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Pedofilia

(Transtorno de pedofilia)

Por

George R. Brown

, MD, East Tennessee State University

Última revisão/alteração completa ago 2019| Última modificação do conteúdo ago 2019
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O transtorno de pedofilia é caracterizado por fantasias, desejos ou comportamentos sexualmente excitantes, recorrentes e intensos envolvendo crianças (habitualmente de 13 anos ou menos).

  • O pedófilo pode sentir-se atraído por meninos jovens, meninas jovens ou ambos, e ele pode sentir-se atraído apenas por crianças ou tanto por crianças como adultos.

  • O médico diagnostica a pessoa com pedofilia quando ela se sente extremamente angustiada ou há prejuízo na sua capacidade de funcionamento devido ao fato de ela sentir-se atraída por crianças ou quando pôs em prática seus desejos.

  • O tratamento inclui psicoterapia de longo prazo e medicamentos que alteram o desejo sexual e reduzem os níveis de testosterona.

A pedofilia é uma forma de parafilia e, uma vez que prejudica outras pessoas, é considerada um transtorno.

Para avaliar se o interesse sexual ou o envolvimento entre duas pessoas é considerado um transtorno de pedofilia é necessário levar em conta a idade das pessoas envolvidas. Em sociedades ocidentais, para que a pessoa seja diagnosticada com transtorno de pedofilia, ela precisa ter, no mínimo, 16 anos de idade e, no mínimo, cinco anos a mais que a criança que é o objeto de fantasias ou atividade sexual. No entanto, o envolvimento sexual de um adolescente mais velho (de 17 a 18 anos de idade) com uma adolescente de 12 ou 13 anos de idade pode não ser considerado um transtorno. Os critérios etários utilizados para identificar quando essa atividade é considerada um crime podem ser diferentes.

Embora as leis estaduais variem nos Estados Unidos, a lei geral considera que uma pessoa maior de 18 anos está cometendo estupro se a vítima tiver 16 anos ou menos. Casos de estupro muitas vezes não atendem à definição de pedofilia, destacando-se a natureza um tanto arbitrária de seleção de uma faixa etária específica em uma definição médica ou legal. Em muitos lugares (incluindo em alguns estados dos Estados Unidos), crianças entre 12 e 14 anos têm permissão legal para se casar, o que complica ainda mais a definição de pedofilia e estupro.

A pedofilia é muito mais frequente entre homens do que entre mulheres.

O pedófilo pode sentir-se atraído por meninos jovens, meninas jovens ou ambos. Não se sabe se meninas ou meninos têm mais risco de serem vítimas de pedófilos, embora a impressão seja que meninas têm um risco muito maior de serem vítimas de abuso sexual em geral.

Normalmente, o adulto é um conhecido da criança e pode ser um membro da família, padrasto ou uma pessoa com autoridade (como um professor ou treinador). Alguns se sentem atraídos apenas por crianças de sua própria família (incesto). Alguns pedófilos sentem-se atraídos apenas por crianças, muitas vezes de um grupo de idade específico ou de uma etapa de desenvolvimento. Outros são atraídos por crianças e por adultos.

A visualização ou o toque geral parece ser mais comum do que o toque nos órgãos genitais ou a prática de relação sexual.

Pedófilos predadores podem usar força ou coerção para ter relações sexuais com crianças e podem ameaçar machucar a criança ou os animais de estimação da criança, se a criança os denunciar. Muitos desses pedófilos têm transtorno de personalidade antissocial.

Muitos pedófilos têm ou desenvolvem abuso de substâncias ou dependência e depressão. Eles frequentemente vêm de famílias problemáticas e os conflitos conjugais são comuns. Muitos foram abusados sexualmente quando crianças.

Diagnóstico

  • Avaliação de um médico com base em critérios específicos

O médico diagnostica a presença de pedofilia quando

  • A pessoa tem repetidamente fantasias, desejos ou comportamentos que lhe causam intensa excitação sexual envolvendo uma criança ou crianças (geralmente com 13 anos de idade ou menos).

  • A pessoa se sente extremamente angustiada ou há prejuízo da sua capacidade de funcionamento (no trabalho, na família ou ao interagir com amigos) ou ela pôs em prática seus desejos.

  • A pessoa tem 16 anos de idade ou mais ou tem cinco anos a mais que a criança que é o objeto de suas fantasias ou comportamentos. (Uma exceção aqui é um adolescente mais velho que tem um relacionamento contínuo com uma criança de 12 ou 13 anos de idade.)

  • A pessoa tem tido esse quadro clínico por seis meses ou mais.

Tratamento

  • Psicoterapia

  • Medicamentos

A pedofilia pode ser tratada com psicoterapia individual ou em grupo de longo prazo e medicamentos que alteram o desejo sexual e reduzem os níveis de testosterona.

Os resultados do tratamento variam. Os melhores resultados são obtidos quando a participação é voluntária e a pessoa recebe treinamento em habilidades sociais e tratamento para outros problemas, como o abuso de drogas e depressão. O tratamento que é procurado apenas depois da apreensão criminal e de uma ação legal pode ser menos eficaz.

Simplesmente colocar o pedófilo na cadeia ou em outra instituição, mesmo por muito tempo, não muda os desejos ou fantasias pedofílicas. No entanto, alguns pedófilos presos submetidos a tratamento de longo prazo e monitorados (geralmente com o uso de medicamentos) podem deixar de praticar a atividade pedófila e ser reintegrados à sociedade.

Medicamentos

Os médicos dos Estados Unidos da América normalmente usam o seguinte medicamento:

  • Acetato de medroxiprogesterona, que é injetado em um músculo

A medroxiprogesterona (uma progestina) é similar ao hormônio feminino progesterona.

Alternativamente, é possível usar a leuprolida.

A medroxiprogesterona e a leuprolida impedem a hipófise de enviar um sinal aos testículos para produzir testosterona. Assim, ocorre uma queda nos níveis de testosterona e no desejo sexual. Periodicamente, o médico realiza exames de sangue para monitorar os efeitos desses medicamentos sobre a função hepática, bem como outros exames (incluindo exames da densidade óssea e exames de sangue para medir os níveis de testosterona). Ainda não está clara a eficácia desses medicamentos em mulheres pedófilas.

Antidepressivos denominados inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRSs) também podem ser úteis. Eles podem ajudar a controlar os desejos e fantasias sexuais. Eles também diminuem o desejo sexual e podem causar disfunção erétil.

O tratamento medicamentoso é mais eficaz quando combinado com psicoterapia e treinamento de habilidades sociais.

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