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Bioequivalência e intercambialidade de medicamentos genéricos

Por

Daphne E. Smith Marsh

, PharmD, BC-ADM, CDE , College of Pharmacy, University of Illinois at Chicago

Última revisão/alteração completa ago 2017| Última modificação do conteúdo ago 2017
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Quando uma empresa desenvolve uma versão genérica de um medicamento com nome comercial de outra empresa, os especialistas em formulação de medicamentos da nova empresa precisam descobrir como fazê-lo. Não é suficiente que eles simplesmente reproduzam a estrutura química do medicamento de nome comercial ou comprem o ingrediente ativo de um fabricante de produtos químicos. (Veja também Comentários gerais sobre medicamentos genéricos e nomenclatura de medicamentos.)

Apesar de 250 miligramas (mg) de um produto químico com nome comercial serem equivalentes a 250 mg do mesmo produto químico genérico, um comprimido genérico de 250 mg contendo tal produto químico pode ou não ter o mesmo efeito no corpo que um comprimido de 250 mg de um produto com nome comercial. Isso ocorre porque tudo que é usado na formulação de um produto em particular afeta o modo como ele é absorvido na corrente sanguínea. Ingredientes inativos, como revestimentos, estabilizadores, agentes de preenchimento, aglutinantes, aromatizantes, diluentes e outros são necessários para que um produto químico se converta em um medicamento utilizável. Esses ingredientes podem ser utilizados para

  • Gerar volume para que os comprimidos sejam suficientemente grandes para manuseio

  • Inibir a desintegração dos comprimidos entre o momento em que eles são fabricados e o momento em que são usados

  • Ajudar os comprimidos a se dissolverem no estômago ou no intestino

  • Fornecer um sabor e cor agradáveis

Os componentes inativos geralmente são substâncias inofensivas que não afetam o corpo. No entanto, como os ingredientes inativos podem causar reações pouco comuns e, às vezes, reações alérgicas graves em algumas pessoas, uma versão ou marca de um medicamento pode ser preferível à outra. Por exemplo, produtos químicos chamados bissulfitos (por exemplo, metabissulfito de sódio), que são utilizados como conservantes em muitos produtos, causam reações alérgicas asmáticas (sibilos, falta de ar, aperto no peito) em muitas pessoas. Portanto, medicamentos contendo bissulfitos são claramente rotulados como tais.

Bioequivalência

Os fabricantes devem conduzir estudos para determinar se a sua versão é bioequivalente à do medicamento original — ou seja, se a versão genérica libera seu princípio ativo (medicamento) na corrente sanguínea praticamente na mesma velocidade e praticamente nas mesmas quantidades que o medicamento original. Uma vez que já se demonstrou que o ingrediente ativo no medicamento genérico é seguro e eficaz nos testes do medicamento com nome comercial, devem ser conduzidos apenas estudos de bioequivalência para demonstrar que a versão genérica produz praticamente os mesmos níveis de medicamento no sangue em função do tempo e, assim, apenas um número relativamente pequeno de voluntários saudáveis (24 a 36) é necessário.

Embora as pessoas geralmente pensem em formas de apresentação orais, como comprimidos, cápsulas e líquidos, quando pensam em medicamentos genéricos, aqueles com outras formas de apresentação, como injeções, adesivos, inaladores e outras, também devem atender ao padrão de bioequivalência. A agência reguladora de administração de alimentos e medicamentos dos EUA [U.S. Food and Drug Administration] estabelece os padrões de equivalência para as diferentes apresentações farmacêuticas do medicamento.

O fabricante do medicamento de nome comercial também deve comprovar a bioequivalência antes que uma nova forma de um medicamento aprovado possa ser comercializada. Novas formas incluem novas formas de apresentação ou potências de um produto farmacêutico de nome comercial já existente, bem como qualquer outra forma modificada que seja desenvolvida e novos medicamentos genéricos. Às vezes, a forma que foi testada originalmente é modificada por razões comerciais. Por exemplo, os comprimidos podem precisar ser mais resistentes, aromatizantes ou corantes podem ser adicionados ou modificados ou ingredientes inativos podem ser alterados para aumentar a aceitação pelo consumidor.

Procedimentos de avaliação e aprovação

A FDA avalia todas as versões genéricas de um medicamento. A FDA aprova um medicamento genérico se os estudos indicarem que o medicamento de nome comercial original e a versão genérica são essencialmente bioequivalentes. A FDA também assegura que um novo medicamento genérico contenha a quantidade apropriada do ingrediente ativo (medicamento) e seja fabricado de acordo com os padrões federais (boas práticas de fabricação), bem como que a versão genérica seja diferente do produto de nome comercial equivalente em tamanho, cor e forma — uma exigência legal.

Intercambialidade e substituição

Teoricamente, qualquer medicamento genérico que seja bioequivalente ao produto de nome comercial equivalente pode ser substituído por ele e vice-versa. Para medicamentos não protegidos por patente, o medicamento genérico pode ser a única forma disponível. Para limitar os custos, muitos médicos prescrevem medicamentos genéricos sempre que possível. Mesmo que o médico tenha receitado um medicamento de nome comercial, o farmacêutico pode fornecer um medicamento genérico, a menos que o médico tenha escrito na prescrição de que nenhuma substituição pode ser feita. Além disso, planos de saúde e convênios médicos podem exigir que sejam prescritos e fornecidos medicamentos genéricos ​​sempre que possível para reduzir custos. Alguns planos de saúde podem permitir que o consumidor selecione um produto de nome comercial mais caro receitado pelo médico, desde que o consumidor pague a diferença de custo. No entanto, em alguns programas estatais, o consumidor pode não ter escolha. Se o médico receitar um medicamento genérico, o farmacêutico deve fornecer um medicamento genérico. Na maioria dos estados, o consumidor pode insistir por um medicamento de nome comercial, mesmo que o médico e o farmacêutico tenham recomendado um medicamento genérico.

Às vezes, a substituição por genéricos pode não ser apropriada. Por exemplo, algumas versões genéricas disponíveis podem não ser bioequivalentes ao medicamento de nome comercial. Tais medicamentos genéricos ainda podem ser utilizados, mas eles não podem substituir o produto de marca registrada. Nos casos em que pequenas diferenças na quantidade de medicamento na corrente sanguínea podem fazer uma grande diferença na eficácia do medicamento, os medicamentos genéricos raramente são utilizados em substituição aos medicamentos de nome comercial, apesar de produtos genéricos bioequivalentes estarem disponíveis. Varfarina, um anticoagulante, e fenitoína, um anticonvulsivante, são exemplos de tais medicamentos. Finalmente, um produto genérico pode não ser adequado se contiver um ingrediente inativo ao qual uma pessoa é alérgica. Assim, se um médico especificar um medicamento de nome comercial na prescrição e o consumidor preferir uma versão genérica equivalente, o consumidor ou farmacêutico deverão discutir o assunto com o médico.

Os medicamentos que devem ser fornecidos em quantidades muito precisas são menos suscetíveis de serem intercambiáveis, pois a diferença entre a dose eficaz e uma dose prejudicial (margem de segurança) ou dose ineficaz é pequena. A digoxina, usada para tratar pessoas com insuficiência cardíaca, é um exemplo. Mudar de uma versão de nome comercial de digoxina para um produto genérico pode causar problemas, pois as duas versões podem não ser suficientemente bioequivalentes. No entanto, algumas versões genéricas de digoxina foram certificadas como bioequivalentes pela FDA. Farmacêuticos e médicos podem responder a perguntas sobre quais medicamentos genéricos são intercambiáveis por seus equivalentes de nome comercial e quais não são.

Um livro publicado pela FDA anualmente e atualizado periodicamente também fornece orientações sobre quais medicamentos são intercambiáveis. Este livro, Produtos farmacêuticos aprovados com avaliações de equivalência terapêutica (também conhecido como “o livro laranja”, porque tem uma capa laranja brilhante), está disponível tanto na versão impressa como on-line para qualquer pessoa, mas é destinado a uso por médicos e farmacêuticos. Veja Produtos farmacêuticos aprovados com avaliações de equivalências terapêuticas.

A substituição de um medicamento genérico às vezes pode trazer outros problemas para o consumidor. Um médico pode escrever uma prescrição para um produto de nome comercial e discutir o produto de nome comercial com o consumidor. Se um farmacêutico fornecer um produto genérico equivalente e seu rótulo não listar também a referência (produto de nome comercial), o consumidor pode não saber como o produto genérico se relaciona com o medicamento que o médico receitou. Para evitar essa confusão, a maioria dos farmacêuticos inclui agora o nome comercial de referência no rótulo quando um produto é substituído por um genérico.

Tabela
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Quando a substituição por genéricos pode não ser apropriada.

Categoria do medicamento

Exemplos

Comentários

Medicamentos no mercado desde antes do Ato Federal de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos de 1938

Apesar dos esforços da FDA, algumas marcas de produtos de reposição de hormônio da tireoide ainda não são bioequivalentes.

Medicamentos registrados antes de 1938 estão isentos da obrigação de medicamentos genéricos, mas apenas alguns deles ainda são prescritos. Alternar entre diferentes versões é imprudente, pois não há normas para compará-las disponíveis. É necessário ter cuidado ao trocar de marca.

Medicamentos com uma pequena diferença entre a dose tóxica e a dose eficaz (uma estreita margem de segurança)

Digoxina (para insuficiência cardíaca e frequência cardíaca muito rápida)

Preparações de lítio (para distúrbio bipolar)

Varfarina (um anticoagulante)

A dose tóxica é muito próxima à dose eficaz para que o medicamento seja utilizado com segurança.

Medicamentos antiepilépticos

Carbamazepina*, clonazepam, eslicarbazepina*, lamotrigina, oxcarbazepina, fenitoína*, topiramato, valproato e zonisamida

A perda do controle de convulsões tem sido relatada após a troca de marcas. A continuidade da mesma marca ou da mesma preparação genérica é recomendada

Medicamentos anti-hipertensivos

Preparações de liberação modificada de diltiazem e nifedipino

As versões genéricas não são bioequivalentes aos medicamentos de nome comercial. Preparações de liberação modificada têm diferentes características de liberação e não são intercambiáveis.

Medicamentos antiasmáticos tomados por via oral

Teofilina

Versões diferentes geralmente não são bioequivalentes. Se uma versão estiver funcionando, ela não deve ser trocada por outra, a menos que seja absolutamente necessário.

Corticosteroides em cremes, loções e pomadas

Alclometasona, ancinonida, betametasona, clocortolona, ​​desonida, desoximetasona, dexametasona, diflorasona, fluocinolona, ​​fluocinonida, flurandrenolida, fluticasona*, halobetasol, hidrocortisona, mometasona e triancinolona

Esses produtos são normalizados por testes de resposta cutânea e muitos foram classificados como bioequivalentes pela FDA. Porém, a resposta varia e diferentes veículos para administração do medicamento (cremes, pomadas, géis) podem afetar a potência do produto. A resposta pode ser imprevisível. Assim, se uma versão for eficaz, ela não deve ser trocada por outra.

Comprimidos de corticosteroides

Dexametasona, prednisolona

Muitas versões genéricas podem não ser bioequivalentes aos medicamentos de nome comercial e não devem ser utilizadas livremente para substituí-los.

Hormônios

Algumas marcas de medroxiprogesterona e metiltestosterona

Hormônios normalmente são tomados em pequenas doses, de modo que diferenças entre marcas poderiam produzir grandes oscilações na resposta.

Medicamentos para controlar gota

Colchicina

As versões genéricas de medicamentos individuais não são bioequivalentes umas às outras.

Antidepressivos

Algumas marcas de amitriptilina e uma marca de amitriptilina mais perfenazina

Nem todas as versões são intercambiáveis. O farmacêutico pode informar se a FDA considera um determinado medicamento genérico bioequivalente ao medicamento de nome comercial

Outros medicamentos

Algumas marcas de prometazina em comprimidos e supositórios, e clozapina

As versões genéricas podem não ser bioequivalentes. Embora qualquer versão possa ser eficaz, as versões não devem ser trocadas entre si.

*Não há medicamento genérico disponível.

Preparações de medicamentos de liberação modificada são versões do medicamento nas quais o preparo foi alterado de alguma forma, geralmente para tornar a liberação do princípio ativo na corrente sanguínea mais lenta. Os medicamentos de liberação modificada podem ser identificados pelas designações MR, LA, XL, CR ou SR.

FDA = Food and Drug Administration.

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