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Meningite viral

Por

John E. Greenlee

, MD,

  • Professor and Executive Vice Chair, Department of Neurology
  • University of Utah School of Medicine

Última modificação do conteúdo ago 2019
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A meningite viral tende a ser menos grave do que a meningite bacteriana aguda. Resultados incluem cefaleia, febre e rigidez na nuca. O diagnóstico é por análise do líquor. O tratamento é com medidas de suporte, aciclovir por suspeita de herpes simplex e fármacos antirretrovirais para suspeita de infecção pelo HIV.

(Ver também Visão geral da meningite.)

A meningite viral é às vezes usada como sinônimo de meningite asséptica. Entretanto, meningite asséptica geralmente se refere à meningite aguda causada por outra coisa além de bactérias que normalmente causam meningite bacteriana aguda. Portanto, a meningite asséptica pode ser causada por vírus, doenças não infecciosas (p. ex., fármacos, doenças), fungos ou, ocasionalmente, outros organismos (p. ex., Borrelia burgdorferi na doença de Lyme, Treponema pallidum na sífilis).

Ao contrário da meningite bacteriana, a meningite viral geralmente poupa o parênquima cerebral. (o parênquima é afetado na encefalite viral ou meningoencefalite.)

Causas

A meningite viral geralmente resulta de propagação hematogênica, mas a meningite causada por vírus do herpes simples tipo 2 (HSV-2) ou vírus varicela zóster também pode resultar da reativação de infecção latente. Ataques recorrentes de meningite viral em mulheres costumam ocorrer por causa do HSC-2.

A causa mais comum da meningite viral é

  • Enterovírus

Para muitos vírus que causam a meningite (ao contrário das bactérias que causam meningite bacteriana aguda), a incidência é sazonal (ver tabela Causas comuns da meningite viral).

Tabela
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Causas comuns da meningite viral

Vírus

Mecanismo de transmissão

Incidência sazonal

Enterovírus (p. ex., vírus coxsackie, echovírus)

Disseminação fecal-oral (p. ex., através de alimentos contaminados, em piscinas)

Verão ao início do outono

Às vezes, casos esporádicos durante todo o ano

*Herpes simples, normalmente vírus tipo 2*

Contato íntimo ou sexual com uma pessoa que dissemina ativamente o vírus

Nenhum

Vírus da varicela-zóster

A inalação de gotículas respiratórias de ou por contato com uma pessoa infectada

Nenhum

Vírus equino ocidental†

Vírus equino venezuelano†

Mosquito

Verão ao início do outono

Vírus do Nilo Ocidental

virus de St. Louis

Mosquito

Verão ao início do outono

Vírus da encefalite da Califórnia

vírus de La Crosse

Mosquito

Verão ao início do outono

Vírus da febre por carrapato do Colorado (incomum)

Carrapatos

Final da primavera ao início do verão

Vírus da coriomeningite linfocítica

Aerotransportado‡

Outono ao inverno

HIV-1

HIV-2

Contato com líquidos corporais de uma pessoa infectada

Nenhum§

* A meningite por herpes simples tipo 2 pode ocorrer como um caso isolado ou pode recorrer.

† Vírus equinos ocidentais e vírus equinos venezuelanos foram associados à meningite, mas nenhum caso foi relatado nos EUA nos últimos anos.

‡Vírus da coriomeningite linfocítica está associado com a exposição a ratos selvagens infectados (os hospedeiros naturais para esse vírus) e é mais comum durante o outono ou inverno quando os ratos tendem a se mover para ambientes internos. A infecção também pode ocorrer durante todo o ano quando a causa é a exposição a hamsters de estimação infectados.

§Meningite por HIV geralmente começa precocemente no curso da infecção sistêmica— quando a seroconversão ocorre.

O vírus da zica e o vírus chicungunha são causas pouco comuns de meningite, mas deve-se considerá-los para as pessoas que viajaram para áreas endêmicas se apresentam sintomas sugestivos de meningite.

Sinais e sintomas

A meningite viral, como a meningite bacteriana aguda, geralmente começa com sintomas que sugerem infecção viral (p. ex., febre, mialgias, sintomas gastrointestinais e respiratórios), seguidos por sinais e sintomas de meningite (cefaleia, febre, rigidez na nuca). As manifestações tendem a ser semelhantes àquela da meningite bacteriana, mas geralmente são menos graves (p. ex., a rigidez na nuca pode ser menos pronunciada). Entretanto, os resultados são algumas vezes graves o suficiente para sugerir meningite bacteriana aguda. Como o parênquima cerebral é poupado, não há delirium, confusão mental, convulsões nem deficits neurológicos focais ou globais.

Diagnóstico

  • Análise do líquor (contagem de células, proteínas, glicose)

  • PCR do líquor e, às vezes, IgM

  • Às vezes, PCR e/ou hemocultura, esfregaço da garganta, secreções nasofaríngeas ou fezes

O diagnóstico da meningite viral baseia-se na análise do líquor obtido por punção lombar (precedida de neuroimagem se ha suspeita de aumento na pressão intracraniana ou de uma massa). Tipicamente, o nível de proteínas é ligeiramente mais alto, mas menos do que na meningite bacteriana aguda (p. ex., < 150 mg/dL); mas o nível de proteínas pode ser muito alto na meningite pelo vírus do Nilo Ocidental. Nível de glicose costuma ser normal ou apenas ligeiramente mais baixo do que o normal. Outros resultados incluem pleocitose com predomínio linfocítico. Entretanto, nenhuma combinação dos resultados nas células, proteínas e glicose do líquor pode descartar meningite bacteriana. Descarta-se com o tempo meningite bacteriana se nenhuma bactéria crescer nas culturas do líquor. Mas se um paciente com meningite bacteriana tomou antibióticos (i. e., foi parcialmente tratado) antes das hemoculturas e punção lombar, os achados do líquor podem lembrar aqueles da meningite viral; portanto, se os pacientes foram parcialmente tratados, pode ser necessário tratamento antibiótico empírico para meningite bacteriana, mesmo na suspeita de meningite viral.

Cultura viral do líquor é insensível e não é feito rotineiramente. Pode-se utilizar PCR para detectar alguns vírus no líquor (enterovírus e herpes simples, herpes-zóster e vírus do Nilo Ocidental); pode-se usar um perfil de PCR multiplex de matriz de filme recém-disponibilizado para a triagem rápida de várias bactérias ou vírus. A medição de IgM no líquor é mais sensível do que a PCR no diagnóstico de suspeita de vírus do Nilo Ocidental ou outros arbovírus.

Pacientes com meningite por HSV-2 podem apresentar células mononucleares aumentadas (células de Mollaret) no líquor. Meningite por HSV-2 frequentemente recorre (chamada meningite de Mollaret)

Testes sorológicos virais, PCR, ou cultura de amostras coletadas em outras áreas (p. ex., sangue, esfregaço da garganta, secreções nasofaríngeas, fezes) podem ajudar a identificar o vírus causador.

Dicas e conselhos

  • Se os pacientes parecem seriamente enfermos, tratá-los para meningite bacteriana aguda até que seja descartada, mesmo que a causa suspeita seja viral.

Tratamento

  • Medidas de suporte

  • Aciclovir (para suspeita de herpes simples ou herpes-zóster) e fármacos antirretrovirais (para infecção pelo HIV)

Se os pacientes parecem seriamente doentes e se houver possibilidade de meningite bacteriana aguda (mesmo diante de suspeita de meningite viral), antibióticos e corticoides apropriados são iniciados imediatamente (sem esperar pelos resultados dos exames) e mantidos até a meningite bacteriana ser descartada (nenhuma bactéria cresce em culturas do líquor).

A meningite viral geralmente desaparece espontaneamente ao longo de semanas ou, ocasionalmente (p. ex., na meningite pelo vírus do Nilo Ocidental ou coriomeningite linfocítica), meses. O tratamento é principalmente de suporte.

Aciclovir é eficaz no tratamento de meningite por herpes simplex e pode ser utilizado para tratar meningite por herpes-zóster. Se houver suspeita de qualquer um desses vírus ou se encefalite por herpes simplex é absolutamente suspeitas, a maioria dos médicos começa o tratamento empírico com aciclovir e, se PCR é negativa para esses vírus, então interrompe o fármaco.

Pleconaril é apenas modestamente eficaz contra meningite por enterovírus e não está disponível para uso clínico de rotina.

Pacientes com meningite por HIV são tratados com fármacos antirretrovirais.

Pontos-chave

  • A meningite viral começa com sintomas típicos de uma doença viral, seguida por cefaleia, febre e rigidez na nuca, mas raramente é tão grave quanto à meningite bacteriana aguda.

  • Enterovírus são a causa mais comum, geralmente causando infecção durante o verão ou início do outono.

  • Resultados do líquor (normalmente pleocitose linfocítica, glicose normal quase normal e proteínas ligeiramente aumentadas) não pode excluir meningite bacteriana aguda.

  • Tratar os pacientes contra meningite bacteriana aguda até o diagnóstico ser descartado.

  • O tratamento é principalmente de suporte; pacientes com meningite por herpes simplex ou herpes-zóster podem ser tratados com aciclovir.

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