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COVID-19: O que sabemos sobre os coronavírus

Página inicial de recursos  para a COVID-19 
Pelo Dr. Matthew E. Levison, professor adjunto de medicina na Faculdade de Medicina da Universidade Drexel

04/03/2020

Dr. Matthew E. Levison

Os coronavírus, assim chamados porque as espículas de proteína na superfície do vírus parecem a coroa do sol, são comuns. A maioria causa doenças respiratórias, gastrointestinais, hepáticas e neurológicas em animais.

Infecção pelo coronavírus humano (Human Coronavus Infection, HCoV)

Apenas sete coronavírus causam doença em humanos (HCoV).

Quatro desses sete vírus causam infecções leves e autolimitadas do trato respiratório superior, como o resfriado comum, mas podem causar infecções graves do trato respiratório inferior, incluindo pneumonia, em bebês, idosos e pessoas cujo sistema imunológico não funciona bem. Essas infecções pelo HCoV mostram um padrão sazonal, ocorrendo a maioria dos casos nos meses de inverno em países de clima temperado.

Três dos sete HCoV (SARS-CoV, MERS-CoV e SARS-CoV2) causaram surtos importantes de pneumonia letal no século XXI.

SARS-CoV

O primeiro desses surtos, a síndrome respiratória aguda grave (severe acute respiratory syndrome, SARS), surgiu pela primeira vez em novembro de 2002 na província de Guangdong, no sul da China, e causou uma epidemia que se espalhou dentro de meses para 29 países e 6 continentes. Essa epidemia adoeceu mais de 8.000 pessoas e matou quase 800 em todo o mundo. A maioria dos casos ocorreu na China continental e Hong Kong. Nos Estados Unidos, apenas oito pessoas tiveram SARS confirmada em laboratório; todas as oito haviam viajado para áreas onde estava ocorrendo a transmissão do SARS‑CoV.

MERS-CoV

O HCoV seguinte a causar infecção letal foi o coronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio (Middle East respiratory syndrome coronavirus, MERS-CoV), que surgiu na Península Arábica em setembro de 2012. O MERS-CoV causou surtos recorrentes que adoeceram mais de 2.500 pessoas e cerca de uma em cada três pessoas infectadas morreu. A maioria das pessoas infectadas vivia na Península Arábica ou havia viajado de lá há pouco tempo. Dos casos relatados, 85% ocorreram na Arábia Saudita. O maior surto de MERS fora da Península Arábica ocorreu na Coreia do Sul em 2015, associado a um viajante que havia retornado da Península Arábica.

SARS-CoV2 (COVID-19)

O sétimo HCoV a ser descoberto foi o SARS-CoV2, a causa do surto, chamado COVID-19 que está, atualmente, se disseminando pelo mundo. O surto começou em Wuhan, na China Central. (É em Wuhan que fica o Wuhan Institute of Virology [Instituto Wuhan de Virologia]), um centro líder para pesquisa do coronavírus, embora não haja suspeita de conexão entre a pesquisa e o surto atual). Acredita-se que a infecção tenha se originado em morcegos e que tenha feito o salto para seres humanos em um mercado de frutos do mar e animais vivos na cidade, por meio de um animal infectado que estava sendo vendido como alimento exótico no mercado. Pacientes subsequentes provavelmente adquiriram a infecção de outros casos humanos. O período de incubação foi relatado como sendo inferior a 14 dias, embasando um período de quarentena de 14 dias.

Após nove semanas de transmissão sustentada, em 25 de fevereiro, a província de Hubei relatou 64.084 casos confirmados com 2.346 mortes. O número real de casos é provavelmente muito maior, já que provavelmente apenas os casos mais graves são incluídos nos relatórios devido à escassez de kits de teste. Até agora, a taxa de fatalidade parece ser menor do que a taxa de fatalidade para SARS e MERS, porém maior do que aquela observada para a gripe epidêmica. É provável que a presença de muitas infecções leves não diagnosticadas esteja limitando os esforços para controlar a disseminação desta infecção.

As autoridades chinesas responderam colocando milhões de pessoas na província de Hubei em quarentena em 23 de janeiro de 2020. As restrições surgiram na véspera do Ano Novo Lunar, uma das datas mais importantes no calendário chinês, quando milhões de pessoas viajam para casa. Na verdade, estima-se que cinco milhões de pessoas deixaram Wuhan antes do confinamento e um número correspondente de casos surgiu em províncias chinesas nos arredores e casos com histórico de viagem indo ou voltando de Wuhan começaram a aparecer fora da China, em lugares como Hong Kong e Cingapura.

Um empresário britânico contraiu o SARS-CoV2 em uma conferência em Cingapura, de 20 a 22 de janeiro de 2020, que foi frequentada por 109 pessoas de muitos países diferentes, sendo pelo menos uma de Hubei, antes de viajar para a França, onde ele transmitiu a doença para 11 colegas em um chalé de esqui nos Alpes Franceses. Depois, ele voltou para o Reino Unido passando pela Suíça. Durante suas viagens por vários países, ele terá entrado em contato com muitas pessoas antes de descobrir que estava infectado pelo SARS-CoV2.

Transmissão do SARS-CoV2

Acredita-se que o SARS Co-V2 seja disseminado principalmente por

  • Inalação de gotículas respiratórias lançadas pela tosse ou espirro de uma pessoa infectada

Tocar em uma superfície contaminada e, em seguida, tocar nos seus olhos ou boca também pode disseminar o vírus.

Poderia ser uma pandemia?

Uma pandemia envolve a transmissão sustentada de um agente infeccioso em muitos países, através de muitas gerações, em escala global. Até agora, quase 98% dos casos ocorreram na China. Fora da China, as infecções têm envolvido principalmente viajantes infectados na China. A transmissão sustentada do SARS‑CoV2 fora da China ocorreu em apenas alguns países, mas o padrão está claramente mudando e mudando rápido. 

Há uma semana, as indicações de uma epidemia do COVID-19 ocorrendo nos Estados Unidos pareciam baixas. Mas isso também está mudando muito rapidamente. Durante 48 horas, de 21 a 23 de fevereiro, os casos de COVID-19 nos EUA aumentaram de 15 para 35, incluindo 13 casos associados a viagens, 18 casos em cidadãos americanos repatriados do navio de cruzeiro, Diamond Princess, em quarentena no Japão e três casos de cidadãos dos EUA evacuados de Wuhan. Um residente da Califórnia, que não viajou para países onde o SARS‑CoV2 está circulando e não foi exposto a ninguém conhecido por estar infectado pelo coronavírus, poderá ser o primeiro caso de “disseminação comunitária” nos Estados Unidos, disse o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA na quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020. O número de casos neste país aumentou agora para 60, incluindo os 3 casos de americanos repatriados de Wuhan e 42 do navio de cruzeiro, Diamond Princess, mais 15 casos confirmados neste país.

Prevenção

Ainda não existe nenhuma vacina capaz de prevenir que o SARS-CoV2 continue a se disseminar, tampouco existe medicamento antiviral específico para ele. Mas pesquisadores em todo o mundo estão correndo para testar medicamentos. Muitas organizações, incluindo o NIH, o Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, a Universidade de Hong Kong, a Universidade de Queensland, a Universidade de Saskatchewan e várias empresas farmacêuticas estão trabalhando para desenvolver possíveis vacinas contra SARS‑CoV‑2. A esperança é que o desenvolvimento rápido de uma vacina e de medicamentos possa mitigar a evolução do COVID‑19 para uma pandemia.

Os métodos mais eficazes para prevenir infecções são principalmente aqueles usados para outras infecções:

  • Evitar contato com pessoas infectadas (em outras palavras, pessoas doentes devem permanecer em casa)
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com mãos não lavadas
  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por, pelo menos, 20 segundos ou usar um desinfetante de mãos à base de álcool, que contenha pelo menos 60% de álcool, se não houver sabão e água disponíveis.

Superfícies tocadas por muitas pessoas (por exemplo, botões de elevador, maçanetas, acessórios de banheiro) devem ser limpas regularmente com um lenço descartável.

Máscaras faciais provavelmente não são necessárias para a maioria das pessoas. No entanto, profissionais de saúde e pessoas que cuidam de pessoas com SARS CoV-2 devem usar máscaras faciais justas chamadas N-95. As máscaras cirúrgicas simples e soltas não impedem que as pessoas respirem gotículas infecciosas no ar. No entanto, as máscaras cirúrgicas simples (não N-95) devem ser usadas por pessoas infectadas com o COVID-19 quando estiverem perto de pessoas expostas às emissões respiratórias do usuário infectado. Como as máscaras faciais N-95 se encaixam firmemente na face, seu uso pode dificultar a respiração do paciente.

Pessoas muito enfermas podem precisar ficar no isolamento em um hospital. Pessoas com infecção menos grave podem ser isoladas em casa. As pessoas que estão bem, mas tiveram contato com uma pessoa infectada pelo COVID-19 devem ficar em quarentena em casa por 14 dias (o período de incubação).

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