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Asma

Por

Victor E. Ortega

, MD, PhD, Center for Genomics and Personalized Medicine Research, Wake Forest School of Medicine;


Frank Genese

, DO, Wake Forest School of Medicine

Última revisão/alteração completa ago 2019| Última modificação do conteúdo ago 2019
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A asma é um quadro clínico em que as vias aéreas se estreitam, geralmente de forma reversível, em resposta a certos estímulos.

  • Tosse, sibilos e falta de ar que ocorrem em resposta a desencadeadores específicos são os sintomas mais comuns.

  • Os médicos confirmam o diagnóstico de asma fazendo testes respiratórios (função pulmonar).

  • Para evitar crises, as pessoas devem evitar substâncias que desencadeiam a asma e tomar medicamentos que ajudam a manter as vias aéreas abertas.

  • Durante uma crise de asma, as pessoas precisam tomar um medicamento que abra as vias aéreas rapidamente.

A asma afeta mais de 25 milhões de pessoas nos Estados Unidos e está se tornando mais comum. A razão para o aumento da asma não é conhecida.

Embora a asma seja uma das doenças crônicas mais comuns da infância, adultos também podem desenvolver asma, mesmo em idade avançada. A asma afeta mais de seis milhões de crianças (veja também Asma em crianças) nos Estados Unidos e ocorre mais frequentemente em meninos antes da puberdade e em meninas após a puberdade. Em crianças, a asma pode acabar se resolvendo. Contudo, às vezes a asma que parece se resolver volta anos depois.

Ela também ocorre mais frequentemente em negros não hispânicos e porto-riquenhos. Embora o número de pessoas afetadas pela asma tenha aumentado, o número de mortes diminuiu.

A característica mais importante da asma é o estreitamento das vias aéreas que pode ser revertido. As vias aéreas dos pulmões (brônquios) são basicamente tubos com paredes musculares. As células que revestem os brônquios têm estruturas microscópicas, chamadas receptores. Esses receptores sentem a presença de substâncias específicas e estimulam a contração ou relaxamento dos músculos subjacentes, alterando, assim, o fluxo de ar. Existem muitos tipos de receptores, mas dois tipos principais de receptores são importantes na asma:

  • Os receptores beta-adrenérgicos respondem a substâncias químicas, como a epinefrina, e fazem os músculos se relaxarem. Assim, eles alargam (dilatam) as vias aéreas e aumentam o fluxo de ar.

  • Os receptores colinérgicos respondem a uma substância química chamada de acetilcolina fazendo com que os músculos se contraiam, diminuindo, assim, o fluxo de ar.

Causas

As causas da asma são desconhecidas, mas a asma resulta mais provavelmente de interações complexas entre muitos genes, condições ambientais e nutrição. Condições ambientais e circunstâncias em torno da gravidez, nascimento e infância têm sido associadas ao desenvolvimento de asma na infância e mais tarde na idade adulta. O risco parece ser maior se a mãe da pessoa engravidou ainda muito jovem ou não recebeu uma nutrição adequada durante a gravidez. O risco também pode ser maior em caso de nascimento prematuro, baixo peso ao nascimento ou se não foi amamentado. Condições ambientais, como a exposição a alérgenos domésticos (como ácaros, baratas e pelo de animais) e outros alérgenos ambientais, também foram associadas a desenvolvimento de asma em crianças mais velhas e adultos. Dietas pobres em vitaminas C e E e em ácidos graxos ômega–3 também foram associadas à asma, assim como a obesidade; no entanto, não há evidência de que os suplementos alimentares dessas substâncias sejam capazes de prevenir o desenvolvimento de asma.

Em países desenvolvidos, famílias menores e menos filhos, que mantêm os ambientes interiores mais limpos, e o uso de vacinações e antibióticos podem, no início da vida, diminuir a capacidade do corpo de desenvolver resistência a alérgenos presentes no ambiente e podem explicar, parcialmente, o aumento da asma nesses países (a hipótese da higiene).

O estreitamento das vias aéreas geralmente é causado por sensibilidade anormal de receptores colinérgicos, que faz com que os músculos das vias aéreas se contraiam quando não deveriam. Certas células das vias respiratórias, particularmente os mastócitos, são tidas como responsáveis por iniciar a resposta. Mastócitos espalhados pelos brônquios liberam substâncias como histamina e leucotrienos, que causam:

  • Contração de músculos lisos

  • Aumento da secreção mucosa

  • Mobilização de certos glóbulos brancos para a área

Eosinófilos, um tipo de glóbulo branco encontrado nas vias aéreas de pessoas com asma, liberam substâncias adicionais, contribuindo para o estreitamento das vias aéreas.

Em uma crise de asma (às vezes chamada surto ou exacerbação), os músculos lisos dos brônquios se contraem, fazendo com que os brônquios se estreitem (chamado broncoconstrição). Os tecidos que revestem as vias aéreas incham devido à inflamação e secreção de muco nas vias aéreas. A camada superior do revestimento das vias aéreas pode se lesionar e derramar células, estreitando ainda mais as vias aéreas. As vias aéreas estreitas exigem que a pessoa faça mais esforço para respirar. Na asma, o estreitamento é reversível, o que significa que, com o tratamento adequado ou espontaneamente, as contrações musculares das vias aéreas são interrompidas, a inflamação se resolve, de modo que as vias aéreas se alargam novamente e o fluxo de ar para dentro e para fora dos pulmões retorna ao normal.

Como as vias aéreas se estreitam

Durante uma crise de asma, a camada de músculo liso apresenta espasmos, estreitando as vias aéreas. A camada intermediária incha devido à inflamação produzindo excesso de muco. Em alguns segmentos das vias aéreas, o muco forma estruturas pegajosas que bloqueiam as vias respiratórias parcial ou completamente.

Como as vias aéreas se estreitam

Desencadeadores da asma

Em pessoas que têm asma, as vias aéreas estreitam-se em resposta a estímulos (desencadeadores) que normalmente não afetam as vias aéreas em pessoas sem asma. Tais desencadeadores incluem

  • Alérgenos

  • Infecções

  • Substâncias irritantes

  • Exercício (chamado asma induzida por exercício)

  • Estresse e ansiedade

  • Aspirina

Muitos alérgenos inalados, incluindo pólen, partículas de ácaros do pó, secreções corporais de baratas, bem como partículas de penas e pelos de animais, podem desencadear uma crise de asma. Esses alérgenos combinam-se com a imunoglobulina E (IgE, um tipo de anticorpo) na superfície dos mastócitos para desencadear a liberação de substâncias químicas causadoras da asma. (Este tipo de asma é chamado asma alérgica.) Embora as alergias alimentares induzam asma apenas raramente, certos alimentos (como mariscos e amendoim) podem induzir crises graves em pessoas sensíveis a esses alimentos.

Desencadeadores infecciosos são, no geral, infecções respiratórias virais, como resfriados, bronquites e, menos comumente, pneumonia.

Os irritantes que podem provocar crises de asma incluem fumaça de tabaco, maconha ou cocaína, vapores (como perfumes, produtos de limpeza ou poluição do ar), ar frio e aspiração de ácido gástrico pelas vias aéreas causada pela doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). A poluição do ar tem sido associada a crises de asma.

Algumas pessoas com asma podem desenvolver estreitamento das vias aéreas enquanto praticam exercícios. Este tipo de estreitamento das vias aéreas pode ser devido a respirar ar mais seco e mais frio pela boca durante os exercícios.

Estresse e ansiedade podem desencadear a liberação de histamina e leucotrienos pelos mastócitos e estimular o nervo vago (que conecta-se ao músculo liso das vias aéreas), que, então, contrai-se e estreita os brônquios.

Chorar ou rir profundamente pode desencadear os sintomas em algumas pessoas.

Aspirina e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) desencadeiam crises em quase 30% das pessoas com asma grave, mas desencadeiam crises em menos de 10% das pessoas com asma em geral.

Síndrome de disfunção reativa das vias aéreas

A síndrome de disfunção reativa das vias aéreas (SDRVA) é o início rápido e persistente de um distúrbio semelhante à asma, que ocorre em pessoas sem histórico de asma. Ela é uma forma de doença pulmonar ambiental causada pela exposição única e elevada a óxido de nitrogênio ou compostos orgânicos voláteis (como aqueles presentes em certos alvejantes e produtos de limpeza). As pessoas têm sintomas semelhantes aos da asma, incluindo tosse, sibilos e falta de ar. O tratamento é similar ao tratamento habitual para a asma.

Sintomas

As crises de asma variam em frequência e gravidade. Algumas pessoas que têm asma não apresentam sintomas a maior parte do tempo e apresentam apenas episódios breves, ocasionais e leves de falta de ar. Outras pessoas apresentam tosse e sibilos a maior parte do tempo e sofrem crises graves após infecções virais, exercícios ou exposição a outros desencadeadores.

Sibilos são chiados que ocorrem quando a pessoa expira. A tosse pode ser o único sintoma em algumas pessoas (asma tosse-variante). Algumas pessoas com asma produzem um catarro (escarro) claro, algumas vezes pegajoso (mucoide).

Em algumas pessoas, crises de asma ocorrem principalmente à noite (asma noturna). Crises que ocorrem durante a noite podem indicar asma mal controlada.

Você sabia que...

  • A tosse pode ser o único sintoma da asma.

Sintomas de uma crise de asma

As crises de asma ocorrem mais frequentemente nas primeiras horas da manhã, quando os efeitos dos medicamentos protetores já passaram e o corpo é menos capaz de evitar o estreitamento das vias aéreas.

Uma crise de asma pode começar subitamente com sibilos, tosse e falta de ar. Outras vezes, uma crise de asma pode surgir lentamente, com piora gradual dos sintomas. Em ambos os casos, as pessoas com asma, no geral, sentem inicialmente falta de ar, tosse e pressão no tórax. A crise pode durar apenas alguns minutos, horas ou dias. Coceira no tórax ou no pescoço pode ser um sintoma precoce, especialmente em crianças. Tosse seca durante a noite ou durante a prática de exercícios pode ser o único sintoma.

Durante uma crise de asma, a falta de ar pode se tornar grave e criar uma sensação de intensa ansiedade. A pessoa instintivamente fica ereta e se inclina para a frente, usando os músculos do pescoço e do tórax para ajudar na respiração, mas ainda se esforça muito para respirar. Sudorese é uma reação comum ao esforço e à ansiedade. A frequência cardíaca geralmente acelera e a pessoa pode sentir uma pressão no tórax.

Em uma crise de asma muito grave, a pessoa consegue dizer apenas algumas palavras sem parar para tomar fôlego. No entanto, pode inclusive haver uma diminuição dos sibilos, pois quase nenhum ar está se movendo para dentro e para fora dos pulmões. Confusão, letargia e uma cor de pele azul (cianose) são sinais de que o suprimento de oxigênio da pessoa está gravemente limitado, sendo necessário tratamento de emergência. Normalmente, uma pessoa se recupera completamente com o tratamento adequado, mesmo de uma crise de asma grave. É raro as pessoas desenvolverem crises tão rapidamente a ponto de perderem a consciência antes de se administrarem uma terapia eficaz. Tais pessoas devem usar uma identificação (como um colar ou uma pulseira de alerta médico) e levar um telefone celular consigo para ligarem para a assistência médica de emergência.

Classificação

Diferente da pressão arterial elevada (na qual um fator, o valor da pressão arterial, define a gravidade da doença e a eficácia do tratamento), a asma causa uma variedade de sintomas e anormalidades nos testes. Além disso, os sintomas da asma costumam piorar e melhorar ao longo do tempo. Os médicos avaliam a gravidade da asma, e após o início do tratamento, eles monitoram a qualidade do controle dos sintomas da pessoa, porque esta informação ajuda os médicos a determinar se outros medicamentos são necessários.

Gravidade da asma

Gravidade é uma medida do quanto uma doença é grave. Em geral, a gravidade da asma é avaliada antes do início do tratamento, porque as pessoas que respondem bem ao tratamento apresentam poucos sintomas. A gravidade da asma é categorizada como

  • Intermitente: Os sintomas da pessoa ocorrem até dois dias por semana e não interferem nas atividades da vida diária

  • Leve persistente: Os sintomas ocorrem mais que duas vezes por semana, mas limitam as atividades da vida diária apenas levemente

  • Moderada persistente: Os sintomas ocorrem diariamente e limitam algumas atividades da vida diária

  • Grave persistente: Os sintomas ocorrem durante todo o dia e interferem excessivamente nas atividades da vida diária

É importante lembrar que a categoria de gravidade não prevê a seriedade de uma crise capaz de ocorrer em uma pessoa. Mesmo que a pessoa tenha uma asma leve com longos períodos sem sintomas ou com sintomas leves e uma função pulmonar normal, ela pode ter uma crise grave de asma com ameaça à vida.

Estado de mal asmático

A forma mais grave de asma é chamada de estado de mal asmático. É um estreitamento grave, intenso e prolongado das vias aéreas, resistente ao tratamento. No estado de mal asmático, os pulmões não são mais capazes de fornecer oxigênio suficiente ao corpo nem de remover o dióxido de carbono de forma adequada.

Sem oxigênio, muitos órgãos começam a apresentar disfunção. O acúmulo de dióxido de carbono leva à acidose, um estado de acidez do sangue que afeta a função de quase todos os órgãos. A pressão arterial pode cair a níveis perigosamente baixos. As vias aéreas ficam tão estreitas que é difícil mover o ar para dentro e para fora dos pulmões.

O estado de mal asmático pode exigir que uma via aérea artificial seja inserida através da boca e da garganta da pessoa entrando pela via aérea principal que leva aos pulmões (a traqueia) e que um ventilador mecânico seja usado para auxiliar a respiração. Doses mais altas do que as normais de vários medicamentos também são necessárias.

Controle da asma

Controle é o grau no qual os sintomas, efeitos sobre a vida diária e riscos de crises graves de asma são minimizados pelo tratamento. O controle da asma é semelhante à gravidade, mas é avaliado depois de iniciado o tratamento. O objetivo é que todos tenham asma bem controlada independentemente da gravidade da doença. O controle é classificado como

  • Bem controlado: Os sintomas ocorrem até duas vezes por semana

  • Não bem controlado: Os sintomas ocorrem mais que duas vezes por semana, mas não todo dia

  • Muito mal controlado: Os sintomas ocorrem diariamente

Comprometimento

Comprometimento se refere às limitações impostas pelos sintomas na vida diária. Os médicos determinam o comprometimento causado pela asma perguntando

  • A frequência dos sintomas

  • A frequência com que a pessoa acorda à noite

  • A frequência com que a pessoa usa agonistas beta-2 de curta duração para alívio dos sintomas

  • A frequência com que a asma interfere nas atividades normais

Outros fatores, como medições da função pulmonar, frequência de despertares noturnos, respostas a questionários padronizados e remédios usados para tratar a asma, também são usados para determinar a gravidade, controle e comprometimento causado pela asma.

Risco

Risco se refere à probabilidade de futuras crises de asma, diminuição da função pulmonar e efeitos colaterais relacionados aos medicamentos usados no controle da asma. Os médicos monitoram o risco com medições por espirometria (que mede a função pulmonar) ao longo do tempo, bem como com fatores como a frequência com que a pessoa precisa tomar certos corticosteroides orais ou ser hospitalizada para controlar os sintomas da asma.

Diagnóstico

  • Avaliação médica dos sintomas

  • Testes respiratórios, incluindo espirometria

Os médicos suspeitam de asma amplamente com base no relato de sintomas característicos feito pela pessoa. Os médicos confirmam o diagnóstico fazendo testes respiratórios (testes de função pulmonar). O mais importante destes testes são as medições da quantidade de ar que a pessoa consegue soprar por segundo. Esses testes são realizados antes e depois de a pessoa receber um medicamento inalável chamado beta-adrenérgico (ou agonista beta-adrenérgico), que reverte o estreitamento das vias aéreas. Se os resultados do teste forem significativamente melhores após a pessoa receber o medicamento, é levada em conta a presença de asma.

Se as vias aéreas não estiverem estreitadas na ocasião do teste, um teste de desafio pode ajudar a confirmar o diagnóstico. Em um teste de desafio, a função pulmonar é medida antes e depois de a pessoa inalar uma substância química (geralmente metacolina, mas histamina, adenosina ou bradicinina podem ser usadas) que pode estreitar as vias aéreas. A substância química é administrada em doses muito baixas para afetar uma pessoa com pulmões saudáveis, mas que causam estreitamento das vias aéreas em uma pessoa com asma.

A medição repetida da função pulmonar, com o tempo, permite que os médicos determinem a gravidade da obstrução das vias aéreas e a eficácia do tratamento.

Para testar a asma induzida por exercício físico, um examinador usa testes de função pulmonar para medir a quantidade de ar que a pessoa consegue expirar em um segundo antes e depois de a pessoa se exercitar em uma esteira ou bicicleta ergométrica. Se o volume de ar diminuir mais do que 15%, a asma da pessoa pode ser induzida por exercício.

Testes de função pulmonar também podem ser úteis quando um diagnóstico de asma não está claro e os sibilos e a falta de ar podem ser devido a outra doença, como uma doença pulmonar intersticial, doença pulmonar obstrutiva crônica ou obstrução das vias aéreas superiores.

A radiografia de tórax geralmente não é útil para o diagnóstico de asma. Os médicos usam radiografias de tórax quando consideram outro diagnóstico. No entanto, frequentemente é feita uma radiografia de tórax quando uma pessoa com asma precisa ser hospitalizada em decorrência de uma crise grave.

Identificando desencadeadores da asma com testes de alergia

Muitas vezes, é difícil determinar o que desencadeia a asma em uma pessoa.

O teste da alergia é apropriado quando há suspeita de que alguma substância evitável (por exemplo, a exposição a pelos de gato) esteja estimulando as crises. O teste cutâneo pode ajudar a identificar alérgenos capazes de desencadear os sintomas da asma. No entanto, uma resposta alérgica a um teste cutâneo não significa, necessariamente, que o alérgeno sendo testado está causando a asma. A pessoa ainda precisa observar se as crises ocorrem após a exposição a esse alérgeno. Se o médico suspeitar de um alérgeno em particular, um teste de sangue que mede o nível de anticorpos produzidos em resposta ao alérgeno (teste radioalergossorvente [radioallergosorbent test, RAST]) pode ser feito para determinar o grau de sensibilidade da pessoa ao alérgeno.

Avaliação de uma crise de asma

Como as pessoas tendo uma crise de asma grave geralmente têm baixos níveis de oxigênio no sangue, os médicos podem verificar o nível de oxigênio através de um monitor de detecção em um dedo ou orelha (oxímetro). Em crises graves, os médicos também precisam medir os níveis de dióxido de carbono no sangue, teste que normalmente requer a obtenção de uma amostra de sangue de uma artéria ou, ocasionalmente, de uma veia. No entanto, os níveis de dióxido de carbono, algumas vezes, podem ser monitorados na respiração da pessoa, utilizando-se um sensor colocado na frente do nariz ou da boca.

Os médicos também podem verificar a função pulmonar, geralmente com um espirômetro (um bocal e tubo conectado a um dispositivo de registro que é usado para medir o fluxo de ar nos pulmões) ou um medidor de pico de fluxo. Normalmente, uma radiografia de tórax é necessária apenas quando as crises de asma são graves, para descartar outros quadros clínicos sérios (como colapso pulmonar).

Diagnosticando asma em idosos

A probabilidade de idosos terem outras doenças pulmonares que também causem falta de ar (como a doença pulmonar obstrutiva crônica) é maior. Portanto, os médicos precisam determinar o quanto a dificuldade respiratória da pessoa está relacionada à asma e se seria reversível com um tratamento apropriado para asma. Frequentemente, nessas pessoas o diagnóstico envolve uma breve tentativa com medicamentos usados no tratamento da asma para ver se o quadro da pessoa melhora.

Tratamento

  • Medicamentos para reduzir a inflamação

  • Medicamentos para alargar as vias aéreas

Uma variedade de medicamentos pode ser utilizada na prevenção e tratamento da asma em adultos ou crianças (veja também Tratamento da asma em crianças). Os médicos podem usar o termo "tratamento de resgate" para descrever o tratamento de uma crise aguda e "tratamento de manutenção" para descrever tratamentos com o objetivo de prevenir crises. A maior parte dos medicamentos utilizados para prevenir as crises de asma também são utilizados para tratá-las, mas em doses mais elevadas ou em diferentes formas. Algumas pessoas precisam usar mais de um medicamento para prevenir e tratar seus sintomas. Os medicamentos para prevenir e tratar a asma são discutidos em mais detalhes em outra seção.

A terapia é baseada em duas classes de medicamentos:

  • Medicamentos anti-inflamatórios

  • Broncodilatadores

Os medicamentos anti-inflamatórios suprimem a inflamação que estreita as vias aéreas. Os medicamentos anti-inflamatórios incluem corticosteroides (que podem ser inalados ou tomados por via oral ou intravenosa), modificadores dos leucotrienos e estabilizadores de mastócitos.

Broncodilatadores ajudam a relaxar e alargar (dilatar) as vias aéreas. Broncodilatadores incluem medicamentos beta-adrenérgicos (tanto para alívio rápido dos sintomas como para controle em longo prazo), anticolinérgicos e metilxantinas.

Imunomoduladores, medicamentos que alteram diretamente o sistema imunológico, são usados algumas vezes em pessoas com asma grave, mas a maioria das pessoas não precisa de imunomoduladores. Estes medicamentos bloqueiam as substâncias no corpo que causam inflamação.

A educação sobre como prevenir e tratar crises de asma traz benefícios para todas as pessoas que têm asma e muitas vezes para seus familiares. O uso correto dos inaladores é essencial para um tratamento eficaz. As pessoas devem saber

  • O que pode desencadear uma crise

  • O que ajuda a prevenir uma crise

  • Como usar os medicamentos adequadamente

  • Quando procurar tratamento médico

Monitorando a asma em casa

Algumas pessoas usam um medidor de pico de fluxo manual para avaliar a sua respiração e determinar quando elas precisam de intervenção, antes que seus sintomas fiquem graves. Pessoas que sofrem de frequentes crises graves de asma devem saber como obter socorro rapidamente.

O pico de fluxo expiratório (a taxa mais rápida em que o ar pode ser empurrado para fora dos pulmões) pode ser medido usando-se um pequeno dispositivo manual denominado medidor de pico de fluxo. Esse teste pode ser feito em casa para monitorar a gravidade da asma. Geralmente, as taxas de fluxo de pico mais baixas são observadas entre 4h00 e 6h00 e as mais altas às 16h00. No entanto, uma diferença de mais de 30% nas taxas nesses instantes é considerada evidência de asma moderada a grave. Com frequência, pessoas com asma moderada a grave, particularmente aquelas que precisam de um tratamento diário para controlar os sintomas, usam um medidor de pico de fluxo para fazer medições e comparar com seus melhores índices, para ajudar a identificar sinais de piora da asma ou o início de uma crise de asma.

Todas as pessoas com asma devem ter um plano de ação para tratamento por escrito, que tenha sido concebido em colaboração com o seu médico. Esse plano lhes permite manter o controle de seu próprio tratamento e demonstrou reduzir o número de vezes que as pessoas precisam procurar atendimento no pronto-socorro por causa de asma.

Tratando crises de asma

Uma crise de asma pode ser assustadora, tanto para a pessoa apresentando a crise como para outros a seu redor. Mesmo quando relativamente leves, os sintomas provocam ansiedade e preocupação. Uma crise de asma grave é uma emergência de risco à vida que requer atendimento profissional qualificado imediato. Se não for tratada de forma adequada e rápida, uma crise de asma grave pode ser fatal.

Uma crise aguda em uma pessoa cuja asma foi controlada por medicamentos é chamada exacerbação ou surto.

Crises leves

As pessoas que têm uma crise de asma leve geralmente são capazes de tratá-la sem a ajuda de um profissional da saúde. Normalmente, elas usam um inalador para administrar uma dose de um beta-adrenérgico de ação curta, como albuterol, procuram ar fresco (afastando-se da fumaça de cigarro ou outros irritantes) e sentam-se para descansar. Elas podem usar o inalador três vezes, em intervalos de 20 minutos, se necessário. As crises geralmente desaparecem em cinco a dez minutos. Uma crise que não desaparecer depois do inalador ser usado três vezes, ou que piorar, provavelmente necessita de tratamento adicional supervisionado por um médico.

Crises graves

Pessoas com sintomas graves normalmente precisam ir ao pronto-socorro. No caso de crises graves de asma, os médicos oferecem o tratamento frequente (ou às vezes contínuo [sem pausa]) com broncodilatadores beta-adrenérgicos administrados com um dispositivo chamado nebulizador. Às vezes os médicos prescrevem esses broncodilatadores em combinação com anticolinérgicos. As pessoas também recebem um corticosteroide, como prednisona, por via oral ou na veia (via intravenosa). Oxigênio suplementar pode ser administrado durante as crises.

Geralmente, as pessoas que têm uma crise de asma grave são internadas se sua função pulmonar não melhorar depois de terem recebido um medicamento beta-adrenérgico inalável ou corticosteroides por via oral ou intravenosa. As pessoas também são hospitalizadas se elas tiverem um nível de oxigênio no sangue seriamente baixo ou um nível de dióxido de carbono no sangue seriamente elevado.

Antibióticos podem ser necessários se o médico suspeitar de uma infecção pulmonar bacteriana. No entanto, a maioria dessas infecções são causadas por vírus para os quais (com algumas exceções) não existe tratamento.

Pessoas que sofrem crises muito graves de asma podem precisar que uma via aérea artificial seja inserida através de sua boca e garganta (intubação) e serem colocadas em um ventilador mecânico.

Prevenção de crises de asma

A asma é uma condição crônica que não pode ser curada, mas crises individuais podem ser prevenidas. Os esforços de prevenção dependem da frequência das crises e dos estímulos que desencadeiam as crises.

Identificar e eliminar ou evitar estímulos que desencadeiam crise de asma podem, normalmente, prevenir essas crises.

  • Vapores irritantes: As pessoas que têm asma devem evitar fumaça de cigarro e outros vapores irritantes e tentar evitar a exposição a pessoas com infecções das vias respiratórias superiores.

  • Ácaros da poeira: Quando poeira e alérgenos são desencadeadores, filtros de ar e barreiras (como protetores de colchão, que reduzem a quantidade de partículas de ácaros no ar) podem ajudar consideravelmente. A exposição a ácaros domésticos pode ser reduzida através da remoção de tapetes de parede a parede e cortinas, e usando-se ar condicionado para manter a umidade relativa baixa (de preferência inferior a 50%) no verão.

  • Pelo de animais: Animais de pelo ralo ou longo, mais comumente cães e gatos, muitas vezes precisam ser doados para diminuir a exposição geral a pelos de animais. Outras medidas que podem ajudar incluem limitar a circulação de animais domésticos a certas partes da casa ou, se possível, mantê-los fora da casa. Também pode ser útil dar-lhe banho semanalmente.

  • Medicamentos: Evitar aspirina ou AINEs ajuda na prevenção de crises em pessoas cuja asma é desencadeada por esses medicamentos. Os medicamentos que bloqueiam os efeitos benéficos dos beta-adrenérgicos (chamados betabloqueadores) podem piorar a asma. Tartrazina, um corante amarelo usado em alguns comprimidos e alimentos, também pode provocar uma crise.

  • Exercício: Muitas vezes, as crises desencadeadas por exercícios podem ser evitadas com a ingestão antecipada de um medicamento para asma.

  • Frio: Para atividades ao ar livre em clima frio, as pessoas com asma podem usar uma máscara de esqui ou um lenço que cobre o nariz e a boca para ajudar a manter o ar que está sendo respirado quente e úmido.

  • Sulfitos: Sulfitos (comumente adicionados aos alimentos como conservante) podem desencadear crises após uma pessoa suscetível comer um determinado alimento ou beber cerveja ou vinho tinto. Sulfitos podem ser evitados através da atenção cuidadosa a escolhas nutricionais.

Dessensibilização com alérgenos por meio da utilização de injeções contra alergia pode ajudar a prevenir crises em pessoas cuja asma é desencadeada por alergias. Um programa de dessensibilização supervisionada pelo médico também pode ser usado para pessoas cuja asma é desencadeada por aspirina ou AINEs.

Medicamentos, como corticosteroides inalatórios ou orais, modificadores de leucotrienos, beta-adrenérgicos de ação prolongada, metilxantinas, anti-histamínicos ou estabilizadores de mastócitos, são usados para prevenir crises na maioria das pessoas com asma. Uma minoria das pessoas com asma apresenta uma doença grave que permanece não controlada, causando crises repetidas apesar do tratamento com uma combinação de terapias. Essas pessoas podem se beneficiar do tratamento com medicamentos imunomoduladores que bloqueiam substâncias que causam inflamação alérgica.

Prognóstico

Muitas crianças superam a asma, mas os sibilos podem persistir até a idade adulta ou a asma pode retornar em anos posteriores. Sexo feminino, tabagismo, idade de início precoce e alergia a ácaros aumentam o risco de persistência ou retorno da asma.

Embora seja possível morrer como resultado de uma crise de asma grave, a maioria dessas mortes pode ser prevenida com tratamento. Portanto, o prognóstico é bom com acesso adequado e aderência ao tratamento.

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