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Medicamentos e envelhecimento

Por

J. Mark Ruscin

, PharmD, FCCP, BCPS, Southern Illinois University Edwardsville School of Pharmacy;


Sunny A. Linnebur

, PharmD, BCPS, BCGP, University of Colorado Anschutz Medical Campus

Última revisão/alteração completa dez 2018| Última modificação do conteúdo dez 2018
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Os medicamentos, a intervenção médica mais comum, são uma parte importante dos cuidados médicos para os idosos. Sem medicamentos, muitos idosos funcionariam pior ou morreriam antes.

Você sabia que...

  • Mais da metade dos idosos não tomam os medicamentos como indicado por seus médicos.

  • Os idosos são mais suscetíveis aos efeitos (e efeitos colaterais) de muitos medicamentos.

Os idosos tendem a tomar mais medicamentos do que as pessoas jovens porque eles são mais propensos a terem distúrbios médicos crônicos, como hipertensão arterial, diabetes ou artrite. A maioria dos medicamentos usados pelos idosos para disfunções crônicas são tomados durante anos. Outros medicamentos devem ser tomados apenas por um período curto de tempo para tratar problemas como infecções, alguns tipos de dor e constipação. Quase 90% dos adultos idosos tomam regularmente, pelo menos, um medicamento com prescrição médica, quase 80% tomam regularmente, pelo menos, dois medicamentos com prescrição médica e 36% tomam regularmente, pelo menos, cinco medicamentos com prescrição médica diferentes. Quando suplementos de venda livre e dietéticos são incluídos, essas taxas são ainda maiores. As mulheres costumam tomar mais medicamentos que os homens. Idosos fragilizados, hospitalizados ou em casas de repouso são os que tomam mais medicamentos. Residentes de casas de repouso têm prescrição de, em média, sete a oito medicamentos diferentes para administração regular.

Idosos também tomam muitos medicamentos sem prescrição (de venda livre). Muitos medicamentos de venda livre são potencialmente perigosos para pessoas idosas (veja Precauções com medicamentos de venda livre: pessoas idosas).

Benefícios e riscos de medicamentos com prescrição

Muitas das melhorias na saúde e no funcionamento dos idosos durante as últimas décadas podem ser atribuídas aos benefícios dos medicamentos.

  • As vacinas ajudam a prevenir muitas doenças infecciosas (como influenza e pneumonia) que antes matavam muitos idosos.

  • Os antibióticos são frequentemente eficazes no tratamento de infecções sérias, incluindo pneumonia.

  • Os medicamentos para controlar a hipertensão arterial (anti-hipertensivos) ajudam a prevenir acidente vascular cerebral e ataques cardíacos.

  • Os medicamentos para controlar os níveis de açúcar no sangue (insulina e outros medicamentos anti-hiperglicêmicos) permitem que milhões de pessoas com diabetes levem vidas normais. Esses medicamentos também reduzem o risco de problemas nos olhos e nos rins que são causados pelo diabetes.

  • Os medicamentos para controlar a dor e outros sintomas permitem que milhões de pessoas com artrite continuem a funcionar.

No entanto, os medicamentos têm efeitos que não são esperados ou desejados (efeitos colaterais). Começando no final da meia-idade, o risco dos efeitos colaterais relacionados ao uso de medicamentos aumenta. Os idosos são duas vezes mais suscetíveis aos efeitos colaterais dos medicamentos do que os jovens. Também é mais provável que os efeitos colaterais sejam mais graves, afetando a qualidade de vida e resultando em visitas ao médico e hospitalização.

Os idosos são mais suscetíveis aos efeitos colaterais dos medicamentos por várias razões:

  • À medida que as pessoas envelhecem, a quantidade total de água no corpo diminui e a proporção de tecido adiposo aumenta. Portanto, nos idosos, os medicamentos que se dissolvem em água alcançam concentrações mais elevadas, porque existe menos água para sua dissolução, e os medicamentos que se dissolvem em gordura se acumulam mais, porque há relativamente mais tecido adiposo para armazená-los (consulte Distribuição de medicamentos).

  • À medida que se envelhece, os rins são menos capazes de excretar os medicamentos na urina, e o fígado é menos capaz de quebrar (metabolizar) muitos medicamentos (consulte Metabolismo dos medicamentos). Portanto, os medicamentos são removidos do corpo mais lentamente (consulte Eliminação de medicamentos).

  • Os idosos tomam muitos medicamentos e têm muitos distúrbios.

  • As pessoas que tomam mais medicamentos estão em risco mais elevado de interações medicamentosas.

  • Poucos estudos têm sido feitos em idosos para ajudar a identificar as doses de medicamentos apropriadas.

  • Os idosos são mais propensos a apresentarem distúrbios médicos crônicos que podem ser agravados por medicamentos ou que podem afetar o modo como os medicamentos funcionam.

Devido a essas alterações relacionadas com a idade, muitos medicamentos tendem a permanecer no corpo do idoso por muito tempo, prolongando o efeito do medicamento e aumentando o risco dos efeitos colaterais. Por esses motivos, os idosos devem tomar doses menores de certos medicamentos ou até mesmo um número reduzido de doses diárias. Por exemplo, a digoxina, um medicamento às vezes usado para tratar certos distúrbios cardíacos, se dissolve em água e é eliminado pelos rins. Devido à redução de água no corpo e à função menos eficiente dos rins com a idade, as concentrações de digoxina no corpo podem ser aumentadas, resultando em maior risco de efeitos colaterais (como náusea ou ritmos cardíacos anormais). Para prevenir esse problema, os médicos podem usar uma pequena dose. Ou, às vezes, outros medicamentos podem ser usados como substitutos.

Os idosos são mais sensíveis aos efeitos de muitos medicamentos. Por exemplo, os idosos tendem a sentir mais sonolência e são mais propensos a ficar confusos ao usarem determinados medicamentos ansiolíticos (consulte a tabela Medicamentos usados no tratamento dos transtornos de ansiedade) ou soníferos para tratar a insônia. Alguns medicamentos que reduzem a pressão arterial tendem a reduzir a pressão arterial de forma muito mais pronunciada em idosos do que em pessoas mais jovens. Reduções maiores da pressão arterial podem resultar em efeitos colaterais como tontura, sensação de desmaio iminente e quedas. Os idosos que apresentam esses efeitos colaterais devem conversar sobre eles com seu médico.

Tabela
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Alguns medicamentos particularmente propensos a causar problemas em idosos

Medicamento

Uso

Problema

Bloqueadores alfa-adrenérgicos (tais como doxazosina, prazosina e terazosina)

Para tratar hipertensão arterial

Esses medicamentos não devem ser usados para tratar hipertensão arterial.

O uso desses medicamentos aumenta o risco de hipotensão ortostática (redução súbita da pressão arterial quando uma pessoa se levanta).

Esses medicamentos podem tornar difícil para as mulheres segurar a urina.

Agonistas alfa-adrenérgicos (como clonidina, guanabenzo, guanfacina, metildopa e reserpina)

Para tratar hipertensão arterial

Esses medicamentos normalmente não devem ser usados para tratar hipertensão arterial, a menos que outros medicamentos tenham sido ineficazes.

O uso desses medicamentos pode causar hipotensão ortostática e frequência cardíaca anormalmente lenta e pode retardar a função cerebral.

Metildopa e reserpina podem contribuir para a depressão.

A reserpina pode contribuir para a disfunção erétil (impotência).

Analgésicos (alguns, como meperidina e pentazocina)

Para aliviar a dor

Meperidina, um opioide, geralmente causa confusão e pode, às vezes, causar convulsões. Como todos os outros opioides, pode causar constipação, retenção de urina, sonolência e confusão. Quando tomada via oral, a meperidina não é muito eficaz.

A pentazocina pode causar confusão e alucinações.

Amiodarona

Em geral, a amiodarona não deve ser a primeira escolha para tratar fibrilação atrial (um ritmo cardíaco anormal), exceto em circunstâncias especiais.

A amiodarona pode aumentar o risco de distúrbios da tireoide, distúrbios pulmonares e síndrome do QT longo (que, sozinho, pode contribuir para ritmos cardíacos anormais sérios).

Antidepressivos (os mais antigos, como amitriptilina, amoxapina, clomipramina, desipramina, doxepina em doses elevadas, imipramina, nortriptilina, paroxetina, protriptilina e trimipramina).

Para tratar depressão

Esses antidepressivos mais antigos têm fortes efeitos anticolinérgicos.* Eles também aumentam o risco de quedas, constipação, boca seca, sonolência excessiva e ritmos cardíacos anormais.

Anti-histamínicos (os mais antigos) que possuem efeitos anticolinérgicos* (como bronfeniramina, carbinoxamina, clorfeniramina, clemastina, cipro-heptadina, dexbronfeniramina, dexclorfeniramina, dimenidrinato, difenidramina, doxilamina, hidroxizina, meclizina, prometazina e triprolidina)

Para aliviar os sintomas de alergia ou de resfriado, ou para ajudar a dormir

Muitos anti-histamínicos isentos de prescrição (de venda livre) e com prescrição têm potentes efeitos anticolinérgicos.*

Esses anti-histamínicos podem causar sonolência e confusão e, quando usados regularmente, também podem causar constipação, boca seca e dificuldade para urinar.

Anti-histamínicos são comumente incluídos em formulações para tosse e resfriado e em analgésicos para uso ao deitar.

Quando esses medicamentos são utilizados como soníferos, as pessoas podem desenvolver tolerância aos seus efeitos.

Medicamentos antiparkinsonianos (benztropina e triexifenidil)

Para tratar a doença de Parkinson

Medicamentos mais eficazes estão disponíveis.

Benztropina e triexifenidil têm potentes efeitos anticolinérgicos.*

Medicamentos antipsicóticos (como clorpromazina, haloperidol, tiotixeno, risperidona, olanzapina, quetiapina e aripiprazol) e metoclopramida

Para tratar perda de contato com a realidade (psicose) ou, de certa forma controversa, para tratar distúrbios de comportamento em pessoas com demência.

Às vezes, para tratar náusea (geralmente clorpromazina ou metoclopramida apenas)

Medicamentos antipsicóticos podem causar sonolência, distúrbios de movimento (que se parecem com doença de Parkinson) e espasmos faciais incontroláveis. Alguns desses medicamentos também têm efeitos anticolinérgicos.* Alguns efeitos colaterais são potencialmente fatais. Os medicamentos antipsicóticos devem ser utilizados apenas quando um distúrbio psicótico estiver presente e precisar que um médico monitore atentamente a pessoa.

Quando administrados a pessoas com demência, os medicamentos antipsicóticos aumentam o risco de acidente vascular cerebral e morte.

A metoclopramida pode causar sonolência e distúrbios de movimento (que se parecem com doença de Parkinson). Em geral, a metoclopramida não deve ser usada por mais de três meses.

Barbitúricos (como amobarbital, butabarbital, butalbital, mefobarbital, pentobarbital, fenobarbital e secobarbital)

Para acalmar, para aliviar a ansiedade ou para ajudar a dormir

As pessoas podem ficar dependentes desses medicamentos, os medicamentos podem se tornar ineficazes em ajudar as pessoas a dormirem, e as pessoas podem ter superdosagem mesmo com a administração de doses baixas desses medicamentos.

Benzodiazepínicos (como alprazolam, clordiazepóxido, clordiazepóxido com amitriptilina, clidínio com clordiazepóxido, clonazepam, clorazepato, diazepam, estazolam, flurazepam, lorazepam, oxazepam, quazepam, temazepam e triazolam)

Para acalmar, para aliviar a ansiedade ou para ajudar a dormir

Esses medicamentos podem causar sonolência e perda de equilíbrio ao andar. O risco de quedas e fraturas aumenta, assim como o risco de colisões de veículos a motor.

Os efeitos de alguns desses medicamentos permanecem por um longo tempo (frequentemente mais do que vários dias) em idosos.

Certos medicamentos hipnóticos (como eszopiclona, zaleplona e zolpidem)

Para ajudar a dormir

Os efeitos colaterais desses medicamentos são semelhantes aos dos benzodiazepínicos. É mais adequado usar esses medicamentos apenas por curtos períodos.

Desmopressina

Para ajudar a controlar a micção noturna

A desmopressina tem um alto risco de causar hiponatremia (baixa concentração de sódio no sangue). A desmopressina não deve ser usada para o tratamento de micção excessiva à noite, pois existem alternativas mais seguras.

Com a idade, os rins são menos capazes de retirar a digoxina do corpo. Grandes doses do medicamento podem alcançar mais facilmente níveis perigosos (tóxicos). Os efeitos colaterais podem incluir perda de apetite, náusea e confusão.

Dipiridamol (liberação imediata)

Para reduzir o risco de coágulos sanguíneos ou para aumentar o fluxo sanguíneo

O dipiridamol causa frequentemente pressão arterial baixa em idosos quando eles se levantam. Ele também pode aumentar o risco de sangramento quando é tomado com outros medicamentos que fazem o sangue menos propenso a coagular, como aspirina ou o anticoagulante varfarina.

Medicamentos que reduzem ou interrompem os espasmos musculares no trato digestivo (medicamentos antiespasmódicos, como atropina [exceto por colírios], alcaloides da Beladona, clidínio/clordiazepoxida, diciclomina, hiosciamina, propantelina e escopolamina)

Para aliviar a dor e câimbras abdominais

Esses medicamentos têm fortes efeitos anticolinérgicos* e frequentemente causam efeitos colaterais em idosos. Sua utilidade - especialmente em doses baixas toleradas por idosos - é questionável.

Mesilato de ergotamina e isoxsuprina

Para dilatar vasos sanguíneos

Esses medicamentos não são eficazes para pessoas de qualquer idade.

Estrogênios com ou sem progestina

Para tratar osteoporose e ajudar a aliviar os sintomas da menopausa, como ondas de calor, suores noturnos e ressecamento vaginal.

Os estrogênios aumentam o risco de câncer de útero (endométrio) e mama e podem aumentar o risco de acidente vascular cerebral, ataque cardíaco e demência em mulheres idosas. Os produtos de estrogênio vaginal parecem ser seguros e eficazes para tratar relações sexuais dolorosas, infecções do trato urinário e outros sintomas vaginais.

Bloqueadores de histamina-2 (H2) como cimetidina, famotidina, nizatidina e ranitidina)

Para tratar azia (refluxo ácido), indigestão ou úlceras

Doses típicas de cimetidina podem apresentar interações medicamentosas e causar efeitos colaterais, especialmente confusão.

Em certa medida, altas doses de famotidina, nizatidina e ranitidina podem causar efeitos colaterais, especialmente confusão.

Esses medicamentos podem prejudicar a memória e agravar problemas com o pensamento em pessoas com comprometimento cognitivo.

Insulina administrada por uma escala variável

Para tratar diabetes

Quando administrada dessa forma, a insulina pode causar níveis perigosamente baixos de açúcar no sangue e não é mais eficaz no controle do diabetes do que doses fixas de insulina administradas com refeições.

Óleo mineral

Para tratar constipação

Quando administrado pela boca, o óleo mineral pode ser inalado acidentalmente para os pulmões, o que causa lesão pulmonar.

Hormônios sexuais masculinos (como testosterona e metiltestosterona)

Para níveis baixos de testosterona (chamado hipogonadismo masculino)

Esses hormônios devem ser usados apenas se os níveis de testosterona de um homem forem baixos e causarem sintomas significativos. O uso desses hormônios pode contribuir para distúrbios cardíacos e piorar distúrbios da próstata.

Megestrol

Para aumentar o apetite e ajudar na recuperação da perda de peso

O megestrol pode causar coágulos sanguíneos e, possivelmente, aumentar o risco de morte e, normalmente, não é muito eficaz em ajudar as pessoas a ganharem peso.

Relaxantes musculares (como carisoprodol, clorzoxazona, ciclobenzaprina, metaxalona, metocarbamol e orfenadrina)

Para aliviar espasmos musculares

A maior parte dos relaxantes musculares tem efeitos anticolinérgicos.* Eles podem causar sonolência e fraqueza e, portanto, aumentar o risco de quedas e fraturas. A utilidade de todos os relaxantes musculares em doses baixas necessárias para evitar efeitos colaterais em idosos é questionável. Os riscos provavelmente são maiores que os benefícios.

Nifedipino (liberação imediata)

O nifedipino, se tomado em forma de cápsula de liberação imediata, pode diminuir muito a pressão arterial e, às vezes, causar sintomas semelhantes aos de um ataque cardíaco (por exemplo, pressão e dor torácicas).

Para tratar infecções da bexiga

Com uso prolongado, a nitrofurantoína pode causar efeitos colaterais (como lesão pulmonar). Quando utilizada para tratar uma infecção da bexiga, pode não ser eficaz se a função renal estiver reduzida.

AINEs (como aspirina, diclofenaco, diflunisal, etodolaco, fenoprofeno, ibuprofeno, indometacina, cetoprofeno, meclofenamato, ácido mefenâmico, meloxicam, nabumetona, naproxeno, oxaprozina, piroxicam, sulindaco e tolmetina)

Inibidores de COX-2 (celecoxibe)

Para aliviar a dor e a inflamação

O uso prolongado de AINEs pode causar úlcera péptica ou hemorragia do estômago ou intestino, a menos que outro medicamento também seja administrado para proteger o estômago. AINEs e celecoxibe também podem piorar a função renal e os sintomas de insuficiência cardíaca.

De todos os AINEs, a indometacina é o que causa mais efeitos colaterais. Pode também causar confusão ou tontura.

Inibidores da bomba de prótons

Para reduzir a produção de ácido gástrico e tratar refluxo ácido e úlceras

O uso de longo prazo de inibidores da bomba de prótons aumenta o risco de diarreia grave causada por infecção por Clostridium difficile, fraturas e perda óssea, e deficiência de vitamina B12.

Sulfonilureias (de longa atuação, como clorpropamida e gliburida)

Para tratar diabetes

Os efeitos da clorpropamida e gliburida duram bastante tempo. Em idosos, esses medicamentos podem causar baixos níveis de açúcar no sangue (hipoglicemia) por várias horas. A clorpropamida também pode fazer com que os rins retenham muita água, reduzindo o nível de sódio no sangue.

Ticlopidina

Para ajudar a evitar acidentes vasculares cerebrais

A ticlopidina pode causar distúrbios sanguíneos sérios. Medicamentos mais seguros e mais eficazes estão disponíveis.

*Os efeitos anti­colinérgicos incluem confusão, visão turva, constipação, boca seca, sensação de desmaio iminente, perda do equilíbrio e dificuldade para começar a urinar.

Dipiridamol também está disponível em uma formulação de liberação estendida com aspirina. Este produto, que é usado para prevenir acidente vascular cerebral em pessoas que já tiveram um AVC, não está incluído nesta lista.

Inibidores de COX-2 = coxibes; AINEs = medicamentos anti-inflamatórios não esteroides.

Muitos medicamentos habitualmente usados têm efeitos anticolinérgicos. Esses medicamentos incluem alguns antidepressivos (amitriptilina e imipramina), muitos anti-histamínicos (como difenidramina, contido em soníferos de venda livre, remédios para resfriado e medicamentos para alergia) e muitos antipsicóticos (como clorpromazina e clozapina). Os idosos, especialmente os com comprometimento da memória, são particularmente suscetíveis a efeitos anticolinérgicos, que incluem confusão, visão turva, constipação, boca seca e dificuldade para começar a urinar. Alguns efeitos anticolinérgicos, como redução de tremores (como no tratamento da doença de Parkinson) e a redução de náuseas são desejáveis, ainda que a maioria não o seja.

Anticolinérgicos: O que isso significa?

Os efeitos anticolinérgicos são causados por medicamentos que bloqueiam a ação da acetilcolina. A acetilcolina é um mensageiro químico (neurotransmissor) liberado por uma célula nervosa que transmite um sinal a uma célula nervosa vizinha ou a uma célula situada em um músculo ou glândula. A acetilcolina ajuda as células a se comunicarem umas com as outras. A acetilcolina ajuda a memória, a aprendizagem e a concentração. Ela também ajuda a controlar o funcionamento do coração, dos vasos sanguíneos, vias aéreas, órgãos urinários e digestivos. Os medicamentos que bloqueiam os efeitos da acetilcolina podem interromper o funcionamento normal desses órgãos.

Muitos medicamentos habitualmente usados têm efeitos anticolinérgicos. A maioria desses medicamentos não foi concebida para apresentar esses efeitos indesejáveis. Efeitos anticolinérgicos incluem os seguintes:

  • Confusão

  • Visão embaçada

  • Constipação

  • Boca seca

  • Sensação de desmaio iminente e perda do equilíbrio

  • Dificuldade em urinar

No entanto, os medicamentos anticolinérgicos também podem ter efeitos úteis, como ajudar a controlar tremores, náusea ou bexiga hiperativa.

Os idosos são mais propensos a sofrer efeitos anticolinérgicos, visto que, com a idade, a quantidade de acetilcolina no corpo diminui. Consequentemente, os medicamentos anticolinérgicos bloqueiam uma porcentagem alta de acetilcolina, já que o corpo ao envelhecer é menos capaz de usar a pouca acetilcolina presente. Além disso, as células em muitas partes do corpo (como o trato digestivo) têm menos lugares onde a acetilcolina pode atacar. Como resultado, os médicos normalmente tentam evitar usar medicamentos com efeitos anticolinérgicos em idosos, se possível.

Um medicamento pode ter um efeito colateral porque interage com

  • Um distúrbio, sintoma ou quadro clínico que não seja aquele para o qual o medicamento está sendo tomado (interação entre medicamento e doença)

  • Outro medicamento (interação medicamentosa)

  • Alimentos (interação entre medicamentos e alimentos)

  • Uma erva medicinal (interação entre medicamento e erva medicinal – consulte a tabela Algumas interações entre medicamentos e ervas medicinais possíveis)

Uma vez que os idosos tendem a ter mais doenças e tomar mais medicamentos do que os jovens, eles são mais propensos a apresentarem interações medicamentosas e entre medicamento e doença. Em muitas interações entre medicamento e doença, a administração de um medicamento pode piorar um distúrbio, sintoma ou quadro clínico (consulte a tabela Alguns distúrbios e sintomas que podem ser agravados por medicamentos em idosos).

Tabela
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Alguns distúrbios e sintomas que podem ser agravados por medicamentos em idosos

Distúrbio ou sintoma

Medicamentos

AINEs (como ibuprofeno e naproxeno)

Delirium, demência ou comprometimento cognitivo leve

Clorpromazina

Corticosteroides

Medicamentos com efeitos sedativos (como benzodiazepínicos, sedativos e soníferos) ou efeitos anticolinérgicos*

Bloqueadores de histamina-2 (cimetidina, famotidina, nizatidina, ranitidina)

Meperidina

Desmaio ou hipotensão ortostática (redução súbita da pressão arterial quando uma pessoa fica de pé)

Clorpromazina, donepezila, doxazosina, galantamina, olanzapina, prazosina, alguns antidepressivos mais antigos (como amitriptilina e imipramina), rivastigmina, terazosina, tioridazina

Uso de mais de um medicamento anti-hipertensivo (ou excesso de um anti‑hipertensivo)

Medicamentos com efeitos sedativos (como medicamentos antiepilépticos, antipsicóticos, benzodiazepínicos, eszopiclona, zaleplona e zolpidem), antidepressivos, alguns medicamentos anti-hipertensivos, quando utilizados em doses altas, e opioides

Cilostazol, diltiazem, disopiramida, dronedarona (em pacientes com insuficiência cardíaca grave), AINEs e inibidores de COX-2, pioglitazona, rosiglitazona, verapamil

Cafeína, descongestionantes nasais (como pseudoefedrina e fenilefrina), estimulantes (como armodafinila, anfetamina, metilfenidato e modafinila), teofilina e selegilina

Certos medicamentos antináusea (metoclopramida, proclorperazina, prometazina) e a maioria dos antipsicóticos, exceto alguns como quetiapina e clozapina

Úlcera péptica ou hemorragia gástrica

Aspirina e a maioria dos AINEs

Bupropiona, clorpromazina, clozapina, maprotilina, meperidina, olanzapina, tioridazina, tiotixeno, tramadol

Doxazosina, estrogênios administrados pela boca ou pela pele (não aplicados diretamente na vagina), prazosina, terazosina

Retenção urinária ou sintomas urinários provocados pelo aumento da próstata (como fluxo urinário baixo, micção frequente de pequenas quantidades e gotejamento)

Medicamentos com efeitos anticolinérgicos*, medicamentos para resfriado que contêm descongestionantes, ou uma combinação de anti-histamínicos e descongestionantes

*Os efeitos anti­colinérgicos incluem confusão, visão turva, constipação, boca seca, sensação de desmaio iminente, perda do equilíbrio e dificuldade para começar a urinar.

Inibidores de COX-2 = coxibes; AINEs = medicamentos anti-inflamatórios não esteroides.

Pacientes, médicos e farmacêuticos podem tomar medidas para reduzir o risco de interações medicamentosas e entre medicamento e doença. Já que os medicamentos de venda livre e as ervas medicinais podem interagir com outros medicamentos, as pessoas devem perguntar a seus médicos ou ao farmacêutico sobre o uso combinado desses medicamentos com medicamentos receitados.

Não seguir as orientações do médico ao tomar um medicamento (chamado não adesão) pode ser um risco (consulte Adesão ao tratamento medicamentoso). A idade avançada, por si só, não torna as pessoas menos propensas a tomarem os medicamentos como indicado. No entanto, mais da metade dos idosos não tomam os medicamentos como indicado por seus médicos. Não tomar um medicamento, ou tomar pouco ou muito pode causar problemas. Mesmo que pareça razoável tomar menos doses de um medicamento porque tem efeitos colaterais, as pessoas devem consultar um médico antes de fazer qualquer modificação no modo como se toma um medicamento.

Maximizando os benefícios e reduzindo os riscos da administração de medicamentos

Os idosos e as pessoas que cuidam de idosos podem fazer muitas coisas para maximizar os benefícios e reduzir os riscos de tomar medicamentos. Qualquer questão ou problema com um medicamento deve ser conversado com o médico ou farmacêutico. Tomar os medicamentos como indicado e se comunicar com os profissionais de saúde é essencial para evitar problemas e promover a boa saúde.

Conhecer os medicamentos e disfunções sendo tratadas:

  • Manter uma lista de todos os problemas médicos e alergias a medicamentos.

  • Manter uma lista de todos os medicamentos que estão sendo tomados, incluindo os de venda livre e suplementos, como vitaminas, minerais e ervas medicinais.

  • Aprender por que cada medicamento é tomado e quais são os benefícios que deveria ter.

  • Aprender quais efeitos colaterais cada medicamento pode ter e o que fazer se um efeito colateral ocorrer.

  • Aprender como tomar cada medicamento, incluindo a que horas do dia ele deve ser tomado, se pode ser tomado com alimentos, se pode ser tomado na mesma hora que os outros medicamentos, e quando parar de tomá-los.

  • Aprender o que fazer se uma dose é esquecida.

  • Anotar as informações sobre como tomar o medicamento e perguntar ao médico, enfermeiro ou farmacêutico para anotar as indicações (essas informações podem ser esquecidas facilmente).

Usar os medicamentos corretamente:

  • Tomar os medicamentos como indicado.

  • Usar auxiliares de memória, como um organizador de medicamentos, para tomar os medicamentos conforme instruído.

  • Antes de parar um medicamento, consulte o médico sobre qualquer problema – por exemplo, se houver efeitos colaterais, se o medicamento parece não funcionar, ou se o custo do remédio for um problema.

  • Descarte qualquer medicamento não usado de uma receita anterior, a menos que indicado para não fazê-lo por um médico, enfermeiro ou farmacêutico.

  • Ao descartar um medicamento, siga as instruções de descarte na bula, verifique as informações no website da Agência Federal de Alimentos e Medicamentos, leve os medicamentos a um centro de descarte autorizado (possivelmente uma farmácia ou centro de aplicação da lei local) ou misture o medicamento com areia para gatos ou borra de café, embale firmemente em um material plástico ou similar, coloque em um recipiente ou saco que possa ser fechado ou vedado e descarte no lixo.

  • Não tome os medicamentos de outra pessoa, mesmo se o problema desta pessoa parece similar ao seu.

  • Verifique a data de validade dos medicamentos, e não os use se a data estiver vencida.

Mantenha o vínculo com o médico e o farmacêutico:

  • Compre todos os medicamentos na mesma farmácia, de preferência uma farmácia que forneça serviços abrangentes (como a verificação de possíveis interações medicamentosas) e que mantenha um perfil completo dos medicamentos para cada pessoa.

  • Leve todos os medicamentos às consultas com o médico, se solicitado.

  • Converse periodicamente sobre a lista de medicamentos sendo tomados e a lista de distúrbios com o médico, enfermeiro ou farmacêutico para garantir que os medicamentos estão corretos e que devem ser mantidos. Por exemplo, as pessoas podem testar a si mesmas dizendo aos seus profissionais de saúde como devem tomar todos os medicamentos e perguntando se o que elas disseram está correto.

  • Analise a lista de medicamentos com o médico, enfermeiro ou farmacêutico todas as vezes que um medicamento for alterado (os médicos e farmacêuticos podem verificar as interações medicamentosas).

  • Certifique-se de que o médico e o farmacêutico sabem sobre todos os suplementos e medicamentos de venda livre que estão sendo tomados, incluindo vitaminas, minerais e ervas medicinais.

  • Consulte o médico ou farmacêutico antes de tomar qualquer medicamento novo, incluindo medicamentos de venda livre e suplementos.

  • Relate ao médico ou farmacêutico qualquer sintoma que possa estar relacionado com o uso de um medicamento (como sintomas novos ou imprevistos).

  • Se o programa para tomar os medicamentos for muito complexo para seguir, pergunte ao médico ou farmacêutico sobre como simplificá-lo.

  • Caso se consulte com mais de um médico, certifique-se de que cada médico saiba de todos os medicamentos que estão sendo tomados.

  • Peça ao farmacêutico para imprimir os rótulos em letras grandes, e verifique que possam ser lidos.

  • Peça ao farmacêutico para colocar os medicamentos em recipientes fáceis de segurar e abrir.

Lembrando de tomar os medicamentos conforme prescrito

Para beneficiar-se dos medicamentos, as pessoas devem lembrar-se de não apenas tomá-los, mas também de tomá-los na hora certa e no modo certo. Quando vários medicamentos são tomados, o programa para tomá-los pode ser complexo. Por exemplo, os medicamentos podem ter que ser tomados em diferentes momentos ao longo do dia para evitar interações. Alguns medicamentos podem ter que ser ingeridos com comida. Outros medicamentos devem ser tomados quando não há comida no estômago. Quanto mais complexo for o programa, maior a probabilidade de as pessoas cometerem erros. Por exemplo, os bifosfonatos (como alendronato, risedronato e ibandronato) que são usados para aumentar a densidade óssea, precisam ser tomados com o estômago vazio e com água apenas (pelo menos um copo cheio). Se esses medicamentos são tomados com outros líquidos ou comida, eles não são bem absorvidos e não funcionam de maneira eficaz.

Se os idosos têm problemas de memória, seguir um programa complexo é ainda mais difícil. Essas pessoas normalmente precisam de ajuda, frequentemente de familiares. Pode-se pedir ao médico para simplificar o programa. Frequentemente, as doses podem ser reprogramadas para torná-las mais convenientes ou para reduzir o número total de doses diárias. Além disso, com o tempo, alguns medicamentos podem não ser mais necessários e sua administração pode ser interrompida.

As seguintes medidas podem ajudar as pessoas a lembrar de tomar seus medicamentos da forma prescrita:

  • Auxiliares de memória

  • Recipientes para medicamentos

  • Aplicativos de smartphone

Auxiliares de memória

Auxiliares de memória podem ajudar os idosos a se lembrarem de tomar seus medicamentos. Por exemplo, usar um medicamento pode estar associado com uma tarefa diária específica, como fazer uma refeição.

Recipientes para medicamentos

Um farmacêutico pode fornecer recipientes que ajudem as pessoas a tomarem os medicamentos conforme indicado. As doses diárias para uma ou duas semanas podem ser embaladas em uma cartela plástica marcada com os dias ou com as horas, para que as pessoas possam acompanhar as doses tomadas, observando os espaços vazios. Algumas farmácias podem embalar os medicamentos em cartelas, para que a dose diária possa ser facilmente removida e assim manter a contagem. Entretanto, essas embalagens podem custar um pouco mais. Além disso, muitas farmácias podem ajustar os cronogramas de reabastecimento para que medicamentos usados regularmente sejam coletados em um único dia de cada mês. Isso diminui a confusão, ajuda a reduzir idas à farmácia e minimiza erros ao encher organizadores de pílulas.

Estão disponíveis recipientes mais elaborados com um sistema de aviso computadorizado. Esses recipientes fazem um sinal sonoro ou luminoso ou informam o momento da dose.

Aplicativos de smartphone (aplicativos de telefone celular)

Aplicativos que ajudam as pessoas a gerenciarem seus medicamentos podem ser baixados em diversos smartphones e tablets. Esses aplicativos podem ajudar idosos ou seus familiares a lembrarem de tomar seus medicamentos no horário. Muitos desses aplicativos incluem alertas de lembrete, que são enviados ao dispositivo. Alguns desses aplicativos podem custar algum dinheiro.

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