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Toxicidade da vitamina D

Por

Larry E. Johnson

, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences

Última modificação do conteúdo ago 2019
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Em geral, a toxicidade de vitamina D é decorrente de ingestão excessiva. Na toxicidade de vitamina D, a reabsorção do osso e a absorção intestinal de cálcio é maior, resultando em hipercalcemia. Hipercalcemia marcada comumente causa sintomas. O diagnóstico costuma se basear nos níveis elevados de 25(OH)D. O tratamento consiste em suspender a vitamina D, restringir o cálcio na dieta, restabelecer o deficit intravascular e, se a toxicidade for grave, administrar corticoides ou bifosfonatos.

Como a síntese dos potentes metabólitos de 1,25-di-hidroxivitamina D é estritamente regulada, a toxicidade de vitamina D só ocorre se doses excessivas (prescrição ou megavitaminas) forem consumidas. Cerca de 1.000 mcg (40.000 unidades) de vitamina D/dia provocam toxicidade em bebês de 1 a 4 meses. Em adultos, a ingestão diária de 1.250 mcg (50.000 unidades/dia) por vários meses pode ocasionar toxicidade. Pode haver toxicidade iatrogênica de vitamina D quando o hipoparatireoidismo é tratado de forma muito agressiva.

Fisiologia

A vitamina D tem 2 formas principais:

  • D2 ( ergocalciferol)

  • D3 ( colecalciferol): a forma que ocorre naturalmente e a forma utilizada para a suplementação de dose baixa.

A vitamina D3 é sintetizada na pele pela exposição à luz solar direta (radiação ultravioleta B) e obtida na alimentação principalmente em óleos de fígado de peixe e peixes de água salgada (ver tabela Fontes, funções e efeitos das vitaminas). Em alguns países desenvolvidos, leite e outros alimentos são fortificados com vitamina D. O leite humano é pobre em vitamina D, contendo em média apenas 10% da quantidade do leite de vaca fortificado.

Os níveis de vitamina D podem diminuir com a idade porque a síntese cutânea piora. O uso de protetor solar e a pigmentação escura da pele também reduzem a síntese de vitamina D.

A vitamina D é um pró-hormônio com vários metabólitos ativos que atuam como hormônios. A vitamina D é metabolizada pelo fígado em 25(OH)D (calcifediol, calcidiol, 25-hidroxicolecalciferol ou 25-hidroxivitamina D), que a seguir é convertida pelo rim em 1,25-di-hidroxivitamina D, (1,25-di-hidroxicolecalciferol, calcitriol ou hormônio ativo da vitamina D). A principal forma circulante, 25(OH)D, apresenta atividade metabólica, mas 1,25-di-hidroxivitamina D é mais metabolicamente ativa. A conversão em 1,25-di-hidroxivitamina D é regulada pela sua própria concentração, concentrações de paratormônio (PTH) e cálcio e fosfato séricos.

A vitamina D age em vários órgãos e sistemas (ver tabela Atividades da vitamina D e seus metabólitos), mas principalmente aumenta a absorção de cálcio e fósforo pelo intestino e promove formação e mineralização ósseas normais.

A vitamina D e análogos relacionados podem ser utilizados para tratar psoríase, hipoparatireoidismo e osteodistrofia renal. A utilidade da vitamina D para prevenir a leucemia e o câncer de mama, próstata e cólon não foi comprovada, nem sua eficácia para tratar outras doenças não ósseas (1, 2) ou prevenir quedas (3, 4, 5) em idosos. Está sendo estudado se a suplementação de vitamina D é ou não útil para a prevenção de fraturas nos idosos frágeis ou saudáveis (6).

Tabela
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Atividades da vitamina D e seus metabólitos

Órgão

Ações

Osso

Promove a formação óssea mantendo concentrações apropriadas de cálcio e fosfato

Sistema imunitário

Estimula a atividade imunogênica e antitumor

Diminui o risco de distúrbios autoimunes

Intestino

Aumenta o transporte de cálcio e fosfato (absorção)

Rins

Aumenta a reabsorção de cálcio pelos túbulos

Glândulas paratireoides

Inibe a secreção de paratormônio

Pâncreas

Estimula a produção de insulina

Referências gerais

  • 1. Autier P, Mullie P, Macacu A, et al: Effect of vitamin D supplementation on non-skeletal disorders: A systematic review of meta-analyses and randomised trials. Lancet Diabetes Endocrinol 5 (12):986–1004, 2017. doi: 10.1016/S2213-8587(17)30357-1.

  • 2. Manson JE, Cook NR, Lee IM, et al: Vitamin D supplements and prevention of cancer and cardiovascular disease. N Engl J Med 380(1):33-44, 2019. doi: 10.1056/NEJMoa1809944.

  • 3. Cummings SR, Kiel DP, Black DM: Vitamin D supplementation and increased risk of falling: A cautionary tale of vitamin supplements retold. JAMA Intern Med 176 (2):171–172, 2016.

  • 4. Uusi-Rasi K, Patil R, Karinkanta S, Kannus P, et al: Exercise and vitamin D in fall prevention among older women: A randomized clinical trial. JAMA Intern Med 75 (5):703–711, 2015.

  • 5. LeBlanc ES, Chou R: Vitamin D and falls—Fitting new data with current guidelines. JAMA Intern Med 175 (5):712–713, 2015.

  • 6. Zhao JG, Zeng XT, Wang J, Liu L: Association between calcium or vitamin D supplementation and fracture incidence in community-dwelling older adults: A systematic review and meta-analysis. JAMA 318:2466–2482, 2017.

Sinais e sintomas

Os principais sintomas da toxicidade de vitamina D resultam de hipercalcemia. Podem ocorrer anorexia, náuseas e vômitos, muitas vezes seguidos de poliúria, polidipsia, fraqueza, nervosismo, prurido e, eventualmente, falência renal. Proteinúria, azotemia e calcificações metastáticas (particularmente nos rins) podem ocorrer.

Diagnóstico

  • Hipercalcemia mais fatores de risco ou níveis séricos elevados de 25(OH)D

História de ingestão excessiva de vitamina D pode ser a única pista para diferenciar a toxicidade da deficiência de vitamina D de outras causas de hipercalcemia. Altos níveis séricos de cálcio, de 12 a 16 mg/dL (3 a 4 mmol/L), são um constante achado quando ocorrem sintomas tóxicos. Os níveis séricos de 25(OH)D geralmente para > 150 ng/mL (> 375 nmol/L). Os níveis de 1,25-di-hidroxivitamina D, os quais não são necessários para confirmação do diagnóstico, costumam estar normais.

Cálcio sérico deve ser medido com frequência (primeiro semanalmente e depois mensalmente) em todos os pacientes que recebem grandes doses de vitamina D, em particular a potente 1,25-di-hidroxivitamina D.

Tratamento

  • Hidratação IV mais corticoides ou bifosfonatos

Após a interrupção da ingestão de vitamina D, hidratação com soro fisiológico normal IV corticoides ou bifosfonatos (que inibem a reabsorção óssea) são utilizados para reduzir os níveis de cálcio sérico.

Dano renal ou calcificações metastáticas, se presentes, podem ser irreversíveis.

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