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Medicamentos para prevenir e tratar a asma

Por

Victor E. Ortega

, MD, PhD, Center for Genomics and Personalized Medicine Research, Wake Forest School of Medicine;


Frank Genese

, DO, Wake Forest School of Medicine

Última revisão/alteração completa ago 2019| Última modificação do conteúdo ago 2019
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O uso de medicamentos permite que a maioria das pessoas com asma levem uma vida relativamente normal. A maioria dos medicamentos usados para tratar as crises de asma podem ser usados (muitas vezes em doses mais baixas) para evitá-las. (Consulte também Asma.)

A terapia é baseada em duas classes de medicamentos:

  • Medicamentos anti-inflamatórios

  • Broncodilatadores

Os medicamentos anti-inflamatórios suprimem a inflamação que estreita as vias aéreas. Os medicamentos anti-inflamatórios incluem corticosteroides (que podem ser inalados ou tomados por via oral ou intravenosa), modificadores dos leucotrienos e estabilizadores de mastócitos.

Broncodilatadores ajudam a relaxar e alargar (dilatar) as vias aéreas. Broncodilatadores incluem medicamentos beta-adrenérgicos (tanto para alívio rápido dos sintomas como para controle em longo prazo), anticolinérgicos e metilxantinas.

Outros tipos de medicamentos que alteram diretamente o sistema imunológico (chamados imunomoduladores) são usados algumas vezes em pessoas com asma grave, mas a maioria das pessoas não precisa de imunomoduladores.

Medicamentos beta-adrenérgicos

Medicamentos beta-adrenérgicos de ação curta

Medicamentos beta-adrenérgicos de ação curta geralmente são os melhores medicamentos para aliviar as crises de asma. Eles também são usados para prevenir a asma induzida pelo exercício físico. Esses medicamentos são denominados broncodilatadores, pois eles estimulam os receptores beta-adrenérgicos a alargar (dilatar) as vias aéreas. Broncodilatadores que atuam em todos os receptores beta-adrenérgicos ao longo do corpo (como epinefrina) causam efeitos colaterais, como taquicardia, agitação, cefaleias e tremores musculares. Broncodilatadores (como albuterol) que atuam principalmente sobre receptores beta2 adrenérgicos, encontrados especialmente nas células dos pulmões, têm menos efeito sobre outros órgãos e, assim, provocam menos efeitos colaterais. A maioria dos medicamentos beta-adrenérgicos de ação curta, especialmente os inaláveis, agem dentro de minutos, mas seus efeitos duram apenas de duas a seis horas.

Deve ser procurada atenção médica imediata quando uma pessoa que tem asma sentir a necessidade de usar mais medicamentos beta-adrenérgicos do que o recomendado. A necessidade de uso extra, particularmente o uso contínuo, indica piora da broncoconstrição, o que pode ser perigoso, inclusive com risco possível de insuficiência respiratória e morte.

Medicamentos beta-adrenérgicos de longa duração

Beta-adrenérgicos de longa duração estão disponíveis, mas eles são usados mais para prevenir do que para tratar crises de asma. Beta-adrenérgicos de longa ação são eficazes por aproximadamente 12 horas; portanto, geralmente é preciso tomar duas doses ao dia.

Os beta-adrenérgicos de ação prolongada não são usados sozinhos, pois as pessoas que usam apenas beta-adrenérgicos de ação prolongada podem ter um risco discretamente maior de morte. Assim, os médicos sempre os prescrevem corticosteroides inaláveis para serem usados concomitantemente.

Beta-adrenérgicos de ação ultralonga

Beta-adrenérgicos de ação ultralonga são eficazes por até 24 horas; portanto, só é necessária uma dose ao dia.

Beta-adrenérgicos de ação ultralonga também não são usados como monoterapia, pois eles podem causar o mesmo aumento no risco de morte causado pelos medicamentos de ação prolongada. Assim, os médicos sempre os prescrevem corticosteroides inaláveis para serem usados concomitantemente.

O uso de beta-adrenérgicos inalatórios

Inaladores de doses controladas (inaladores portáteis contendo gás pressurizado) são o método mais comumente usado para administrar os medicamentos beta-adrenérgicos inaláveis. A pressão transforma o medicamento em um spray fino contendo uma dose medida do medicamento. A inalação deposita o medicamento diretamente nas vias respiratórias, de modo que ele atua rapidamente, mas o medicamento pode não atingir vias aéreas que estão gravemente estreitadas. Para as pessoas que têm dificuldade em utilizar um inalador de doses controladas, podem ser usados espaçadores ou câmaras de suspensão. Esses dispositivos aumentam a quantidade de medicamento disponível nos pulmões. Com qualquer tipo de inalador, o uso de uma técnica adequada é essencial. Se o dispositivo não for usado corretamente, o medicamento não atingirá as vias respiratórias.

Uma formulação do medicamento em pó seco também está disponível para muitos broncodilatadores. A formulação em pó é mais fácil para algumas pessoas usarem, em parte porque exige menos coordenação com a respiração do que ao usar um inalador dosimetrado.

Como utilizar um inalador de dose controlada

  • Agite o inalador após remover a tampa.

  • Expire completamente por um ou dois segundos.

  • Coloque o inalador diretamente na boca ou a dois ou cinco centímetros de distância e comece a inspirar lentamente, como ao tomar uma sopa quente.

  • Quando começar a inspirar, pressione a parte superior do inalador.

  • Inspire lentamente até que seus pulmões estejam cheios. (Isso deve levar cerca de cinco ou seis segundos.)

  • Segure a respiração por 10 segundos (ou enquanto você puder).

  • Expire e, se uma segunda dose for necessária, repita o procedimento depois de um minuto.

  • Se você achar difícil coordenar a respiração usando esse método, pode ser usado um espaçador.

Como utilizar um inalador de dose controlada

Um nebulizador pode ser usado para administrar beta-adrenérgicos diretamente aos pulmões. Um nebulizador usa ar pressurizado ou de ondas de som ultrassônicas para criar uma névoa contínua de medicamento que é inalada sem a necessidade de se coordenar a respiração com a administração. É frequente que os nebulizadores sejam portáteis e algumas unidades podem até mesmo ser conectadas à fonte de energia do carro. Nebulizadores e inaladores de doses controladas muitas vezes fornecem diferentes quantidades de medicamento com uma dose única, mas ambos são capazes de fornecer quantidades suficientes de medicamento aos pulmões. É menos provável que o tratamento com um nebulizador alcance vias aéreas mais distantes em pessoas que estejam respirando confortavelmente sem inspirar profundamente, tornando o tratamento com nebulizador menos eficaz do que um inalador dosimetrado usado corretamente ou uma formulação de pó seco.

Outros broncodilatadores, incluindo o anticolinérgico ipratrópio administrado via nebulizador, podem ser combinados com medicamentos beta-adrenérgicos para as crises agudas. Uma combinação de ipratrópio mais albuterol para administração via inalador de doses controladas também está disponível.

Outras apresentações de beta-adrenérgicos também estão disponíveis. Medicamentos beta-adrenérgicos também podem ser tomados na forma líquida, em comprimidos ou injetados. No entanto, os medicamentos orais tendem a agir mais lentamente do que os inalatórios ou injetáveis e são mais propensos a causar efeitos colaterais, sendo portanto, menos usados pelos médicos. Os efeitos colaterais incluem ritmos cardíacos anormais, o que pode sugerir uso excessivo.

Medicamentos anticolinérgicos

Medicamentos anticolinérgicos, como ipratrópio e tiotrópio, impedem que a acetilcolina cause contração do músculo liso e que produza excesso de muco nos brônquios. Esses medicamentos são inaláveis. Esses medicamentos aumentam (dilatam) ainda mais as vias aéreas em pessoas que já receberam medicamentos beta-adrenérgicos ou um corticosteroide inalatório.

Modificadores dos leucotrienos

Modificadores dos leucotrienos, como o montelucaste, zafirlucaste e zileutona, também ajudam a controlar a asma. Eles são medicamentos anti-inflamatórios que previnem a ação ou a síntese dos leucotrienos. Os leucotrienos são substâncias químicas produzidas pelo corpo que causam broncoconstrição. Estes medicamentos, que são tomados por via oral, são usados mais para prevenir as crises de asma do que para tratá-las.

Estabilizadores de mastócitos

Estabilizadores de mastócitos, que são inaláveis, incluem cromolina e nedocromila. Acredita-se que estes medicamentos inibam a liberação de substâncias químicas inflamatórias dos mastócitos e tornem as vias aéreas menos propensas ao estreitamento. Assim, eles também são medicamentos anti-inflamatórios. Eles são úteis para a prevenção de crises, mas não para seu tratamento. Estabilizadores de mastócitos podem ser úteis para crianças com asma e para pessoas que desenvolvem asma provocada pela prática de exercícios. Estes medicamentos são muito seguros e devem ser tomados regularmente, mesmo quando a pessoa está sem sintomas.

Corticosteroides

Os corticosteroides bloqueiam a resposta inflamatória do corpo e são excepcionalmente eficazes na redução dos sintomas de asma. Eles são a forma mais potente de medicamentos anti-inflamatórios e têm sido uma parte importante do tratamento da asma há décadas.

Os corticosteroides podem ser tomados em várias formas diferentes. Frequentemente, as versões inaláveis são melhores porque disponibilizam o medicamento diretamente nas vias aéreas e reduzem a quantidade que se espalha pelo corpo. A apresentação inalatória é usada para prevenir crises e melhorar a função pulmonar. Corticosteroides inalatórios estão disponíveis em várias potências e são, geralmente, usados duas vezes ao dia. As pessoas devem enxaguar a boca após o uso para diminuir a probabilidade de que uma infecção fúngica da boca (candidíase) se desenvolva. Corticosteroides orais ou injetáveis podem ser utilizados em doses elevadas para aliviar uma crise de asma grave e são, geralmente, mantidos durante uma a duas semanas. Corticosteroides orais podem ser administrados por vários dias após uma crise de asma e são prescritos para uso prolongado apenas quando nenhum outro tratamento é capaz de controlar os sintomas.

Se forem tomados por longos períodos, os corticosteroides gradualmente reduzem a probabilidade de ocorrer uma crise de asma, pois torna as vias aéreas menos sensíveis a uma série de estímulos desencadeadores. O uso prolongado de corticosteroides, especialmente em doses elevadas tomadas por via oral, pode causar efeitos colaterais, incluindo obesidade, osteoporose, catarata, fácil formação de hematomas, afinamento da pele, insônia, níveis elevados de açúcar no sangue e, muito raramente, psicose. Alguns estudos sugeriram que o crescimento pode ser retardado quando as crianças usam corticosteroides por um período prolongado. No entanto, é provável que a maioria das crianças que usa corticosteroides inaláveis atinjam sua altura adulta prevista.

Imunomoduladores

Omalizumabe é um medicamento que é um anticorpo dirigido contra um grupo de outros anticorpos chamados de imunoglobulina E (IgE). O omalizumabe é usado em pessoas com asma que também têm alergias graves e altos níveis de IgE no sangue. O omalizumabe impede que a IgE se ligue aos mastócitos e, portanto, impede a liberação de substâncias inflamatórias que podem estreitar as vias aéreas. Ele pode diminuir os requisitos para uso de corticosteroides orais e ajudar a aliviar os sintomas. O medicamento é administrado por via subcutânea a cada duas a quatro semanas.

Benralizumabe, dupilumabe, mepolizumabe e reslizumabe são anticorpos direcionados para moléculas que causam inflamação das vias aéreas (interleucinas). Eles são usados no tratamento de pessoas com asma grave desencadeada por alérgenos. Mepolizumabe reduz o número de crises de asma, diminui os sintomas da asma e reduz a necessidade de corticosteroides. Mepolizumabe é administrado por via subcutânea a cada quatro semanas. Reslizumabe reduz o número de crises de asma e diminui os sintomas da asma. É administrado a cada quatro semanas. Benralizumabe e dupilumabe podem ser administrados somados a outros medicamentos para a asma para as pessoas que têm uma grande quantidade de eosinófilos (um tipo de glóbulo branco) na corrente sanguínea.

Às vezes podem ocorrer reações alérgicas graves (anafilaxia) após a administração desses medicamentos; portanto, são administrados em unidades supervisionadas de assistência à saúde, como clínicas ambulatoriais ou consultórios médicos.

Metilxantinas

A teofilina, uma metilxantina, é outro medicamento que provoca broncodilatação. Atualmente, ela é usada com menos frequência do que no passado. A teofilina é geralmente tomada por via oral. A teofilina oral vem em muitas formas, de comprimidos e xaropes de ação curta a cápsulas e comprimidos de libertação e ação prolongadas. Teofilina é utilizada principalmente para a prevenção de asma.

A quantidade de teofilina no sangue pode ser medida em um laboratório e deve ser acompanhada cuidadosamente por um médico. Muito pouco medicamento no sangue pode fornecer poucos benefícios e muito medicamento pode causar ritmos cardíacos anormais de risco à vida ou convulsões. Quando a primeira dose de teofilina é tomada, uma pessoa que tem asma pode se sentir um pouco nervosa e desenvolver cefaleias. Esses efeitos colaterais geralmente desaparecem conforme o corpo se ajusta ao medicamento. Doses maiores podem causar batimentos cardíacos acelerados, náusea ou palpitações. A pessoa também pode apresentar insônia, agitação, vômito e convulsões. A ocorrência desses efeitos colaterais é uma das razões pelas quais teofilina é usada com menos frequência do que outros medicamentos.

Tabela
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Medicamentos comumente usados para tratar a asma

Medicamento

Alguns efeitos colaterais

Comentários

Anticolinérgicos (inalatórios)

Ipratrópio

Tiotrópio

Boca seca

Frequência cardíaca rápida

Normalmente usado em combinação com um medicamento beta-adrenérgico

Beta-adrenérgicos de ação curta (inalatórios)

Albuterol

Levalbuterol

Frequência cardíaca aumentada

Tremores

Para alívio imediato da crise aguda

Albuterol também disponível em formulação oral

Beta-adrenérgicos de longa ação (inalatórios)

Arformoterol

Formoterol

Salmeterol

Frequência cardíaca aumentada

Tremores

Para o tratamento em curso, não para o alívio agudo

Não recomendado para uso sozinho (sem outros medicamentos para a asma)

Beta-adrenérgicos de ação ultralonga (inalatórios)

Indacaterol

Olodaterol

Vilanterol

Coriza nasal e espirros

Hipertensão

Tosse

Dor de cabeça

Não recomendado para uso isolado (sem outros medicamentos para a asma).

Vilanterol está disponível apenas em combinação com fluticasona

Corticosteroides (inaláveis)

Beclometasona

Budesonida

Ciclesonida

Flunisolida

Furoato de fluticasona

Propionato de fluticasona

Mometasona

Triancinolona

Infecção fúngica da boca (candidíase)

Mudança na voz

Inalados para a prevenção (controle de longo prazo) da asma

Corticosteroides (orais ou injetáveis)

Metilprednisolona

Prednisolona

Prednisona

Ganho de peso

Níveis de açúcar no sangue elevados

Raramente, psicose

Osteoporose

Catarata

Adelgaçamento da pele e fácil formação de equimose

Insônia

Usados para crises agudas de asma e para asma que não foi possível controlar com terapia inalatória

Imunomoduladores (injeção)

Benralizumabe

Dupilumabe

Mepolizumabe

Omalizumabe

Reslizumabe

Desconforto no local da injeção

Raramente, reações anafiláticas

Usados em pessoas com asma grave para diminuir o uso de corticosteroides orais

Modificadores dos leucotrienos (orais)

Montelucaste

Zafirlucaste

Zileutona

Granulomatose eosinofílica com poliangeíte

Com zileutona, elevação das enzimas hepáticas

Usados mais para a prevenção (controle de longo prazo) do que para o tratamento

Estabilizadores de mastócitos (inalatórios)

Cromolina

Nedocromila

Tosse ou sibilos

Útil para prevenção de crises geralmente relacionadas à prática de exercícios, mas não para o tratamento de crises agudas

Nedocromil não está disponível nos Estados Unidos

Metilxantina (oral)

Teofilina

Frequência cardíaca aumentada

Tremores

Dor de estômago

Convulsões (se o nível sanguíneo estiver elevado)

Graves irregularidades nos batimentos cardíacos (se o nível sanguíneo estiver elevado)

Pode ser usado para prevenção e tratamento

Tomado por via oral, mas pode ser administrado por via intravenosa em um hospital

Outros medicamentos usados para prevenir e tratar a asma

Outros medicamentos são ocasionalmente usados no tratamento da asma. Esses medicamentos podem ser usados em circunstâncias específicas. Magnésio é frequentemente administrado na veia para crises agudas, no pronto-socorro.

Outros medicamentos que podem ser administrados para asma crônica incluem lidocaína ou heparina administradas com um nebulizador, colchicina e imunoglobulina intravenosa. Evidências apoiando o uso de qualquer uma destas terapias são limitadas, portanto estes medicamentos são usados com uma frequência bem menor.

Pessoas que usam corticosteroides inalatórios e têm fatores de risco para osteoporose, como idade avançada, parentes com osteoporose, uma dieta com pouco cálcio e vitamina D ou um porte físico magro, podem precisar receber suplementos de cálcio e vitamina D e bifosfonatos para tentar preservar a densidade óssea.

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