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Visão geral de infecções por arbovírus, arenavírus e filovírus

Por

Thomas M. Yuill

, PhD, University of Wisconsin-Madison

Última modificação do conteúdo ago 2021
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Arbovírus (vírus transmitidos por artrópodes) aplica-se ao vírus que é transmitido para seres humanos e/ou outros vertebrados por certas espécies de artrópodes que se alimentam de sangue, principalmente insetos (moscas e mosquitos) e aracnídeos (carrapatos). Arbovírus não é parte do sistema de classificação atual de vírus, que baseia-se na natureza e estrutura do genomo viral.

Famílias, na atual classificação, que têm como membros alguns arbovírus incluem

  • Bunyaviridae (abrangendo os buniavírus, flebovírus, nairovírus e hantavírus)

  • Togaviridae

  • Flaviviridae (abrangendo apenas os flavivírus)

  • Orthomyxoviridae (incluindo os thototovírus)

  • Reoviridae (abrangendo os coltivírus e orbivírus)

  • Togaviridae (abrangendo os alfavírus)

Dicas e conselhos

  • Os arbovírus não são uma família de vírus; o termo simplesmente indica que o vírus é transmitido por certas espécies de artrópodes— — do inglês arthropod-borne virus.

  • Membros de muitas famílias virais diferentes podem ser arbovírus.

Existem > 250 arbovírus spp distribuídos no mundo todo; pelo menos 80 causam doença humana. A maioria dos arbovírus é transmitida por mosquitos, mas alguns são transmitidos por carrapatos, e um (vírus Oropouche) é transmitido por maruins (mosquito-pólvora). Os pássaros com frequência são os reservatórios para arbovírus, que são transmitidos por mosquitos a cavalos, outros animais domésticos e seres humanos. Outros reservatórios para arbovírus incluem artrópodes e vertebrados (na maioria das vezes, roedores, macacos e humanos). Esses vírus podem se disseminar para seres humanos de reservatórios não humanos, mas a transmissão entre pessoas também pode ocorrer por transfusão sanguínea, transplante de órgão, contato sexual e de mãe para filho durante o parto, dependendo do vírus específico envolvido. A transmissão de uma pessoa para outra da maioria dos arbovírus por meio de contato casual diário não foi documentada. A maioria das doenças por arbovírus não é transmissível a pessoas, talvez porque a viremia típica seja inadequada para infectar o vetor artrópode; as exceções incluem febre por dengue Dengue A dengue é uma doença transmitida por mosquito, causada por um flavivírus. Normalmente, tem início abrupto, com febre alta, cefaleia, mialgias, artralgias, linfadenopatia generalizada e um exantema... leia mais , febre amarela Febre amarela Febre amarela é uma infecção por flavivírus transmitida por mosquitos, endêmica na América do Sul tropical e na África Subsaariana. Os sintomas podem incluir início súbito de febre, bradicardia... leia mais , infecção por vírus da zica Infecções pelo vírus da zica (ZIKV) O vírus da zica é um flavivírus transmitido por mosquitos, que é estrutural e antigenicamente semelhante aos vírus que causam dengue, febre amarela e virus do Nilo Ocidental. A infecção pelo... leia mais e doença da chicungunha Doença de chicungunha Arbovírus (vírus transmitidos por artrópodes) aplica-se ao vírus que é transmitido para seres humanos e/ou outros vertebrados por certas espécies de artrópodes que se alimentam de sangue, principalmente... leia mais , que podem ser transmitidas de pessoa para pessoa por mosquitos. Além disso, o vírus da zica Infecções pelo vírus da zica (ZIKV) O vírus da zica é um flavivírus transmitido por mosquitos, que é estrutural e antigenicamente semelhante aos vírus que causam dengue, febre amarela e virus do Nilo Ocidental. A infecção pelo... leia mais pode ser transmitido durante a atividade sexual de homens infectados com ou sem sintomas para seus parceiros sexuais (homem ou mulher) ou de mulheres infectadas para seus parceiros sexuais.

A família Filoviridae consiste em 2 gêneros: Ebolavirus (composto por 5 espécies) e Marburgvirus (composto por 2 espécies). Os vetores específicos desses vírus não foram confirmados, mas morcegos frugívoros são os principais candidatos; assim, os Filoviridae não são arbovírus. A transmissão interpessoal do vírus Ebola e do vírus Marburg Infecções por vírus de Marburg e Ebola Marburg e Ebola são filovírus que causam hemorragia, falência de múltiplos órgãos e altas taxas de mortalidade. O diagnóstico é realizado por ensaio imunoenzimático, PCR (polymerase chain reaction)... leia mais ocorre facilmente.

O diagnóstico laboratorial envolve normalmente culturas virais, reação em cadeia de polimerase (PCR, polymerase chain reaction [reação em cadeia da polimerase]), microscopia eletrônica e métodos de detecção de antígeno e anticorpo, quando disponível.

Tabela

Tratamento

  • Cuidados de suporte

  • Algumas vezes, ribavirina

Para a maioria dessas infecções, o tratamento é de suporte.

Nas febres hemorrágicas, o sangramento pode requerer fitonadiona (vitamina K Deficiência de vitamina K A deficiência de vitamina K resulta de ingestão extremamente inadequada, má absorção de gordura ou uso de anticoagulantes cumarínicos. A deficiência, particularmente comum em crianças amamentadas... leia mais 1). A transfusão de concentrado de hemácias ou plasma fresco congelado também pode ser necessária. São contraindiciados ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), em razão da atividade antiplaquetária. Para casos avançados da síndrome cardiopulmonar por hantavírus, pode ser necessário usar oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO).

  • Ribavirina, 30 mg/kg, IV (máximo de 2 g), em dose única de ataque, seguida por 16 mg/kg, IV (máximo de 1 g por dose), a cada 6 h, durante 4 dias, e então 8 mg/kg, IV (máximo de 500 mg por dose) a cada 8 h, durante 6 dias.

O tratamento da febre hágica com síndrome renal Tratamento Bunyaviridae contém o gênero Hantavirus, o qual consiste em pelo menos 4 sorogrupos com 9 vírus que causam 2 principais síndromes clínicas, às vezes sobrepostas: Febre hemorrágica... leia mais é feito com ribavirina IV: dose ataque de 33 mg/kg (máximo de 2,64 g), seguida de 16 mg/kg a cada 6 h (máximo de 1,28 g a cada 6 h), durante 4 dias e, a seguir, 8 mg/kg a cada 8 h (máximo de 0,64 g, a cada 8 h) por 3 dias.

O tratamento antiviral para outras síndromes não foi estudado de maneira adequada. Ribavirina não foi eficaz em modelos com animais das infecções por filovírus e flavivírus. A US Food and Drug Administration (FDA) aprovou dois fármacos para tratar a doença pelo vírus Ebola causada pelo vírus Ebola do Zaire em adultos e crianças: uma combinação de três anticorpos monoclonais (atoltivimabe/maftivimabe/odesivimabe) e um anticorpo monoclonal único (ansuvimabe).

Prevenção

  • Controle do vetor

  • Prevenção de picadas dos vetores

  • Algumas vezes, vacinação

  • Evitar contato com animais infectados, seus produtos e seus excrementos (hantavírus)

A abundância e diversidade do arbovírus significa que muitas vezes é mais fácil e mais barato controlar as infecções por arbovírus destruindo seus vetores artrópodes, prevenindo picadas e eliminando seus habitats de reprodução do que desenvolver vacinas específicas ou tratamentos com fármacos.

Controle do vetor e prevenção de picadas

Doenças transmitidas por mosquitos e carrapatos podem frequentemente ser prevenidas pelo seguinte:

  • Usar roupas que cobrem o corpo o máximo possível

  • Usar repelentes contra insetos [p. ex., DEET (dietiltoluamida)]

  • Minimizar a probabilidade de exposição ao inseto ou carrapato (p. ex., no caso de mosquitos, limitar o tempo ao ar livre em áreas úmidas; para carrapatos, ver nota lateral Prevenção de picadas de carrapato Prevenção de picadas de carrapato Prevenção de picadas de carrapato )

  • Houve progresso recente na redução das populações de Aedes aegypti por meio da liberação de machos estéreis ou machos geneticamente modificados. Além disso, testes de campo estão em andamento, com a introdução na natureza de mosquitos Aedes aegypti que foram infectados com bactérias Wolbachia. Essas bactérias não reduzem a população de mosquitos. Em vez disso, bloqueiam a infecção dos mosquitos pelos vírus da dengue, chicungunha e zica, reduzindo assim a transmissão da doença. Os Wolbachia são transmitidos aos descendentes do mosquito infectado, multiplicando assim a eficácia da técnica.

Doenças transmitidas por excrementos de roedores podem ser prevenidas desta forma:

  • Antes de limpar, ventilar por ≥ 15 minutos os espaços fechados onde os roedores estiveram.

  • Umedecer as superfícies com uma solução de água sanitária (10%) antes de varrer ou limpar.

  • Evitar que a poeira levante.

  • Vedar os potenciais locais de entrada de roedores nas casas e nos edifícios nas proximidades.

  • Impedir que roedores acessem alimentos.

  • Eliminar potenciais locais de nidificação na e ao redor da casa e outros edifícios.

Diretrizes para limpeza dos locais de roedores e realização de atividades em áreas com potenciais excrementos de roedores do Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

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