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Comentário: Atualização sobre vacinas contra a COVID-19

Comentário
11/01/2021 Matthew E Levison, MD, Adjunct Professor of Medicine, Drexel University College of Medicine

Até meados de dezembro de 2020, o Rastreador de vacinas contra o coronavírus do The New York Times listou 59 vacinas em estudos clínicos em humanos, 16 das quais alcançaram os estágios finais (fase 3) dos testes. Pelo menos 86 vacinas adicionais estão sob investigação ativa em animais (https://www.nytimes.com/interactive/2020/science/coronavirus-vaccine-tracker.html). As vacinas contra o SARS-CoV-2 se baseiam em várias tecnologias diferentes que determinam os atributos da vacina, como o número de doses, a estabilidade à temperatura ambiente, a rapidez de desenvolvimento, a escalabilidade, a necessidade de adjuvantes (aditivos da vacina) e o custo.

 

Quais são os tipos de vacina contra a COVID-19?

As vacinas contra o SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19, podem ser classificadas em duas categorias amplas:

  • à base de genes
  • à base de proteínas

 

Vacinas à base de genes incluem vacinas de RNA, DNA, vetor viral e vacinas vivas e enfraquecidas (atenuadas) contra o vírus SARS-CoV-2.

Vacinas à base de proteínas incluem vacinas de vírus SARS-CoV-2 inativado e vacinas de proteína viral ou fragmento de proteína (subunidade).

A maioria dessas vacinas ensina o sistema imunológico a reconhecer e atacar a proteína spike que permeia a superfície do vírus SARS-CoV-2 e permite que ele se ligue à célula hospedeira.

Vacinas de mRNA: O SARS-CoV-2 é um vírus de RNA, que apresenta RNA (ácido ribonucleico) como seu material genético. Várias vacinas contra a COVID-19 utilizam um fragmento artificial (na forma de RNA mensageiro ou mRNA) do gene que codifica a proteína spike. Esse fragmento de gene mRNA é revestido por uma fina camada de material gorduroso (lipídio) que permite que o gene entre nas células do receptor da vacina. Então, as células do receptor usam esse gene artificial para sintetizar a proteína spike que, em seguida, estimula uma resposta imunológica protetora. São necessárias duas doses espaçadas em intervalos de três ou quatro semanas. Atualmente, duas vacinas de mRNA, agora com a autorização de uso emergencial pelas autoridades reguladoras dos Estados Unidos, estão sendo usadas para vacinar pessoas em vários países.

Vacinas de DNA: Uma vacina contra o SARS-CoV-2 usa um fragmento de gene semelhante, mas, neste caso, um pedaço de DNA que codifica a proteína spike. Esses pedaços de DNA são introduzidos diretamente nas células do receptor da vacina. Então, as células do receptor produzem a proteína spike.

Vacinas de vetor viral: Em vacinas de vetor viral, o gene da proteína spike do SARS-CoV-2 é inserido em um vírus carreador inofensivo que distribui o gene para as células do receptor da vacina, que, por sua vez, leem o gene e montam a proteína spike como se fosse uma de suas próprias proteínas. A proteína spike é apresentada nas superfícies das células do receptor, provocando uma resposta imune. Os vetores virais mais comuns são adenovírus humanos não replicantes que são enfraquecidos de modo a não causarem doença alguma.

Vacinas vivas atenuadas contra o SARS-CoV-2: Outro tipo de vacina consiste no vírus vivo, atenuado (enfraquecido) do SARS-CoV-2. O vírus ainda é infeccioso e pode causar uma resposta imunológica. No caso de algumas vacinas de vírus vivo atenuado, como a vacina oral Sabin contra o poliovírus, há uma possibilidade remota de que o vírus enfraquecido possa voltar à sua virulência total e causar a doença. Não se sabe se essa reversão ocorrerá com a vacina de vírus vivo atenuado do SARS-CoV-2.

Vacinas inativadas contra o SARS-CoV-2: Essas vacinas utilizam o vírus SARS-CoV-2 inativado pelo calor, pela radiação ou por produtos químicos, que interrompem completamente a capacidade de replicação do vírus.

Vacinas à base de proteínas: Essas vacinas contêm proteínas ou fragmentos de proteínas (subunidades) do SARS-CoV-2, que estimulam uma resposta imunológica protetora. Adjuvantes, que são aditivos da vacina, são necessários para aumentar a magnitude e a durabilidade da resposta dos anticorpos.

Vacinas em investigação não injetáveis: Todos os tipos de vacina discutidos anteriormente são administrados por injeção. Outras vias de administração para a vacina também estão sendo avaliadas, incluindo um spray nasal e uma vacina inalável (como um inalador para asma). Ao duplicar como o vírus selvagem ataca, essas vacinas podem ser melhores em estimular a imunidade local nas superfícies mucosas do trato respiratório.

 

Uma dose da vacina contra a COVID-19 é suficiente?

Muitas vacinas pediátricas tradicionais exigem uma segunda dose, conhecida como reforço, várias semanas ou, em alguns casos, anos depois. A dose de reforço fortalece a resposta e a memória imunológicas.

As vacinas atuais aprovadas pela FDA são administradas em duas doses com intervalo de três ou quatro semanas. Uma única injeção de qualquer uma dessas vacinas de duas doses fornece proteção contra a COVID-19, mas não tanto quanto duas doses, e não sabemos quanto tempo essa proteção dura. Observe que várias outras vacinas, ainda na fase de teste, são projetadas para serem administradas como dose única, mas os dados de eficácia estão pendentes.

Os médicos não sabem qual seria a resposta imunológica e a segurança se duas vacinas diferentes contra a COVID-19 fossem usadas para a primeira e a segunda dose. Portanto, atualmente, recomendam que as pessoas tomem a mesma vacina para a segunda dose.

 

As mutações da proteína spike enfraquecerão a eficácia da vacina?

Vírus sofrem mutação constante. Em média, um vírus SARS-CoV-2 coletado em outubro de 2020 tem cerca de 20 mutações acumuladas em comparação com a primeira cepa sequenciada em janeiro de 2020. A maioria das mutações é ruim para o vírus ou não tem efeito. No entanto, recentemente, uma nova variante com múltiplas mutações da proteína spike é considerada 70% mais contagiosa e agora é responsável por mais de 60% das novas infecções relatadas em Londres (https://www.nytimes.com/2020/12/19/world/europe/coronavirus-uk-new-variant.html#click=https://t.co/kOLMhkBZfx). É possível que as mutações da proteína spike possam afetar a eficácia da vacina, mas é muito cedo para dizer se essa nova variante mais contagiosa é menos afetada pelas vacinas atuais.

Os indivíduos vacinados contra a COVID-19 precisarão ser monitorados para identificar possíveis falhas de vacinação e novas infecções decorrentes das novas variantes.

 

Vacinas bloqueiam a transmissão de SARS-CoV-2?

Os estudos de fase 3 das vacinas contra a COVID-19 atualmente aprovadas pela FDA foram desenhados principalmente para determinar a capacidade de cada vacina de prevenir infecções sintomáticas e mitigar a gravidade da infecção. No entanto, os estudos não determinaram se as vacinas previnem as infecções assintomáticas, que sabemos serem contagiosas. Assim, os médicos não sabem se as pessoas que tomaram uma das vacinas atualmente aprovadas ainda podem contrair uma infecção assintomática e disseminar o vírus.

No entanto, uma das duas vacinas de mRNA aprovadas pela FDA causou uma redução de 63% em infecções assintomáticas entre a primeira e a segunda dose da vacina. Portanto, essas duas vacinas de mRNA, com eficácia muito alta contra a infecção sintomática, muito provavelmente reduzem a transmissão até certo ponto. Além disso, sabemos que outra vacina (da AstraZeneca e da Universidade de Oxford, atualmente não aprovada nos Estados Unidos) também reduziu o número de casos de infecção assintomática em comparação com um grupo placebo.

 

Como as vacinas acabam com uma epidemia?

Nem todas as pessoas precisam se tornar imunes para acabar com uma epidemia. Quando uma porção grande o suficiente de uma comunidade se torna imune a uma doença, como resultado de infecção natural ou vacinação, a disseminação da doença de pessoa para pessoa é limitada o suficiente para interromper a epidemia (chamada imunidade de grupo). Quantas pessoas imunes na população são necessárias para alcançar a imunidade de grupo? Isso depende de vários fatores, particularmente da eficácia da vacina para prevenir a transmissão e do quão contagiosa é a doença. Os médicos estimaram que cerca de 70% a 80% das pessoas em uma população precisam estar imunes ao SARS-CoV-2 para interromper a epidemia. Porções maiores da população precisarão estar imunes para parar a epidemia, se surgirem cepas mais transmissíveis do vírus ou se as vacinas forem menos capazes de prevenir a transmissão.

Até lá, as pessoas precisarão usar outros métodos para reduzir a transmissão do SARS-CoV-2. Esses métodos incluem distanciamento físico, utilização de máscara em público, a permanência em casa de trabalhadores não essenciais. Essas restrições precisam ser aplicadas à população geral, não apenas a grupos de alto risco (como os muito idosos); porque, mesmo que pessoas fora dos grupos de alto risco tenham uma menor probabilidade de desenvolver uma doença grave, elas correm o mesmo risco de infecção e, portanto, podem transmitir a infecção a pessoas de alto risco. Além disso, baixo risco não é nenhum risco. Algumas pessoas desenvolvem doença grave e/ou incapacidade prolongada.