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Considerações gerais sobre problemas sociais que afetam as crianças e suas famílias

Por

Steven D. Blatt

, MD, State University of New York, Upstate Medical University

Última revisão/alteração completa nov 2018| Última modificação do conteúdo nov 2018
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Para poder se desenvolver, a criança deve vivenciar o cuidado consistente e contínuo de um cuidador amoroso e encorajador, quer essa pessoa seja um dos pais ou um cuidador substituto. A segurança e o apoio que esse adulto pode proporcionar oferecem à criança a autoconfiança e a resiliência para lidar de maneira eficaz com o estresse.

Para amadurecer emocional e socialmente, as crianças devem interagir com pessoas fora de casa. Normalmente, essas interações ocorrem com familiares próximos, amigos, vizinhos e pessoas em creches, escolas, santuários e equipes desportivas ou de outras atividades. Ao lidar com os estresses e os conflitos de menor importância inerentes a essas interações, as crianças gradualmente adquirem as habilidades para lidar com fatores estressantes mais significativos. As crianças também aprendem vendo como os adultos lidam com o estresse nas suas vidas.

Tal como nos adultos, as crianças são afetadas por eventos que ocorrem fora das suas comunidades. Por exemplo, tiros disparados em escolas e outros locais ou eventos públicos, são amplamente cobertos por todos os tipos de mídia, e, quando acontecem, a maioria das crianças ouvem falar desses acontecimentos de alguns maneira. Especialmente tiroteios em escolas, recebem muita cobertura de plataformas da mídia tradicional como televisão, rádio e jornais, e de plataformas de mídias mais modernas como notícias on-line e mídias sociais como Facebook e Twitter. Quanto maior a idade da criança, mais acesso ela tem a informações sobre esses eventos. Além disso, notícias de diferenças políticas relacionadas a questões polarizantes como imigração e controle de armas são, frequentemente, divulgadas por mídias variadas usando uma linguagem extremamente agressiva e polarizante. Mesmo questões como seguro de saúde são frequentemente discutidos com extrema emoção ou de uma maneira hostil. Esses tipos de informação fornecidos de tal forma podem causar ansiedade em qualquer pessoa, mas podem ser particularmente estressantes e prejudiciais para crianças. Os pais podem não ser capazes de diminuir o estresse da criança ou limitar qualquer dano, pois eles podem sequer saber o a criança tem ouvido fora de casa.

Você sabia que...

  • Doenças ou morte de bebês ou crianças com frequência faz os pais se sentirem culpados, mesmo quando eles não têm culpa.

  • Às vezes as crianças precisam ouvir repetidamente a mesma mensagem sobre um problema difícil.

  • Crianças que sofrem bullying com frequência se sentem amedrontadas ou envergonhadas demais para contar a um adulto.

Certos acontecimentos importantes que perturbam a estrutura ou a rotina familiar, como doenças e divórcio, podem desafiar a capacidade de uma criança de lidar com as situações. Esses acontecimentos podem interferir também no desenvolvimento emocional e social da criança. Uma doença crônica, por exemplo, pode impedir que uma criança participe de atividades e também prejudicar o desempenho na escola.

Os fenômenos que afetam a criança também podem ter consequências negativas nas pessoas que lhe são próximas. Todos aqueles que cuidam de uma criança doente ou uma criança com problemas sérios de comportamento estão passando por estresse. As consequências desse estresse variam de acordo com a natureza e a gravidade da doença ou problema de comportamento e com os recursos emocionais e outros recursos e apoios da família.

Como conversar com crianças sobre assuntos difíceis

Muitos acontecimentos da vida, como doença ou morte de alguém próximo (consulte Morte de um familiar ou ente querido), divórcio e bullying são assustadores ou desagradáveis para as crianças. Até mesmo fenômenos que não afetam diretamente a criança, como desastres naturais, guerra ou terrorismo, podem provocar ansiedade. Os medos perante todas estas situações, racionais ou irracionais, podem preocupar a criança. Os pais podem evitar discutir eventos que provocam ansiedade, como um tiroteio em uma escola em outra comunidade, com seu filho na esperança da criança não estar ciente do evento. Pode ser melhor que os pais partam do pressuposto que a criança está ciente do evento e explorem, com suavidade, como a criança entende esse evento. Para a criança é melhor que ela fique sabendo ou pelo menos discuta um evento causador de ansiedade com seu pai ou mãe.

As crianças tendem a sentir dificuldade em falar sobre assuntos desagradáveis. No entanto, a discussão aberta pode ajudar a criança a enfrentar assuntos difíceis ou embaraçosos e dissipar temores irracionais. Uma criança precisa saber que a ansiedade é normal e que os sentimentos de ansiedade diminuirão com o tempo. Os pais que rotineiramente discutem assuntos difíceis com seus filhos desde pequenos com frequência percebem que eles são mais receptivos à discussão de assuntos complexos que eles encaram quando são adolescentes.

Os pais devem discutir assuntos difíceis durante um período tranquilo, em um local seguro e confortável e quando a criança demonstrar interesse. Os pais devem permanecer calmos, apresentar fatos e dar toda atenção à criança. Reconhecer o que a criança diz com frases tais como “Entendo”, ou com um aceno silencioso encoraja a criança a ter confiança. Reagir ao que a criança diz também é importante. Caso a criança mencione, por exemplo, raiva sobre um divórcio, um pai ou mãe pode dizer “Então o divórcio faz você ficar com raiva”, ou “Fale mais sobre isso”. Perguntar como a criança se sente também pode incentivar a discussão de emoções sensíveis ou temores. Por exemplo, o temor de ser abandonada pelo pai/mãe que não detém a guarda durante um divórcio ou sentir-se culpada pelo divórcio.

Ao conversar sobre seus próprios sentimentos, os pais incentivam as crianças a reconhecer os seus temores e preocupações. Sobre um divórcio, um pai ou mãe pode dizer, por exemplo, “Também estou triste com o divórcio. Mas também sei que essa é a coisa certa para papai e mamãe fazerem. Mesmo que não dê mais para vivermos juntos, vamos sempre amar você e cuidar de você”. Agindo assim, os pais podem falar dos seus próprios sentimentos, inspirar confiança e explicar por que o divórcio é a escolha certa para eles. Muitas crianças, especialmente as mais jovens, precisam ouvir a mesma mensagem repetidamente. Os pais não devem subestimar o valor da tranquilização oferecida por essas mensagens.

Também é possível que os pais precisem falar sobre um aspecto difícil do comportamento da própria criança. Pais que suspeitem que a criança ou adolescente está usando drogas ou álcool, por exemplo, devem abordar o assunto diretamente com ela. Os pais podem dizer “Estou com medo de você estar usando drogas. Sinto isso porque…” É importante que o pai/mãe converse de maneira clara e calma, expressando tanto as preocupações sobre o comportamento da criança como seu apoio e amor. Depois que as preocupações do pai/mãe foram informadas, a criança deve receber uma oportunidade para falar. A criança e o pai/mãe devem desenvolver um plano de ação que pode incluir uma consulta com um pediatra ou psicólogo.

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