por evidência e à capacidade de cura inerente da pessoa

Depende de evidência científica

Estritamente baseado em princípios estabelecidos de evidência científica

Utiliza evidência científica, sendo que os tratamentos também se baseiam no uso e na teoria tradicionais; inclui respaldo científico menos conclusivo para práticas de menor risco (por exemplo, exercícios de respiração)

Aceitação e uso

O objetivo da MSI é combinar a MCA com a medicina convencional quando apropriado. Algumas terapias da MCA são atualmente oferecidas em hospitais e, às vezes, são cobertas pelos planos de saúde. Exemplos incluem a acupuntura e alguns tratamentos de manipulação manual (por exemplo, a quiropraxia ou a manipulação osteopáticos). Uma vez que o interesse pela MCA e sua utilização vêm aumentando, um número cada vez maior de faculdades de medicina está incluindo em seus currículos matérias relacionadas aos tratamentos da MCA, como acupuntura, medicina botânica, tratamentos de manipulação corporal e homeopatia.

Aproximadamente 38% dos adultos e 12% das crianças já usaram a MCA, dependendo de quão ampla é a definição da MCA. Uma enquete de saúde nacional (National Health Survey) (de 2012) indica que as terapias da MCA que são frequentemente utilizadas incluem

  • Exercícios de respiração profunda (11%)

  • Ioga, tai chi e qi gong (10%)

  • Terapia manipulativa (8%)

  • Meditação (8%)

  • Ioga (6,1%)

Outras terapias e abordagens da MCA ainda continuam pouco utilizadas: homeopatia (2,2%), naturopatia (0,4%) e energia curativa (0,5%). Além disso, 17,7% dos adultos utilizaram no mínimo um suplemento alimentar.

Eficácia e segurança

Em 1992, foi formado o Departamento de Medicina Alternativa dentro dos Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health, NIH) para pesquisar a eficácia e segurança das terapias alternativas. Em 1998, esse departamento se tornou o Centro Nacional de Medicina Complementar e Alternativa (National Center for Complementary and Alternative Medicine) e, em 2015, seu nome foi mudado para Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa (National Center for Complementary and Integrative Health, NCCIH).

Eficácia

A eficácia das terapias alternativas é uma questão importante.

Muitas terapias da MCA já foram estudadas e demonstraram ser ineficazes ou inconsistentes. Algumas terapias demonstraram ser eficazes para quadros clínicos específicos. Contudo, essas terapias também costumam ser utilizadas para tratar outros quadros clínicos e sintomas, embora não exista suficiente evidência científica dando respaldo a esses tipos de utilização, como é o caso da medicina convencional. Algumas terapias da MCA não foram testadas em estudos com desenho adequado. Contudo, a inexistência de evidência gerada por estudos com desenho adequado não comprova que aquela terapia é ineficaz.

Alega-se que muitas terapias da MCA vêm sendo praticadas há centenas ou milhares de anos. Elas incluem acupuntura, meditação, ioga, dietas terapêuticas, massagem e medicina botânica. O fato de ter uma longa história de utilização é, às vezes, utilizado para dar respaldo que as terapias da MCA são eficazes. Contudo, esse argumento é limitado pelos seguintes fatores:

  • Ser utilizado por bastante tempo não equivale cientificamente a ter um efeito comprovado. Algumas terapias que haviam sido utilizadas por muito tempo posteriormente demonstraram ser ineficazes ou prejudiciais.

  • É difícil definir há quanto tempo uma terapia tem sido usada.

  • Tanto a própria terapia como o modo pelo qual ela era utilizada no passado podem ser diferentes da terapia e do modo de utilização atuais.

É por isso que ainda se prefere usar evidência científica baseada em estudos com desenho adequado para determinar se uma terapia é ou não eficaz.

Entretanto, pode ser difícil realizar estudos com desenho adequado em terapias da MCA. As barreiras à pesquisa sobre terapias de MCA incluem as seguintes:

  • Falta de apoio e recursos financeiros para a MCA entre os pesquisadores médicos

  • Formação e capacidade limitadas de realizar pesquisa científica entre os defensores de MCA

  • Normas menos rígidas que exigem comprovação de que os produtos ou terapias da MCA são de fato eficazes antes de serem disponibilizados ao público em comparação às normas que regem os tratamentos da medicina convencional

  • Um retorno sobre o investimento geralmente menor para as empresas que estudam a MCA em comparação às que realizam pesquisa em medicamentos ou dispositivos

A aplicação de métodos de pesquisa convencionais para estudar a MCA pode ser difícil por vários outros motivos, incluindo

  • O desenho de pesquisas convencionais normalmente exige que, no caso das pessoas que estão sendo tratadas, o mesmo tratamento seja administrado a todas as pessoas que fazem parte (participantes de pesquisa) daquele estudo. No entanto, muitas terapias de MCA tentam levar em conta os desequilíbrios individuais e específicos do indivíduo. Assim, pessoas com o mesmo diagnóstico médico com frequência recebem vários tipos de tratamento. Por exemplo, no caso de pessoas com dor de cabeça, é possível que as agulhas de acupuntura sejam colocadas em locais diferentes ou é possível que medicamentos homeopáticos ou botânicos diferentes sejam receitados.

  • O melhor tipo de desenho de pesquisa convencional faz a comparação entre o tratamento ativo (por exemplo, um medicamento ou tratamento) e um placebo (um tipo de intervenção criada de modo a ser semelhante a um medicamento ou tratamento, mas que não inclui um medicamento ou um tratamento ativo) ou entre o tratamento ativo e nenhum tratamento (um grupo de controle). No caso de algumas terapias da MCA, como a homeopatia e a medicina botânica, é relativamente fácil conceber um placebo. Contudo, é mais difícil conceber um placebo para tratamentos físicos, como a acupuntura ou o tratamento por manipulação manual. Criar um placebo para meditação ou um sistema integral de alimentação saudável é um desafio ainda maior.

  • É difícil fazer a diferenciação entre os efeitos do componente ativo de uma terapia da MCA e do placebo. Por exemplo, os terapeutas da MCA costumam interagir com as pessoas de maneira positiva e prestadora de apoio, algo que sabidamente faz com que a pessoa se sinta melhor, independentemente de quais outras terapias são utilizadas. Esse aspecto da MCA pode ser encarado como um efeito placebo.

  • O desenho de pesquisas convencionais utiliza o método duplo cego. O método duplo cego pretende evitar que os participantes da pesquisa e os profissionais praticantes saibam qual pessoa recebeu qual tratamento. Normalmente, as pessoas e os profissionais praticantes esperam que o tratamento ativo tenha um desempenho melhor que o do placebo. O método duplo cego diminui a probabilidade de ocorrer uma imparcialidade nos resultados a favor do tratamento, com base nessa expectativa. Contudo, pode ser difícil aplicar o caráter cego aos profissionais praticantes. Por exemplo, o profissional praticante do reiki saberia se um tratamento de energia verdadeiro está sendo administrado. Nesses casos, a eficácia do tratamento deve ser avaliada pelo pesquisador do estudo, que não sabe qual o tratamento utilizado.

  • É possível que as terapias e diagnósticos da MCA não sejam padronizados. Por exemplo, cada profissional praticante utiliza um sistema de acupuntura diferente e o teor e os efeitos entre preparados de produtos naturais podem variar amplamente.

Entretanto, apesar de todos esses desafios, muitos estudos com desenho adequado de terapias da MCA (como acupuntura e homeopatia) já foram realizados. Por exemplo, um estudo de acupuntura utilizou um placebo com desenho adequado, no qual uma bainha opaca era colocada sobre a pele da pessoa no ponto de acupuntura, possibilitando a existência do caráter duplo-cego do estudo. Algumas bainhas continham uma agulha que penetrava na pele (tratamento ativo) e algumas não (placebo). Para que as terapias da MCA possam ser consideradas eficazes, deve haver evidência de que, quando comparadas a um placebo ou a um controle, a sua eficácia é maior.

A falta de fundos para custear esses estudos com desenho adequado para a MCA costuma ser mencionada como sendo o motivo pelo qual esses estudos não são realizados. Contudo, os produtos da MCA geram bilhões de dólares em negócios por ano, o que sugere que a falta de lucratividade não deve ser o motivo que impede que as empresas realizem estudos com esses produtos. No entanto, a lucratividade global para o desenvolvimento de medicamentos convencionais é muito maior que para os produtos da MCA.

Segurança

A segurança é outra consideração importante.

Você sabia que...

  • O maior risco da medicina complementar e alternativa (MCA) talvez ocorra quando uma pessoa com uma doença potencialmente fatal é tratada com uma terapia da MCA não comprovada ao invés de utilizar uma terapia comprovada da medicina convencional.

O maior risco para a saúde da MCA é, provavelmente,

  • A utilização de uma terapia não comprovada em vez de uma terapia convencional comprovada para tratar uma doença potencialmente fatal

Em relação ao risco das terapias da MCA propriamente ditas, algumas são evidentemente seguras e até mesmo mais seguras que as práticas da medicina convencional. Um exemplo importante é a utilização de meditação, acupuntura e manipulação manual para controle da dor antes de usar medicamentos opioides ou em vez de usá-los. Outros exemplos de práticas seguras incluem a acupuntura para tratar náusea, ioga para melhorar o equilíbrio ou o chá de gengibre para ajudar na digestão. Outras terapias alternativas podem ser claramente prejudiciais. Por exemplo, uma vez que ervas medicinais e outros suplementos alimentares (que são usados em muitas terapias alternativas) não são regulamentados pela Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) da mesma forma que são os medicamentos, a segurança daqueles produtos não é tão certa quanto a dos medicamentos cuidadosamente regulamentados (consulte Segurança e eficácia).

Alguns riscos gerais incluem os seguintes:

  • Algumas substâncias nos preparados da MCA podem interagir de maneira nociva entre si ou com medicamentos que exigem receita médica.

  • Existem suplementos alimentares altamente purificados facilmente disponíveis nos Estados Unidos e em muitos países da Europa, porém, os produtos fabricados em outros países podem conter contaminantes perigosos, ingredientes tóxicos ou outros medicamentos.

  • As terapias da MCA que incluem a manipulação do corpo ou outros tipos de intervenção não química podem ser prejudiciais (por exemplo, a manipulação que lesiona partes vulneráveis do corpo).

Na maioria dos casos de MCA, o prejuízo à saúde não foi determinado nem excluído, mas em alguns casos, a possibilidade de haver prejuízo foi demonstrada. Às vezes, a possibilidade de haver prejuízo à saúde não é suficientemente informada ou é negligenciada por pessoas que defendem o uso de terapias ou produtos alternativos.

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