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Priapismo

Por

Anuja P. Shah

, MD, David Geffen School of Medicine at UCLA

Última modificação do conteúdo jun 2019
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O priapismo é a ereção dolorosa, anormal e persistente não acompanhada de desejo sexual ou excitação. É mais comum em meninos de 5 a 10 anos e em homens entre 20 e 50 anos de idade.

Fisiopatologia

O pênis é composto por 3 corpos cilíndricos: 2 corpos cavernosos e 1 corpo esponjoso. A ereção resulta do relaxamento do músculo liso e aumento do fluxo arterial para os corpos cavernosos, levando ao ingurgitamento e à rigidez.

Priapismo isquêmico

A maioria dos casos de priapismo envolve a falha da detumescência e é mais comumente devido à falha de saída do sangue (i. e., baixo fluxo), também conhecida como priapismo isquêmico (veno-oclusivo, de baixo fluxo). A dor intensa decorrente de isquemia ocorre após 4 horas. Se prolongado por > 4 horas, o priapismo pode causar fibrose dos corpos cavernosos e subsequente disfunção erétil Disfunção erétil Disfunção erétil é a incapacidade de alcançar ou manter ereção satisfatória para a relação sexual. A maioria das disfunções eréteis está relacionada com doenças vasculares, neurológicas, psicológicas... leia mais ou mesmo necrose peniana e gangrena.

Priapismo intermitente é uma forma recorrente de priapismo isquêmico com episódios repetidos e períodos de detumescência.

Priapismo não isquêmico

Menos comumente, o priapismo é devido ao fluxo arterial desregulado (i. e., alto fluxo), geralmente como resultado da formação de fístula arterial após trauma. O priapismo não isquêmico não é doloroso e não causa necrose. É comum disfunção sexual subsequente.

Etiologia

Avaliação

História

História da doença atual deve pesquisar duração da ereção, presença de rigidez parcial ou completa, presença ou ausência de dor, e qualquer história recente ou passada de trauma genital. Deve-se rever a história de fármacos e fármacos, identificando as que podem ser a causa, e os pacientes devem ser diretamente questionados sobre o uso de drogas recreacionais ou para disfunção erétil.

Exame físico

Deve-se realizar um exame focado nos genitais para avaliar a extensão da rigidez e do dolorimento e determinar se a glande e o corpo esponjoso também estão afetados. Deve-se observar a presença de trauma peniano ou perineal, e sinais de infecção, inflamação ou gangrena.

O exame geral deve observar qualquer agitação psicomotora, e o exame da cabeça e pescoço deve avaliar a dilatação pupilar associada a uso de estimulantes. Deve-se palpar o abdome e a área suprapúbica para detectar quaisquer massas ou esplenomegalia, e deve-se realizar o toque retal para detectar aumento da próstata ou outra patologia. O exame neurológico é útil para detectar quaisquer sinais de fraqueza de membros inferiores ou parestesias em sela, que poderiam indicar patologia espinal.

Sinais de alerta

Os achados a seguir são particularmente preocupantes:

  • Dor

  • Priapismo em criança

  • Trauma recente

  • Febre e suores noturnos

Interpretação dos achados

Nos pacientes com priapismo isquêmico, o exame físico tipicamente revela rigidez completa com dor e edema de corpos cavernosos, poupando a glande e o corpo esponjoso. Em contraste, o priapismo não isquêmico não é doloroso e não incha, e o pênis permanece parcial ou completamente rígido.

Exames

  • Hemograma completo

  • Exame de urina e cultura de urina

  • Eletroforese de hemoglobina em negros e homens com descendência mediterrânea

Vários médicos também realizam triagem de fármacos, gasometria intracavernosa e ultrassonografia duplex Variações da ultrassonografia Na ultrassonografia um gerador de sinal é associado a um transdutor. Cristais piezoelétricos no gerador de sinais convertem eletricidade em ondas de som de alta frequência que são enviadas aos... leia mais Variações da ultrassonografia . A ultrassonografia peniana duplex mostrará pouco ou nenhum fluxo de sangue para os corpos cavernosos em homens com priapismo isquêmico e fluxo cavernoso normal ou alto em homens com priapismo não isquêmico. A ultrassonografia também pode revelar alterações anatômicas, tais como fístula arterial cavernosa ou pseudoaneurisma, que geralmente indicam priapismo não isquêmico. Ocasionalmente, a RM com contraste é útil para demonstrar fístulas arteriovenosas Fístula arteriovenosa Fístula arteriovenosa é a comunicação anormal entre artéria e veia. A fístula arteriovenosa pode ser congênita (comprometendo, geralmente, vasos menores) ou adquirida, decorrente de trauma ... leia mais ou aneurismas Visão geral dos aneurismas aórticos Aneurismas são dilatações anormais das artérias, causadas pelo enfraquecimento da parede arterial. As causas comuns envolvem hipertensão, aterosclerose, infecção, trauma e doenças do tecido... leia mais Visão geral dos aneurismas aórticos .

Tratamento

O tratamento geralmente é difícil e, algumas vezes, insatisfatório, mesmo quando a etiologia é conhecida. Sempre que possível, os pacientes devem ser encaminhados para um serviço de emergência; devem ser preferivelmente tratados urgentemente e examinados por um urologista. As outras doenças devem ser tratadas. Por exemplo, o priapismo geralmente cessa quando se trata a crise falciforme. As medidas utilizadas para tratar o priapismo dependem do tipo.

Priapismo isquêmico

O tratamento deve ser iniciado de imediato, tipicamente por meio da aspiração dos corpos cavernosos, pela base de um deles, utilizando uma seringa não heparinizada, geralmente com irrigação de soro fisiológico e injeção intracavernosa do agonista alfa-receptor de fenilefrina. Para as injeções de fenilefrina, 1 mL de fenilefrina a 1% (10 mg/mL) é adicionado a 19 mL de solução salina a 0,9% para obter 500 mcg/mL; 100-500 mcg (0,2 a 1 mL) são injetadas a cada 5 a 10 minutos até que ocorra alívio ou se utilize a dose total de 1000 mcg. Antes da aspiração ou injeção, anestesia-se o pênis através de bloqueio nervoso ou infiltração local.

Se estas medidas foram insatisfatórias ou se o priapismo durou > 48 horas (e, portanto, é improvável que melhore com essas manobras), deve-se criar uma derivação cirúrgica entre os corpos cavernosos e a glande do pênis ou corpo esponjoso ou outra veia.

Priapismo intermitente

Quando agudo, é tratado da mesma maneira que as outras formas de priapismo isquêmico. Existe o relato de diversos casos causados por anemia falciforme Anemia falciforme A anemia falciforme (uma hemoglobinopatia) é uma anemia hemolítica crônica que ocorre quase exclusivamente em negros. É causada pela herança homozigótica do genes da hemoglobina (Hb) S. Os eritrócitos... leia mais Anemia falciforme que responderam a uma única dose oral de sildenafila. Os tratamentos que podem auxiliar na prevenção de recidivas de priapismo intermitente incluem tratamento antiandrogênico com agonistas do hormônio liberador de gonadotrofina, estrógenos, bicalutamida, flutamida, inibidores de fosfodiesterase tipo 5 e cetoconazol. O objetivo do tratamento antiandrogênico é diminuir o nível plasmático de testosterona para < 10% do normal. Também foi tentado com algum sucesso o uso de digoxina, terbutalina, gabapentina e hidroxiureia.

Priapismo não isquêmico

Tratamento conservador (p. ex., sacos de gelo e analgésicos) geralmente é satisfatório; caso haja insucesso, indica-se embolização seletiva ou cirurgia.

Priapismo refratário

Se outros tratamentos forem ineficazes, pode-se colocar uma prótese peniana.

Pontos-chave

  • O priapismo necessita de avaliação e tratamento urgentes.

  • Os fármacos (prescritos ou recreacionais) e a anemia falciforme são as causas mais comuns.

  • O tratamento do quadro agudo é com alfa-agonistas, descompressão por agulha ou ambos.

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