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Transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva

Por

Andrew Skodol

, MD, University of Arizona College of Medicine

Última revisão/alteração completa jan 2020| Última modificação do conteúdo jan 2020
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Fatos rápidos

O transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva é caracterizado por uma preocupação generalizada com organização, perfeccionismo e controle (sem espaço para flexibilidade ou eficiência) que acaba interferindo na conclusão da tarefa.

  • A pessoa com transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva precisa ter controle e fazer as coisas de uma maneira específica na tentativa de alcançar o perfeccionismo.

  • O médico diagnostica o transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva tomando por base sintomas específicos, incluindo preocupação com detalhes, regras, cronogramas, organização e listas e um enfoque em fazer algo de modo tão perfeito que interfere na conclusão da tarefa.

  • A psicoterapia psicodinâmica e a terapia cognitivo-comportamental podem ajudar.

Os transtornos de personalidade são padrões persistentes e generalizados no modo de pensar, perceber, reagir e se relacionar que causam sofrimento significativo à pessoa e/ou prejudicam sua capacidade funcional.

Uma vez que a pessoa com transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva precisa estar no controle, ela tende a fazer as coisas sozinha e a desconfiar da ajuda dos outros.

O transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva é um dos tipos mais comuns de transtornos de personalidade. As estimativas de quanto é comum variam, mas provavelmente ocorre em 2% a quase 8% da população geral nos Estados Unidos. É um quadro mais frequente em homens.

Considera-se que alguns traços familiares de compulsividade, variedade restrita de emoções e perfeccionismo contribuam para esse transtorno.

Com frequência, outros transtornos ocorrem concomitantemente. Com frequência, a pessoa também apresenta um ou mais dos seguintes:

Diferentemente do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), o transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva não engloba verdadeiras obsessões (pensamentos repetitivos, não desejados, intrusivos que causam muita ansiedade) e compulsões (comportamentos ritualísticos que a pessoa acha que deve fazer para controlar suas obsessões), como lavar as mãos em excesso ou verificar repetidamente que uma porta está trancada. Além disso, a pessoa com TOC com frequência se sente angustiada com sua falta de controle sobre os impulsos compulsivos. Em comparação, a pessoa com transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva se sente confortável com seu comportamento obsessivo-compulsivo porque ela acredita que ele é necessário para alcançar suas metas de ordem, perfeccionismo e controle.

Sintomas

Enfoque na ordem e no perfeccionismo

A pessoa com o transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva fica preocupada com ordem, perfeccionismo e controle sobre si mesma e sobre as situações. Para manter uma sensação de controle, a pessoa dá enfoque a regras, detalhes triviais, procedimentos, cronogramas e listas. Esse tipo de preocupação interfere com sua capacidade de ser flexível, eficaz e aberta a novas ideias. Rígidas e teimosas em suas atividades, essas pessoas insistem no fato de que tudo seja feito de uma maneira específica.

Efeitos no trabalho

Uma vez que a pessoa dá enfoque a regras, detalhes e questões de organização, ela perde o ponto principal do projeto ou atividade. A pessoa verifica repetidamente erros e dá muita atenção aos detalhes. Ela não faz bom uso do seu tempo, com frequência deixando as tarefas mais importantes para o final. Sua preocupação com os detalhes e garantir que tudo está perfeito pode atrasar indefinidamente a conclusão da tarefa. Ela não tem ciência de como seu comportamento afeta os colegas de trabalho. Quando dá enfoque a uma única tarefa, essa pessoa pode negligenciar todos os outros aspectos da vida.

Uma vez que a pessoa com transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva quer que tudo seja feito de uma maneira específica, ela tem dificuldade em delegar tarefas e trabalhar com os outros. Ao trabalhar com os outros, a pessoa pode criar listas detalhadas sobre como uma tarefa deve ser realizada e chatear-se com um colega de trabalho que sugere uma forma alternativa. Ela pode rejeitar ajuda mesmo quando está atrasada.

A pessoa com transtorno de personalidade obsessiva-compulsiva é excessivamente dedicada ao trabalho e à produtividade. Sua dedicação não é motivada por uma necessidade financeira.

Efeitos sobre outros aspectos da vida

Uma vez que essas pessoas são tão dedicadas ao trabalho, elas tendem a negligenciar atividades de lazer e relacionamentos. A pessoa pode pensar que não tem tempo para relaxar ou sair com os amigos. Ela pode adiar um período de férias por tanto tempo que elas acabam não acontecendo, ou a pessoa pode achar que deve levar o trabalho consigo para não desperdiçar tempo. O tempo passado com amigos, quando ocorre, tende a ser uma atividade organizada formalmente (por exemplo, um esporte). Passatempos e atividades recreativas são consideradas tarefas importantes que exigem organização e trabalho duro para serem dominados. O objetivo é a perfeição.

Essas pessoas planejam antecipadamente e em grande detalhe e não querem considerar alterações. Sua rigidez implacável pode frustrar colegas de trabalho e amigos.

A expressão de afeto também é rigidamente controlada. A pessoa com esse transtorno pode se relacionar com os outros de uma maneira formal, rígida ou séria. Com frequência, a pessoa fala apenas depois de pensar na coisa perfeita a dizer. A pessoa pode dar enfoque à lógica e ao intelecto e não ter tolerância com comportamento emocional ou expressivo.

Outros sintomas

A pessoa com transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva pode ser fanática, exigente e rígida em relação a questões de moralidade, ética e valores. Ela aplica princípios morais rígidos a si mesma e aos outros e é duramente autocrítica.

Ela é rigidamente deferente com as autoridades e insiste no cumprimento exato das regras, sem exceções quanto a circunstâncias atenuantes.

A pessoa com esse transtorno sente muita dificuldade em descartar objetos desgastados ou sem valor (por exemplo, eletrodomésticos quebrados), mesmo aqueles sem nenhum valor sentimental.

A pessoa com transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva pode ter relutância em gastar dinheiro, porque ela acredita que ele deve ser economizado em caso de catástrofes futuras.

Diagnóstico

  • Avaliação de um médico com base em critérios específicos

Normalmente, o médico diagnostica os transtornos de personalidade tomando por base os critérios no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), Quinta Edição (DSM-5), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria.

Para que o médico diagnostique a pessoa com transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva, ela precisa persistentemente se preocupar com a ordem, perfeccionismo e controle dela própria, dos outros e das situações, indicado por no mínimo quatro dos itens a seguir:

  • Preocupação com detalhes, regras, cronogramas, organização e listas.

  • O esforço em fazer algo de modo perfeito interfere na conclusão da tarefa.

  • Devoção excessiva ao trabalho e à produtividade (não por causa de uma necessidade financeira), resultando em negligência das atividades de lazer e amigos.

  • Retidão excessiva, meticulosidade e inflexibilidade em relação a questões e valores éticos e morais.

  • Resistência em descartar objetos desgastados ou sem valor, mesmo aqueles sem nenhum valor sentimental.

  • Relutância em delegar ou trabalhar com outras pessoas, a menos que essas pessoas concordem em fazer as coisas exatamente do jeito que ela quer.

  • Relutância em gastar dinheiro com si mesma ou com outros, porque ela acredita que ele deve ser economizado em caso de catástrofes futuras.

  • Rigidez e teimosia.

Além disso, o início dos sintomas precisa ter ocorrido no começo da idade adulta.

Tratamento

  • Psicoterapia psicodinâmica

  • Terapia cognitivo-comportamental

  • Determinados antidepressivos

O tratamento geral do transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva é semelhante ao de todos os transtornos de personalidade.

A rigidez, obstinação e necessidade de controle por parte da pessoa podem interferir com o tratamento.

Terapia psicodinâmica e terapia cognitivo-comportamental podem ajudar pessoas com transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva.

Determinados antidepressivos, denominados inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRSs), também podem ser úteis.

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